Sexta, 03 Julho 2015 13:54

Ajuste fiscal, análise de conjuntura e direitos sociais são temas de debate na Unifesp

André Singer e Gilberto Maringoni apresentaram suas visões sobre o momento político e econômico do país

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Na última quinta-feira, dia 02 de julho, a Reitoria da Unifesp recebeu os professores André Singer (Ciência Política – Universidade de São Paulo) e Gilberto Maringoni de Oliveira (Relações Internacionais – Universidade Federal do ABC) para nova rodada de debates do Fórum em Defesa da Educação Superior Pública. O evento foi mediado por Alberto Handfas, professor do campus Osasco, da Unifesp.
 
Com o tema “Ajuste Fiscal, Análise de Conjuntura e Direitos Sociais” os debatedores explanaram para um público formado por alunos, docentes e técnicos administrativos em educação. Estiveram também presentes a reitora da Unifesp, Soraya Smaili, pró-reitores e diretores dos campi da Unifesp, além de representantes da Associação dos Docentes da Unifesp (Adunifesp), do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de São Paulo (Sintunifesp) e do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU).
 
André Singer iniciou explicando que o ajuste fiscal se trata de uma mudança da política econômica do governo, mais do que meramente política. É particularmente significativa do ponto de vista nacional e estrutural. “O ajuste fiscal vai passar, não creio que isso se eternize. Mas pode ter consequências importantes de longo prazo”, esclareceu.
 
O cientista político afirmou ainda que vivemos uma crise do lulismo, certamente a mais grave desse período histórico, mas que também produziu certas transformações sociais, entre elas a ampliação do acesso a direitos básicos pela população de baixa renda e a expansão do ensino superior público. “O governo Lula salvou o ensino superior público, mesmo considerando todas as dificuldades estruturais do processo de expansão. Mas seria melhor não tê-lo feito?”. Singer também tratou de temas como as diferenças entre o reformismo forte e fraco, realinhamento eleitoral, crise e economia financeira mundial, governo Dilma, movimento neoliberal e desenvolvimentista, pressão inflacionária, investigações como a Lava Jato e as decisões em curso da câmara dos deputados.
 
“Estamos no meio de um processo complexo de luta. Acho que não se deve dizer que houve uma derrota em relação aos avanços efetivos ocorridos nos últimos 12 anos, ainda contraditórios, mas de fato ela pode ocorrer. Isso vai depender da articulação das forças sociais, de como se colocarão os atores sociais e a sociedade, por meio dos seus movimentos organizados”, finaliza Singer.
 
Já Gilberto Maringoni fez uma análise da situação brasileira atual. “Esse clima de desalento se dá porque a população parece não ter onde se agarrar. Quem é ativista, quem luta pela expansão democrática e econômica, não vê soluções muito além porque o discurso da necessidade do ajuste fiscal combinou um certo catastrofismo econômico com um discurso enganoso que fala dos limites. Não podemos continuar as políticas anteriores porque chegamos ao limite. Esse é o discurso geral das abas do governo, da presidente Dilma, do ex-presidente Lula. Mas não se discute o que é esse limite. Ele não é uma parede estática colocada na frente da sociedade brasileira”, explica Maringoni.
 
O professor também pontuou o momento político da Câmara Dos Deputados, da CPI da Petrobras, do panorama do governo Dilma, da taxa de juros e crédito ao consumidor, valoração da taxa cambial, interesses da sociedade, entre outros temas.
 
Após diálogo aberto da plateia com os debatedores, a reitora Soraya Smaili reforçou a importância da discussão de temas estratégicos na universidade e sua responsabilidade. “Temos que desenvolver ainda mais o debate e a reflexão, mas também devemos propor à sociedade ações efetivas para seu futuro”, pontuou a reitora.
 
Uma nova rodada de debates do fórum será realizada em agosto e toda a comunidade será convidada a participar.

 

Lido 6945 vezes Última modificação em Quarta, 14 Outubro 2015 13:50

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