Leite humano: o alimento essencial da vida

Banco de Leite Humano do Hospital São Paulo conta com a solidariedade de mamães para aumentar o seu estoque de leite humano 
 

Por Juliana Narimatsu 



Pequenos frascos de vidro, cuidadosamente armazenados pelo carinho materno, guardam em seu interior aquilo que será a grande diferença para o futuro de frágeis bebês: o leite humano. Esse é, sem dúvida, o alimento mais completo e adequado para os primeiros anos de uma criança, fundamental para se ter um desenvolvimento saudável e a chance de sobrevivência daqueles mais vulneráveis. São recém-nascidos, prematuros, com baixo peso, internados em uma UTI Neonatal e que, por algum motivo, não podem ser amamentados. Esses casos especiais pedem uma ajuda especial. E o primeiro passo começa por você, mamãe.

O que é leite materno?

A Organização Mundial da Saúde recomenda que os bebês recebam apenas leite materno até o sexto mês de vida e, de forma continuada, até os dois anos ou mais, com uma alimentação complementar apropriada. Entretanto, essa prática ainda não é habitual. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 43% das crianças no mundo com menos de seis meses de idade são amamentadas exclusivamente. Para reforçar a importância desse ato, comemora-se no mês de agosto a Semana Mundial de Aleitamento Materno, que está em sua 25ª edição e que aconteceu, este ano, entre os dias 1 e 7. 

Mas por que o leite humano é tão essencial? Durante a gestação, a mulher produz o colostro. Nos primeiros dias após o nascimento, a criança recebe essa primeira secreção láctea, rica em anticorpos, principalmente a imunoglobulina. O leite, no entanto, vai sofrendo alterações no decorrer dos dias até se tornar o leite maduro, que está presente, geralmente, na terceira semana após o parto e contém, dentre outros elementos, 4% de gordura, poli-insaturados de cadeia longa e proteínas do soro. Desta forma, o leite materno apresenta nutrientes que, entre outas coisas, fortalecem a imunidade, protegem de doenças futuras e diminuem os riscos de alergias.

Já a produção acontece nos alvéolos, localizados nas glândulas mamárias. A saída da placenta estimula essa glândula a começar a produzir os hormônios do leite, a prolactina e a ocitocina. Porém, o que vai manter essa produção é o esvaziamento da mama (seja para doação, seja para alimentação do próprio filho). Então, mamãe, não se preocupe! Se você tiver uma grande demanda de leite, é possível amamentar sua criança e, ao mesmo tempo, contribuir com a saúde de outros bebês. Não há quantidades mínimas de doação, mas é relevante saber que, segundo o Ministério da Saúde, com um litro de leite materno, por exemplo, é possível alimentar 10 recém-nascidos internados.

Uma ação imprescindível 

Atualmente, o índice de doações de leite materno não alcança a necessidade do país. Dados do ano de 2015 da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (RedeBLH) mostram que somente 60% da demanda consegue ser suprida. “Cada banco de leite trabalha com a doação para bebês do próprio hospital. É muito difícil o estoque ser alto para poder ser transferido para outra instituição. Hoje, por exemplo, eu não consigo atender todas as crianças que estão internadas no Hospital São Paulo. Não há leite suficiente”, explica a professora Ana Cristina Abrão, coordenadora do Centro de Incentivo e Apoio ao Aleitamento Materno/Banco de Leite Humano do Hospital São Paulo.

Foto da professora Ana Cristina Abrão, coordenadora do Centro de Incentivo e Apoio ao Aleitamento Materno/Banco de Leite Humano do Hospital São Paulo-HU/Unifesp.
Professora Ana Cristina Abrão, coordenadora do Centro de Incentivo e Apoio ao Aleitamento Materno/Banco de Leite Humano do Hospital São Paulo (HSP-HU/Unifesp). Crédito: Juliana Narimatsu.

