Oncologia

Oncologia é dedicada ao estudo e tratamento do câncer, cujo desenvolvimento está relacionado a fatores ambientais e hábitos de vida, sendo 10% hereditários. O tratamento multidisciplinar, com foco na prevenção, diagnóstico e tratamento, é fundamental. O instituto nacional de câncer estima 600 mil novos casos de câncer no biênio 2018-2019 no brasil. À exceção do câncer de pele não melanoma, os tipos de câncer mais incidentes em homens serão próstata, pulmão, intestino, estômago e cavidade oral e, nas mulheres, os cânceres de mama, intestino, colo do útero, pulmão e tireoide. Apesar de grandes avanços no conhecimento da etiopatogenia do câncer, esse continua retirando milhões de vidas todos os anos, sendo a 2ª causa de óbito no brasil. 90% destes tumores poderiam ser curados se fossem diagnosticados precocemente e tratados adequadamente. Embora esta patologia seja bastante complexa em seus mecanismos de desenvolvimento e respostas à aplicação terapêutica, poucas faculdades de medicina têm uma disciplina específica de oncologia em sua grade curricular. O diagnóstico e tratamento dos diferentes tipos de tumor avançaram nos últimos 15 anos. Métodos de imagens permitiram a identificação de tumores cada vez menores e biomarcadores permitiram que os diagnósticos fossem mais precisos. A inclusão da biologia molecular e celular tem resultado na identificação de potenciais alvos terapêuticos e marcadores de risco para desenvolvimento de tumores. No entanto, o conhecimento sobre o câncer é extremamente dinâmico. Os desafios para o estabelecimento de tratamentos mais específicos, com menos efeitos colaterais e resistência aos fármacos, estão atualmente presentes. Assim, o aprimoramento e a troca de conhecimento dos mecanismos moleculares e celulares do câncer, a procura por novos biomarcadores e terapias antitumorais e o cuidado com o paciente e seus familiares são fundamentais. A unifesp é um centro de excelência em pesquisa, ensino e assistência clínica, e precisa desenvolver visão ampla e multidisciplinar na área da oncologia com a formação de recursos humanos altamente qualificados. Além disso, precisa estimular a formação de redes de pesquisas internacionais com vistas a aprimorar a qualidade da produção acadêmica vinculada à pós-graduação sobre o tema.

Linhas de Pesquisa

  • Mecanismos Moleculares e Celulares do Câncer

O diagnóstico precoce e preciso do câncer é fundamental para seu tratamento adequado. O conhecimento dos mecanismos moleculares e celulares de tumores hereditários e esporádicos permitirá realizar diagnóstico individualizado que resultará em acompanhamento e tratamento personalizado. A constante replicação das células tumorais demanda uma grande quantidade de energia e para sustentar este processo a célula neoplásica precisa ajustar o seu metabolismo, o que leva à desregulação energética celular. Além disso, a célula neoplásica precisa adquirir a capacidade de evasão da resposta imune, ou seja, sair dos mecanismos de vigilância e adquirir resistência aos mecanismos efetores do sistema imune. Estabelecido o tumor, este precisará de nutrientes e oxigênio. Haverá então importante interação com o sistema circulatório por meio da indução de angiogênese. Finalmente, a progressão da doença se dá pela invasão e metástase. Essa capacidade é uma das mais letais do câncer desde que, apesar dos avanços da ciência e da medicina, o tratamento da doença metastática, na maioria dos casos, não é bemsucedido. Todos estes processos estão sendo estudados por pesquisadores de diferentes disciplinas da UNIFESP. É fundamental o aprimoramento do conhecimento desses mecanismos e o desenvolvimento de novas metodologias, recentemente disponíveis em centros internacionais de excelência na área oncológica. Entre as ferramentas disponíveis estão o sequenciamento de nova geração (NGS) e o desenvolvimento de pipelines de análise (Bioinformática). Uma vez identificados os eventos, é necessário distinguir os genes associados ao câncer (drivers) daqueles que não desempenham papel fundamental na gênese e progressão. Além de aprimorar nosso conhecimento em cultura de células em 3D e outros ensaios biológicos e bioquímicos, ferramentas de edição gênica baseadas na tecnologia CRISPR-Cas9 precisam ser implantadas em nossos laboratórios. Para a obtenção do material biológico, projetos de aprimoramento técnico em cirurgia minimamente invasiva precisam ser desenvolvidos na UNIFESP. A descoberta de novos imunoterápicos e fármacos para o tratamento do câncer dependerá da caracterização molecular e celular dos diferentes cânceres, mas principalmente de estudos pré-clínicos e ensaios clínicos bem desenhados para pacientes caracterizados quanto ao perfil molecular.

