Novo comunicado sobre o acontecimento do dia 30/10 na EFLCH

À Comunidade Acadêmica

A Direção Acadêmica informa que o estudante, vítima de assalto a mão armada, ocorrida na última quarta-feira, dia 30 de outubro, passa bem.
RECEBEU ALTA ONTEM E JÁ ESTÁ EM CASA COM A FAMÍLIA.
Mesmo reconhecendo a situação de pânico que se instalou, esclarecemos que foi curto o tempo entre o assalto, o socorro ao estudante, a chegada da polícia e a percepção pelos presentes no campus de que a situação estava sob controle. Tudo aconteceu em cerca de 15 minutos. Centramos nossas forças no atendimento ao estudante baleado, principal vítima, mobilizando diversas instâncias da Unifesp para que recebesse toda a assistência possível.

Houve pessoas que ficaram muito abaladas, o que é compreensível, e que foram atendidas na medida em que buscavam ajuda. Um estudante foi levado ao Hospital Pimentas, pois sua crise de pânico não cessava. A Direção Acadêmica, presente no hospital, ao saber do fato, conversou com os seus acompanhantes e garantiu que chegassem bem em casa.

Compreendemos que manter as aulas na noite de quarta-feira foi a melhor decisão naquele contexto. A sala de aula é um espaço acadêmico fundamental, ambiente seguro para tranquilizar e acolher a todos e para se ter ciência do que ocorrera. Cancelar as aulas e dispersar grande número de pessoas ao mesmo tempo em meio a informações desencontradas poderia aumentar a tensão ao invés de diminuí-la, criando um ambiente ainda mais propício aos boatos espontâneos ou de má fé que sempre circulam em momentos assim. Nessa linha, mantivemos também as aulas de quinta. Não se tratou de insensibilidade da direção acadêmica, mas de uma forma de enfrentar a situação. De outra forma, evitar o local em que ocorreu uma situação traumática poderia reforçar traumas ao invés de levar à sua superação. Entendemos, inclusive, que o esvaziamento de espaços públicos e de ação coletiva, como o nosso campus, implicaria uma desmobilização que, muitas vezes, leva ao isolamento. Além disso, a Direção conversou com muitos professores, servidores e estudantes para que esse trabalho de acolhimento fosse estabelecido numa perspectiva de que todos se ajudassem. 

A Direção Acadêmica está em diálogo com a Câmara de Graduação no sentido de garantir que nenhum estudante seja prejudicado com faltas e que algumas atividades sejam reprogramadas.
Reiteramos que o NAE já reafirmou o seu compromisso com o acolhimento aos estudantes, em um primeiro momento, divulgando os horários de seu serviço de psicologia nas próximas semanas, e que a Direção está à disposição para ouvir e atender aos estudantes, professores, servidores e terceirizados.
É importante debater formas de reforçar a segurança pública do nosso entorno. Ela interessa a comunidade universitária e a toda vizinhança. É um tema complexo que exige reflexão sistemática para não se alimentar ilusões com propostas simplificadoras. A violência urbana atinge a maior parte da população e, atualmente, a situação parece que tem se agravado em razão da grave crise econômica e social que o país enfrenta. Acreditamos que apenas um esforço coletivo de diálogo e construção conjunta ajudará no enfrentamento dos desafios.
A comunidade universitária deve participar dessa discussão mais ampla e, também, pensar o que pode fazer no âmbito da Unifesp para aumentar a sua segurança ou formas de lidar com o medo e os traumas que a violência urbana gera, além de buscar fortalecimento mútuo das relações sociais na universidade, compreendendo o papel que cada um tem nesse processo, bem como os limites de nossa atuação.
Refletir sobre o ocorrido na quarta-feira é uma oportunidade para construir propostas nessa direção. É isso que a Direção Acadêmica e o NAE têm feito, dialogando com a maior número de pessoas. O assunto não se esgota em um ou dois dias, exigirá comprometimento para ser desenvolvido de forma construtiva e, depois, ação continuada para que eventuais propostas sejam implementadas. Acreditamos que a EFLCH é capaz de fazer isso!

 

Atenciosamente,

Direção Acadêmica

01/11/2019