Doenças emergentes, infecciosas e negligenciadas

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O tema Doenças Emergentes, Infecciosas e Negligenciadas pretende contemplar o desenvolvimento e internacionalização das pesquisas voltada para as necessidades dos pacientes e o desenvolvimento de ferramentas para prevenção (vacinas), diagnósticos (metodologia), tratamento (desenvolvimento de medicamentos) e acompanhamento de pacientes (controle de infecção). Estes processos já vêm sendo realizados em pesquisas de alto nível feitas localmente e através de diversas colaborações internacionais entre os programas de pós-graduação em Microbiologia e Imunologia (Nota 7), Infectologia (Nota 5), Oftalmologia (Nota 6) e Enfermagem (Nota 5) que englobam pesquisadores de diferentes áreas (básica, aplicada e clínica). As pesquisas atualmente desenvolvidas nesta Instituição na área de Doenças Infeciosas englobam estudos que vão da biologia básica à aspectos patológicos e o manejo de pacientes, em vírus, bactérias, fungos e parasitas. Neste sentido, as colaborações internacionais são importantes para a transferência de novas tecnologias e no compartilhamento de informações epidemiológicas destas doenças. Esta temática oferece também possibilidades inúmeras de formar e consolidar redes de colaborações entre a Unifesp e diversas Universidades e Empresas internacionais. Pretendemos dentro do projeto de Internacionalização promover esta congregação de esforços e criar localmente um ambiente de alto nível pesquisa e ensino para atingir metas específicas dentro do conceito de internacionalização.


Linhas de Pesquisa


O diagnóstico para doenças infecciosas provocadas principalmente por infecções emergentes ou negligenciadas, isto é, aquelas que afetam principalmente países em desenvolvimento como o Brasil, ainda não estão adequadamente estabelecidos. O Brasil é o quinto maior país do mundo em área e população com mais de 192 milhões de pessoas. O país possui condições sócias demográficas heterogêneas e tem passado por rápidas mudanças econômicas, sociais e ambientais. Apesar das reduções pronunciadas no número de óbitos por doenças infecciosas, principalmente devido a infecções por HIV e doenças tropicais nas últimas seis décadas, o ressurgimento de doenças como dengue, chikungunya, Zika e, mais recentemente, febre amarela tem sido observada. Na área de diagnóstico inúmeras limitações e dificuldades que advém de questões de variabilidade local, dificuldade de coleta e processamento e interpretação dos resultados. Também é precário o prognóstico tanto após a identificação do agente como durante o tratamento. Diversas linhas de pesquisa na Unifesp enfocam agentes infecciosos, como estudos de vírus (HIV, Dengue, Zika, Influenza) bactérias e fungos patogênicos além de protozoários parasitas. Existe grande potencial de atração de grupos internacionais para o estabelecimento de novas técnicas de diagnóstico e prognóstico, muitas já feitas em redes internacionais. Este projeto procurará criar um ambiente de compartilhamento de informações e tecnologias diagnósticas desde a caracterização de antígenos até o emprego de novos testes moleculares contribuindo para preencher esta importante lacuna na área de saúde. Nosso objetivo será também fortalecer e internacionalizar a linha de pesquisa relacionada à Infecção entre os pesquisadores de enfermagem. Desta forma, este projeto irá enfocar em análises epidemiológicas, descrição de fatores de risco e prevenção. O ponto positivo é a abrangência de atuação dos profissionais enfermeiros em centros de alta complexidade, vigilância hospitalar, ambiental comunidade, escolas e populações vulneráveis e especiais.

Já existem dentro dos nossos programas de pós-graduação grupos de excelência que buscam compreender os mecanismos envolvidos no desenvolvimento de infecções causadas por microrganismos. Estes programas envolvem trabalhos de caracterização morfológica, bioquímica, celular dos agentes infecciosos até os mecanismos de resposta e adaptação no hospedeiro humano. Além disso, há um grande enfoque nos aspectos clínicos destas patologias possibilitando correlacionar os dados clínicos com os mecanismos de virulência. Desta forma, o objetivo deste projeto será o de congregar os diferentes grupos de pesquisa em plataformas que caracterizem determinantes de virulência através da identificação de clones ou isolados altamente virulentos a partir de experimentação ou de disseminados em unidades hospitalares brasileiras. Estes clones serão caracterizados através de sequenciamento em larga escala, hoje aplicado para muitos microrganismos. A obtenção destas linhagens será feita de forma multicêntrica, possibilitando uma continua interação com Centros Internacionais. Neste sentido, as missões, intercâmbios e estágios permitirão consolidar estas interações.

A disponibilidade de tratamentos contra doenças infecciosas é bastante limitada no caso de doenças negligenciadas e emergentes e a resistência microbiana também representa um importante problema de saúde pública nos hospitais brasileiros. Embora a maioria da população dependa do sistema público de saúde, uma fração crescente de pessoas é assistida por instituições privadas, refletindo em práticas distintas de cuidados de saúde e prevenção de controle de infecções relacionadas à assistência à saúde. Como resultado, a ausência de tratamentos e diferentes padrões de resistência antimicrobiana podem surgir ou já existem no país. Neste projeto, diversos grupos dos programas de pós-graduação vêm trabalhando com agentes patogênicos como protozoários, vírus, bactérias e fungos através de colaborações internacionais já existentes. O projeto permitirá criar colaborações internas e consolida-las como uma rede de instituições internacionais. Além disto, o acesso a diferentes cortes de pacientes servirá para atrair grupos internacionais, possibilitando dar um melhor treinamento local tanto na área básica como aplicada à saúde.


Países envolvidos

Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Israel, Itália, Reino Unido, Rússia.


Coordenador
Prof. Dr. Sérgio Schenkman