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Crítico e sociólogo, militou no Partido Socialista Brasileiro, fez oposição aos regimes autoritários, foi mestre dedicado e produziu obra de raro valor nos estudos literários

Celina M. Brunieri e Felipe Costa

Agradecemos a Marina de Mello e Souza, professora livre-docente do Departamento de História da FFLCH-USP, pelo valioso depoimento que prestou sobre seu pai, Antonio Candido, contribuindo para a elaboração deste artigo

Expressamos também nosso reconhecimento a Laura Escorel de Moraes, que colaborou com a edição, cedendo material relativo a sua pesquisa de mestrado sobre o acervo fotográfico de Gilda e Antonio Candido de Mello e Souza, desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em História da Arte da EFLCH da Unifesp – Campus Guarulhos

Antonio Candido fazendo uma conferência

Antonio Candido discursa sobre Oswald de Andrade na conferência de abertura da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em 2011 (imagem: Walter Craveiro / Divulgação Flip)

A unanimidade em torno de Antonio Candido de Mello e Souza, falecido aos 98 anos em maio, parece elevá-lo à categoria de mito na história cultural do país, tal o alcance e profundidade de sua obra, a erudição e clareza de pensamento, a competência como mestre e a fidelidade aos princípios de uma sociedade igualitária. Sociólogo, crítico literário e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Antonio Candido foi militante de causas sociais, cujos atributos de integridade, tolerância, generosidade e senso de justiça qualificam-no como um ser humano excepcional. 

É autor de obras fundamentais para os estudos literários e a cultura brasileira, entre as quais se enumeram: Formação da Literatura Brasileira, Literatura e Sociedade e O Discurso e a Cidade. A primeira situa-se no mesmo patamar dos grandes ensaios de interpretação da realidade brasileira como Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, e Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Jr.

Um intelectual em formação

Em julho de 1918 nasce, no Rio de Janeiro, Antonio Candido de Mello e Souza, filho mais velho de Aristides e Clarisse. Os dois jovens entroncam suas histórias em um dos frequentes bailes na casa do doutor Miguel Pereira. O médico, cunhado de Clarisse, fora o preceptor de Aristides enquanto estudante de Medicina na então capital federal. 

Oito meses após o nascimento de Antonio, ocorre a primeira de algumas mudanças significativas para a construção e compreensão da história do infante. 

Com a morte repentina de Miguel, Aristides e Clarisse mudam-se para Santa Rita de Cássia, em Minas Gerais, cidade natal do pai de Antonio. Nela o genitor ganha tal notoriedade que o governo do Estado o convida para dirigir os serviços termais de Poços de Caldas. Em 1929, antes de assumir o cargo, Aristides parte para a França, junto com a família, que já somava cinco pessoas, em busca de uma segunda especialização.

Os doze meses de permanência na Europa têm grande impacto na formação de Antonio e seus irmãos. Na França, aprendem francês e história europeia com Marie Rohlfs de Sussex, mulher com alto grau de instrução. O contato com Marie faz com que os garotos conheçam os museus de Paris, estudando obras e movimentos artísticos.

Durante a estada no velho continente, a família passa o verão em Berlim. O impacto desses dias torna-se indelével na vida do garoto. Sair às ruas significa ter de lidar com a dureza do forte militarismo alemão e com os primeiros sinais do nazismo. O fascínio pela cultura do país, entretanto, o acompanha. Cinco anos mais tarde, esse interesse motiva a escrita do seu primeiro artigo para o Jornal Ariel.

Em 1930 a família retorna ao Brasil. Estabelecem-se em Poços de Caldas. E no ano seguinte Antonio conhece a italiana Teresa Maria Carini. Teresina é uma senhora culta, que se torna a melhor amiga da mãe do garoto. Antifascista e ex-militante socialista, é a responsável por transmitir certa “afetividade socialista” a Antonio Candido e por sua inserção nas letras italianas.

O convívio escolar com os irmãos Andrada e Silva marca a vida do jovem. José Bonifácio e Antonio Carlos dividem com ele leituras de obras de cunho socialista e de romances regionalistas. Esse período em Poços de Caldas afeta profundamente o leitor voraz, de tal modo que falar sobre a cidade faz sua alma transbordar durante toda a vida.

