Terça, 24 Agosto 2021 10:47

Pesquisa da Unifesp destaca a importância da comunicação oral e escrita nas atividades de profissionais de saúde

Estudo aborda a relação da própria percepção do corpo com a qualidade da interação nas várias áreas do cuidado

Por Paula Garcia

Participantes da Oficina Corpo, Escuta e Escrita - Experimentos Textuais Formativos. Foto: Liliane Oraggio
Participantes da Oficina Corpo, Escuta e Escrita - Experimentos Textuais Formativos. Foto: Liliane Oraggio

Sensibilizar profissionais da saúde para aspectos relativos a comunicação e a importância de perceber o próprio corpo, as emoções e as limitações para tornar mais saudáveis as relações pessoais e profissionais, foi o eixo do estudo realizado no Campus Baixada Santista da Unifesp. O trabalho feito entre 2019 e 2021, resultou na dissertação de mestrado Escuta e escrita para profissionais de saúde -- uma experiência corporal na interface entre saúde e comunicação, idealizado e desenvolvido por Liliane Oraggio, com a orientação de Flavia Liberman, docente do Programa Interdisciplinar em Ciências da Saúde.

O campo de produção de dados para a pesquisa foi feito ao longo de 10 oficinas, nas quais participaram estudantes da pós-graduação envolvidos(as) com a escrita acadêmica e em busca do aprimoramento da produção de textos em prontuários, relatórios e outros documentos profissionais, também utilizados por equipes multidisciplinares. Como fazer isso de forma clara e ressaltando a singularidade dos pacientes ou das situações? Quanto do fazer em saúde tem relação com a comunicação? Essas foram perguntas disparadoras da pesquisa-intervenção, que permitiram a análise da experiência vivida.

Práticas corporais na Oficina Corpo, Escuta e Escrita para aprimorar a sensibilidade. Foto: Liliane Oraggio
Práticas corporais na Oficina Corpo, Escuta e Escrita para aprimorar a sensibilidade. Foto: Liliane Oraggio

“A literatura, os documentários e as obras de médicos escritores, como Oliver Sacks e Anton Tchekhov, fizeram parte das oficinas e da pesquisa acadêmica. Além de estimular a prontidão na produção de textos, discutindo a crença de que o ato de escrever é solitário, demorado e árduo, foram feitas muitas dinâmicas para despertar a percepção de cada um sobre o próprio fazer e sobre o modo como desempenha suas práticas profissionais”, conta Oraggio.

Os(as) participantes das oficinas, na maioria mulheres, tinham em comum o trabalho em dispositivos da saúde coletiva do município de Santos, e os textos produzidos durante esse período foram reunidos no e-book Com a roupa do corpo (ed. Oraggio/Memoralia), com lançamento em breve.

Desenhar a percepção do próprio faz corpo foi prática nas oficinas, que serviram de campo de produção de dados para o estudo. Foto: Liliane Oraggi
Desenhar a percepção do próprio faz corpo foi prática nas oficinas, que serviram de campo de produção de dados para o estudo. Foto: Liliane Oraggio

Lido 596 vezes Última modificação em Quarta, 20 Outubro 2021 14:31

Mídia