Quinta, 02 Dezembro 2021 10:37

O que desafia, transforma

Nesta edição da Entreteses, abordamos todas as atuações possíveis da Unifesp e do Hospital São Paulo (HSP/HU Unifesp) em torno da pandemia de covid-19, desde o alerta oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 11 de março de 2020. Tanto a universidade quanto seu hospital universitário rapidamente se organizaram e, em 14 de março daquele ano, já se haviam posicionado pela preservação da vida da comunidade. Simultaneamente, seus (suas) gestores (as) começaram a trabalhar na busca de soluções para o prosseguimento das atividades de ensino, pesquisa, extensão, gestão e, principalmente, assistência aos (às) pacientes atendidos (as) por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) nas dependências do hospital e dos ambulatórios.

O ineditismo da situação global, nacional e local, trazido pelo novo coronavírus, escancarou a responsabilidade e o papel crucial da instituição perante a sociedade. Além disso, as discrepâncias observadas de forma ainda mais evidente durante a pandemia ampliaram nossa percepção sobre a necessidade de manutenção das ações de extensão, que se mostram tão importantes não somente para a continuidade da formação, mas também para a oferta de suporte à sociedade e aos (às) profissionais em questões diversas.

Por isso, não paramos! Pelo contrário, reestruturamos o que foi possível para enfrentar uma situação sem precedentes nas últimas décadas. Apostamos em determinadas providências, como:

1) criação de comitês para tomada de decisões; busca de recursos para melhorar o atendimento aos (às) pacientes e dar suporte aos (às) profissionais de saúde, servidores (as) e estudantes da instituição;

2) reorganização das atividades de ensino na graduação, pós-graduação e extensão para a modalidade remota; ampliação das ações extensionistas;

3) foco em pesquisa e inovação, de modo a contribuir para a solução da pandemia;

4) comunicação e divulgação ampla de todas essas iniciativas em um portal específico, localizado neste endereço: coronavirus.unifesp.br.

Ou seja, diante do paradoxo instalado em nosso país, onde há atualmente um grave corte orçamentário no ensino superior público, via de regra destinado à ciência, tecnologia e inovação, a Unifesp mostrou sua resistência, capacidade e imprescindível papel para a sociedade brasileira.

Neste número da revista, conseguimos elaborar um recorte bastante preciso do cenário delineado. No material ora disponibilizado, reunimos ações, estudos e relatos em torno dos temas que julgamos que sejam os mais relevantes para a sociedade nos meses de pandemia e nos próximos – saúde pública, vacina, educação, tecnologia, ciência e novos medicamentos, estruturas sociais, economia e meio ambiente. Contudo, é bom lembrar: hoje existem mais de 1.509 projetos registrados no Comitê de Ética e Pesquisa (CEP), dos quais 307 (20%) estão diretamente relacionados à covid-19. Somente em 2021, do total de 253 projetos registrados no CEP, 36 (14%) tratam do Sars-CoV-2. Por isso, as páginas seguintes constituem necessariamente um recorte.

Nelas, há vários exemplos de projetos de pesquisa e inovação, como dos que falam sobre o desenvolvimento da vacina Oxford/AstraZeneca, que está levando esperança a milhares de pessoas, e da vacina por spray nasal, cuja tecnologia poderá auxiliar no combate a outras doenças. Além dessas iniciativas, mencionamos o aplicativo criado para planejar o retorno às atividades presenciais em escolas e escritórios, o qual será utilizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no próximo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O artigo Em Busca do Engajamento no Ensino Remoto traz à tona a brusca (e brutal) mudança pela qual os (as) professores (as), da educação infantil à universidade, tiveram de passar, mesmo sem o preparo adequado. Foi necessário descobrir tecnologias, metodologias e formas de ensino em um ambiente, em princípio, não destinado a isso: suas próprias casas. O pesquisador Camilo de Lellis Santos expressou sua preocupação em relação à falta de domínio da tecnologia ou acesso à internet de qualidade pelos (as) estudantes, uma dificuldade reiterada por outros (as) docentes no artigo Antes do Futuro Tecnológico, o Presente da Educação. Indagados pela Entreteses, tais docentes acreditam que a transferência das atividades educacionais para o ambiente digital foi necessária, mas está longe de ter sido bem-sucedida.

A Entreteses n° 14 expõe, por fim, a história de alguns (algumas) de nossos (as) pesquisadores (as), que bravamente se destacaram na instituição durante a crise sanitária, como Nancy Bellei, Álvaro Atallah, Ana Cristina Gales e Daniel Araki Ribeiro. A comunidade unifespiana agradece àqueles (as) que, diante de um dos maiores desafios que recaíram sobre as populações do planeta, a pandemia de covid-19, mantiveram-se erguidos (as) e atuaram em todas as frentes para que nossa universidade não parasse.