Duas fotos: na primeira Antonio Candido criança está com os pais e irmãos e na segunda, é retratado já jovem

À esquerda, Antonio Candido entre os pais, Aristides Candido de Mello e Souza e Clarisse Tolentino de Mello e Souza, e com os irmãos, Roberto e Miguel, em pé, na casa da família em Poços de Caldas

À direita, Antonio Candido, em São Paulo, em abril de 1936; nos anos de 1937 e 1938, ele frequentaria o Colégio Universitário (1ª seção), curso complementar ao ensino médio, de caráter oficial, que também preparava para os exames vestibulares

(imagens: Acervo Ouro sobre Azul)

Os estudos superiores e a crítica literária 

A influência do meio familiar, as interações sociais e o impacto das leituras possivelmente ajudem a rastrear o processo de formação da personalidade sensível e multifacetada de Antonio Candido. E talvez expliquem sua inclinação para a militância social. É certo, porém, que obras como ABC do Comunismo, de Bukarin, e História do Socialismo e das Lutas Sociais, de Max Beer, tiveram importância fundamental na construção de valores associados à justiça social e na opção posterior pelo socialismo democrático. 

Em 1936, Antonio Candido transfere-se para São Paulo onde prosseguiria os estudos. Abandona provisoriamente o interesse pelas questões sociais e passa a frequentar a vida artística e cultural da cidade. Mário de Andrade, então nomeado diretor do Departamento de Cultura, havia criado a discoteca pública, o coral de música brasileira, o quarteto de cordas e as bibliotecas ambulantes em um esforço inédito de levar a cultura erudita às camadas populares. 

No ensaio A Revolução de 1930 e a Cultura, Antonio Candido analisa as transformações culturais produzidas pela Revolução de 1930, que incluíram: a reforma educacional, com a adoção dos métodos da Escola Nova; a ampliação do número de escolas de nível médio e de ensino técnico; a criação de universidades públicas; a gradativa aceitação das inovações formais do Modernismo; e a publicação de livros didáticos elaborados por autores nacionais. A década de 1930 foi um período de intensa politização e de radicalização de posições ideológicas em face dos temas sociais em pauta: a crise econômica de 1929, a ascensão do fascismo e as repercussões da Revolução Russa de 1917. 

Em 1939, Antonio Candido ingressa simultaneamente na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (curso que abandonou no último ano) e na Faculdade de Filosofia (subseção de Ciências Sociais e Políticas), fundada em 1934. Esta última despertava uma atitude de reverência porque seu corpo docente era formado por intelectuais estrangeiros de alto nível, entre os quais: Claude Lévi-Strauss (antropólogo), Fernand Braudel (historiador), Roger Bastide (sociólogo) e Giuseppe Ungaretti (poeta e professor de literatura). Quem exerceu maior influência sobre os alunos e ouvintes foi, entretanto, Jean Maugüé, professor de filosofia e marxista não ortodoxo. 

Antonio Candido une-se, então, a outros jovens cultos e talentosos, que se interessavam como críticos diletantes por artes plásticas, cinema, teatro e literatura. Por iniciativa de Alfredo Mesquita, escritor e dramaturgo, fundam a revista Clima, da qual se tornam redatores. Apelidados de chato-boys por Oswald de Andrade em razão da seriedade de seus textos, responsabilizam-se pelos trabalhos editoriais, obtenção de anúncios e distribuição dos exemplares. O núcleo principal da revista, formado por Lourival Gomes Machado, Paulo Emilio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado, Ruy Coelho, Antonio Candido e Gilda de Moraes Rocha (sua futura esposa), vinculou-se por laços duradouros de afeto e amizade. Clima circulou entre 1941 e 1944 e, de certa forma, ajudou a definir o rumo intelectual de seus componentes.

O prestígio obtido em Clima permitiu que Antonio Candido assumisse a crítica de rodapé (inserida no espaço inferior da página) na Folha da Manhã (de 1943 a 1945) e, depois, no Diário de S. Paulo (de 1945 a 1947). A cada semana, o crítico era responsável por produzir um texto analítico sobre os novos lançamentos, e as avaliações, se inconsistentes, podiam custar o emprego ao profissional. Antonio Candido soube, entretanto, reconhecer o valor literário de autores iniciantes como Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto. E apontou alguns desacertos em Marco Zero (1943), de Oswald de Andrade, que ficou irritado e, por certo período, rompeu relações com o crítico. 

