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Segunda, 11 Abril 2022 12:48

Novo modelo de tratamento pode auxiliar usuários dependentes de cocaína e crack

Estudo indica que o uso de medicamentos psicoestimulantes pode integrar terapia e facilitar aceitação e envolvimento do paciente para sair da dependência

Por Denis Dana

Um estudo produzido em parceria entre Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Columbia (EUA), Universidade de Toronto (Canadá) e representantes do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) reforça um novo modelo terapêutico que pode representar um importante passo no imenso desafio que é a atração e retenção de dependentes de drogas como a cocaína e o crack em seu processo de tratamento. A prática, que inclui a prescrição de medicamentos psicoestimulantes, baseia-se no modelo de tratamento da dependência de heroína, que já é usado com sucesso em alguns países.

O tema foi abordado em artigo científico veiculado recentemente no periódico The Canadian Journal of Psychiatry e deve ganhar repercussão em razão de ser considerado um problema global com imenso impacto na saúde pública, tanto que o fortalecimento da prevenção e do tratamento de transtornos por uso de substâncias é um dos alvos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

"Para que essa meta de fortalecimento seja alcançada, é preciso compreender que os modelos de tratamento atualmente dominantes usam uma combinação de diversas intervenções educacionais e psicossociais como terapias cognitivo-comportamentais, mas que possuem difícil implementação e aplicação clínica limitada, uma vez que não conseguem atrair e reter os pacientes. Diante desse cenário, é relevante pensar em novos modelos de tratamento”, explica Thiago Fidalgo, professor do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e um dos autores do estudo.

O novo modelo de tratamento propõe a continuidade de ações de assistência médica e psicossocial, associadas ao uso de medicamentos psicoestimulantes a serem aplicados em ambientes especializados de saúde e com acompanhamento de equipe multidisciplinar.

Fidalgo explica que "psicoestimulantes prescritos já foram clinicamente avaliados por mais de 20 anos para o tratamento de dependentes e, entre as opções, podem ser utilizados como medicamentos agonistas mais eficazes anfetaminas de prescrição (lisdexanfetamina, dexanfetamina ou mistura sais de anfetamina) ou metilfenidato, todos eles seguros e eficazes para uso clínico nesse tipo de necessidade".

"Esses psicoestimulantes prescritos produzem aumento da dopamina e noradrenalina, análoga à causada por cocaína, anfetaminas e metanfetaminas, o que pode aliviar o desejo e a abstinência do dependente e, portanto, diminuir o uso de estimulantes ilícitos ou até mesmo prevenir recaídas em indivíduos recentemente abstinentes. Essas condições contribuem para a adesão dos pacientes, bem como a propensão de eles participarem do programa, de forma a não apenas reduzir ou abandonar o uso de drogas como também aprender habilidades para alcançar a abstinência e melhor rendimento na saúde e na qualidade de vida", ressalta o docente e pesquisador da Unifesp.

Próximos passos

O novo modelo de tratamento para dependentes de drogas como cocaína, crack e anfetaminas e suas perspectivas promissoras deve servir como encorajamento para que organismos internacionais discutam e encorajam o desenvolvimento de uma rede de pesquisas multi-países, que traga dados globais sobre a eficácia e segurança dessa estratégia de intervenção.

“É preciso quebrar barreiras que existem e permitir que novas estratégias, já em uso e bem-sucedida em outros países, como essa que inclui o uso de medicamentos psicoestimulantes, também seja aplicada no Brasil. Essa pode ser uma alternativa para reduzir um grave problema de saúde pública que temos em nosso país”, conclui Fidalgo.

Lido 1750 vezes Última modificação em Terça, 12 Abril 2022 14:31

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