Nota de Pesar - Alfredo Bosi

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Morreu ontem, aos 84 anos, vitimado pela Covid-19, o crítico literário e professor Alfredo Bosi. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), em 1960, instituição à qual se manteve ligado durante toda sua vida intelectual, Bosi começou a carreira como professor de língua e literatura italiana, mas tornou-se mais conhecido por seus estudos da literatura e da cultura brasileiras. Dentre estes, vale destacar “História concisa da literatura brasileira” (1970), “Dialética da colonização” (1992) e os vários livros sobre Machado de Assis, talvez o autor sobre quem mais se debruçou.

Alfredo Bosi era, antes de tudo, um intelectual humanista e engajado, pouco afeito às especializações. Sua produção é vasta — passando pelos sermões do padre Antonio Vieira, a poesia moderna, pela apresentação de outros pensadores engajados, como Antonio Gramsci e José Carlos Mariátegui, isso sem contar uma erudita reflexão sobre intelectuais liberais —, o que não significa ecletismo ou superficialidade. Sua prosa ensaística se manteve, ao longo da vida, sempre clara e arguta, quando não ferina.

Por fim, vale lembrar que o engajamento de Alfredo Bosi esteve vinculado ao seu catolicismo, que nunca abandonou. Próximo da Teologia da Libertação, Bosi viveu o compromisso de uma religiosidade progressista, que tanta falta faz. Perdemos ontem um intelectual de esquerda, religioso e humanista, defensor dos direitos humanos e ferrenho crítico da ditadura militar — todas posições que tão bem encarnou e que precisam ser mantidas vivas.

Departamento de Letras
Direção Acadêmica