 

Taiza Stumpp Teixeira

Taiza Stumpp Teixeira, 
Pró-Reitora de Extensão e Cultura 

(Fotografia: Alex Reipert)

Ligia Ajaime Azzalis

Ligia Ajaime Azzalis
Pró-Reitora de Graduação

(Fotografia: Alex Reipert)

Lia Rita Azeredo Bittencourt

Lia Rita Azeredo Bittencourt,
Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

(Fotografia: Alex Reipert)

Já que a pandemia transformou tantas situações, decidimos transformar este editorial em uma reflexão construída a três mãos. Ensino, pesquisa e extensão atuaram em conjunto pela busca de soluções durante todo esse período, e – neste espaço – suas representantes refletiram sobre o que foi necessário mudar para que a universidade continuasse fazendo o que deve fazer: servir à sociedade (Nota da Redação)

 
Publicado em Edição 14

Editorial

Esta edição da revista Entreteses tem como foco a Iniciação Científica (IC), um programa direcionado à formação científica de jovens durante o percurso da graduação. São reportadas e celebradas diferentes experiências de estudantes de graduação como protagonistas e colaboradores em pesquisas e na produção científica de cada um dos campi da Unifesp.

Nossos cursos de graduação oferecem – de acordo com os respectivos projetos pedagógicos – unidades curriculares (UCs) direcionadas à metodologia científica, além de UCs com aulas práticas, em laboratórios e/ou visitas de campo, que propiciam o contato com os métodos de observação e experimentação próprios a uma área específica do conhecimento. Por meio do programa de Iniciação Científica1, o estudante tem a oportunidade de aprofundar essa vivência, participando ativamente do processo de construção do conhecimento em todas as suas etapas.

Vinculado à linha de pesquisa de um docente da Unifesp, o tema de estudo é definido pelo estudante de IC, em conjunto com o primeiro, incumbindo a ambos a tarefa de estruturar a redação do projeto de pesquisa. O segundo, por sua vez, participa da execução do estudo, com a realização de experimentos e observações, a coleta de dados, a produção de entrevistas e/ou aplicação de questionários, cujos resultados serão posteriormente organizados e interpretados na forma de relatório de pesquisa. Inserido em atividades do grupo de pesquisa do orientador, o estudante de IC amplia a convivência e o aprendizado com outros pesquisadores, pós-graduandos e os próprios colegas. Decorrido um ano, deverá apresentar no Congresso Acadêmico da Unifesp o trabalho desenvolvido, por meio de exposição oral e pôster, perante avaliadores e/ou debatedores da comunidade acadêmica e o público externo. A participação no congresso simboliza uma parte importante do ciclo de produção do conhecimento científico, que resulta do compromisso de divulgação da pesquisa realizada para a comunidade científica e a sociedade em geral.

A experiência em um programa de IC pode ser marcante na definição da trajetória profissional do estudante, sendo apontada por docentes e pesquisadores como um ponto de inflexão na escolha pela carreira acadêmica, conforme nos conta o professor Fábio Cardoso Cruz em artigo desta edição. Apesar de utilizar métodos e procedimentos científicos, a experiência com a pesquisa científica é cheia de imprevisibilidades e desafios. Equipamentos que precisam de manutenção, reagentes importados que demoram a chegar, voluntários que faltam às entrevistas, animais de pesquisa com intercorrências durante o experimento, além de resultados que podem indicar evidências opostas à hipótese da pesquisa, geram – às vezes – a necessidade de reprogramar as atividades previstas originalmente. Para o estudante em formação, essas ocorrências podem trazer angústia e frustração – e, por isso, a necessidade de acompanhamento próximo e acolhimento por parte do orientador e do grupo de pesquisa. Tais atitudes podem, inclusive, ser determinantes para que a experiência da IC seja positiva e construtiva. Em entrevista que concedeu à Entreteses, a professora Luciana Massi, da Unesp, discute a importância do orientador na preparação dos estudantes de IC e no desenvolvimento da pesquisa no país. 

Na Unifesp, a organização do Pibic/CNPq e suas modalidades está a cargo da Pró-Reitoria de Graduação (ProGrad), na perspectiva de que tais iniciativas constituem, antes de tudo, uma oportunidade de formação para nossos jovens universitários. Embora a Iniciação Científica transcorra muitas vezes no mesmo espaço e contexto das atividades de pós-graduação e pesquisa, é necessário priorizar as demandas específicas do orientando no processo de construção do conhecimento. Na ProGrad, a Comissão Institucional de Iniciação Científica, formada por representantes de cada uma das unidades universitárias, responde pela execução ampla do programa, elabora e publica os editais de bolsas, avalia os projetos e organiza a apresentação dos estudantes de IC no Congresso Acadêmico da Unifesp.

O compromisso da Unifesp com o programa de IC é também evidenciado pela manutenção, desde 2009, de uma cota adicional de bolsas remuneradas pelo orçamento da instituição. Essa cota institucional garante anualmente 50 bolsas adicionais a estudantes e projetos aprovados, os quais não seriam contemplados devido à limitação de nossa cota no CNPq. Por outro lado, com a crescente demanda para concessão de bolsas de IC e a escassez dos subsídios, tornou-se importante viabilizar e reconhecer a atuação de estudantes voluntários em projetos de IC. Desde 2010, os projetos e estudantes voluntários, cadastrados na ProGrad, são formalmente reconhecidos, dando direito à certificação da atividade realizada.

