Em congresso acadêmico, Unifesp debate cenários da educação após crise sanitária, com desafios e perspectivas no setor

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Lançamento virtual acontece no dia 18 de junho, a partir das 15h

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O projeto conta com o apoio do Centro de Formação de Educadores da Escola Básica (Cefe)

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O programa Robótica sem Fronteiras ensina robótica e programação a jovens da rede pública e abre caminhos para o autoconhecimento vocacional

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Etapa regional da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), realizada em São José dos Campos, em 18/08/19


Texto: Valquíria Carnaúba

Até dezembro deste ano, mais de 8 mil estudantes da rede pública de ensino de São José dos Campos (SP), com idade entre 7 e 15 anos, terão sido beneficiados pelo ensino de robótica, totalmente gratuito, oferecido pela Unifesp. Esses são alguns números apresentados pelo Robótica sem Fronteiras, programa de extensão do Campus São José dos Campos que tem feito enorme diferença na vida dos mencionados jovens. A iniciativa é fruto de uma parceria com a Prefeitura Municipal e o Instituto Alpha Lumen, entidade sem fins lucrativos, dirigida por sua fundadora, Nuricel Aguilera, que busca soluções de impacto social por meio de ações educativas. 

Todas as atividades desenvolvidas no âmbito do programa estão sob a responsabilidade do Forgers, grupo de robótica formado por alunos e docentes, cujo líder é Fabio Augusto Faria, professor adjunto do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT/Unifesp) - Campus São José dos Campos. Fundado em 2014 por Lucas Vecchete e Pedro Gaiarsa, alunos do curso de graduação em Engenharia de Computação, o Forgers nasceu com o intuito de difundir o ensino dessa técnica entre os frequentadores do campus universitário e membros da comunidade local. A iniciativa deu tão certo que, em curto espaço de tempo, o grupo cresceu, assumiu novas tarefas e constituiu o Robótica sem Fronteiras, coordenado, desde 2015, pelo mesmo docente. 

O programa em questão promove a difusão da robótica e, por consequência, da computação, eletrônica, mecânica e física, atuando em três frentes de trabalho. Uma delas é o treinamento de alunos da rede pública do município por meio do projeto de extensão denominado Treinamento para Olimpíada de Robótica (TOR). As outras duas consistem na preparação de estudantes universitários para campeonatos de robótica e no planejamento e execução de eventos e oficinas abertos à comunidade. “O Arduino Day e a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) são alguns dos eventos de interesse de nosso programa”, explica Faria.

Por meio da parceria com a Prefeitura Municipal, 50 vagas são anunciadas nas escolas públicas da região todos os anos. Durante o curso, realizado de fevereiro a dezembro, os alunos e seus responsáveis devem cumprir determinadas exigências, como a participação em reuniões e avaliações. O esforço compensa: os jovens recebem certificados ao final de cada ano e, dependendo do desempenho, têm as portas abertas para novas experiências. “Há alunos que, após o aprendizado, seguiram para o curso técnico de Mecatrônica, e esse despertar de vocações também se configura como nossa missão”, relata. 

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Estudantes de robótica participam de oficina de planejamento e montagem de robôs em 2019 / Fotografia: Valquíria Carnaúba

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Competição regional da OBR 2018, realizada em São José dos Campos, da qual participaram 60 equipes da região do Vale do Paraíba

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Jovens das EMEFs Possidônio José de Freitas e Prof.ª Mercedes Carnevalli Klein, que cumpriram o programa de extensão em 2018, quando se classificaram para a competição da OBR na etapa estadual

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Equipe Pegasus, orientada pelos docentes (da esq. para a dir.) Carlos Oliveira (Inst. Alpha Lumen) e Fabio Faria, além dos universitários Rafael Fernandes (terceiro à esq.) e Everton Coelho (primeiro à dir.), com os estudantes da EMEF Prof.ª Homera da Silva Braga, em preparação para a fase regional da OBR 2017

Tudo começa com uma semente

Após a instalação do campus da Unifesp em São José dos Campos, em 2007, foi firmado um termo de cooperação técnica entre a universidade e a Prefeitura, visando à realização de ações conjuntas para a promoção do desenvolvimento tecnológico e a capacitação e educação de jovens. Com o caminho aberto, Faria apresentou à administração municipal o projeto de ensino de robótica. “Em 2016, solicitei uma sala e computadores; os materiais utilizados foram fornecidos pelas coordenações dos cursos de Ciência da Computação e Engenharia de Computação. O número de candidatos que atendeu ao anúncio das vagas superou nossas expectativas e, em menos de uma semana, as 50 vagas oferecidas foram preenchidas por alunos de 18 escolas diferentes da cidade”, comemora o docente. 

