Nesta edição da revista Entreteses, em que se comemoram os 25 anos da Unifesp, abordamos a extensão e a cultura produzidas no âmbito da instituição. É o volume em que apresentamos e reafirmamos a política de extensão e cultura, construída ao longo da história da universidade, e damos visibilidade a um conjunto de ações, processos, produtos e conhecimentos que emergem da relação de nossos campi com a sociedade.

A política de extensão e cultura, em consonância com as diretrizes nacionais, tomou como fundamento a concepção e a intencionalidade dos sujeitos que conduzem ações extensionistas e culturais na universidade. Foi, então, definida como um conjunto de ações e processos, de natureza educativa, cultural, científica e política, desenvolvido por metodologias que propiciam a assimilação e a construção do conhecimento, a partir dos desafios postos pela realidade vivida. Por meio do diálogo entre as práticas científicas e sociais, com atuação interdisciplinar e interprofissional, busca construir respostas às questões apresentadas, na perspectiva da formação individual e da transformação da sociedade, valorizando a diversidade e os direitos socioambientais da população.

Na Unifesp a extensão e a cultura têm sido fortalecidas pela produção gerada a partir da indissociabilidade entre extensão, ensino e pesquisa; pela ampliação da prestação de serviços e do número de programas, projetos, cursos de extensão e eventos institucionais; e pelo aprimoramento dos cursos de especialização e de aperfeiçoamento. Houve, também, uma aposta em diversas iniciativas na interface com outras pró-reitorias, a exemplo da política de observatórios, da Apresentação - Curricularização, do Projeto Acadêmico de Prestação de Serviços (Paps), da inovação social, da política de direitos humanos, da política de cultura e da institucionalização das empresas juniores.

É importante ressaltar que a Unifesp tem sido responsável por desenvolver programas que contribuem com as políticas públicas, tais como cursos de especialização (lato sensu) e de extensão que visam à capacitação dos servidores públicos e da população em geral. Entre esses, destacamos a especialização em Saúde da Família (UnA-SUS/Unifesp); o aperfeiçoamento para agentes de saúde indígena (por meio do Projeto Xingu e da Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde); o curso de extensão Supera (Sistema para Detecção do Uso Abusivo e Dependência de Substâncias Psicoativas: Encaminhamento, Intervenção Breve, Reinserção Social e Acompanhamento) para profissionais de saúde, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp); e o Núcleo Telessaúde Brasil Redes, que resulta de parceria entre a Unifesp/ Secretaria de Educação a Distância (Sead) e o Ministério da Saúde.

Outras ações desenvolvidas ao longo da história da Unifesp vêm assumindo, além do valor estético, um papel pedagógico importante, inclusive para a sociabilidade e a inclusão. O Museu Histórico Prof. Dr. Wladimir da Prússia Gomez Ferraz, da Escola Paulista de Medicina, o Coral Unifesp, o Projeto Jovem.doc, a Cátedra Kaapora, a Cátedra Edward Saïd, o Projeto Artes do Corpo, o Laboratório de Artes Visuais (Labart) e a Semana Unifesp Mostra sua Arte. Todo esse potencial, edificado ao longo de 25 anos, promoveu transformações na universidade como um todo. Revisões da prática docente, alterações e ajustes na estrutura organizacional e, ainda, reflexões sobre o conceito e o papel da instituição nos diferentes contextos – nacional e internacional.

Nesse sentido, o cenário de desafio e reinvenção permanece atual para a universidade pública. Cabe a ela continuar a contribuir para o enfrentamento das crises contemporâneas, oferecendo subsídios científicos, de forma ética e comprometida com a emancipação humana. E é justamente na compreensão desse propósito que a extensão e a cultura universitárias reiteram seu significado: como prática acadêmica produtora de conhecimento na diversidade e na interação dialógica com a sociedade.

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Raiane Assumpção - Pró-reitora de Extensão e Cultura (Fotografia: Alex Reipert)

 
Publicado em Edição 12

Retrato de Lia Rita Azeredo Bittencourt

Lia Rita Azeredo Bittencourt
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

 

Comemoramos, em 2019, os 25 anos de criação da Unifesp, cujo berço foi a Escola Paulista de Medicina (EPM), entidade que no ano passado celebrou seu 85º aniversário. Ninguém melhor do que nosso primeiro reitor eleito, o professor Hélio Egydio, para contar como ocorreu o nascimento da universidade, uma história que, sob muitos aspectos, confunde-se com a de seu próprio percurso na instituição. Nossa atual reitora, Soraya Smaili, descortina a expansão e o crescimento daquela que é considerada uma das melhores universidades públicas federais brasileiras.

