Quinta, 04 Março 2021 08:45

Pesquisa da Unifesp associa baixos níveis de atividade física na pandemia à ansiedade e depressão

30% dos(as) participantes apresentaram sintomas de depressão moderada/grave e 23,3%, sintomas de ansiedade moderada/grave

Por Daniel Patini

Pessoa correndo em um parque; a imagem só mostra as pernas
(Imagem ilustrativa)

Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicada na revista científica BMC Public Health, constatou uma relação entre baixos níveis de atividade física durante a pandemia de covid-19 com sintomas de ansiedade e depressão, sendo que 30% dos(as) participantes apresentaram sintomas de depressão de grau moderado a grave e 23,3%, sintomas de ansiedade de grau moderado a grave.

O nível de atividade física dos indivíduos analisados caiu significativamente durante o período de isolamento social: antes do período de pandemia do novo coronavírus, 69% dos(as) voluntários(as) eram classificados(as) como muito ativos(as), contra somente 39% durante a quarentena. As pessoas que diminuíram mais o nível de atividade física durante a pandemia também apresentaram mais sintomas de ansiedade e depressão. Observou-se ainda uma maior presença desses mesmos sintomas entre indivíduos com baixa renda mensal familiar, indivíduos mais jovens e entre as mulheres. 

"Está nítido que, durante a quarentena, as pessoas se tornaram muito mais vulneráveis física e mentalmente. Portanto, programas de atividade física devem ser incentivados, respeitando-se as medidas de distanciamento necessárias para prevenir a disseminação do novo coronavírus (Sars-CoV-2)", sugere a pesquisadora e docente da Unifesp, Marilia Andrade.

Participaram do estudo 1.853 brasileiros(as)

O trabalho foi realizado pela disciplina de Neurofisiologia e Fisiologia do Exercício do Departamento de Fisiologia da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) - Campus São Paulo, em parceria com outras instituições de ensino nacionais e internacionais, como a Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Universidade da Ática Ocidental (Grécia), Universidade de Zurique (Suíça) e a Universidade McMaster (Canadá).

Para o estudo, questionários autoaplicáveis sobre informações pessoais, o período de isolamento social, níveis de atividade física e sobre transtornos do humor e bem-estar foram respondidos de forma on-line por 1.853 brasileiros, sendo 1.110 mulheres e 743 homens. Dentre eles, o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ), Patient Health Questionaire - 2 (PHQ-9), General Anxiety Disorder (GAD-7) e o Índice de Bem-Estar (WHO-5).

O questionário IPAQ foi respondido duas vezes: uma considerando as condições de vida do sujeito avaliado em junho de 2020, período da aplicação da pesquisa, e a outra sobre momentos anteriores ao isolamento social, para entender a diferença entre essas respostas e sua relação com os resultados dos demais questionários.

Lido 7539 vezes Última modificação em Sexta, 19 Abril 2024 13:54

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