Que o conteúdo dos artigos que integram este número da revista estimule nossa comunidade acadêmica a investir na Iniciação Científica como um processo valoroso de formação e construção do conhecimento em proveito de nossos estudantes! Boa leitura! 

[1] Neste texto vamo-nos referir de maneira genérica ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e às atividades de IC, entendendo que esse programa inclui a modalidade de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti), além do Pibic - Ações Afirmativas, destinado a estudantes que ingressaram na universidade por meio das cotas.

editorial Isabel Marian Hartmann

Isabel Marian Hartmann de Quadros - Pró-Reitora de Graduação (José Luiz Guerra)

 
Publicado em Edição 13

Nesta edição da revista Entreteses, em que se comemoram os 25 anos da Unifesp, abordamos a extensão e a cultura produzidas no âmbito da instituição. É o volume em que apresentamos e reafirmamos a política de extensão e cultura, construída ao longo da história da universidade, e damos visibilidade a um conjunto de ações, processos, produtos e conhecimentos que emergem da relação de nossos campi com a sociedade.

A política de extensão e cultura, em consonância com as diretrizes nacionais, tomou como fundamento a concepção e a intencionalidade dos sujeitos que conduzem ações extensionistas e culturais na universidade. Foi, então, definida como um conjunto de ações e processos, de natureza educativa, cultural, científica e política, desenvolvido por metodologias que propiciam a assimilação e a construção do conhecimento, a partir dos desafios postos pela realidade vivida. Por meio do diálogo entre as práticas científicas e sociais, com atuação interdisciplinar e interprofissional, busca construir respostas às questões apresentadas, na perspectiva da formação individual e da transformação da sociedade, valorizando a diversidade e os direitos socioambientais da população.

Na Unifesp a extensão e a cultura têm sido fortalecidas pela produção gerada a partir da indissociabilidade entre extensão, ensino e pesquisa; pela ampliação da prestação de serviços e do número de programas, projetos, cursos de extensão e eventos institucionais; e pelo aprimoramento dos cursos de especialização e de aperfeiçoamento. Houve, também, uma aposta em diversas iniciativas na interface com outras pró-reitorias, a exemplo da política de observatórios, da Apresentação - Curricularização, do Projeto Acadêmico de Prestação de Serviços (Paps), da inovação social, da política de direitos humanos, da política de cultura e da institucionalização das empresas juniores.

É importante ressaltar que a Unifesp tem sido responsável por desenvolver programas que contribuem com as políticas públicas, tais como cursos de especialização (lato sensu) e de extensão que visam à capacitação dos servidores públicos e da população em geral. Entre esses, destacamos a especialização em Saúde da Família (UnA-SUS/Unifesp); o aperfeiçoamento para agentes de saúde indígena (por meio do Projeto Xingu e da Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde); o curso de extensão Supera (Sistema para Detecção do Uso Abusivo e Dependência de Substâncias Psicoativas: Encaminhamento, Intervenção Breve, Reinserção Social e Acompanhamento) para profissionais de saúde, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp); e o Núcleo Telessaúde Brasil Redes, que resulta de parceria entre a Unifesp/ Secretaria de Educação a Distância (Sead) e o Ministério da Saúde.

Outras ações desenvolvidas ao longo da história da Unifesp vêm assumindo, além do valor estético, um papel pedagógico importante, inclusive para a sociabilidade e a inclusão. O Museu Histórico Prof. Dr. Wladimir da Prússia Gomez Ferraz, da Escola Paulista de Medicina, o Coral Unifesp, o Projeto Jovem.doc, a Cátedra Kaapora, a Cátedra Edward Saïd, o Projeto Artes do Corpo, o Laboratório de Artes Visuais (Labart) e a Semana Unifesp Mostra sua Arte. Todo esse potencial, edificado ao longo de 25 anos, promoveu transformações na universidade como um todo. Revisões da prática docente, alterações e ajustes na estrutura organizacional e, ainda, reflexões sobre o conceito e o papel da instituição nos diferentes contextos – nacional e internacional.

Nesse sentido, o cenário de desafio e reinvenção permanece atual para a universidade pública. Cabe a ela continuar a contribuir para o enfrentamento das crises contemporâneas, oferecendo subsídios científicos, de forma ética e comprometida com a emancipação humana. E é justamente na compreensão desse propósito que a extensão e a cultura universitárias reiteram seu significado: como prática acadêmica produtora de conhecimento na diversidade e na interação dialógica com a sociedade.