A colaboração com órgãos de imprensa perduraria por 24 anos, cabendo-lhe em 1956 a tarefa de elaborar, a convite de Julio de Mesquita Filho, o projeto editorial do Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo, que se tornaria um dos paradigmas do jornalismo cultural no país.

Da Sociologia à Literatura Brasileira

Em 1942 forma-se em Ciências Sociais e, por indicação de Fernando de Azevedo, assume as aulas de Sociologia como professor assistente. Antevendo que a literatura iria encaminhá-lo para outra área, decide concorrer, em 1944, à cadeira de Literatura Brasileira e, com esse objetivo, prepara a tese Introdução ao Método Crítico de Sílvio Romero. Classifica-se em segundo lugar, mas a aprovação no concurso permite-lhe obter o título de livre-docente, com o qual pretendia transferir-se para o ensino de Letras. 

Por dever moral (embora já portasse titulação suficiente), elabora em 1954 a tese de doutorado sobre a cultura material e imaterial de populações rurais do interior paulista, à qual denomina Os Parceiros do Rio Bonito. Após 16 anos como assistente, desliga-se da Sociologia e, a convite de Antonio Soares Amora, integra-se à recém-instalada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis como professor de Literatura Brasileira. Durante a permanência nessa instituição (1958-1960) aprofunda os estudos teóricos que serviriam de base à estruturação do curso de Teoria Literária e Literatura Comparada na USP, por ele criado em 1961. 

Exerce a atividade docente até a aposentadoria, em 1978, continuando, porém, a orientar dissertações e teses até 1992. Do contingente de pesquisadores, professores e críticos que formou sobressaem os nomes de Roberto Schwarz, Walnice Nogueira Galvão, Davi Arrigucci Jr. e João Luiz Lafetá.

Quatro imagens: Antonio Candido com colegas, ministrando aula, em um ato político e com as filhas

Em sentido horário:

Em 1944, os amigos Décio de Almeida Prado, Paulo Emilio Salles Gomes, Antonio Candido e Lourival Gomes Machado (da esquerda para a direita), que integravam a equipe responsável pela revista Clima, reunidos na Praça da República, em São Paulo

Antonio Candido ministra aula, em agosto de 1963

Antonio Candido entre as filhas: Marina de Mello e Souza, Laura de Mello e Souza e Ana Luisa Escorel (da esquerda para a direita)

Em ato político, Antonio Candido participa de assembleia em campus universitário, durante mobilização grevista

(1ª, 2ª e 3ª imagens: Acervo Ouro sobre Azul; 4ª imagem - AC com as filhas: Guilherme Maranhão)

Militância política 

No início de 1943, por influência de Paulo Emilio Salles Gomes, jovem ativista que se especializaria em cinema e futuro professor da USP, Antonio Candido integra-se a grupos de ação política que se opõem à ditadura do Estado Novo. As discussões teóricas e o convívio com militantes como Germinal Feijó (líder estudantil), Eric Czaskes (litógrafo), Paulo Zing (jornalista) e Paulo Emilio foram decisivos para seu amadurecimento político. 

No início de 1945, participa do 1º Congresso Brasileiro de Escritores, evento que permitiu a tomada de posição dos intelectuais contrários ao Estado Novo. Com o afrouxamento do regime, a frente que aglutinara os movimentos de resistência divide-se e Antonio Candido ajuda a consolidar a União Democrática Socialista (UDS). Com a dissolução desta última, adere à Esquerda Democrática, que em 1947 altera o nome para Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi candidato a deputado estadual por essa sigla, na qual ocupou o cargo de dirigente da seção paulista e militou até 1954. 

Durante a ditadura instaurada em 1964, participa de comícios e atos públicos, nos quais denuncia episódios de violência e arbitrariedades cometidas pelo regime militar. Com outros intelectuais, publica a revista Argumento, censurada no quarto número. Torna-se membro da Comissão de Justiça e Paz, criada por D. Paulo Evaristo Arns, e milita na oposição, empenhando-se na luta pela anistia e redemocratização. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), cujo manifesto assinou em 1980.

