Contexto do Programa

Categoria: Programa Escrito por Ivan Torres Pisa Acessos: 1526

Mudanças na natureza da tecnologia estão direcionando a existência de modelos com maior convergência entre a tecnologia computacional e de comunicação. Os aspectos econômicos que dirigem as decisões mundiais são baseados em tecnologia digital. Hoje, não se entende mais a vida e a prática de saúde sem recursos tecnológicos. Porém, tais recursos só serão realmente incrementados com estudos de avaliação do impacto econômico. Tão necessário quanto o financiamento do sistema de saúde e o desenvolvimento de sistemas de informação em saúde computadorizados para o atendimento direto, são os estudos de avaliação de recursos tecnológicos, verificando o impacto que a tecnologia da informação gera na melhoria de financiamentos e na prestação direta do atendimento, entendendo assim como melhor empregar recursos para melhor resultado obter.

Informação é a essência da profissão. Os profissionais de saúde precisam de informação para poder exercer processo de cuidado, de gerenciamento e de avaliação. Ou seja, todas as atividades em saúde estão relacionadas com a busca e o uso da informação. Neste sentido, quanto melhor os sistemas informatizados conseguem registrar, armazenar e disponibilizar esta informação, tanto melhor será o ato do profissional – melhor informação, maior qualidade na tomada de decisão.

A informática em saúde surgiu como área de aplicação direta devido aos avanços da computação e das tecnologias de informação e comunicação em resposta à consciência crescente de que a base de conhecimento da medicina e outras áreas da saúde não podem ser gerenciadas apenas em suporte papel, que o processo de tomada de decisão é tão importante para a medicina, quanto a coleção de fatos nos quais estas decisões são baseadas e que ambos podem ser otimizados com o auxílio da informática. Desde então, tem-se discutido a necessidade da implantação de setores de tecnologias de informação e comunicação nas escolas de saúde que sirvam às necessidades dos demais setores de atendimento em saúde, baseando-se em metodologias científicas e especificidades da prática e do atendimento em saúde.

A informática em saúde, desde sua origem, teve seu escopo de ação e investigação ampliado, consoante com a necessidade de organização do conhecimento e da pesquisa em ciências da saúde, tendo como visão a possibilidade de se otimizar processos relacionados às práticas dessas ciências, por meio das tecnologias da informação e comunicação, iniciando-se assim projetos multidisciplinares envolvendo informática, ciências da saúde, ciências da computação, conceitos de gestão, economia e administração. Pode-se portanto considerar informática em saúde como o campo científico que lida com recursos, dispositivos e métodos para otimizar o armazenamento, recuperação, gerenciamento e avaliação de informações biomédicas.

Hoje o processamento de informação e de comunicação para viabilizar a prestação dos cuidados é essencial para muitas atividades em ciências da saúde, incluindo: registro e recuperação de informação sobre pacientes; comunicação entre profissionais de saúde; acesso à literatura científica; seleção de procedimentos diagnósticos e terapêuticos; interpretação de resultados de laboratório e coleção de dados clínicos, criação de ambientes de ensino para atualização e manutenção da saúde. A área de informática em saúde também vem se tornando essencial na pesquisa em ciências da saúde e, mais recentemente, nas pesquisas biológicas. Com isto, a informática em saúde se estabeleceu como uma área de conhecimento independente na maioria dos países desenvolvidos.

O mundo e a economia globalizada, onde fatos ocorridos em um país afetam outro país, em diferentes continentes, não atingiriam tais proporções se o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação não estivessem consistentes para proporcionar a queda destas fronteiras geográficas e de tempo. O desenvolvimento de um país é hoje medido pelo grau de desenvolvimento tecnológico que possui e pela capacidade de distribuição e utilização destes recursos. Assim, é comum testemunharmos que os dirigentes nacionais estão cada vez mais estimulando ações para melhorar a realidade no âmbito da saúde global que envolvem, essencialmente, o avanço da informática em saúde, tais como a implantação de sistemas de informação em saúde na internet, a descentralização da avaliação da dados em saúde e a oferta de treinamento amplo em Informática em Saúde aos profissionais da saúde.