Nesta edição, de caráter comemorativo, retratamos a pluralidade, transversalidade e convergência das pesquisas realizadas na instituição, que agora expande sua potencialidade no ensino e na extensão aos seis campi, nomeados a seguir, além de um campus em fase de implantação, na zona leste (Instituto das Cidades): São Paulo (EPM e Escola Paulista de Enfermagem), Baixada Santista (Instituto de Saúde e Sociedade e Instituto do Mar), Guarulhos (Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), Diadema (Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas), São José dos Campos (Instituto de Ciência e Tecnologia) e Osasco (Escola Paulista de Política, Economia e Negócios).

Com 13,4 mil alunos de graduação, 5,4 mil de pós-graduação stricto sensu e 11 mil de especialização (ensino presencial e a distância), 1,4 mil residentes médicos e multiprofissionais, 4 mil técnicos administrativos e 1,6 mil docentes distribuídos em 52 cursos de graduação e 71 programas de pós-graduação, a Unifesp atua em todas as áreas do conhecimento, destacando-se nos rankings nacionais e internacionais. De acordo com o ranking Times Higher Education (THE) de 2018, a Unifesp é a primeira universidade federal brasileira em citações e a quarta da América Latina.

No ensino de pós-graduação stricto sensu, a Unifesp enfrentou, na última década, o desafio de abrir programas de mestrado e doutorado nos campi da expansão, com a meta de alcançar a dimensão e excelência dos existentes no campus sede. Atualmente, os referidos campi já contam com 33 cursos de mestrado e 12 de doutorado. Essa extraordinária expansão, em tão pouco tempo, é resultado do incentivo dado pela própria instituição e, por outro lado, está relacionada ao perfil dos docentes ingressantes – em sua quase totalidade, doutores em regime de dedicação exclusiva, o que favorece a vocação para a pesquisa e a pós-graduação.

A Unifesp também tem investido no incremento de programas de pós-graduação interdisciplinares, que promovam conhecimentos convergentes, com o objetivo de oferecer respostas aos problemas complexos do mundo contemporâneo. Ações de fomento que viabilizem esses programas e a criação do Instituto de Estudos Avançados (IEA), neste ano, serão fundamentais para que a convergência de conhecimentos seja um vetor de ampliação e reorganização dos programas de pós-graduação.

A área de pesquisa – por sua vez – cresceu, do mesmo modo que a do ensino de graduação e de pós-graduação. Entre 2002 e 2016, o número de grupos de pesquisa cadastrados no CNPq saltou de 152 para 431 – isto é, houve um aumento equivalente a 183%. Atualmente, 239 docentes (14,9% do total) mantêm bolsas do CNPq com produtividade em diferentes níveis.

O fruto desse crescimento em número e qualidade pode ser contextualizado nesta edição da Entreteses, que nos traz resultados de pesquisas inovadoras nas mais diferentes áreas. Na área da saúde, a vacina para a doença de Chagas, que vem sendo testada; a não detecção do vírus HIV, como efeito de um tratamento multimedicamentoso; e a prevenção de sangramento em cirurgias cardíacas. Na área social e de saúde pública, o alerta para o risco de violência entre jovens que consomem altas doses de álcool em curto espaço de tempo nas baladas noturnas e a desigualdade de renda e riqueza no país, também refletida pela distribuição de heranças. Na área de História e tecnologia, a plataforma digital que permite um mapeamento histórico de regiões do país.

Por fim, a Unifesp foi uma das 36 instituições selecionadas para participar do Pro-grama Institucional de Internacionalização, o Capes Print. O projeto – estruturado em áreas estratégicas, que incluem pesquisas desenvolvidas em colaboração com diversos países – está em fase de franca implementação. Acreditamos que o Capes Print irá: fortalecer os programas de pós-graduação; estimular, ampliar e consolidar a internacionalização da instituição; e melhorar o desempenho acadêmico e a produção tanto científica e tecnológica quanto de políticas sociais e econômicas. Somado a tudo isso, cabe mencionar que, após um significativo esforço dos setores envolvidos, a universidade aprovou sua política de inovação, paralelamente à transformação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) em agência de inovação.

Todo esse potencial já demonstrado ao longo de 25 anos e o que está ainda por vir refletem o resultado da união e esforço de toda a comunidade universitária.