Convívio familiar

Em 1943, Antonio Candido casou-se com Gilda de Moraes Rocha (1919-2005), que conhecera ao ingressar na Faculdade de Filosofia e seria sua interlocutora intelectual. Ensaísta e crítica de arte, Gilda fundou a cadeira de Estética do Departamento de Filosofia da USP. Dessa união nasceram três filhas: Ana Luisa, que se tornou designer e escritora; Laura e Marina, que seguiram a carreira acadêmica como docentes do Departamento de História da FFLCH-USP. 

Se a imagem pública de Antonio Candido suscitava admiração e respeito, o retrato intimista composto pela filha Marina revela-o como um ser humano notável. Para ela, o pai foi uma figura extremamente presente, que soube respeitar suas escolhas e oferecer apoio quando necessário. Era muito discreto, tinha um respeito genuíno pelo próximo e valorizava o trabalho de qualquer natureza, físico ou intelectual. 

Era um exímio narrador de histórias e aprazia-lhe conversar com as pessoas. Era conhecido pelos amigos mais próximos como um fantástico imitador de tipos humanos. Memorizava poemas e trechos de livros e possivelmente reequilibrava as energias ao percorrer longas distâncias a pé. 

Gilda e Antonio Candido retrados em seu apartamento

Gilda de Mello e Souza e Antonio Candido, em seu apartamento em São Paulo, em março de 2002; o casal manteve-se unido por mais de 60 anos, até a morte de Gilda em 2005

(imagem: Bob Wolfenson)

Vida e obra como legado

Antonio Candido pôde conviver com os netos e bisnetos. Há algum tempo, entretanto, declarou que se sentia “expulso do mundo contemporâneo”, talvez porque já não pudesse acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas ou porque – na percepção de Marina – observasse com tristeza e estranhamento os acontecimentos cotidianos: a violência do terrorismo, o genocídio na Síria, os níveis de corrupção, a instabilidade das relações e o desrespeito ao próximo. O fato inegável é que sua história de vida permanece como paradigma de conduta e sua obra, como referência para as novas gerações.

Uma obra voltada para a compreensão do Brasil

Elaborado entre 1945 e 1957, o livro Formação da Literatura Brasileira: Momentos Decisivos (1750-1880) estuda o arcadismo e o romantismo, períodos nos quais se configura um sistema literário – composto pela tríade autor-obra-público – e se estabelece uma tradição. 

Um de seus aspectos essenciais é a apresentação do juízo crítico das obras, que são selecionadas segundo uma perspectiva histórica. 

Sobre o movimento arcádico, mencione-se a congregação dos escritores em academias e, como marcas da composição, a naturalidade da linguagem, em oposição ao barroco, o bucolismo e a adaptação interna dos modelos europeus. 

No romantismo, que expressou o desejo de fundar uma literatura nacional, identificam-se o individualismo, a idealização do real, a religiosidade e o indianismo. Gonçalves Dias e José de Alencar aqui fixaram o padrão a ser imitado pelos sucessores. A crítica romântica, que representou a consciência literária do período, orientou os escritores e estabeleceu o cânone ao identificar autores do passado e publicar suas obras. 

Crítica e Sociologia (in Literatura e Sociedade)

A Sociologia da Literatura estuda a relação entre obra e público ou entre um gênero literário e as condições sociais. À crítica literária cabe investigar como o fator social integra-se à estrutura da obra e confere-lhe um valor estético. 

No século XIX, a crítica valorizava o grau de condicionamento da obra à realidade. Posteriormente, considerou a obra como uma estrutura fechada na qual importavam as operações formais entre seus elementos.

Dialética da Malandragem

Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, não constitui propriamente um romance documentário porque, entre outros pontos, não descreve a elite dirigente ou os escravos; seu herói é folclórico, do tipo malandro, e não picaresco (como se admitia). 

Em seu universo de relações humanas, o qual espelha a sociedade brasileira do século XIX, há dois hemisférios: o da ordem e o da desordem, entre os quais transitam, em um jogo dialético, os personagens. No mundo a que estes pertencem não há erro, pecado, repressão, remorso ou culpa.