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Raiane Assumpção - Pró-reitora de Extensão e Cultura (Fotografia: Alex Reipert)

 
Publicado em Edição 12

Retrato de Lia Rita Azeredo Bittencourt

Lia Rita Azeredo Bittencourt
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

 

Comemoramos, em 2019, os 25 anos de criação da Unifesp, cujo berço foi a Escola Paulista de Medicina (EPM), entidade que no ano passado celebrou seu 85º aniversário. Ninguém melhor do que nosso primeiro reitor eleito, o professor Hélio Egydio, para contar como ocorreu o nascimento da universidade, uma história que, sob muitos aspectos, confunde-se com a de seu próprio percurso na instituição. Nossa atual reitora, Soraya Smaili, descortina a expansão e o crescimento daquela que é considerada uma das melhores universidades públicas federais brasileiras.

Nesta edição, de caráter comemorativo, retratamos a pluralidade, transversalidade e convergência das pesquisas realizadas na instituição, que agora expande sua potencialidade no ensino e na extensão aos seis campi, nomeados a seguir, além de um campus em fase de implantação, na zona leste (Instituto das Cidades): São Paulo (EPM e Escola Paulista de Enfermagem), Baixada Santista (Instituto de Saúde e Sociedade e Instituto do Mar), Guarulhos (Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), Diadema (Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas), São José dos Campos (Instituto de Ciência e Tecnologia) e Osasco (Escola Paulista de Política, Economia e Negócios).

Com 13,4 mil alunos de graduação, 5,4 mil de pós-graduação stricto sensu e 11 mil de especialização (ensino presencial e a distância), 1,4 mil residentes médicos e multiprofissionais, 4 mil técnicos administrativos e 1,6 mil docentes distribuídos em 52 cursos de graduação e 71 programas de pós-graduação, a Unifesp atua em todas as áreas do conhecimento, destacando-se nos rankings nacionais e internacionais. De acordo com o ranking Times Higher Education (THE) de 2018, a Unifesp é a primeira universidade federal brasileira em citações e a quarta da América Latina.

No ensino de pós-graduação stricto sensu, a Unifesp enfrentou, na última década, o desafio de abrir programas de mestrado e doutorado nos campi da expansão, com a meta de alcançar a dimensão e excelência dos existentes no campus sede. Atualmente, os referidos campi já contam com 33 cursos de mestrado e 12 de doutorado. Essa extraordinária expansão, em tão pouco tempo, é resultado do incentivo dado pela própria instituição e, por outro lado, está relacionada ao perfil dos docentes ingressantes – em sua quase totalidade, doutores em regime de dedicação exclusiva, o que favorece a vocação para a pesquisa e a pós-graduação.

A Unifesp também tem investido no incremento de programas de pós-graduação interdisciplinares, que promovam conhecimentos convergentes, com o objetivo de oferecer respostas aos problemas complexos do mundo contemporâneo. Ações de fomento que viabilizem esses programas e a criação do Instituto de Estudos Avançados (IEA), neste ano, serão fundamentais para que a convergência de conhecimentos seja um vetor de ampliação e reorganização dos programas de pós-graduação.

A área de pesquisa – por sua vez – cresceu, do mesmo modo que a do ensino de graduação e de pós-graduação. Entre 2002 e 2016, o número de grupos de pesquisa cadastrados no CNPq saltou de 152 para 431 – isto é, houve um aumento equivalente a 183%. Atualmente, 239 docentes (14,9% do total) mantêm bolsas do CNPq com produtividade em diferentes níveis.

O fruto desse crescimento em número e qualidade pode ser contextualizado nesta edição da Entreteses, que nos traz resultados de pesquisas inovadoras nas mais diferentes áreas. Na área da saúde, a vacina para a doença de Chagas, que vem sendo testada; a não detecção do vírus HIV, como efeito de um tratamento multimedicamentoso; e a prevenção de sangramento em cirurgias cardíacas. Na área social e de saúde pública, o alerta para o risco de violência entre jovens que consomem altas doses de álcool em curto espaço de tempo nas baladas noturnas e a desigualdade de renda e riqueza no país, também refletida pela distribuição de heranças. Na área de História e tecnologia, a plataforma digital que permite um mapeamento histórico de regiões do país.

Por fim, a Unifesp foi uma das 36 instituições selecionadas para participar do Pro-grama Institucional de Internacionalização, o Capes Print. O projeto – estruturado em áreas estratégicas, que incluem pesquisas desenvolvidas em colaboração com diversos países – está em fase de franca implementação. Acreditamos que o Capes Print irá: fortalecer os programas de pós-graduação; estimular, ampliar e consolidar a internacionalização da instituição; e melhorar o desempenho acadêmico e a produção tanto científica e tecnológica quanto de políticas sociais e econômicas. Somado a tudo isso, cabe mencionar que, após um significativo esforço dos setores envolvidos, a universidade aprovou sua política de inovação, paralelamente à transformação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) em agência de inovação.

Todo esse potencial já demonstrado ao longo de 25 anos e o que está ainda por vir refletem o resultado da união e esforço de toda a comunidade universitária.