Por isso sua ajuda é imprescindível. Estar saudável no período da amamentação e produzir um volume excedente de leite são requisitos importantes para ser uma possível doadora. Com esse perfil, a interessada deve procurar o banco de leite humano de sua região e receber as primeiras orientações. Há, em seguida, a necessidade de preencher um cadastro e apresentar o cartão pré-natal com todos os exames para verificar se a voluntária está apta a doar.

Normalmente os bancos de leite oferecem serviços de busca em domicílio, disponibilizando o material para a coleta, composto por frascos, máscara e touca. Na própria residência, a mãe recebe as explicações técnicas da ordenha manual e também do procedimento de higienização e armazenamento dos potes. Posteriormente, com data marcada, o transporte recolhe o leite doado. “Existe toda uma estrutura que o banco oferece para facilitar ao máximo para a doadora, tendo ela apenas o trabalho de fazer a retirada do leite”.

E depois?

Antes de ser oferecido aos pequenos bebês, o leite materno doado aos bancos passa por uma preparação para garantir a qualidade do alimento. Os frascos chegam congelados. Há o descongelamento e, depois, a avaliação do material para checar, por exemplo, se está contaminado ou se tem o odor característico. Sendo adequado, o leite vai para a pasteurização: aquecendo-o a 62,5°C, por 30 minutos, e resfriando-o a 5 a 7°C. Mais uma vez, há a coleta do material para análise microbiológica, constatando a efetividade do processo e, assim, liberando-o para o consumo. “O leite pasteurizado pode ficar congelado por seis meses, mas não chega a esse prazo, já que temos um estoque baixo”, comenta Ana Cristina.

Foto de uma das fases do processo de pasteurização do leite humano.
Uma das estapas da pasteurização do leite humano: o resfriamento. Crédito: José Luiz Guerra.

Conheça o CIAAM e faça a diferença!

O Brasil abraça 220 bancos de leite humano e 177 postos de coleta. De acordo com a RedeBLH, de janeiro a agosto deste ano, 87.985 crianças de todo país foram beneficiadas com o leite de 96.336 mamães. Nesse período, foram doados cerca de 96 mil litros. Só em São Paulo foram 23 mil. Contudo, mesmo com essas marcas, ainda é preciso mais. 

O Centro de Incentivo e Apoio ao Aleitamento Materno/Banco de Leite Humano do Hospital São Paulo (CIAAM do HSP-HU/Unifesp) oferece atendimentos para esclarecimento de dúvidas sobre amamentação, acompanhamento até um ano do desenvolvimento da criança, consultas com nutricionistas e psicólogos, além de outras atividades como cursos para profissionais da área da saúde. O Banco de Leite Humano atualmente está com seu estoque muito baixo, precisando de doadoras. Hoje são cerca de 20 bebês internados na UTI Neonatal. “Para manter essa capacidade, o ideal é que tenhamos em torno de 20 a 25 doadoras. Entretanto, elas permanecem conosco, mais ou menos, por dois a três meses. A redução do número de voluntárias ocorre com o fim do período da amamentação”, complementa Ana Cristina.

Você, mamãe, que amamenta, seja uma doadora e ajude as crianças da UTI. O Banco de Leite Humano do HSP-HU/Unifesp conta com sua solidariedade!

Campanhas são realizadas frequentemente para conscientizar a população sobre a doação de leite humano. Para mais informações, entre em contato com o CIAAM ou com o banco de leite mais próximo de você. A RedeBLH fornece a lista de todas as unidades, encontre aqui, ou ligue para o Disque Saúde pelo 136.

Foto do banco de leite humano do Hospital São Paulo.
Banco de leite humano do Hospital São Paulo. Crédito: José Luiz Guerra.

Centro de Incentivo e Apoio ao Aleitamento Materno/Banco de Leite Humano do HSP-HU/Unifesp
Endereço: Rua Diogo de Faria, 395 – Vila Clementino – São Paulo
Telefone: 5539-0155

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