A literatura como um direito

No ensaio O Direito à Literatura, Antonio Candido esclarece que todos os povos têm um acervo de criações literárias, pois a literatura é um fator de humanização que preenche a necessidade de fabulação do ser humano. A obra literária expressa uma visão de mundo, constitui uma forma de conhecimento e propõe-nos um modelo de organização (por palavras) que impressiona o intelecto. 

No Brasil, a estratificação social priva as camadas menos favorecidas do acesso à cultura erudita, confinando-as à literatura de massa e à sabedoria popular.

As principais publicações, prêmios e titulações de Antonio Candido, o perfil acadêmico/profissional de Gilda de Mello e Souza e das filhas – Ana Luisa Escorel, Laura de Mello e Souza e Marina de Mello e Souza – e, ainda, as referências que serviram de base à composição deste artigo poderão ser consultados no endereço: http://www.unifesp.br/reitoria/dci/publicacoes/entreteses/item/3115-perfil-antonio-candido-complemento

Publicado em Edição 09
Sexta, 15 Dezembro 2017 08:47

Perfil Antonio Candido - complemento

Professor Antonio Candido

Principais títulos acadêmicos

  • 1944 – Livre-docente em Literatura Brasileira – FFCL-USP
  • 1954 – Doutor em Ciências Sociais – FFCL-USP
  • 1964-1966 – Professor-associado da Universidade de Paris
  • 1968 – Professor-visitante da Universidade de Yale
  • 1974 – Professor titular de Teoria Literária – FFLCH-USP
  • 1984 – Professor emérito da USP
  • 1987 – Professor honoris causa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
  • 1988 – Professor emérito da Faculdade de Ciências e Letras de Assis (Unesp)
  • 2005 – Doutor honoris causa da Universidade Estadual Paulista (Unesp)
  • 2006 – Professor honoris causa da Universidade da República do Uruguai

Principais prêmios

  • 1960 – Prêmio Jabuti - Categoria: História Literária - Livro: Formação da Literatura Brasileira 
  • 1965 – Prêmio Jabuti - Categoria: Poesia - Livro: Os Parceiros do Rio Bonito
  • 1966 – Prêmios Jabuti - Categoria: Personalidade Literária do Ano/ Categoria: Estudos Literários (Ensaios) - Livro: Literatura e Sociedade 
  • 1978 – Prêmio Jabuti - Categoria: Personalidade Literária do Ano
  • 1993 – Prêmio Jabuti - Categoria: Estudos Literários (Ensaios) - Livro: Brigada Ligeira e Outros Escritos 
  • 1993 – Prêmio Machado de Assis - Academia Brasileira de Letras
  • 1994 – Prêmio Jabuti - Categoria: Estudos Literários (Ensaios) - Livro: O Discurso e a Cidade
  • 1996 – Prêmio Anísio Teixeira - Capes/ MEC
  • 1998 – Prêmio Camões de Literatura
  • 2000 – Prêmio Jabuti - Categoria: Amigo do Livro
  • 2005 – Prêmio Internacional Alfonso Reyes
  • 2007 – Prêmio Intelectual do Ano - Troféu Juca Pato - União Brasileira de Escritores

Principais obras publicadas (1ªs edições)

  • Brigada Ligeira. Livraria Martins Editora, [1945].
  • Introdução ao método crítico de Sílvio Romero. Revista dos Tribunais, 1945 [tese de livre-docência].
  • Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. José Olympio, 1964 [tese de doutoramento].
  • Ficção e confissão: estudo sobre a obra de Graciliano Ramos. José Olympio, 1956.
  • Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. Livraria Martins Editora, 1959 [dois volumes].
  • O observador literário. Conselho Estadual de Cultura, 1959.
  • Tese e antítese: ensaios. Companhia Editora Nacional, 1964.
  • Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. Companhia Editora Nacional, 1965.
  • Vários escritos. Duas Cidades, 1970.
  • Teresina etc. Paz e Terra, 1980.
  • Na sala de aula: caderno de análise literária. Ática, 1985.
  • A educação pela noite e outros ensaios. Ática, 1987.
  • O estudo analítico do poema. FFLCH-USP, [1987?]
  • Recortes. Companhia das Letras, 1993.
  • O discurso e a cidade. Duas Cidades, 1993.
  • Lembrando Florestan Fernandes. Fundação Perseu Abramo, 2001.
  • Iniciação à literatura brasileira (Resumo para principiantes). Humanitas, 1997.
  • O Romantismo no Brasil. Humanitas, 2002.
  • Um funcionário da Monarquia: ensaio sobre o segundo escalão. Ouro sobre Azul, 2002.
  • A personagem de ficção. Perspectiva, 1968 [em coautoria].
  • Presença da literatura brasileira: história e antologia. Difel, 1964 [três volumes]- [em coautoria].
  • Política cultural. Mercado Aberto/ Fundação Wilson Pinheiro, 1984 [em coautoria].
  • USP: 1968-1969. Hélio Lourenço de Oliveira. Edusp, 1995 [em coautoria].
  • Antonio Candido: Remate de Males [número especial]. Unicamp, 1999 [antologia].
  • Textos de intervenção. Duas Cidades/ Editora 34, 2002 [antologia].

