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Sexta, 07 Março 2014 17:10

Diferenças salariais entre homens e mulheres ainda persistem no Brasil

Em 2012, as mulheres receberam quase R$ 73, em média, para cada R$ 100 recebidos pelos homens

Em razão das conquistas das últimas décadas no mercado de trabalho, as mulheres têm motivos para celebrar mais um Dia Internacional da Mulher, entretanto, elas continuam a receber, em média, salários menores se comparados aos dos homens. Em 2012, elas receberam quase R$ 73, em média, para cada R$ 100 recebidos pelos homens, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

É interessante notar que, mesmo em funções tradicionalmente identificadas como “femininas”, as mulheres apresentam menor salário médio que o dos homens. “É o caso, por exemplo, do segmento da educação, da saúde e dos serviços sociais”, explica a professora Daniela Verzola Vaz, do curso de Ciências Econômicas da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Universidade Federal de São Paulo (EPPEN/Unifesp).

Atualmente, no Brasil, as mulheres representam 43,4% das pessoas economicamente ativas, isto é, aquelas que trabalham ou procuram emprego, de acordo com a PNAD de 2012. Apesar disso, elas são a maioria dos desempregados: 57,8%. “Esse fato chama a atenção, pois elas são, em média, mais escolarizadas que os homens, apresentando uma média de anos de estudo formal concluído de 7,7 anos, contra 7,3 anos dos homens”, revela a professora, que pesquisa as diferenças salariais entre os gêneros.

Salários maiores na administração pública federal

No entanto, um dado pesquisado por Daniela contrasta essa realidade: na administração pública federal, as mulheres recebem, em média, mais que os homens. Esse segmento, porém, representa 7,3% de todo o setor público brasileiro e nele as mulheres perfazem apenas 28,6% dos servidores, segundo dados da PNAD de 2012. “Trata-se, assim, de uma quantidade pequena de servidoras que, em média, apresentam maiores salários que os dos homens”, conclui. Nesse setor, segundo ela, tem havido um avanço gradual da presença feminina nos escalões superiores das organizações.

“Entre os secretários de órgãos finalísticos, dirigentes de autarquias e fundações e subsecretários de órgãos da Presidência da República, as mulheres representavam 14,4% dos servidores em novembro de 1997, passando a aproximadamente 20% em outubro de 2013, dado mais recente disponível.”

Histórico

O ingresso acentuado das mulheres no mercado de trabalho se deu a partir dos anos 70 no Brasil. Foram vários os fatores que contribuíram para isso: a queda da fecundidade, o que reduziu o número de filhos por mulher, liberando-as para o trabalho; as transformações nos padrões de comportamento, estimuladas pela urbanização e também pelo movimento feminista; a expansão da escolaridade e o acesso das mulheres às universidades, entre outros.

Em relação a esse último aspecto, é preciso ressaltar que o ingresso em grande escala das mulheres na educação superior tornou-se uma realidade apenas com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1961, que equiparou a escola normal aos demais cursos de segundo grau, permitindo aos indivíduos que faziam o magistério — a grande maioria das mulheres — disputarem o vestibular. “A partir desse momento, a presença feminina nas carreiras superiores tornou-se crescente, permitindo a gradual eliminação do hiato educacional entre os gêneros”.

 

Lido 6851 vezes Última modificação em Quarta, 14 Outubro 2015 15:38

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