 
Publicado em Edição 11
foto de um laboratório

Imagem: Alline Tosha e Victor Salgado

Um processo de avaliação cujo resultado funcione como um gatilho para a elaboração de medidas que visem a impactar a trajetória e o futuro do que foi avaliado, seja um programa ou uma política pública, tem sido chamado de Avaliação de Impacto. A avaliação busca entender como a intervenção poderá incidir sobre os resultados e se eles serão ou não decorrentes da intervenção realizada. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) (http://www.oecd.org/dac/evaluation/dcdndep/37671602.pdf), a Avaliação de Impacto deve permitir compreender “por que e como um programa funciona (...) se está alinhado com a gestão e se contribui para o desenvolvimento (...)”.

Baseando-se nesse conjunto de ideias, e também nas propostas de convergência desenhadas no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI/Unifesp), a equipe da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPGPq) iniciou seu projeto de avaliação dos programas de pós-graduação da Unifesp após a finalização da avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Hoje, a Unifesp conta com 70 programas (66 institucionais e 4 em rede) nas diversas áreas do conhecimento. A ampliação do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) nos últimos anos também se refletiu na Unifesp, houve uma expansão no número de programas em nossa instituição, o que implica um importante desafio, quando se trata de avaliar o desempenho dos programas e sua contribuição para o desenvolvimento do país.

O SNPG foi instituído a partir da década de 1970 do século passado, com a criação de uma lei federal que regulamentou os cursos de pós-graduação lato sensu e stricto sensu no Brasil. Inicialmente, o SNPG foi criado para formar professores e capacitá-los para atuar nas instituições de ensino superior (federais, estaduais, municipais e privadas). Hoje são formados no Brasil aproximadamente 60 mil mestres e 20 mil doutores por ano em mais de quatro mil programas de pós-graduação, todos avaliados por uma única agência, a Capes.

Atualmente, as universidades brasileiras têm em seus quadros docentes mestres ou doutores. A Unifesp, por exemplo, tem mais de 90% dos seus docentes com o título de doutor, Pró-Reitoria de PósGraduação e Pesquisa exigido para ingresso na carreira docente na maioria das vezes. Dessa forma, o objetivo inicial da lei que, a princípio, regulamentou os programas de pós-graduação stricto sensu, ou seja, formar docentes para atuar no ensino superior, aparentemente, foi alcançado.

Entretanto, quando comparamos o Brasil com outros países no que diz respeito à inserção de mestres e doutores no mercado de trabalho, atuando não somente nas universidades, fica evidente que o número de profissionais com essas titulações incorporados aos vários segmentos da sociedade é ainda pequeno. Enquanto o Reino Unido conta com um índice de 41 doutores para cada 100 mil habitantes, o Brasil tem 7,6 profissionais titulados para a mesma proporção de pessoas.

O caminho a ser percorrido para alcançar indicadores educacionais como o de nações desenvolvidas, portanto, ainda é longo. Nesse sentido, faz-se necessário uma reflexão e ampla discussão institucional acerca da pós-graduação que queremos e sobre os nossos principais desafios para o futuro. Os oito temas destacados no PDI/Unifesp são bastante caros a esta gestão, por meio deles esperamos construir projetos convergentes de pesquisa e enraizá-los nos programas de pós-graduação.

A avaliação que recebemos da Capes, bem como aquela que fizemos internamente, mostra que precisamos avançar no que diz respeito à formação dos nossos mestres e doutores, para atuar não somente na academia, mas também nas mais diversas áreas da sociedade brasileira, de modo a efetivamente contribuir para a solução dos problemas do país, que são enormes, proporcionais a sua dimensão. A Unifesp, com seus programas tradicionais, sobretudo nas áreas de Medicina e Biomedicina, criados há aproximadamente 50 anos, e, mais recentemente, com a criação de outros programas nas diversas áreas do conhecimento, com um contingente de aproximadamente 5 mil estudantes de pós-graduação, tem importante missão no que diz respeito à formação de pessoas para contribuir para a solução de problemas do país. Somente poderemos alcançar o desenvolvimento científico e tecnológico, a melhoria na qualidade da educação que almejamos, com um sistema de pós-graduação que tenha a capacidade de avançar e contribuir para o progresso do Brasil.

Publicado em Edição 10

Esper Cavalheiro

Esper A. Cavalheiro
Pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa

A nova equipe que assumiu a direção da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (ProPGPq) apresenta suas propostas de trabalho para os próximos anos, os quais descortinam um horizonte econômico bastante sombrio, especialmente para a área de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). O financiamento nacional da CT&I observado nos últimos 50 anos sempre oscilou, apesar de ser uma área fundamental para alavancar o desenvolvimento geral de uma nação. Por essa razão a entrevista com o presidente da Academia Brasileira de Ciências, professor Luiz Davidovich, publicada nesta edição, é tão importante para a reflexão conjunta de toda a sociedade.

Esse é o pano de fundo diante do qual estabelecemos as linhas mestras de nosso trabalho para os próximos quatro anos. Enfrentar o desafio demanda criatividade, tenacidade e compromisso com o novo, o inédito. Não é, portanto, com menos entusiasmo que assumimos essa missão institucional.

