Promoção do Bem-estar para enfrentamento de questões relacionadas à violência e ao uso de drogas

Os problemas associados ao uso de drogas e violência destacam-se entre os principais desafios na área de políticas públicas de saúde, educação e segurança. Existe uma interface importante entre o uso de drogas e violência, demonstrada pela forte associação entre episódios de violência e uso de substâncias. Além disso, estas condições compartilham fatores similares de vulnerabilidade individual e social. Inúmeras tentativas de enfrentamento destes problemas, baseadas em repressão e com foco nas patologias associadas foram infrutíferas. Nas últimas décadas, novas abordagens têm sido propostas, com foco na promoção do bem-estar, seja como parte de ações preventivas ou terapêuticas. Diversos grupos de pesquisadores da Unifesp desenvolvem pesquisas relacionadas a esta temática. Nos últimos anos, estes grupos têm participado de discussões conjuntas para desenvolvimento de projetos colaborativos e convergentes e detectaram a necessidade de estabelecer parcerias internacionais para acelerar o avanço científico nestas áreas. Tornam-se necessários estudos aprofundados que permitam avaliar e comparar o impacto de diversos tipos de políticas públicas já utilizadas em diferentes países, assim como estudar os fatores de vulnerabilidade biológicos, psicológicos e sociais nos diferentes contextos e culturas, para desenvolvimento de novas abordagens adequadas à realidade brasileira. Esta proposta tem como passo inicial a promoção de um encontro científico integrador das diversas áreas (saúde, educação, segurança, justiça, assistência social) com pesquisadores nacionais e estrangeiros que tem se destacado no estudo desta temática e que tenham disponibilidade para desenvolver parcerias internacionais em projetos de pesquisa e extensão. Após o evento, por meio de cursos ministrados na Unifesp por pesquisadores de diversos países e missões de pesquisa para desenvolvimento de projetos multicêntricos internacionais, será realizado o aprofundamento dos estudos e pesquisas nesta temática. Espera-se, com estas parcerias, o desenvolvimento de uma sólida rede de colaboração internacional, a ampliação da produção científica inovadora e de alta qualidade, assim como da capacitação dos recursos humanos da Unifesp nesta temática.

Linhas de Pesquisa

  • Análise da Influência do Polimorfismo Genético Associado aos Neurocircuitos de Recompensa e Estresse e do Estresse Ambiental no Desenvolvimento da Dependência de Álcool

A dependência de drogas é um problema mundial e frequente envolvendo jovens e adultos, sendo o álcool a droga mais comumente usada e associada a inúmeros problemas sociais e de saúde. Entretanto, nem todas as pessoas que consomem bebidas alcoólicas se tornam dependentes. A transição do uso ocasional para a dependência é influenciada por reforços positivos (estado de prazer decorrente do uso) e negativos (alívio de sintomas desagradáveis tais como situações de estresse ou depressão ou ainda sintomas de abstinência). Há uma lacuna de conhecimento sobre os fatores responsáveis por esta transição. Diversos processos de neuroadaptação são desencadeados pelo uso crônico da droga, incluindo-se entre eles a tolerância e a sensibilização, envolvendo vários sistemas de neurotransmissão. O entendimento das bases genéticas subjacentes às alterações nos sistemas de recompensa e estresse pode contribuir para a compreensão dos mecanismos envolvidos no reforço que leva à dependência de álcool e outras drogas. Neste projeto tem como objetivo estudar a associação entre a presença de polimorfismo em genes associados aos neurocircuitos da recompensa e do estresse, a presença e a percepção de eventos estressantes na infância e vida adulta e a dependência de álcool. Farão parte do estudo 400 indivíduos, sendo 200 pessoas diagnosticadas como dependentes de álcool (na vida) e 200 pessoas não dependentes. Será analisada a presença de polimorfismo nos genes associados aos neurotransmissores, receptores, enzimas e transportadores dos sistemas Dopaminérgico, CRFérgico e Noradrenérgico, histórico de eventos estressantes na vida através do Life Experiences Survey (LES), a vivência de experiências traumáticas através do Questionário Sobre Traumas na Infância (QUESI), a condição atual de percepção de estresse através da Escala de Estresse Percebido (PSS-10) e quais situações desencadeiam o beber através do Inventário de Situações do Beber (ISB).

  • Programa de bem-estar nas escolas

A intervenção em Mindfulness tem-se mostrado uma das principais práticas promotoras de bem estar, tendo como intuito o de regular não só a atenção como também as emoções, facilitando o lidar com os possíveis sentimentos de frustração que surgem e também formas alternativas de se auto motivar. Essas qualidades não se referem apenas a desenvolver a atenção e auto-regulação emocional, mas também as disposições pro-sociais como a empatia e compaixão, auto-representações, sensibilidade ética, criatividade e habilidades do enfrentamento de resolução de problemas, permitindo com que as crianças se preparem para lidar com os futuros desafios. Desta forma, o programa de bem estar nas escolas compõem o escopo da proposta do Centro de Pesquisa Aplicada em Bem-Estar e Comportamento Humano. A proposta dessa pesquisa em andamento tem como objetivo desenvolver e testar a eficácia de um programa de práticas interventivas orientadas para a educação emocional em escolas, integrando técnicas de Mindfulness com professores, alunos e verificar a repercussão das técnicas de Mindfulness com os familiares das crianças em escolas de educação básica do município de São Paulo. A internacionalização poderá facilitar a ampliação do conhecimento na área e elaboração de novas propostas que incluam escola, família e comunidade no gerenciamento da prevenção e promoção da saúde legados ao bem estar.