Faria conta que, após a formação da primeira turma, o Forgers idealizou um passo mais ousado: inscrever os aprendizes na etapa regional da Olimpíada Brasileira de Robótica de 2017. A aposta mostrava-se acertada, mas os percalços surgiam pelo caminho. “No início de 2017, precisamos transferir o local de treinamento para a Unidade Talim, sem infraestrutura adequada para essas atividades. Ainda assim, os estudantes, muito animados, continuaram a participar do curso, todos os sábados pela manhã. Alguns moravam em bairros mais afastados e chegavam a acordar às 6h para comparecer às aulas. O apoio da Prefeitura, nesse sentido, foi muito importante ao oferecer o café da manhã aos jovens. Apesar de todos os desafios enfrentados, conseguimos classificar uma equipe para a etapa estadual da OBR. Para nós, foi uma grande conquista, pois até então nenhuma escola municipal conseguira tal feito”, relembra.

Após firmar parceria com o Instituto Alpha Lumen (IAL), sediado em São José dos Campos, o Forgers ajudou a levar às ruas do município o Robotruck, um laboratório itinerante de robótica cuja finalidade é realizar oficinas de montagem de robôs. Por meio dessa ação, o programa de extensão avançou, compondo a Liga de Robótica do Vale do Paraíba junto a outras entidades e instituições, como o SJC Hacker Clube, Equipe Uai!rrior de Robótica (Universidade Federal de Itajubá - Unifei) e Universidade do Vale do Paraíba (Univap). “Nessa carreta, passamos a levar conhecimentos de robótica básica às escolas da cidade. No trajeto, ministrávamos oficinas, com duração de duas horas, no intuito de despertar o desejo de aprender em quem já mostrava vocação para a área.”

O Robótica sem Fronteiras pode, hoje, ser considerado uma iniciativa que vai muito além do aprendizado extraescolar. Oferece uma oportunidade única para os alunos desenvolverem aptidões como raciocínio lógico, criatividade e trabalho em equipe. O coordenador do programa presencia, além disso, outros reflexos positivos, como a elevação da autoestima e até mesmo o despertar da noção vocacional. “Ao longo do curso, avaliamos diferentes qualidades como liderança, proatividade e execução de tarefas em tempo preestabelecido. Dividimos os aprendizes em grupos e observamos quais são os que gostam de montar os agentes robóticos e quais são os que preferem codificar os programas que irão controlar os robôs. Fazemos também diversas brincadeiras, como premiar com chocolates as equipes que conseguem executar determinada tarefa. Tudo se transforma em uma grande diversão, quando os jovens aprendem a lidar com as pressões de forma descontraída. Mostramos a eles que a Unifesp está mais perto do que imaginam, e isso é muito positivo”, finaliza.

Chance de Ouro

Sobre as atividades lúdicas de aprendizagem, desenvolvidas com alunos das escolas públicas municipais, mediante parceria com o Instituto Alpha Lumen, Faria conta que um dos componentes da primeira turma (2016) destacou-se por seu desempenho. Gabriel Santos Gonçalves, que é estudante do 9° ano do Instituto Alpha Lumen, conquistou uma bolsa na instituição de ensino após concluir o treinamento no Robótica sem Fronteiras, em 2017. Hoje, com 14 anos, coleciona mais uma vitória: a medalha de ouro da fase regional da Olimpíada Brasileira de Robótica de 2018. “Eu já havia concorrido na OBR 2017, porém não obtive sucesso. Então, decidi me dar outra chance. Confesso que, no início, fiquei deslocado, porque todos faziam muito bem suas tarefas, e eu não sabia se era capaz de alcançar os demais da minha equipe. Foram alguns meses de trabalho e estudo, e a adrenalina de entrar novamente na competição corria nas veias. Minha participação na OBR iniciou-se quando ainda fazia parte do programa Robótica sem Fronteiras, nos anos de 2016 e 2017. Em 2018, já no Instituto Alpha Lumen, obtivemos o primeiro lugar no pódio da fase regional da OBR e nos classificamos para a etapa estadual daquele mesmo ano. Toda essa correria me trouxe um grande aprendizado: cada desavença era uma nova lição. Consegui mudar meu ponto de vista sobre como agir em determinadas situações. Hoje consigo compreender melhor as pessoas e sei como agir nesses momentos.”

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www.facebook.com/treinamentoparaolimpiadaderobotica

Artigo relacionado:
AGUILERA, Nuricel V.; FERREIRA, Luiz G. L. C.; DIAS, Luiz H. M.; FARIA, Fabio Augusto. Projeto Robótica e Cidadania: Robotruck. São José dos Campos, SP: Instituto Alpha Lumen, [ca. 2015]. Disponível em: https://www.academia.edu/24500962/Projeto_Rob%C3%B3tica_e_Cidadania_ROBOTRUCK . Acesso em: 16 ago. 2019.

 
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