Medicina do Trabalho: dia de quem cuida de todas as profissões

Data dedicada aos responsáveis por auxiliar na saúde do trabalhador

No dia 4 de outubro, comemora-se o Dia da Medicina do Trabalho. A data é uma referência ao nascimento do médico italiano Bernardino Ramazzini (1633 -1714), que, em 1700, publicou o livro De Morbis Artificum Diatriba (As Doenças dos Trabalhadores, em versão traduzida para o português por Raimundo Estrela). Em sua clássica obra, o autor relacionou riscos químicos, físicos e biológicos a 52 tipos de trabalhos diferentes e, por esta publicação, foi considerado o pai da Medicina do Trabalho. 

A especialidade médica surgiu na Inglaterra, na primeira metade do século XIX, com a Revolução Industrial. No Brasil, com a publicação da Portaria do Ministério do Trabalho n° 3237/72, que instituiu a obrigatoriedade dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (Sesmt) nas empresas, foi realizado um esforço por parte de vários profissionais para constituir uma massa de médicos capacitados a implementar as novas exigências legais.

Somente em 2002, foi reconhecida como especialidade pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da resolução CFM 1634/02. Com fins de orientar a formação, em 2003, a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) definiu as competências requeridas para o exercício profissional da Medicina do Trabalho. Em 2018, a Demografia Médica do CFM apontou a existência de 15.895 médicos com títulos de especialista no Brasil.

O médico do trabalho exerce um papel importante e complexo. De acordo com Dias et al (2003), “A Medicina do Trabalho é a especialidade médica que lida com as relações entre homens e mulheres trabalhadores e seu trabalho, visando não somente a prevenção dos acidentes e das doenças relacionadas ao trabalho, mas a promoção da saúde e da qualidade de vida”, por meio da melhoria continua das condições de trabalho e de saúde. 

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Reestruturação da Medicina do Trabalho

"Os processos atuais de reestruturação produtiva alteraram o exercício da especialidade médica, a partir de mudanças rápidas no mundo do trabalho. As inovações tecnológicas e novas formas de organização repercutiram de forma importante sobre a saúde dos trabalhadores, ampliando o desgaste mental e contribuindo para o aparecimento de novas patologias, como os Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort)", segundo Larissa Fiorentini, médica do trabalho do Núcleo de Segurança, Medicina do Trabalho e Perícias Médicas da Universidade Federal de São Paulo (Sesmt/Unifesp).

Essas mudanças ocasionaram uma maior exigência sobre os médicos do trabalho, nos campos técnico e ético, tornando necessária a revisão por parte da Anamt das competências requeridas para o exercício desta já complexa especialidade.

No atual cenário pandêmico pelo qual a sociedade está passando, Larissa ressalta a importância do profissional.

"Os médicos do trabalho tornaram-se uma importante força de trabalho especializada no enfrentamento da Covid-19. Por prestarem assistência à saúde a milhões de trabalhadores e estarem capacitados a realizar a triagem daqueles com sintomas de síndrome gripal, estes profissionais contribuem para diminuir a alta demanda dos serviços públicos nesta grave crise sanitária." 

A médica comenta ainda sobre a situação pós-pandemia, abordando os desafios que a situação social pode provocar. "É provável que num contexto pós-pandemia, o profissional venha a se deparar com os desafios decorrentes de novos paradigmas no mundo do trabalho, o que levará a demanda de outras competências para que este continue a exercer seu relevante papel social de promotor da saúde e da qualidade de vida em uma sociedade transformada."

 

Medicina trabalho 

 

Referências Bibliográficas

1. MENDES, R. & DIAS, E. C., 1991. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. Revista de Saúde Pública, 25:341-349.     

2. Dias EC, Gontijo ED, Oliveira RB. Formação, Educação Continuada e Certificação em Medicina do Trabalho: uma proposta orientada pelas competências requeridas para o exercício profissional. Rev Bras Med Trab 2003;1(1):6-21.

3. Silva, AM. Os “Novos” Adoecimentos e o Papel da Medicina do Trabalho. Rev Bras Med Trab 2004;2(2):90-93.

4. ANAMT. Competências Essenciais Requeridas Para o Exercício da Medicina do Trabalho. Atualização 2016

5. ANAMT.Guia Prático Anamt Sobre Covid-19 Para Atuação dos Médicos do Trabalho.