  • Biomarcadores e Terapia Antitumoral

Os marcadores biológicos são moléculas presentes no tumor ou fluidos biológicos, cujo aparecimento e/ou alterações em suas concentrações estão relacionados com a gênese e o crescimento de células tumorais. Em alguns casos, o biomarcador pode ser produzido por indivíduos saudáveis, mas níveis elevados indicam desregulação e, portanto, a presença de um tumor. Existe uma enorme variedade de biomarcadores, que podem ser enzimas, receptores de membrana celular ou anticorpos, ácidos nucleicos, pequenos peptídeos, entre outros. Esses marcadores podem auxiliar o médico no diagnóstico, estadiamento, avaliação de resposta terapêutica, recidiva e prognóstico. Auxiliam também no desenvolvimento de novas modalidades de tratamento e/ou avaliação da farmacocinética de fármacos. Um dos grandes desafios é o desenvolvimento de fármacos alvo-específicos que não causam danos às células normais ou que possam ser usados em associação a terapias convencionais. Tratamentos que alvejam o microambiente tumoral e fatores teciduais de resistência aos fármacos também precisam ser mais bem explorados. A identificação de biomarcadores é agora favorecida pelo uso de técnicas como sequenciamento de larga escala, matrizes de expressão gênica e espectroscopia de massas. A grande quantidade de dados gerados usando essas técnicas significa que atenção especial deve ser dada ao desenho do estudo e análise dos dados, a fim de minimizar associações que são posteriormente determinadas como falso-positivas. A UNIFESP possui equipamentos multiusuários para as tecnologias “ômicas” e laboratórios de diferentes áreas do conhecimento vêm desenvolvendo técnicas de biologia molecular e celular, bioquímicas e estudos in vivo com animais na busca de novos alvos. Encontramo-nos na era do desenvolvimento da pesquisa translacional, em que estudos clínicos estão acoplados à pesquisa de marcadores preditivos de resposta; desenvolvimento do tratamento personalizado dirigido contra alvos moleculares específicos; bem identificação de mutações em genes e outras alterações que predispõem ao câncer, os quais podem ser marcadores para a indicação de medidas de prevenção e detecção precoce da doença. A colaboração com pesquisadores internacionais para a troca de conhecimentos e aprimoramento dos mesmos será extremamente importante para o avanço da nossa pesquisa científica e da formação de recursos humanos altamente qualificados.

  • Assistência ao paciente oncológico e sua família: ações para a melhoria da qualidade de vida e segurança

O câncer é um problema mundial de saúde pública. No Brasil, a mortalidade representa 16,2%. As abordagens de tratamento envolvem diversos cenários de assistência e agregam inúmeros profissionais para propiciar as condições necessárias para a sua prevenção, diagnóstico e tratamento, lidando rotineiramente com os avanços tecnológicos e terapêuticos. O entendimento sobre o papel de cada profissional nesses contextos é essencial para uma assistência de qualidade ao paciente oncológico e sua família. No Brasil, políticas de atenção oncológica vêm favorecendo o arsenal terapêutico e estimulando a multiplicação de centros de atendimento com alta resolutividade. O Estado de São Paulo concentra uma rede complexa de atendimento ao paciente oncológico usuário do Sistema Único de Saúde (SUS), mas apesar do incremento na oferta diagnóstica e terapêutica, ainda convive-se com estatísticas sombrias de mortalidade, pois na maioria dos casos o paciente apresenta-se em estágios avançados da doença. Deste modo, o câncer gera fragilidades e vulnerabilidades, social, econômica, étnica e educacional nos indivíduos, tanto pela sua prevenção e agressão da patologia como pelo tratamento, cuidados paliativos e cuidados no fim da vida. Os eventos adversos em pacientes oncológicos se configuram em fonte de preocupação em todas as áreas de assistência inclusive na enfermagem. Além de prestar assistência, o enfermeiro oncologista tem o papel educacional, orientando paciente e seus familiares durante o tratamento. É primordial desenvolver as competências, tanto no ensino quanto na prática profissional, para tornar o cuidado em oncologia efetivo e eficaz. De acordo com o Programa Nacional de Segurança do Paciente, ainda recente, são necessárias à melhoria dos processos assistenciais, na qual são sistematicamente abordadas pela Organização Mundial da Saúde. A cooperação internacional irá proporcionar: - a ampliação nas discussões sobre gestão de riscos e eventos adversos; custos da não qualidade; estratégia de qualidade associada à prática clinica; gestão de qualidade; desenvolvimento de indicadores; participação do paciente em sua própria segurança; impactos sociais e econômicos da gestão da qualidade; - formação de recursos humanos destacando-se: liderança; comunicação; trabalho em equipe; advogar em favor do paciente; manejo do risco; inteligência emocional; tomada de decisão e gestão e planejamento centrado na segurança.

Países envolvidos
Irlanda; Canadá; França; Itália; Bélgica; Alemanha; Chile; Austrália; Espanha; Estados Unidos; Holanda; Reino Unido; Portugal.

Coordenadora
Prof.ª Dr.ª Catarina Segreti Porto

 

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