Assim, a nova equipe tem atuado no sentido de ampliar os instrumentos da ProPGPq e planejar ações de curto, médio e longo prazo, tal como delineado no Plano de Desenvolvimento Institucional da Unifesp (PDI 2016-2020). São cinco os principais projetos iniciados: 1. Reestruturação da ProPGPq. 2. Ampliação do Escritório de Apoio ao Pesquisador (EAP). 3. Recadastramento dos pós-doutorandos e organização do I Encontro Unifesp de Pós-Doutores. 4. Criação da Comissão Institucional de Integridade Acadêmica. 5. Avaliação interna dos programas de pós-graduação.

Em relação à reestruturação da ProPGPq (item 1), além das quatro coordenadorias já atuantes na Pró-Reitoria, foi criada a de Integração, cuja principal meta será estimular a convergência entre os pesquisadores e os programas de pós-graduação das diferentes áreas do saber. A reorganização e ampliação do EAP (item 2) visa, sobretudo, implementar ações que estimulem e facilitem as atividades-fim dos pesquisadores, proporcionando-lhes ambiente mais favorável na interface institucional e com o sistema nacional de pós-graduação e pesquisa. O item 3 diz respeito à atividade dos pós-doutores, espaço privilegiado e de constante desafio. A partir de portaria editada pela reitora Soraya Smaili, chegamos ao item 4, que levou à estruturação de uma política institucional de boas práticas acadêmicas e de ética em pesquisa. Esta prevê o estabelecimento de um escritório na nova estrutura da ProPGPq, o qual deverá organizar, em conjunto com a comunidade unifespiana, procedimentos e parâmetros atinentes à integridade acadêmica institucional.

A nova equipe da ProPGPq enfatiza também a necessidade de a Unifesp deflagrar seu próprio processo de avaliação (item 5). Demos início à primeira fase dessa avaliação a partir de um questionário proposto aos programas de pós-graduação. Contrariamente à avaliação da Capes, busca-se uma compreensão do potencial interno de cada programa que dê conta da formação de mestres e doutores – acadêmicos ou profissionais – e seja capaz de impactar o desenvolvimento do país. Para tanto, faz-se necessária a colaboração de toda a comunidade.

Não menos importante foi a incorporação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) às atividades da ProPGPq. A integração proporcionará maior convergência entre as atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação e facilitará a interação desse órgão com os agentes similares de outras instituições de ensino superior (IES) e institutos de pesquisa no país e no exterior.

Ao agradecer a confiança que em nós foi depositada, a nova equipe da ProPGPq coloca-se à disposição para ouvir, contribuir, estimular e, principalmente, criar alianças determinantes no aprimoramento do ambiente de pesquisa, no desenvolvimento tecnológico e na inovação em toda a Unifesp.

Publicado em Edição 09

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Professora livre-docente do Departamento de Psicobiologia da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), ocupou o cargo de pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa até abril de 2017 e foi membro dos Conselhos Científico e Editorial da revista até o fechamento desta edição

Ao parafrasear a célebre frase do general e cônsul romano Pompeu (106 - 48 a.C.), com a qual Fernando Pessoa iniciou seu famoso poema, convido o leitor a refletir sobre a necessidade de a universidade desenvolver projetos de inovação que de fato contribuam para o desenvolvimento social e para a melhoria da qualidade de vida. Sob a ótica da universidade, tais projetos podem ser uma excelente oportunidade para concretizar a integração do tripé no qual se apoia: ensino, pesquisa e extensão.

Estudantes podem desenvolver sua criatividade, e se motivar, ao perceber a aplicabilidade das teorias. Pesquisadores podem obter mais financiamentos para suas pesquisas, em geral fortemente limitados pela pouca disponibilidade de recursos públicos para este fim. Projetos sociais podem sair do papel e se tornar realidade. Projetos de inovação podem mostrar à sociedade a aplicabilidade dos projetos científicos desenvolvidos na universidade, com importantíssimos impactos intelectuais/culturais, econômicos e sociais, justificando o investimento dos recursos públicos.

Entretanto, é preciso cautela no estabelecimento de parcerias com empresas, garantindo que os acordos estabelecidos sejam vantajosos para ambos e não fujam da missão universitária. Os aspectos éticos envolvidos na proteção à propriedade intelectual e no registro de patentes, importantes aspectos nestes acordos, são abordados pela coordenação do Núcleo de Inovação e Tecnologia (NIT/Unifesp).

Propostas sobre como deveria funcionar o ecossistema, envolvendo empresas juniores e instituições sem fins lucrativos, são levantadas na entrevista com Paulo Lemos. Neste número são apresentados diversos projetos inovadores que podem contribuir de modo significativo para a melhoria no diagnóstico e tratamento do câncer, depressão, obesidade e outros problemas de saúde.

O desenvolvimento de bombas de insulina, próteses e órteses de baixo custo, como a mão mecânica produzida em uma impressora 3D, o uso de games e técnicas de realidade virtual para potencializar a aprendizagem e a decelularização que pode reduzir a taxa de rejeição de transplantes são alguns exemplos de inovação baseada na efetiva integração de pesquisadores das áreas tecnológicas e de saúde.