 

Profª Gilda Rocha de Mello e Souza

Perfil acadêmico 

Nascida em São Paulo, em 24 de março de 1919, com o nome de Gilda de Moraes Rocha, foi criada em Araraquara, no interior do Estado. Foi uma das primeiras mulheres a estudar na Faculdade de Filosofia da USP, na qual ingressou em 1937 e se graduou como bacharel em 1940. Integrou-se à equipe de intelectuais que, entre 1941 e 1944, produziu a revista Clima e que exerceu importante papel na vida cultural do país.

Em 1942 foi nomeada assistente da cadeira de Sociologia I, então dirigida por Roger Bastide. Sob a orientação desse professor, defendeu – em 1950 – a tese de doutorado, que denominou A Moda no Século XIX e que, dois anos depois, seria publicada na Revista do Museu Paulista

Em 1954, a convite de João Cruz Costa (1904-1978), transferiu-se para o Departamento de Filosofia, incumbindo-se da área de Estética. Foi fundadora dessa cadeira, na qual lecionou até a aposentadoria, em 1973. 

Entre 1969 e 1972, durante a ditadura militar, exerceu a chefia do departamento em questão, período em que criou a revista Discurso, veiculada até hoje.

Em 1943 casou-se com Antonio Candido de Mello e Souza, que conhecera na Faculdade de Filosofia da USP e pertencia à equipe de Clima. Dessa união, que perdurou por mais de 60 anos, nasceram três filhas: Ana Luisa Escorel, Laura de Mello e Souza e Marina de Mello e Souza. 

Ensaísta, crítica de arte e eminente pesquisadora na área de Estética e Filosofia da Arte, recebeu o título de professora emérita da FFLCH-USP em maio de 1999. Faleceu em 25 de dezembro de 2005.

Entre as obras de sua autoria, citam-se: A Palavra Afiada (2014), O Tupi e o Alaúde: uma Interpretação de Macunaíma (1979), Exercícios de Leitura (1980), O Espírito das Roupas: a Moda no Século XIX (1987) e A Ideia e o Figurado (2005).

Fontes: Departamento de Filosofia - USP. CNPq - Memória/ Pioneiras. Agência Fapesp (vide referências).

 

Ana Luisa Escorel

Perfil profissional

Formada pela Escola Superior de Desenho Industrial, no Rio de Janeiro, atua como designer gráfica desde 1970 e é autora dos livros Brochura Brasileira: Objeto sem Projeto (1974) e O Efeito Multiplicador do Design (1999), ambos voltados para a área em questão. Fundou a editora Ouro sobre Azul, que vem publicando, entre outras, a obras de Antonio Candido. Tendo incursionado pelo terreno da literatura, escreveu O pai, a mãe e a filha (memórias), de 2010; Anel de vidro (2013), que em 2014 recebeu o Prêmio São Paulo de Literatura, concedido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo ao melhor romance do ano; e De tudo um pouco (crônicas), de 2016. Além de distinções específicas de sua área profissional de origem, recebeu em 2015 o Prêmio Jabuti de projeto gráfico, concedido pela Câmara Brasileira do Livro à obra Livro dos Ex-Libris. 

