História

A história da Escola Paulista de Medicina

As primeiras Escolas de Medicina no Brasil foram criadas por D. João VI em 1808: a Escola de Cirurgia do Hospital Militar da Bahia em 18 de fevereiro (com dois professores) e a Escola de Cirurgia e Medicina do Hospital Militar do Rio de Janeiro, em 5 de novembro. A Escola Paulista de Medicina (EPM) foi a 11ª a ser criada no país; seu Manifesto de Fundação foi publicado em 1 de junho de 1933. Em 1933 Gilberto Freyre publica Casa Grande e Senzala; em 1934 é criada a Universidade de São Paulo, por decisão do governador de São Paulo, Armando de Salles Oliveira.

 


         




"De armas vencidas e almas vencedoras, mal saía São Paulo de um desastre heróico que o deveria abater se fosse fraco, mas que só o exaltou porque é forte, já na sua terra – terra ainda morna dos corpos que se esfriavam sobre ela, eijando-a, lançava-se há pouco mais de três anos uma semente milagrosa, a da Escola Paulista de Medicina"

30/09/1936, poeta Guilherme de Almeida

 

"Em 1933, em uma casa situada na Rua Coronel Oscar Porto ocorria a fundação de uma incipiente e promissora Escola Médica por um grupo de destacados jovens médicos, criativos, com alma de pioneiros, dotados de invulgar dose de entusiasmo, possuidores do desejado espírito de luta e imbuídos do continuado amor ao trabalho, que tiveram a ventura de transmitir as gerações que os sucederam, essa excelente soma de virtudes e idealismo" 

Escola Paulista de Medicina, 60 anos de História, Prof. Dr. Octavio Ribeiro Ratto



O discurso de posse do primeiro diretor, Prof. Octavio de Carvalho, proferido a 15 de julho de 1933, começava assim: "Qual as nascentes cabeceiras que, uma a uma, afluem e se confluem para formar o Amazonas, o Nilo ou as catadupas do Niagara, arrastando barreiras, lutando contra obstáculos intransponíveis, porém avançando sempre, nasceu a Escola Paulista de Medicina, oriunda, por sua vez, de acontecimentos sociais inelutáveis... A Escola Paulista de Medicina não é aventura, nem leviandade daqueles que assumiram a responsabilidade de sua ereção. Ela se ergue pobre na simplicidade de suas instalações, porém suficientes; modesta na parcimônia justa de seus instrumentários, porém soberba na majestade de seu idealismo desinteressado".    

 

Quando a Escola Paulista de Medicina foi fundada não possuía um único metro quadrado, mas foi grande o ideal e persistente a ação de seus fundadores: um grupo de cientistas e médicos com atuação destacada e idades variando de 27 a 54 anos. Na cerimônia do lançamento da estaca fundamental do Hospital São Paulo (1936) recitou o poeta Guilherme de Almeida: "Aí está, germinada e prosperada a semente; aí está, florescido o ideal; aí está, frutificado o empreendimento! Aí está a Escola Paulista de Medicina. A árvore boa, em boa hora, sob um bom signo, numa boa terra e por boas mãos plantada". Conseguiram de uma forma provisória, mas adequada, instalações para que o curso básico progredisse sem grandes transtornos.

 


         




Dois anos após, surgiu o problema do ensino para as aulas práticas em ambiente hospitalares. Com a compra da Chácara Schiffini na Rua Botucatu, nº 90, por quatrocentos e cinqüenta contos de réis, estava resolvida a problemática do terreno; lá se construiria a Escola e o Hospital São Paulo. Existiam, entretanto, duas questões sérias e praticamente insolúveis: o dinheiro para construir um hospital do porte daquele que sonharam os nossos fundadores e o tempo para construí-lo.

 

Afinal a Escola Paulista de Medicina já existia e seus alunos precisavam, em 1936, de ensino prático. Mas estes pioneiros não desanimaram: foram escolhidos doentes do Hospital Humberto Primo para as aulas e estudos clínicos. com a condescendência do Conde Francisco Matarazzo. Paralelamente, convenceram Dona Maria Tereza Nogueira de Azevedo a desistir do seu Hospital Piratininga, destinado aos menores carentes e, com este dinheiro, reformaram e readaptaram uma casa da Chácara Schiffini, de tal sorte que em pouco mais de dois meses surgia o Hospital (constituído de um prédio de dois pavimentos) com 100 leitos, o "Pavilhão Maria Tereza" sede provisória do sonhado Hospital São Paulo, sendo que no andar térreo instalaram-se as enfermarias dos Profs. Octavio de Carvalho e Lemos Torres, e ainda um pequeno Laboratório de Análises, embrião do futuro Laboratório Central do Hospital São Paulo.

