Pesquisadores da EPM/Unifesp descobrem efeito analgésico da bromelina do abacaxi

A bromelina é uma enzima responsável pela liberação de uma morfina endógena

Pesquisadores da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), em estudo apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por meio de um Projeto Temático, descobriram que a bromelina é responsável pela liberação de encefalina - considerada uma morfina endógena - a partir de sua proteína precursora, a proencefalina, que também é encontrada na parede do intestino delgado.

"É uma questão que nos intrigava: como alguém que ingeria bromelina apresentava resposta analgésica. Sabe-se que essa enzima não pode entrar na circulação sanguínea, uma vez que isso provocaria um choque hipotensor violento, levando o indivíduo à morte [por isso não há administração intravenosa da bromelina para fins terapêuticos]. O efeito, portanto, teria que ocorrer por outro mecanismo, restrito à superfície do intestino", disse Luiz Juliano Neto, professor titular aposentado da EPM/Unifesp e um dos autores do artigo com resultados da pesquisa publicado na revista Peptides.

A partir de testes em camundongos verificou-se que, ao ingerir a bromelina - encontrada na polpa, mas principalmente no talo do abacaxi -, a enzima libera encefalina, digerindo a proencefalina presente também na parede do intestino delgado. Dessa forma, a encefalina gerada no processo entra na corrente sanguínea e desempenha ação analgésica periférica.

A descoberta abre perspectivas para o estudo da interação entre o conteúdo enzimático do bolo alimentar (e da microflora intestinal) com a parede do intestino na liberação de substâncias bioativas.

 

Fonte: Agência Fapesp