 

Profª Laura de Mello e Souza

Perfil acadêmico

Obteve os títulos de doutora em História Social e livre-docente em História Moderna pela USP. Desde 1983 foi docente do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, aposentando-se em 2014 como professora titular de História Moderna. Nesse mesmo ano, assumiu a cátedra de História do Brasil na Universidade de Paris IV- Sorbonne (França). Foi professora-visitante de universidades europeias e norte-americanas. Entre as linhas de pesquisa que desenvolveu, incluem-se a história de Minas Gerais no século XVIII e os estudos culturais e sociopolíticos do império português nos séculos XVI-XVIII. É membro da Academia Brasileira de Ciências, figurando como autora de importantes obras da historiografia nacional, tais como: Desclassificados do Ouro: a Pobreza Mineira no Século XVIII, O Diabo e a Terra de Santa Cruz: Feitiçaria e Religiosidade Popular no Brasil Colonial, Opulência e Miséria das Minas Gerais, O Sol e a Sombra: Política e Administração na América Portuguesa do Século XVIII e Cláudio Manuel da Costa: o Letrado Dividido. Dentre as várias distinções que lhe foram conferidas, destacam-se o Prêmio Casa-Grande e Senzala, da Fundação Joaquim Nabuco (1994); o Prêmio Jabuti (edições de 1998, 2007 e 2012), da Câmara Brasileira do Livro; a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, da Presidência da República (2002); e o Prêmio da Academia Brasileira de Letras (2007). 

 

Profª Marina de Mello e Souza

Perfil acadêmico

Doutorou-se em História Social pela Universidade Federal Fluminense e, em 2001, ingressou como docente do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Por essa mesma instituição obteve o título de livre-docente em História da África (séculos XVI-XIX). Dedica-se à pesquisa da história da África, escravidão e cultura afro-brasileira – entre outras vertentes conexas –, paralelamente aos temas da cultura popular, folclore e artesanato. Publicou artigos em periódicos especializados e é autora das obras África e Brasil Africano, Paraty: a Cidade e as Festas e Reis Negros no Brasil Escravista: História da Festa de Coroação de Rei Congo. Entre as distinções que recebeu, destaca-se o Prêmio Jabuti (edição de 2007), concedido pela Câmara Brasileira do Livro à obra África e Brasil Africano, na categoria de livro didático e paradidático.

 

REFERÊNCIAS

ANTUNES, Camila Almeida Vaz. Os anos de aprendizagem de Antonio Candido (1930-1940). In: SEMINÁRIO NACIONAL DO CENTRO DE MEMÓRIA - UNICAMP, 8., 2016, Campinas. Programa e resumos. Campinas: Unicamp, 2016. p. 140.

AGUIAR, Flávio (Org.). Antonio Candido: pensamento e militância. São Paulo: Fundação Perseu Abramo; Humanitas/ FFLCH-USP, 1999.

ARANTES, José Tadeu. Livro resgata entrevistas, cartas e ensaios de Gilda de Mello e Souza. Agência Fapesp, 23 abr. 2014. Disponível em: <http://agencia.fapesp.br/livro_resgata_entrevistas_cartas_e_ensaios_de_gilda_de_mello_e_souza/18962/>. Acesso em: 5 set. 2017.

BRASIL, Ubiratan; SOBOTA, Guilherme. Morre Antonio Candido aos 98 anos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 12 maio 2017. Disponível em: <http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,morre-antonio-candido-aos-98-anos,70001776504>. Acesso em: 2 out. 2017.

CANDIDO, Antonio. Teresina etc. 3. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2007.

______. Vários escritos. 4. ed. reorganizada pelo autor. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul; São Paulo: Duas Cidades, 2004.

______. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. 3. ed. revista. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1973.

______. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos (1750 – 1880). 10. ed. revista pelo autor. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006.

______. O discurso e a cidade. 5. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2015.

______. A educação pela noite. 6. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2011.

______. O método crítico de Sílvio Romero. 4. ed. revista pelo autor. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006.

______. Tese e antítese. 6. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2012.

CARIELLO, Rafael. Antonio Candido relança clássico e defende rigor do pensamento. Folha de S. Paulo, São Paulo, 9 nov. 2006. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u65898.shtml>. Acesso em: 26 set. 2017.

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 7. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

DANTAS, Vinicius. Bibliografia de Antonio Candido. 1. ed. São Paulo: Duas Cidades; Ed. 34, 2002. Coleção Espírito Crítico.

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Publicado em Edição 09