 

No 1º andar, as enfermarias de Clínica Propedêutica Médica (Prof. Jairo Ramos) e Cirúrgica (Prof. Alípio Correia Neto) e um ambulatório de Pediatria foram montados. Quando já se tinha onde ensinar a prática médica, no Pavilhão Maria Tereza, o tão desejado Hospital São Paulo já estava em construção, precisamente no 4º andar. Em 30 de setembro de 1936 era lançada a pedra fundamental do Hospital São Paulo. O sonho tornava-se realidade. Foi orador da solenidade o poeta Guilherme de Almeida. A Escola consolidou-se, cresceu e foi pioneira em vários aspectos: construiu o primeiro hospital-escola do país (Hospital São Paulo), criou o primeiro curso Biomédico no país (1966) e, em 1951, criando o Departamento de Medicina antecipou a estrutura departamental, que só veio a ser oficialmente implantada no ensino superior brasileiro em 1965. A Escola Paulista de Medicina instalou-se em sede definitiva à Rua Botucatu em 30 de setembro de 1936 e inaugurou o Pavilhão Maria Thereza em 19 de junho de 1937.

 

A Escola Paulista de Medicina foi reconhecida oficialmente em 31 de maio de 1938 e a federalização da Escola ocorreu pelo Decreto Presidencial de 21 de janeiro de 1956. Ela, que nasceu do pioneirismo de um grupo de jovens, tem mantido esse espírito inovador desde a sua criação em 1933.

 


         




A visão dos professores tem sido desde a sua fundação que a eficiência na área da saúde só seria alcançada se houvesse uma diversificação na formação de pessoal competente atuando em conjunto nas várias especialidades. Começou com o curso de Medicina, seguindo-se anos depois a criação da Escola de Enfermagem (1939). A UNIFESP-EPM foi uma das pioneiras em implantar Programas de Residência Médica no Brasil. A Residência Médica foi iniciada em 1957 visando adequar a formação do médico com os avanços da medicina e necessidades da sociedade.

 

Atualmente, são oferecidos 35 programas diferentes a mais de 400 médicos residentes. O curso de Ciências Biomédicas (1966) foi criado visando a formação de docentes e pesquisadores nas áreas básicas da Medicina, e logo a seguir os cursos de Fonoaudiologia (1968) visando a formação de profissionais habilitados no processo de comunicação humana e de Tecnologia Oftálmica (1970) em diferentes técnicas e exames diagnósticos integrando equipe de atendimento oftalmológico. Em 1970, foi criado o primeiro curso de Pós Graduação na Escola Paulista de Medicina.

 

Hoje, a universidade conta 5 cursos de graduação com cerca de 1400 alunos, 38 programas de pós-graduação nível mestrado e 37 de doutorado aprovados pela CAPES com cerca de 2100 alunos, e cerca de 1500 alunos de especialização distribuídos em 100 programas de extensão, além de uma significativa produção científica. A qualidade dos alunos titulados fica clara pela competência dos profissionais por ela formados no mercado de trabalho. As avaliações feitas por órgãos governamentais como a CAPES, ou pela iniciativa privada (por exemplo, Folha de São Paulo) a coloca entre as melhores Instituições do país.

 

Esses aspectos mostram que a UNIFESP-EPM além de atuar no transmitir do saber, é também uma importante fonte geradora do conhecimento.

 


            


 

A Universidade Federal de São Paulo, criada em 15 de dezembro de 1994, resultou da transformação da Escola Paulista de Medicina em universidade da área da saúde e tendo em conta a sua história e consciente da sua responsabilidade com a ciência e a comunidade da qual faz parte, a UNIFESP-EPM tem como missão desenvolver, em nível de excelência, as atividades inter-relacionadas de ensino, pesquisa e extensão, almejando a liderança nacional e internacional na área da saúde. É universidade especializada no campo de Ciências da Saúde.

 

É a mais produtiva das universidades brasileiras, considerada a relação entre trabalhos publicados em periódicos de circulação internacional e o número de docentes.

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