 
Publicado em Edição 11
foto de um laboratório

Imagem: Alline Tosha e Victor Salgado

Um processo de avaliação cujo resultado funcione como um gatilho para a elaboração de medidas que visem a impactar a trajetória e o futuro do que foi avaliado, seja um programa ou uma política pública, tem sido chamado de Avaliação de Impacto. A avaliação busca entender como a intervenção poderá incidir sobre os resultados e se eles serão ou não decorrentes da intervenção realizada. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) (http://www.oecd.org/dac/evaluation/dcdndep/37671602.pdf), a Avaliação de Impacto deve permitir compreender “por que e como um programa funciona (...) se está alinhado com a gestão e se contribui para o desenvolvimento (...)”.

Baseando-se nesse conjunto de ideias, e também nas propostas de convergência desenhadas no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI/Unifesp), a equipe da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPGPq) iniciou seu projeto de avaliação dos programas de pós-graduação da Unifesp após a finalização da avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Hoje, a Unifesp conta com 70 programas (66 institucionais e 4 em rede) nas diversas áreas do conhecimento. A ampliação do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) nos últimos anos também se refletiu na Unifesp, houve uma expansão no número de programas em nossa instituição, o que implica um importante desafio, quando se trata de avaliar o desempenho dos programas e sua contribuição para o desenvolvimento do país.

O SNPG foi instituído a partir da década de 1970 do século passado, com a criação de uma lei federal que regulamentou os cursos de pós-graduação lato sensu e stricto sensu no Brasil. Inicialmente, o SNPG foi criado para formar professores e capacitá-los para atuar nas instituições de ensino superior (federais, estaduais, municipais e privadas). Hoje são formados no Brasil aproximadamente 60 mil mestres e 20 mil doutores por ano em mais de quatro mil programas de pós-graduação, todos avaliados por uma única agência, a Capes.

Atualmente, as universidades brasileiras têm em seus quadros docentes mestres ou doutores. A Unifesp, por exemplo, tem mais de 90% dos seus docentes com o título de doutor, Pró-Reitoria de PósGraduação e Pesquisa exigido para ingresso na carreira docente na maioria das vezes. Dessa forma, o objetivo inicial da lei que, a princípio, regulamentou os programas de pós-graduação stricto sensu, ou seja, formar docentes para atuar no ensino superior, aparentemente, foi alcançado.

Entretanto, quando comparamos o Brasil com outros países no que diz respeito à inserção de mestres e doutores no mercado de trabalho, atuando não somente nas universidades, fica evidente que o número de profissionais com essas titulações incorporados aos vários segmentos da sociedade é ainda pequeno. Enquanto o Reino Unido conta com um índice de 41 doutores para cada 100 mil habitantes, o Brasil tem 7,6 profissionais titulados para a mesma proporção de pessoas.

O caminho a ser percorrido para alcançar indicadores educacionais como o de nações desenvolvidas, portanto, ainda é longo. Nesse sentido, faz-se necessário uma reflexão e ampla discussão institucional acerca da pós-graduação que queremos e sobre os nossos principais desafios para o futuro. Os oito temas destacados no PDI/Unifesp são bastante caros a esta gestão, por meio deles esperamos construir projetos convergentes de pesquisa e enraizá-los nos programas de pós-graduação.

A avaliação que recebemos da Capes, bem como aquela que fizemos internamente, mostra que precisamos avançar no que diz respeito à formação dos nossos mestres e doutores, para atuar não somente na academia, mas também nas mais diversas áreas da sociedade brasileira, de modo a efetivamente contribuir para a solução dos problemas do país, que são enormes, proporcionais a sua dimensão. A Unifesp, com seus programas tradicionais, sobretudo nas áreas de Medicina e Biomedicina, criados há aproximadamente 50 anos, e, mais recentemente, com a criação de outros programas nas diversas áreas do conhecimento, com um contingente de aproximadamente 5 mil estudantes de pós-graduação, tem importante missão no que diz respeito à formação de pessoas para contribuir para a solução de problemas do país. Somente poderemos alcançar o desenvolvimento científico e tecnológico, a melhoria na qualidade da educação que almejamos, com um sistema de pós-graduação que tenha a capacidade de avançar e contribuir para o progresso do Brasil.

Publicado em Edição 10

Esper Cavalheiro

Esper A. Cavalheiro
Pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa

A nova equipe que assumiu a direção da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (ProPGPq) apresenta suas propostas de trabalho para os próximos anos, os quais descortinam um horizonte econômico bastante sombrio, especialmente para a área de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). O financiamento nacional da CT&I observado nos últimos 50 anos sempre oscilou, apesar de ser uma área fundamental para alavancar o desenvolvimento geral de uma nação. Por essa razão a entrevista com o presidente da Academia Brasileira de Ciências, professor Luiz Davidovich, publicada nesta edição, é tão importante para a reflexão conjunta de toda a sociedade.

