Nota de pesar pelo incêndio no Museu Nacional Quinta da Boa Vista

O corpo docente do Departamento de História da Arte e o Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade Federal de São Paulo vem a público manifestar seu imenso pesar pela tragédia do incêndio no Museu Nacional Quinta da Boa Vista e prestar solidariedade a toda a equipe dessa instituição bicentenária, bem como a nossos colegas professores e pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Lamentamos a perda irreversível e incomensurável de um acervo magnifico, salvaguarda da memória nacional e da humanidade, e campo de trabalho de tantas gerações. Cada instituição que arde em chamas leva consigo, em poucas horas, vestígios de décadas, séculos ou mesmo milênios atrás, como no caso do Museu Quinta da Boa Vista. E, infelizmente, isso não tem sido raro no Brasil.

A nova tragédia vem se somar a uma lista na qual já figuram o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o Museu da Língua Portuguesa, a Cinemateca Brasileira, o Liceu de Arte e Ofícios de São Paulo e o Instituto Butantã, entre outras. Esperamos que, ao menos, sirva como alerta e que esse alerta finalmente seja levado a sério. Caso contrário, junto com a nossa memória, arriscamos perder nosso futuro. Sem acúmulo de conhecimento, sem instituições que estimulem a reflexão e a imaginação, sem condições de trabalho adequadas para cientistas, educadores e profissionais da cultura de modo geral, será impossível o país avançar em seus desafios e preparar as novas gerações.

As universidades federais, cujo papel nesses processos é fundamental, têm precisado lutar para continuar funcionando, apesar da falta de recursos. A Unifesp, por exemplo, teve uma redução de aproximadamente 80% nos recursos para infraestrutura a partir de 2016, em relação às médias anuais anteriores. Será mera coincidência o fato de o Museu Nacional ser vinculado a uma universidade?

O luto pelo incêndio na Quinta da Boa Vista não pode nos paralisar. É preciso discutir de forma ampla e explícita as prioridades orçamentárias do governo e as consequências dos cortes de investimentos na educação, na ciência e na cultura.

Por fim, colocamo-nos à disposição para colaborar nos esforços de ressignificação dessa imensa catástrofe.

 

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