O crescimento dessa área como uma disciplina deve-se, em grande parte, aos avanços nas tecnologias de computação e comunicação, à crescente convicção de que o conhecimento médico e as informações sobre os pacientes não podem mais ser controladas, registradas e analisadas por métodos tradicionais baseados em papel, e devido à certeza de que os processos de acesso ao conhecimento e tomada de decisão desempenham papel central na saúde moderna.

Considera-se também que a gestão da informação em setores hospitalares e áreas afins representa um componente essencial no processo de prestação de cuidados aos pacientes. O problema da gestão da informação tem sido ainda mais dificultado devido a um exponencial aumento na quantidade de dados a serem gerenciados, no número de profissionais que controlam os processos e nas demandas para acesso em tempo real e rápida resposta. Nos EUA, 12 a 15% do gasto em saúde é atribuído ao custo associado com o ato de lidar com a informação. O custo de lidar com a informação nos hospitais tem sido o principal fator para o uso de computadores, na tentativa de fornecer mais dados com menor custo. As estimativas do custo de lidar com a informação variam entre 25 e 39% do total do custo em saúde. A maioria dos profissionais da área concorda que um razoável gasto com sistemas de informação representa, pelo menos, de 3 a 5% do orçamento operacional de uma organização de saúde.

Mais recentemente, as organizações de saúde e os serviços de assistência à saúde, no âmbito internacional, estão sofrendo grandes pressões por todos os lados. A diminuição na receita disponível de fundos para os serviços de assistência à saúde e a explosão de novos tratamentos e programas e de tecnologia inovadoras, acompanhadas por um aumento da demanda dos cidadãos e na expectativa no sistema de saúde, refletiram mudanças na forma de trabalho de tais serviços, considerando aspectos como o cuidado gerenciado; o custo cada vez maior dos medicamentos; o aumento na média de idade revelado pelos dados demográficos da população; a mudança de paradigma da prestação dos cuidados e do tratamento intensivo para o atendimento com base na comunidade; e a maior expectativa dos empregados para remuneração e compensação, como resultado do aumento do custo do trabalho. Ao mesmo tempo espera-se que a efetividade e a eficácia da assistência a saúde seja maior, enquanto a qualidade seja mantida ou até mesmo melhorada.

Por todas estas razões, os sistemas de assistência a saúde no mundo todo estão sob enorme pressão para mudanças. No entanto, as decisões sobre os sistemas de saúde e as organizações não podem estar baseadas em opiniões, emoções, precedentes históricos ou expediente político. Dados e informações são essenciais para um processo de tomada de decisão racional e para o bom gerenciamento dos serviços de assistência à saúde em qualquer país. A reestrutura dos sistemas de saúde mundiais precisa ser fundamentada em dados e informações.

Os sistemas de saúde, os serviços de atendimento e as organizações estão passando por processos de reorganização e reengenharia. Decisões racionais sobre tais atividades devem ser baseadas em informações. Historicamente, o campo de informática em saúde teve atenção mais direcionada ao paciente sob cuidados intensivos. Menor atenção foi prestada aos serviços de assistência às populações. Porém, observa-se que está começando a ser dada maior ênfase à informática em saúde para a comunidade, que tem um corpo multidisciplinar mais amplo e o foco na assistência à saúde, incluindo avaliação de necessidades da população, situação dos indicadores de saúde, promoção da saúde e prevenção de doenças, além do tratamento.