Esse é o pano de fundo diante do qual estabelecemos as linhas mestras de nosso trabalho para os próximos quatro anos. Enfrentar o desafio demanda criatividade, tenacidade e compromisso com o novo, o inédito. Não é, portanto, com menos entusiasmo que assumimos essa missão institucional.

Assim, a nova equipe tem atuado no sentido de ampliar os instrumentos da ProPGPq e planejar ações de curto, médio e longo prazo, tal como delineado no Plano de Desenvolvimento Institucional da Unifesp (PDI 2016-2020). São cinco os principais projetos iniciados: 1. Reestruturação da ProPGPq. 2. Ampliação do Escritório de Apoio ao Pesquisador (EAP). 3. Recadastramento dos pós-doutorandos e organização do I Encontro Unifesp de Pós-Doutores. 4. Criação da Comissão Institucional de Integridade Acadêmica. 5. Avaliação interna dos programas de pós-graduação.

Em relação à reestruturação da ProPGPq (item 1), além das quatro coordenadorias já atuantes na Pró-Reitoria, foi criada a de Integração, cuja principal meta será estimular a convergência entre os pesquisadores e os programas de pós-graduação das diferentes áreas do saber. A reorganização e ampliação do EAP (item 2) visa, sobretudo, implementar ações que estimulem e facilitem as atividades-fim dos pesquisadores, proporcionando-lhes ambiente mais favorável na interface institucional e com o sistema nacional de pós-graduação e pesquisa. O item 3 diz respeito à atividade dos pós-doutores, espaço privilegiado e de constante desafio. A partir de portaria editada pela reitora Soraya Smaili, chegamos ao item 4, que levou à estruturação de uma política institucional de boas práticas acadêmicas e de ética em pesquisa. Esta prevê o estabelecimento de um escritório na nova estrutura da ProPGPq, o qual deverá organizar, em conjunto com a comunidade unifespiana, procedimentos e parâmetros atinentes à integridade acadêmica institucional.

A nova equipe da ProPGPq enfatiza também a necessidade de a Unifesp deflagrar seu próprio processo de avaliação (item 5). Demos início à primeira fase dessa avaliação a partir de um questionário proposto aos programas de pós-graduação. Contrariamente à avaliação da Capes, busca-se uma compreensão do potencial interno de cada programa que dê conta da formação de mestres e doutores – acadêmicos ou profissionais – e seja capaz de impactar o desenvolvimento do país. Para tanto, faz-se necessária a colaboração de toda a comunidade.

Não menos importante foi a incorporação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) às atividades da ProPGPq. A integração proporcionará maior convergência entre as atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação e facilitará a interação desse órgão com os agentes similares de outras instituições de ensino superior (IES) e institutos de pesquisa no país e no exterior.

Ao agradecer a confiança que em nós foi depositada, a nova equipe da ProPGPq coloca-se à disposição para ouvir, contribuir, estimular e, principalmente, criar alianças determinantes no aprimoramento do ambiente de pesquisa, no desenvolvimento tecnológico e na inovação em toda a Unifesp.

Publicado em Edição 09

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Professora livre-docente do Departamento de Psicobiologia da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), ocupou o cargo de pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa até abril de 2017 e foi membro dos Conselhos Científico e Editorial da revista até o fechamento desta edição

Ao parafrasear a célebre frase do general e cônsul romano Pompeu (106 - 48 a.C.), com a qual Fernando Pessoa iniciou seu famoso poema, convido o leitor a refletir sobre a necessidade de a universidade desenvolver projetos de inovação que de fato contribuam para o desenvolvimento social e para a melhoria da qualidade de vida. Sob a ótica da universidade, tais projetos podem ser uma excelente oportunidade para concretizar a integração do tripé no qual se apoia: ensino, pesquisa e extensão.

Estudantes podem desenvolver sua criatividade, e se motivar, ao perceber a aplicabilidade das teorias. Pesquisadores podem obter mais financiamentos para suas pesquisas, em geral fortemente limitados pela pouca disponibilidade de recursos públicos para este fim. Projetos sociais podem sair do papel e se tornar realidade. Projetos de inovação podem mostrar à sociedade a aplicabilidade dos projetos científicos desenvolvidos na universidade, com importantíssimos impactos intelectuais/culturais, econômicos e sociais, justificando o investimento dos recursos públicos.