  • Intervenções inovadoras frente a problemas relacionados ao consumo do álcool no Brasil: Busca de novas abordagens para uma antiga questão de saúde pública

Os problemas relacionados ao consumo do álcool se destacam como prioridades em saúde pública. Trata-se de uma antiga questão que, apesar dos avanços científicos, ainda envolve inúmeros desafios, como os riscos entre jovens, a dificuldade de detecção precoce da dependência, o estigma, as recaídas e a articulação da rede de cuidado multiprofissional. Nas últimas décadas, houve grande avanço tecnológico, novos modelos de educação ganharam proeminência, assim como a promoção de saúde e bem-estar, redução de danos e abordagens familiares e comunitárias. Alinhado a perspectivas atuais, este projeto temático tem por Objetivo desenvolver, adaptar e avaliar intervenções inovadoras, voltadas para alguns dos mais desafiadores problemas relacionados ao consumo do álcool, a partir da experiência e articulação entre pesquisadores nacionais e internacionais com sólida trajetória técnica e científica de diferentes áreas do conhecimento. As abordagens a serem estudadas foram selecionadas a partir de evidências científicas internacionais e pressupostos teóricos valorizados na nossa cultura. Métodos: As intervenções serão desenvolvidas ou adaptadas por técnicas qualitativas de coleta e análise de dados. As avaliações de efetividade serão realizadas por ensaios clínicos ou comunitários, randomizados e controlados, com análise estatística inferencial. Também estão previstas reuniões técnicas e científicas, para discussão dos resultados e potenciais aplicações práticas. Como resultado do projeto, é esperada a ampliação da gama de intervenções avaliadas para a nossa realidade, bem como o fortalecimento da rede de pesquisa e formação na área.

  • Projeto Integrador: Interfaces entre violência e drogas

As interfaces entre violência e drogas são plurais. Tendo a política de drogas como norteador transversal comum, pretende-se, no presente estudo, investigar e refletir acerca de algumas vertentes dessa relação. O atual modelo de política de drogas, com foco na redução da demanda e da oferta de drogas tem contribuído para o aumento da violência, assim como do encarceramento, dos riscos à saúde dos usuários de drogas e do estigma e preconceito dirigidos a essa população, principalmente entre aqueles que apresentam maior vulnerabilidade social. A relação entre violência e drogas também pode ser entendida a partir do enfoque epidemiológico, biológico e social. Características genéticas podem contribuir para diferentes reações na vivência de situações de violência, em especial nas fases iniciais do desenvolvimento (infância e adolescência), o que sabidamente aumenta a vulnerabilidade para problemas com o uso de drogas. Por outro lado, a violência é também uma consequência do uso problemático de drogas. Este projeto temático tem como objetivo principal unir pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento para a proposição de intervenções mais eficazes para lidar com este problema. Pretende-se desenvolver e/ou adaptar intervenções ainda pouco estudadas no Brasil, mas reconhecidas na literatura científica internacional na prevenção da violência, do abuso de drogas e no tratamento daqueles com problemas relacionados ao uso de substâncias, vítimas ou perpetradores de episódios de violência. Tal objetivo será atingido por meio de parceria com pesquisadores nacionais e internacionais com reconhecimento técnico e científico de diversas áreas do conhecimento. Método: Serão estudadas pessoas com problemas associados ao uso de drogas e/ou violência em relação a características genéticas, psicológicas e sociais, na busca de fatores de risco e de intervenções a serem testadas por meio de ensaios clínicos, randomizados e controlados. Ao longo do desenvolvimento deste projeto serão realizadas reuniões para planejamento e discussão dos resultados, visando a implantação das intervenções testadas e adequadas ao contexto brasileiro. Espera-se com este estudo a ampliação do conhecimento sobre a relação entre violência e drogas, o desenvolvimento de formas mais eficazes de se prevenir a violência e o uso abusivo de drogas, assim como promover o bem-estar da população mais vulnerável a esses problemas. Parte deste projeto já se encontra em fase adiantada de coleta de dados.

Países envolvidos
Espanha; Estados Unidos; Canadá; França; Nova Zelândia; Holanda; Reino Unido; Portugal; México; Índia; Uruguai; Suíça; Argentina; Austrália.

Coordenadora
Prof.ª Dr.ª Maria Lucia O.S. Formigoni

 

Pró-Reitorias

Unidades universitárias

Campi

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