Mas não basta inovação tecnológica. É preciso inovar também as relações sociais para reduzir a violência doméstica, frequentemente associada ao uso de bebidas alcoólicas, assim como entender e aceitar com naturalidade a transexualidade, temas também abordados nesta edição.

Embora muitas vezes a aplicabilidade do conhecimento gerado na universidade não seja imediata, é sua função manter viva nas novas gerações a chama da curiosidade e do idealismo, estimulando-as na busca por soluções inovadoras, que nos conduzam a melhores condições de vida, com ética e justiça social.

Publicado em Edição 08
Terça, 06 Dezembro 2016 14:22

Com o dedo na ferida…

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

Muito mais que conhecer as pesquisas realizadas na Unifesp, neste número somos desafiados a encarar alguns dos principais problemas que nos afligem todos os dias. A matéria de capa apresenta estudos e reflexões sobre os diversos tipos de violência: da urbana, escancarada diariamente na TV e em manchetes de jornais, à doméstica, escondida em milhões de lares brasileiros. Violência que muitas vezes somos tentados a não ver para não termos de agir, saindo de nossa zona de conforto. Violência dissimulada e disseminada, impregnada de preconceitos, atingindo crianças, adolescentes, mulheres e homossexuais. Violência que se transforma em trauma e repete-se, perpetua-se em um ciclo vicioso e perverso. Violência banalizada e institucionalizada. Violência nas escolas e universidades. Justamente onde se deveria esperar que fosse combatida, encontra-se um palco para o bullying – violência disfarçada de brincadeira, que mina a sensibilidade e a tolerância. A sociedade precisa mudar. A sociedade somos nós. Nós precisamos mudar. 

A educação precisa mudar, e a reforma curricular é um dos temas polêmicos discutidos neste número. Será esta a mudança que queremos e de que precisamos? Alterar só o currículo não basta, é preciso mudar as atitudes, recuperar o bom senso (e o bom humor) para não cairmos “no avesso, do avesso, do avesso”, como diria Caetano. Para que tudo não passe a ser “politicamente incorreto”, gerando ainda mais intolerância. 

Felizmente, ainda há espaço para a solidariedade e a esperança em mudanças positivas. Há também quem tenha coragem para enfrentar interesses econômicos e políticos que beneficiam a poucos, em defesa dos direitos humanos, como o padre Júlio Lancelloti, cujo perfil é descrito nesta edição. Ele mostra que humanidade, respeito e amor ao próximo não são palavras piegas, comuns à pregação religiosa, mas valores a serem resgatados, sob o risco de a humanidade não sobreviver a si mesma. 

Valores positivos e superação de limites também permeiam os estudos sobre atletismo paraolímpico apresentados no ICSEMIS, congresso realizado na Baixada Santista, sob a coordenação local de pesquisadores da Unifesp, que ocorre uma vez a cada quatro anos, sempre no país-sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. 

Ressurgem também esperanças para o desenvolvimento da pesquisa com a redução da burocracia que poderá advir da aplicação do Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016), como esclarece o entrevistado Fernando Galembeck, pós-doutor pelas Universidades do Colorado e da Califórnia, ex-diretor do Laboratório Nacional de Nanotecnologia e atual professor convidado da Unicamp. 

Nesta edição, conheça também um pouco da história de nosso curso de Ciências Biomédicas, que em 2016 completou 50 anos de existência e cuja história se confunde com a da pesquisa científica na Unifesp e no Brasil. E há muito mais... Boa leitura!

Publicado em Edição 07

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

Desde a pré-história o homem procura nas drogas uma forma de alterar as percepções do mundo e reduzir suas dores. Provavelmente, faminto e sem melhores opções, algum indivíduo deve ter ingerido frutas já deterioradas e encontrou, além da saciedade, efeitos prazerosos naquele vinho primitivo. Há milhares de anos outras plantas têm sido igualmente utilizadas pela humanidade como a papoula, da qual se derivam os opiáceos – potentes analgésicos –, a maconha, com suas propriedades ansiolíticas, e os cogumelos com efeitos alucinógenos.

Com o advento da industrialização, aumentou a produção de bebidas alcoólicas com maior concentração (destilados), assim como sua disponibilidade, e cresceram os problemas associados, entre os quais o desenvolvimento da dependência. As propriedades terapêuticas de algumas drogas são amplamente reconhecidas pela ciência, abrindo a discussão sobre as políticas de controle e comercialização. A cocaína, lançada no mercado como um potente anestésico local, chegou a ser recomendada por Sigmund Freud para aumentar insights nas terapias, embora posteriormente ele tenha revisto sua posição, após perder um amigo por dependência daquela substância. 

O uso de álcool e de outras drogas é tão frequente em eventos sociais que há quem considere impossível divertir-se e ser feliz sem eles. Entretanto, as drogas não criam nada, não transformam a realidade, apenas atenuam ou amplificam nossas sensações. O grande desafio que se apresenta é utilizá-las quando necessário, por suas propriedades terapêuticas, e encontrar formas mais saudáveis para comemorar os momentos felizes ou atenuar os de tristeza e solidão. 