Entretanto, é preciso cautela no estabelecimento de parcerias com empresas, garantindo que os acordos estabelecidos sejam vantajosos para ambos e não fujam da missão universitária. Os aspectos éticos envolvidos na proteção à propriedade intelectual e no registro de patentes, importantes aspectos nestes acordos, são abordados pela coordenação do Núcleo de Inovação e Tecnologia (NIT/Unifesp).

Propostas sobre como deveria funcionar o ecossistema, envolvendo empresas juniores e instituições sem fins lucrativos, são levantadas na entrevista com Paulo Lemos. Neste número são apresentados diversos projetos inovadores que podem contribuir de modo significativo para a melhoria no diagnóstico e tratamento do câncer, depressão, obesidade e outros problemas de saúde.

O desenvolvimento de bombas de insulina, próteses e órteses de baixo custo, como a mão mecânica produzida em uma impressora 3D, o uso de games e técnicas de realidade virtual para potencializar a aprendizagem e a decelularização que pode reduzir a taxa de rejeição de transplantes são alguns exemplos de inovação baseada na efetiva integração de pesquisadores das áreas tecnológicas e de saúde.

Mas não basta inovação tecnológica. É preciso inovar também as relações sociais para reduzir a violência doméstica, frequentemente associada ao uso de bebidas alcoólicas, assim como entender e aceitar com naturalidade a transexualidade, temas também abordados nesta edição.

Embora muitas vezes a aplicabilidade do conhecimento gerado na universidade não seja imediata, é sua função manter viva nas novas gerações a chama da curiosidade e do idealismo, estimulando-as na busca por soluções inovadoras, que nos conduzam a melhores condições de vida, com ética e justiça social.

Publicado em Edição 08
Terça, 06 Dezembro 2016 14:22

Com o dedo na ferida…

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

Muito mais que conhecer as pesquisas realizadas na Unifesp, neste número somos desafiados a encarar alguns dos principais problemas que nos afligem todos os dias. A matéria de capa apresenta estudos e reflexões sobre os diversos tipos de violência: da urbana, escancarada diariamente na TV e em manchetes de jornais, à doméstica, escondida em milhões de lares brasileiros. Violência que muitas vezes somos tentados a não ver para não termos de agir, saindo de nossa zona de conforto. Violência dissimulada e disseminada, impregnada de preconceitos, atingindo crianças, adolescentes, mulheres e homossexuais. Violência que se transforma em trauma e repete-se, perpetua-se em um ciclo vicioso e perverso. Violência banalizada e institucionalizada. Violência nas escolas e universidades. Justamente onde se deveria esperar que fosse combatida, encontra-se um palco para o bullying – violência disfarçada de brincadeira, que mina a sensibilidade e a tolerância. A sociedade precisa mudar. A sociedade somos nós. Nós precisamos mudar. 

A educação precisa mudar, e a reforma curricular é um dos temas polêmicos discutidos neste número. Será esta a mudança que queremos e de que precisamos? Alterar só o currículo não basta, é preciso mudar as atitudes, recuperar o bom senso (e o bom humor) para não cairmos “no avesso, do avesso, do avesso”, como diria Caetano. Para que tudo não passe a ser “politicamente incorreto”, gerando ainda mais intolerância. 

Felizmente, ainda há espaço para a solidariedade e a esperança em mudanças positivas. Há também quem tenha coragem para enfrentar interesses econômicos e políticos que beneficiam a poucos, em defesa dos direitos humanos, como o padre Júlio Lancelloti, cujo perfil é descrito nesta edição. Ele mostra que humanidade, respeito e amor ao próximo não são palavras piegas, comuns à pregação religiosa, mas valores a serem resgatados, sob o risco de a humanidade não sobreviver a si mesma. 

Valores positivos e superação de limites também permeiam os estudos sobre atletismo paraolímpico apresentados no ICSEMIS, congresso realizado na Baixada Santista, sob a coordenação local de pesquisadores da Unifesp, que ocorre uma vez a cada quatro anos, sempre no país-sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. 

Ressurgem também esperanças para o desenvolvimento da pesquisa com a redução da burocracia que poderá advir da aplicação do Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016), como esclarece o entrevistado Fernando Galembeck, pós-doutor pelas Universidades do Colorado e da Califórnia, ex-diretor do Laboratório Nacional de Nanotecnologia e atual professor convidado da Unicamp. 

Nesta edição, conheça também um pouco da história de nosso curso de Ciências Biomédicas, que em 2016 completou 50 anos de existência e cuja história se confunde com a da pesquisa científica na Unifesp e no Brasil. E há muito mais... Boa leitura!

