PDInfra discute o ensino em oficina de trabalho

O evento iniciou a série de oficinas do PDInfra sobre os desafios da organização dos espaços para as atividades de ensino e da pesquisa nas Unidades Universitárias do Campus São Paulo 

Por Loane Carvalho

A coordenadora da Comissão do Plano Diretor de Infraestrutura do Campus São Paulo (PDInfra-CSP), Beatriz Castilho, abriu a reunião da sexta-feira, 7 de outubro, primeira das oficinas de trabalho sobre “A Organização de espaços para atividades didáticas e de pesquisa - perspectivas para 5, 10 e 20 anos”, que contou com representantes acadêmicos e administrativos. “As atividades de ensino e de pesquisa estão intrinsicamente relacionadas, tendo que ser pensadas como conjunto. A pesquisa tem uma função primordial que é garantir o ensino de excelência, sendo fundamental para levar o raciocínio crítico e cientifico para os alunos”, mencionou

A primeira parte do encontro foi destinada às apresentações e, posteriormente, aberta às discussões. O pró-reitor adjunto de Planejamento (ProPlan), Pedro Fiori Arantes, contextualizou os trabalhos feitos em relação ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI 2016-2020) voltado às estratégias de ensino na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O PDI está indicando diretrizes, princípios estruturantes, missões e valores, e visão de futuro. Hoje, temos um documento que norteia as nossas discussões acadêmicas em vários níveis.”

Arantes ressaltou a importância das oficinas de trabalho que estão sendo realizadas no Campus São Paulo. “São oficinas fundamentais para que o Plano Diretor de Infraestrutura do Campus possa ocorrer de uma forma a consolidar o projeto acadêmico, pois os prédios não podem vir antes dos projetos acadêmicos e assistenciais que estão sendo desenvolvidos. Essas oficinas vão instruir as decisões futuras e convergir com as propostas pedagógicas acadêmicas-assistenciais.”

 

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Os desafios e as propostas do PDI e do PDInfra fizeram parte da apresentação realizada por Pedro Arantes

 

O Projeto Pedagógico Institucional (PPI), documento em fase de elaboração mencionado por Arantes, foi brevemente exposto pela vice-presidente da Comissão Própria de Avaliação (CPA/Unifesp), Magali Aparecida Silvestre. “O PPI é um documento institucional obrigatório, exigido pelo Ministério da Educação, mas que representa uma oportunidade de a instituição refletir sobre seu papel na formação de pessoas Temos também o PDI, um planejamento institucional que foi elaborado com a participação de docentes, discentes e TAEs de vários campi e departamentos".

Magali trouxe a questão do papel da universidade pública e socialmente relevante. “Em cada uma das ações que a gente desenvolve, nós estamos reafirmando este caráter público da nossa Universidade, e qual é efetivamente o protagonismo que nós queremos exercer na comunidade na qual nós estamos inseridos.” 

 

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Magali abordou ainda os eixos que vão amparar as ações e os princípios para a qualidade dessas ações

 

Mudanças de infraestrutura e ampliação no ensino

As perspectivas da Escola Paulista de Enfermagem (EPE/Unifesp) foram expostas pela diretora, Janine Schirmer. A docente abordou momentos históricos da Escola desde a sua origem, em 1939; sua estrutura organizacional; e as propostas para o ensino, pesquisa e extensão relacionadas à EPE. “Como visão de futuro, a EPE entende que ela deve investir na formação de professores para o ensino profissionalizante de técnico de enfermagem. A outra demanda que entendemos ter a maior capacidade é o investimento em Curso Superior de Tecnologia em Gestão Hospitalar.”

Janine elencou as atividades de extensão e os cursos de lato sensu como áreas de ensino que a Escola Paulista de Enfermagem tem competência para expandir. “Somos um corpo docente altamente qualificado, temos cenários de práticas que nos conferem competência para isso, e não podemos, simplesmente, deixar de fazer.” E apresentou brevemente a reforma que o edifício da EPE vai passar. “Para crescer, não podemos pensar pequeno. Após 77 anos a escola vai ter uma nova estrutura, pois o prédio que temos hoje não dará conta de melhorar as condições de trabalho do grupo.”

 

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O Centro de Desenvolvimento do Ensino Superior em Saúde (Cedess), órgão complementar da EPE, fez parte do cenário apresentado por Janine

 

A inserção do curso de graduação em Odontologia no Campus São Paulo ficou em destaque na exposição do professor titular aposentado do Departamento de Morfologia e Genética da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), Ricardo Luiz Smith. O projeto pedagógico, segundo Ricardo, foi aprovado inicialmente em 2008 pela Pró-Reitoria de Graduação (ProGrad/Unifesp), e para ser implantado poderá utilizar boa parte da infraestrutura já oferecida pela EPM. “A necessidade desse curso começou a ser discutida em 2005. A ideia norteadora foi que já possuímos uma estrutura básica e clínica na área médica, e o curso de Odontologia completaria a nossa área de saúde.”

Na opinião do docente, o curso só poderá ser oferecido no Campus São Paulo, “devido à proximidade com o Hospital São Paulo, onde já existe um serviço de odontologia de atendimento aos pacientes, com ambulatórios e várias clínicas, conforme apresentado.”

 

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A matriz curricular do curso de Odontologia foi um dos pontos mencionados por Ricardo durante a exposição sobre o projeto pedagógico 

 

A etapa de exposição foi concluída com as perspectivas apontadas pela coordenadora da Câmara de Graduação da EPM, Vânia D’Almeida. O panorama de ampliação e mudanças nos cursos de Ciências Biológicas – Modalidade Médica (Biomedicina), Fonoaudiologia, Medicina e os Cursos Superiores de Tecnologia tem sido foco das discussões na Câmara de Graduação. “O coordenador de cada curso apontou as sugestões de melhorias e a questão de necessidade de infraestrutura foi mencionada em todos os casos. Quando propomos alguma coisa nova, a infraestrutura atual automaticamente é questionada. A ideia é mudar a partir da reestruturação do curso, trazendo maior flexibilização entre as disciplinas e adotar uma nova metodologia de ensino e aprendizagem.”

As demandas acadêmicas da Unidade Avançada de Extensão Universitária Santo Amaro também fizeram parte da exposição realizada por Vânia. Em conversa com a comunidade que utiliza os serviços oferecidos pela Unidade, Vânia recebeu algumas sugestões e compartilhou as propostas com os participantes da oficina de trabalho. “Poderíamos oferecer cursos tecnológicos em proteção ambiental, cuidados complementares, estética. São demandas de interesse da região que foram indicadas. Pensamos também em curso de Saúde Coletiva e outro tecnólogo ou bacharelado em Promoção da Saúde, e desta forma poderíamos utilizar a própria comunidade para receber este retorno como campo de estágio.”

 

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Vânia comentou sobre a necessidade de consolidar as parcerias para dar continuidade às atividades e cursos da Unidade de Santo Amaro

 

A etapa de discussão foi aberta ao público que compareceu ao Anfiteatro Leitão da Cunha. A coordenadora da Comissão, Beatriz Castilho, encerrou o evento e ressaltou que “a reunião foi muito produtiva no sentido de trazer os pontos que requerem atenção e precisam ser trabalhados no PDInfra”. 

 

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Rosana Puccini, diretora do Campus SP (segunda da dir. para a esq.) foi convidada a compor a mesa durante debate mediado por Beatriz Castilho (centro)