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Terça, 26 Julho 2016 18:27

Controlar o processo inflamatório associado à obesidade reduz a ocorrência de síndrome metabólica em até 50%

Estudo avaliou 69 adolescentes obesos, voluntários do Grupo de Estudos da Obesidade

Por José Luiz Guerra

Controlar o processo inflamatório associado à obesidade e reduzir a ocorrência da síndrome metabólica é tão ou mais importante do que o controle do sobrepeso. Essa foi uma das conclusões da tese de doutorado da nutricionista Deborah Masquio, sob a orientação de Ana Dâmaso, docente do programa de pós-graduação em Nutrição da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) – Campus São Paulo. A pesquisa avaliou 69 adolescentes obesos, todos voluntários do Grupo de Estudos da Obesidade, que é ligado ao programa.

A síndrome metabólica é um conjunto de alterações que elevam o risco cardiovascular e a taxa de mortalidade. Entre suas características estão o excesso de gordura na região abdominal, níveis elevados de triglicérides, alterações nos valores do colesterol, glicemia e pressão arterial e aumento de circunferência da cintura (o que pressupõe a adiposidade abdominal). Já o processo inflamatório é caracterizado pela secreção de substâncias pelo tecido adiposo, as quais são capazes de elevar o risco cardiovascular.

Os voluntários selecionados foram divididos em dois grupos, ambos com diagnóstico de obesidade: o primeiro, com 19 portadores de síndrome metabólica, e o segundo, com 50 indivíduos isentos da doença. Todos se submeteram a tratamento de um ano, que consistia na realização de exercícios físicos três vezes por semana; intervenção nutricional em grupos semanais, associada à consulta individual a cada mês; atendimento psicológico semanal – individual, para os casos mais específicos, ou em grupos; avaliação por fisioterapeuta e acompanhamento mensal com médico endocrinologista.

No início e no final do tratamento, os voluntários foram avaliados por meio dos seguintes instrumentos: pletismografia por deslocamento de ar e ultrassonografia abdominal, ambos destinados a verificar a composição corporal; medição antropométrica de peso e estatura; ultrassonografia da artéria carótida; e exames de sangue. A ultrassonografia abdominal permitiu estimar a adiposidade visceral e subcutânea da região abdominal, enquanto os exames de sangue determinaram os níveis de glicose e insulina, o perfil lipídico e o perfil inflamatório de variáveis como leptina, adiponectina e inibidor ativador de plasminogênio-1 (PAI-1), que é um marcador de risco pró-trombótico.

Com a intervenção interdisciplinar, a pesquisadora verificou que a prevalência da síndrome metabólica no primeiro grupo caiu de 27,5% para 13%. Além disso, reduziu-se significativamente a prevalência de alterações na circunferência da cintura (de 91,3% para 57,9%), nos níveis de glicose no sangue (de 10,1% para 2,9%), nas pressões sistólica (de 34,8% para 8,7%) e diastólica (de 21,7% para 1,45%) e no excesso de insulina (de 53,6% para 23,2%) e de leptina (de 66,7% para 40,6%) no sangue. Por outro lado, houve um aumento dos níveis de adiponectina, controlando-se a produção de leptina e o processo inflamatório. Do ponto de vista nutricional, a autora afirma que, para minimizar o processo inflamatório, foi necessário reduzir o excesso de gordura na região abdominal. “Um dos focos principais da intervenção nutricional foi o aumento do consumo de frutas, verduras e legumes e o estímulo à ingestão de substâncias antioxidantes que diminuem o processo inflamatório”.
 
Avaliação

Masquio explica que o excesso de gordura corporal, principalmente na região abdominal, está diretamente ligado ao processo inflamatório. “A gordura em excesso, principalmente visceral, secreta substâncias consideradas pró-inflamatórias, que são denominadas adipocinas (proteínas), como a leptina, o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), a interleucina-6 (IL-6) e também o PAI-1, que forma trombos ou coágulos. Nesse contexto, temos um aumento da adiponectina, que é uma adipocina também secretada pelo tecido adiposo, cuja ação é anti-inflamatória e que se encontra reduzida na obesidade”. A alteração desses marcadores eleva o risco de doenças cardiovasculares em longo prazo, pois eles atuam em diversas fases do processo de aterosclerose, que é o acúmulo de placas de gordura, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias. Isso restringe o fluxo sanguíneo e pode levar a graves complicações de saúde.

Para Dâmaso, o controle do processo inflamatório associado à obesidade é tão ou mais importante do que o controle do peso. “Por meio desse estudo, Deborah mostrou que, além de reduzir a espessura da carótida, que é um marcador subclínico importante da aterosclerose, foi possível controlar a razão leptina/adiponectina; houve, então, o controle do processo inflamatório, o que favoreceu a redução da espessura da carótida e de todos os marcadores da síndrome metabólica”, resume a docente.

 

 
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