Publicado em Edição 07

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

Desde a pré-história o homem procura nas drogas uma forma de alterar as percepções do mundo e reduzir suas dores. Provavelmente, faminto e sem melhores opções, algum indivíduo deve ter ingerido frutas já deterioradas e encontrou, além da saciedade, efeitos prazerosos naquele vinho primitivo. Há milhares de anos outras plantas têm sido igualmente utilizadas pela humanidade como a papoula, da qual se derivam os opiáceos – potentes analgésicos –, a maconha, com suas propriedades ansiolíticas, e os cogumelos com efeitos alucinógenos.

Com o advento da industrialização, aumentou a produção de bebidas alcoólicas com maior concentração (destilados), assim como sua disponibilidade, e cresceram os problemas associados, entre os quais o desenvolvimento da dependência. As propriedades terapêuticas de algumas drogas são amplamente reconhecidas pela ciência, abrindo a discussão sobre as políticas de controle e comercialização. A cocaína, lançada no mercado como um potente anestésico local, chegou a ser recomendada por Sigmund Freud para aumentar insights nas terapias, embora posteriormente ele tenha revisto sua posição, após perder um amigo por dependência daquela substância. 

O uso de álcool e de outras drogas é tão frequente em eventos sociais que há quem considere impossível divertir-se e ser feliz sem eles. Entretanto, as drogas não criam nada, não transformam a realidade, apenas atenuam ou amplificam nossas sensações. O grande desafio que se apresenta é utilizá-las quando necessário, por suas propriedades terapêuticas, e encontrar formas mais saudáveis para comemorar os momentos felizes ou atenuar os de tristeza e solidão. 

As diferentes visões políticas sobre como lidar com esse tema tão desafiador e com a economia do mercado de drogas, mencionada na Carta da Reitora, são alguns dos aspectos discutidos neste número. Os resultados obtidos por estudiosos da Unifesp que trabalham com a pesquisa básica, epidemiológica ou clínica nessa área convidam-nos a refletir sobre a complexidade do tema e sobre a importância das discussões com base científica, conduzidas de forma democrática e respeitosa no ambiente universitário. Cumprindo o objetivo de interação com a sociedade, a Unifesp tem transmitido o conhecimento gerado por meio de cursos presenciais ou a distância – como o Supera, que já atingiu mais de 75 mil profissionais das áreas de saúde, educação, assistência social e segurança. 

Entretanto, não são apenas as drogas que provocam dependência, mas também o uso abusivo das redes sociais, os jogos e as possibilidades criadas, de forma geral, pela internet, como demonstra um estudo realizado em parceria por pesquisadores dos campi São Paulo e Guarulhos. 

Além da matéria de capa, há outras pesquisas em desenvolvimento nos campi da Unifesp e os responsáveis por sua condução, como o entrevistado desta edição, o Prof. Dr. Marcelo Burattini, que explica o atual panorama da epidemia de zika no país. Apreciaremos também os estudos sobre as consequências oculares da infecção por esse vírus; a identificação de metástases em linfonodos de pacientes acometidos por carcinomas de cabeça e pescoço; a síndrome metabólica e a obesidade na adolescência; a relação entre enxaqueca e deficit de atenção em crianças; a influência de contaminações ambientais pelo manganês; e a negligenciada infecção pelo retrovírus HTLV. 

No âmbito da cooperação entre as Engenharias e a Medicina, acompanharemos os experimentos que se desenvolvem sobre a criação de mantas que induzem a regeneração óssea. Djamila Ribeiro, da área de Filosofia Política, estuda as relações raciais e de gênero. E há muito mais para conhecer e refletir.

Boa leitura!

Publicado em Edição 06
Sábado, 10 Outubro 2015 15:53

Para além de 19 de abril

(“ ... todo dia, era dia de índio...” - Baby do Brasil)

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

Desde que em 1943, em referência ao I Congresso Indigenista realizado em 19 de abril de 1940, Getúlio Vargas decretou que 19 de abril seria oficialmente o “ Dia do Índio” no Brasil, muito aprendemos sobre, e com, os primeiros habitantes de nossa terra. Um pouco da história sobre a troca de conhecimentos e experiências com a população indígena é contada neste número por médicos e pesquisadores que a viveram, com destaque para o prof. Roberto Geraldo Baruzzi e os médicos sanitaristas Sofia Mendonça e Douglas Rodrigues. da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (EPM/Unifesp). A partir do sonho de Baruzzi de conhecer a situação de saúde da população indígena e prover-lhe assistência médica adequada, foram iniciados muitos projetos de pesquisa, ensino e extensão.

