Quarta, 01 Junho 2016 14:57

Epidemia de vírus Zika é debatida em conferência na EPM/Unifesp

Evento contou com palestras dos pesquisadores Albert Ko e Paulo Buss e presença da comunidade acadêmica

Por José Luiz Guerra

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A Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) promoveu, na noite do dia 31 de maio, uma conferência sobre o vírus Zika. O evento, ocorrido no anfiteatro Leitão da Cunha, contou com palestras do professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale, Albert Ko, e do diretor do Centro de Projetos Internacionais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Buss, e foi mediado pela diretora da EPM/Unifesp, Emilia Sato. A conferência também contou com a presença da reitora da Unifesp, Soraya Smaili.

Antes de sua apresentação, Albert Ko agradeceu à Emília Sato pela oportunidade de expor seu trabalho e a Rubens Belfort Jr., professor titular do Departamento de Oftalmologia da EPM/Unifesp, responsável pelo convite. Ko falou de sua experiência à frente do grupo de trabalho que estudou o vírus Zika em Salvador, no ano de 2015, quando acompanhou as consequências da Zika na população, como microcefalia e síndrome de Guillain Barré e falou do alto grau de reações cruzadas que vírus provoca.

O pesquisador estadunidense ainda apresentou as regiões nas quais a doença está mais presente, em especial as tropicais e fez uma projeção de que, em 2085, cerca de 3,5 bilhões de pessoas viverão em regiões com potencial para novas epidemias. Para ele, a dificuldades de diagnosticar a doença. Sua equipe deduziu também que a doença já circulava no país antes do surto. “Revisamos alguns prontuários e, de acordo com as características de alguns pacientes, concluímos que a Zika pode ter chegado ao Brasil entre 2013 e 2014, quando ocorreram a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, eventos que trouxeram muitos turistas estrangeiros ao Brasil”, completou.

Em sua intervenção, Paulo Buss parabenizou a EPM/Unifesp pelos trabalhos que a instituição vem desenvolvendo em relação às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti e abordou os fatores socioeconômicos que, para ele, são preponderantes na propagação destas doenças. “Essas doenças são causadas, prioritariamente, pela exclusão social, uma vez que os lugares mais pobres são mais suscetíveis à proliferação do mosquito. É um problema de saúde pública”. Buss apresentou dados que indicavam que a maioria dos casos de Zika e de suas consequências, como a microcefalia, atingem, em sua maioria, famílias de baixa renda, baixa escolaridade, sem acesso à rede de esgoto e coleta de lixo adequadas.

Buss apontou também que o estilo de vida da população atual propicia a disseminação do mosquito. “Consumimos materiais plásticos que demoram séculos para se decompor e esses materiais, como tampas de garrafas, por exemplo, podem tornar-se foco de reprodução do Aedes Aegypti. Ou mudamos nossa forma de produzir ou iremos conviver eternamente com essas doenças”, completou.

Por fim, Buss alertou ainda que o Brasil precisa de uma intervenção multi-setorial e de políticas públicas que protejam as populações mais pobres e criticou países que não investem em saúde pública. “Devemos lutar contra os ajustes neoliberais que estão por vir, pois certamente aumentarão a desigualdade social no Brasil”, completou.

Ao final das apresentações o evento foi aberto para perguntas da plateia, composta pela comunidade acadêmica da instituição.

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