Quinta, 04 Junho 2020 12:00

Projetos da EFLCH oferecem assistência e incentivam práticas artísticas na quarentena

Iniciativa tem como público-alvo os residentes da periferia de Guarulhos, na Grande São Paulo

Por Tamires Tavares

ArteirosEmTela Portal

O Observatório Covid-19 do Teatro Adamastor Pimentas: Arteiros em Tela realiza, desde março, início das recomendações de isolamento social, atividades de pesquisa e assistência junto aos moradores do entorno da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH/Unifesp) - Campus Guarulhos, na região periférica de Guarulhos. “A experiência pretende fomentar encontros-aproximações entre os pesquisadores e os moradores para tematizar a desigualdade atravessada na experiência da pandemia”, explica Marta Jardim, docente do Departamento de História da Arte e uma dos idealizadores do projeto.

Iniciativa de docentes, estudantes e funcionários da Universidade, o observatório reúne os grupos de pesquisa e projetos de extensão Etnografia e História das Práticas Artísticas e das Línguas das Áfricas (EHPALA), Grupo de Estudos e Práticas Artísticas da Cia do Caminho Velho (GEPA), Pimentas em Cantadas, Pimentas de Ouro e Intervalo no Teatro.

As atividades são desenvolvidas em conjunto com a comunidade moradora de condomínios de moradia popular – que já participam de ações no campus ao longo do ano letivo. Desde o seu início, foram cadastradas 190 famílias em situação de vulnerabilidade, e realizada a arrecadação e distribuição de alimentos – ao todo, foram compradas 200 cestas básicas. A iniciativa promove, também, arrecadação de recursos para uso da Internet, como a aquisição de um telefone celular para uso coletivo, denominado como “Orelhão Móvel”. “Espera-se que o telefone possa ser usado para resolver questões pragmáticas, como outrora os ‘orelhões’ permitiam e, também, convidamos o usuário temporário do aparelho e seu pacote de dados a fazer arte para expressar sua experiência de confinamento domiciliar”, comenta Jardim.

A frente do observatório que se dedica ao incentivo de manifestações artísticas e compartilhamento virtual, o Arteiros em Tela estimula a expressão tematizada pelo isolamento social através de performances teatrais, artes plásticas, música, dança e fotografia que serão divulgadas nas redes sociais do projeto. Ela está vinculada a uma pesquisa acadêmica que investiga as artes desenvolvidas na experiência de isolamento e confinamento doméstico resultante da pandemia de covid-19.

Para organização e discussões acerca dos projetos, são realizados encontros virtuais semanais entre os participantes. As reuniões integram Unidades Curriculares Emergenciais que compõem o currículo acadêmico da Universidade durante a quarentena, como a Etnografias performativas em isolamento em um mundo tão desigual, na qual são apresentados os materiais artísticos recebido e discutida a desigualdade socioeconômica na experiência de isolamento. Ocorrem também, em outro momento, apresentações dos próprios autores destes materiais e trocas de experiências com estes.

O observatório também contribui ao estudo do impacto sociopsicológico da quarentena na comunidade assistida. Para isso, colabora com a pesquisa Desigualdades e Vulnerabilidades na Epidemia de Covid-19: monitoramento, análise e recomendações, coordenada pela docente Lumena Furtado, da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) – Campus São Paulo.

O esforço conta com o apoio do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane em Moçambique, do ARK-T Arte em Oxford, do Observatório Covid-19 Centro de Estudos de Migração Internacional (CEMI) da Unicamp, do Departamento de Antropologia da UFOPA, do Departamento de História da UFParaná e do Lepais - UFPEL.

A divulgação de produções artísticas e demais atividades ocorre na página do Facebook. Para doações, entre em contato com os organizadores por meio da mesma página.

 

Lido 995 vezes Última modificação em Quinta, 25 Junho 2020 14:30

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