O conhecimento e a experiência adquiridos serviram de base a um curso de especialização sobre a saúde indígena e à instalação de um ambulatório especializado, oferecendo um ensino diferenciado aos profissionais de saúde formados pela Unifesp. Nas matérias sobre o tema, emerge claramente a indissociabilidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão da instituição. Como resultado dessas ações sinérgicas, mais de 20 teses de doutorado e 18 dissertações de mestrado foram defendidas e mais de 100 artigos publicados, com foco em questões relacionadas à população indígena. Outros estudos estão em andamento, como mostra a matéria sobre doenças crônicas, dentre as quais aparece a síndrome metabólica, que tem atingido também a população indígena. Muito aprendemos com eles sobre o uso medicinal de plantas, um tema que tem sido estudado há décadas pelo prof. Elisaldo Carlini. Personagem principal da matéria sobre o canabidiol – princípio ativo da cannabis sativa (maconha) ele discute os múltiplos aspectos relacionados ao tema, da legalização das drogas ao uso com finalidades terapêuticas.

Isso é inovação – assim como o sistema de monitoramento da atividade da enzima conversora da angiotensina I, desenvolvido sob a coordenação da professora Adriana Karaoglanovic Carmona, do Departamento de Biofísica da EPM/Unifesp. A dosagem de inibidores específicos é importante para o diagnóstico e avaliação de diversas patologias, como sarcoidose, asbestose, silicose, trombose e disfunções endoteliais e esse projeto resultou na primeira patente concedida à Unifesp. Até hoje, a instituição solicitou ao INPI o registro de 42 pedidos de patentes. Para orientar e apoiar os pesquisadores, o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) e o Escritório de Apoio aos Pesquisadores (EAP) oferecem apoio técnico e administrativo e são também apresentados neste número de Entreteses. Boa leitura!

Publicado em Edição 05

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

A canção Comida dos Titãs pode ser uma boa trilha sonora para acompanhar a leitura dessa edição. O encarte especial sobre água nos leva a refletir sobre essa substância essencial à vida, cada vez mais escassa e preciosa. Da saúde à geopolítica, questões fundamentais são abordadas por pesquisadores dos campi de Diadema, Baixada Santista e Osasco da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Por um lado, demonstram que a falta de planejamento e investimento em saneamento básico tem contribuído para agravar os problemas decorrentes da limitação dos recursos hídricos. Por outro, propõem soluções para controle da poluição das águas utilizando Biotecnologia. 

É inadmissível o fato de que com os conhecimentos científicos e tecnológicos de que dispomos, ainda tenhamos índices absurdos de desperdício na distribuição e de contaminação dos mananciais. É urgente uma ação de conscientização da população em geral e que a comunidade científica se una para discutir, propor soluções e exigir ações imediatas para garantir o direito de acesso à água com qualidade e em quantidade adequadas. A Unifesp assumiu sua obrigação, nesse sentido, com a proposta de criação do Painel Técnico-Acadêmico de Recursos Hídricos.

A alimentação escolar, também discutida na edição, aborda os desafios de valorização da agricultura familiar e do desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis, que são temas de pesquisa do Programa de Pós-graduação em Alimentos, Nutrição e Saúde da Baixada Santista. Voltando à canção: “A gente não quer só comida... a gente quer inteiro e não pela metade”. Assim também pensava o nosso perfilado Otto de Gottlieb, professor tcheco naturalizado brasileiro, para quem “ciência é tudo ou nada”, que foi indicado três vezes ao Nobel. Aliás, a paixão pela ciência é uma das características comuns aos grandes cientistas – como pode ser comprovado na instigante entrevista com o prof. Esper Cavalheiro, neurocientista e pró-reitor de Planejamento da Unifesp, que compartilha sua visão arrojada de como deve ser a ciência do século XXI. 

Ao criticar o excesso de formalismo do sistema, Esper Cavalheiro incita a ousadia e propõe que em centros de estudos avançados sejam discutidas novas abordagens para a solução de velhos problemas como os decorrentes do envelhecimento, assim como a mobilidade urbana e violência, temas estes também abordados nesse número. Estudos conduzidos por pesquisadores do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (EPM) mostram que traumas e a violência doméstica afetam a saúde mental da maioria das crianças que trabalham nas ruas e contribui para a perpetuação transgeracional. 