A informática em saúde pode e deve ter um papel mais importante na reengenharia e na reestruturação que está ocorrendo nas maiores organizações e nos sistemas de assistência à saúde. Muitos dos dados disponíveis no momento são inadequados para tais tarefas: no entanto, os dados atuais precisam ser transformados e a necessidade futura de informação deve ser prevista, para que possa sustentar a reengenharia de empresas e organizações de saúde. Para tanto, os seguintes aspectos são essenciais: (a) restituição do conceito de prestação de cuidados de saúde dentro de uma jurisdição corporativa; (b) uso de técnicas de reengenharia da informação; (c) desenvolvimento de estratégias de gerenciamento global da informação; (d) necessidade de aplicar os princípios do gerenciamento de informação; (e) implicações organizacionais do gerenciamento de informação; (f) modelo conceitual para alcançar o valor agregado como subproduto dos dados da assistência à saúde

Questões sobre o uso de tais recursos tecnológicos e de comunicação em benefício da população fazem parte do corpo de investigação e interesse dos mais diversos órgãos de fomento e de decisão política em saúde dos países. Estas questões investigam: Quais os desenvolvimentos de Ciência, Tecnologia e Inovação são mais promissores e importantes? Quais as tecnologias emergentes mais prováveis e com maior impacto econômico? Quais são os desenvolvimentos de ciência, tecnologia e inovação com potencias mais favoráveis para melhoria e manutenção da qualidade de vida das populações?

Algumas respostas e soluções são alcançadas mediante uso racional e adequado de recursos tecnológicos, acompanhados do entendimento sobre aplicação eficaz dos recursos financeiros. Tais recursos se bem empregados poderão nos trazer: avanços no desenvolvimento e implantação do registro eletrônico de saúde, no qual cada cidadão terá seu prontuário de saúde disponível no ponto de cuidado, contendo todas as informações necessárias, de fácil acesso e entendimento para facilitar o trabalho do cuidador, otimizando recursos materiais e humanos; fabricação de robôs que permitam simulação computacional para reduzir custos de experimentos; avanços no desenvolvimento de sistemas inteligentes com simbiose homem/máquina, onde dispositivos eletrônicos e bioquímicos possam ser implantados com segurança no corpo humano; desenvolvimento de equipamentos e processos de telecirurgia cada vez mais eficientes e com boa razão custo-benefício, inclusive para intervenções de emergência; desenvolvimento de sistemas inteligentes e de apoio à decisão para prevenção, tratamento e controle de doenças; possibilidade de fazer melhor uso de informações genéticas e de pesquisas laboratoriais para melhorias das práticas clínicas; criação de dispositivos sistêmicos para diagnósticos de saúde, dentre outros.

Porém, há que se ter em consideração que todo e qualquer desenvolvimento e aplicação de recursos tecnológicos e tecnologias emergentes deve ser considerados sob o potencial de maior probabilidade de gerar impacto econômico. Hoje, muitos gestores e responsáveis pelo atendimento em saúde entendem que a única ferramenta para poder se exercer uma gestão com qualidade, repousa nos recursos da tecnologia da informação e comunicação. São os recursos que podem proporcionar melhores ferramentas de gestão, respondendo as atuais tendências de gestão em rede, contra o pensamento puramente sistemático e hierárquico. Hoje o Brasil entende que somente com os recursos da tecnologia da informação podemos ter mais eficiência no setor de saúde e na economia do país como um todo, igualando-se assim às economias do mercado desenvolvido. Ainda, com as dimensões geográficas e diferenças sociais, a tecnologia da informação representa um dos meios mais eficazes e eficientes para se promover a inclusão social de nossos cidadãos.

O Programa de Pós-graduação aqui ofertado por seus docentes entende que mudar paradigmas em um país como o Brasil não é uma tarefa trivial. Mas, nossa vivência e experiência nacional (inseridos nos órgãos de gestão em saúde ministeriais como consultores e nas sociedades afins) e internacional (como consultores de diferentes países e participantes na elaboração de projetos internacionais) nos permitem afirmar que embora tendo que convencer setores políticos e decisórios que somente com os recursos de tecnologia da informação podemos ter redução de custos e acesso a informação correta, adequada e em tempo real para facilitar a realização da melhor decisão, sabemos que este é caminho que nos alavanca socialmente, sendo nossa função preparar novos profissionais que poderão atuar neste cenário multidisciplinar e digital em saúde e economia.