As diferentes visões políticas sobre como lidar com esse tema tão desafiador e com a economia do mercado de drogas, mencionada na Carta da Reitora, são alguns dos aspectos discutidos neste número. Os resultados obtidos por estudiosos da Unifesp que trabalham com a pesquisa básica, epidemiológica ou clínica nessa área convidam-nos a refletir sobre a complexidade do tema e sobre a importância das discussões com base científica, conduzidas de forma democrática e respeitosa no ambiente universitário. Cumprindo o objetivo de interação com a sociedade, a Unifesp tem transmitido o conhecimento gerado por meio de cursos presenciais ou a distância – como o Supera, que já atingiu mais de 75 mil profissionais das áreas de saúde, educação, assistência social e segurança. 

Entretanto, não são apenas as drogas que provocam dependência, mas também o uso abusivo das redes sociais, os jogos e as possibilidades criadas, de forma geral, pela internet, como demonstra um estudo realizado em parceria por pesquisadores dos campi São Paulo e Guarulhos. 

Além da matéria de capa, há outras pesquisas em desenvolvimento nos campi da Unifesp e os responsáveis por sua condução, como o entrevistado desta edição, o Prof. Dr. Marcelo Burattini, que explica o atual panorama da epidemia de zika no país. Apreciaremos também os estudos sobre as consequências oculares da infecção por esse vírus; a identificação de metástases em linfonodos de pacientes acometidos por carcinomas de cabeça e pescoço; a síndrome metabólica e a obesidade na adolescência; a relação entre enxaqueca e deficit de atenção em crianças; a influência de contaminações ambientais pelo manganês; e a negligenciada infecção pelo retrovírus HTLV. 

No âmbito da cooperação entre as Engenharias e a Medicina, acompanharemos os experimentos que se desenvolvem sobre a criação de mantas que induzem a regeneração óssea. Djamila Ribeiro, da área de Filosofia Política, estuda as relações raciais e de gênero. E há muito mais para conhecer e refletir.

Boa leitura!

Publicado em Edição 06
Sábado, 10 Outubro 2015 15:53

Para além de 19 de abril

(“ ... todo dia, era dia de índio...” - Baby do Brasil)

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

Desde que em 1943, em referência ao I Congresso Indigenista realizado em 19 de abril de 1940, Getúlio Vargas decretou que 19 de abril seria oficialmente o “ Dia do Índio” no Brasil, muito aprendemos sobre, e com, os primeiros habitantes de nossa terra. Um pouco da história sobre a troca de conhecimentos e experiências com a população indígena é contada neste número por médicos e pesquisadores que a viveram, com destaque para o prof. Roberto Geraldo Baruzzi e os médicos sanitaristas Sofia Mendonça e Douglas Rodrigues. da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (EPM/Unifesp). A partir do sonho de Baruzzi de conhecer a situação de saúde da população indígena e prover-lhe assistência médica adequada, foram iniciados muitos projetos de pesquisa, ensino e extensão.

O conhecimento e a experiência adquiridos serviram de base a um curso de especialização sobre a saúde indígena e à instalação de um ambulatório especializado, oferecendo um ensino diferenciado aos profissionais de saúde formados pela Unifesp. Nas matérias sobre o tema, emerge claramente a indissociabilidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão da instituição. Como resultado dessas ações sinérgicas, mais de 20 teses de doutorado e 18 dissertações de mestrado foram defendidas e mais de 100 artigos publicados, com foco em questões relacionadas à população indígena. Outros estudos estão em andamento, como mostra a matéria sobre doenças crônicas, dentre as quais aparece a síndrome metabólica, que tem atingido também a população indígena. Muito aprendemos com eles sobre o uso medicinal de plantas, um tema que tem sido estudado há décadas pelo prof. Elisaldo Carlini. Personagem principal da matéria sobre o canabidiol – princípio ativo da cannabis sativa (maconha) ele discute os múltiplos aspectos relacionados ao tema, da legalização das drogas ao uso com finalidades terapêuticas.

Isso é inovação – assim como o sistema de monitoramento da atividade da enzima conversora da angiotensina I, desenvolvido sob a coordenação da professora Adriana Karaoglanovic Carmona, do Departamento de Biofísica da EPM/Unifesp. A dosagem de inibidores específicos é importante para o diagnóstico e avaliação de diversas patologias, como sarcoidose, asbestose, silicose, trombose e disfunções endoteliais e esse projeto resultou na primeira patente concedida à Unifesp. Até hoje, a instituição solicitou ao INPI o registro de 42 pedidos de patentes. Para orientar e apoiar os pesquisadores, o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) e o Escritório de Apoio aos Pesquisadores (EAP) oferecem apoio técnico e administrativo e são também apresentados neste número de Entreteses. Boa leitura!

Publicado em Edição 05
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