Abordagens interdisciplinares envolvendo pesquisadores do Campus São José dos Campos mostram que impressoras 3D podem ser úteis para o desenvolvimento de próteses para a área médica e que a energia liberada por moléculas de dodecanitrofullereno pode vir a ser empregada para matar microrganismos nocivos à saúde humana, inclusive o vírus da Aids. Outros pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), em parceria com colegas da Unicamp, desenvolveram um sistema computacional para uma logística integrada que pode diminuir o tempo de descarga dos navios, assim como o custo energético e o impacto ambiental. 

No campo das humanidades, dedicamos espaço à História e às Ciências Sociais. Em livro premiado com o Jabuti, a arquiteta Manoela Rufinoni resgata a memória do processo de instalação das primeiras fábricas em São Paulo e alerta para consequências da especulação imobiliária. Em sua dissertação de mestrado, Gabriela Muruá lança um novo olhar sobre as convergências e oposições entre as teorias do Imperialismo e da Dependência. 

Se você tem fome de conhecimento e curiosidade pela pesquisa que se faz na Unifesp, este número não vai frustrar sua expectativa. Boa leitura!

Publicado em Edição 04
Terça, 11 Novembro 2014 15:28

Rumo à multi, inter e transdisciplinaridade

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

Mais do que um jargão em moda nas discussões sobre política universitária ou ciência e tecnologia, é inegável que há uma forte necessidade de interação entre áreas do conhecimento para solução de problemas e enfrentamento de novos desafios, seja na perspectiva multidisciplinar – na qual prevalece a soma de conhecimentos de diversas áreas; interdisciplinar – que privilegia o trabalho colaborativo entre profissionais de diferentes áreas, mantendo-se ainda a atuação disciplinar; ou transdisciplinar – que propõe a interação mais intensa e profunda, com significativa apropriação do conhecimento de uma área pela outra. Após uma fase de grande avanço do conhecimento em campos muito específicos, hoje nos deparamos com a necessidade de sair da zona de conforto e de nos encontrarmos com colegas de outras áreas para criar algo que seja, de fato, novo.

Para estimular importantes discussões teóricas e promover o intercâmbio de conhecimento, é essencial criar instrumentos de incentivo à colaboração e comunicação, presencial e virtual. Nesta edição, Entreteses apresenta um panorama dos centros e plataformas multiusuários já existentes nos diversos campi da Unifesp, além de propor um debate necessário sobre a filosofia que deve embasar o funcionamento dessas estruturas. A comunidade é convidada a participar desse esforço, por meio dos programas de pós-graduação.

As plataformas têm como intuito otimizar os escassos recursos existentes e criar uma filosofia de uso responsável e sustentável. Além disso, quando se colocam lado a lado pesquisadores de diversas áreas e campi, pode-se facilitar a interação e o surgimento de novas propostas de pesquisa e inovação. A discussão sobre as regras de funcionamento de tais plataformas toca em importantes aspectos da política universitária e em temas relativos à ciência, tecnologia e inovação, à meritocracia e aos mecanismos mais adequados para apoiar e incentivar jovens pesquisadores.

Mas não paramos por aí. Uma reportagem sobre saúde mental apresenta o trabalho de um grupo de pesquisadores do Campus Baixada Santista, preocupados com o resgate da dimensão do sujeito portador de transtorno mental, e ao mesmo tempo suscita polêmica quando questiona o papel do diagnóstico. A emoção também tem vez na ciência – principalmente quando se trata da paixão pelo que se faz e do empenho para tornar o sonho realidade. Acreditamos que este seja o segredo do sucesso em qualquer setor – o que também podemos inferir da entrevista com o professor Armando Milioni, ex-diretor do Campus São José dos Campos, e da leitura do perfil de Luiz Juliano Neto, professor titular do Departamento de Biofísica da Escola Paulista de Medicina.

A Unifesp evidencia ainda sua pluralidade – já destacada na seção Carta da Reitora –, trazendo temas na área de esportes e demonstrações de como a Física, a Química e a Medicina podem unir-se para propiciar melhores condições para o aleitamento materno e sintetizar substâncias com potencial para tratamento do câncer e da leishmaniose. Mostramos também como a Química pode contribuir para desenvolver sensores luminosos e transformar o bagaço de cana em energia elétrica renovável.

Conheça, nesta edição, mais um pouco do que se faz e pensa na Unifesp. Mas não se restrinja ao exemplar impresso. Encontre nas páginas virtuais da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa informações atualizadas sobre os programas de pós-graduação, visite seus sites específicos e estabeleça novos contatos e parcerias com nossos pesquisadores – sejam eles docentes, técnicos ou estudantes.

Leia, informe-se e colabore para a construção da verdadeira transdisciplinaridade em nossa universidade.

Publicado em Edição 03
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