Sexta, 31 Janeiro 2020 15:39

Pensar antes de gastar

Projeto da Eppen utiliza a Psicologia para promover educação financeira

Texto: José Luiz Guerra

Quem nunca passou em frente de uma loja e comprou alguma coisa sem pensar? Ou viu o anúncio de um produto na internet e, sem pestanejar, usou o cartão de crédito para adquiri-lo? Esse comportamento de consumo é a principal abordagem feita pelo Projeto sem Apertos: Psicologia, Juventude e Educação Financeira, projeto de extensão da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (Eppen/Unifesp) - Campus Osasco.

Criado em 2017, o projeto tem como objetivo propiciar aos jovens instrumentos e estratégias que os auxiliem nas tomadas de decisão econômica. Nesse contexto, tem especial relevância o tema da educação previdenciária, uma vez que essa atividade se debruça sobre aspectos comportamentais que fornecem indícios para a compreensão da dificuldade de realização de planos a longo prazo. Dessa forma, atua diretamente sobre aquele público, em especial nas escolas técnicas estaduais (Etecs) e escolas públicas de Osasco e regiões adjacentes. Desde sua implantação, cerca de 400 pessoas já foram beneficiadas por ele. 

O professor do curso de Ciências Atuariais da Eppen/Unifesp e coordenador do projeto, Celso Yokomiso, explica que a estratégia de ação se ampara nos fundamentos da Psicologia Econômica, sobretudo naqueles referentes aos processos de tomada de decisão, como as distorções de percepção e o papel do afeto nas escolhas econômicas; e na Psicologia Social, que se volta ao estudo das configurações sociais na construção de atitudes e pensamentos. “É um modelo de educação financeira que é menos difundido – o modelo descritivo, que busca entender como, de fato, as pessoas reagem diante dos eventos econômicos.” Em outras palavras, o projeto aborda a educação financeira, focando os aspectos comportamentais para que se possa lidar com o planejamento financeiro e os fatores de risco no consumo e no investimento.

O docente argumenta que um projeto de educação dessa natureza, que incorpore os elementos descritos, tem o intuito de reforçar a consciência das pessoas sobre suas fragilidades em termos de comportamento e sobre as dificuldades que são próprias aos que almejam ter uma vida financeira saudável. Tudo isso pode ajudar nas tomadas de decisão que envolvem o consumismo imediatista. “Pensar em ações de longo prazo exige todo um processo de educação e formação. Nossa tendência é a de realizar os desejos o mais rápido possível, e postergar essa realização exige bastante energia e disciplina”, completa.

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Durante a aula de Psicologia Atuarial, Celso Yokomiso explica a teoria que servirá de base às propostas dos alunos

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Alunos do curso de Ciências Atuariais expõem seus trabalhos

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Estudantes de uma das Etecs que participam do projeto assistem às apresentações

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Crianças têm o primeiro contato com a educação financeira

Teoria e prática

Durante as aulas de Psicologia Atuarial, que fazem parte da grade de disciplinas do curso de Ciências Atuariais da Eppen/Unifesp, Yokomiso expõe a seus alunos a teoria que servirá de base à proposta a ser apresentada nas Etecs e em outras escolas públicas. Após breve explicação, os estudantes reúnem-se em grupos para discutir de que forma colocarão em prática os ensinamentos transmitidos em aula. 

Marcela Ginesta, do quarto termo do curso, é uma das estudantes que integra o projeto e, junto com os demais componentes de seu grupo, está elaborando uma atividade lúdica voltada para crianças. “Nós escolhemos trabalhar com crianças justamente por elas serem mais impulsivas e imediatistas; tentaremos, então, utilizar alguns conceitos estudados em aula.” Para ela, a extensão contribuirá para sua carreira acadêmica. “Quando explicamos alguma coisa aos outros, compreendemos melhor, pois colocamos em prática o que aprendemos na sala e na vida pessoal, o que é uma grande experiência. Você está se desenvolvendo, exercitando a habilidade de falar em público”, acrescenta.

Rodrigo Eiji, discente do curso de Ciências Econômicas, optou pela Psicologia Atuarial como disciplina eletiva. Além de se interessar pelo projeto, o tema o ajudou a mudar de ideia em relação à carreira acadêmica. “Fiz essa escolha porque, na verdade, queria mudar para o curso de Psicologia, mas, nesse caso, teria de prestar um novo vestibular. Quando analisei a grade curricular e identifiquei essa matéria, quis me inscrever.” Eiji afirmou que participar do projeto também o ajudará no desenvolvimento da comunicação e na interação com as pessoas.

Já Gabriel Pereira Alves, do curso de Ciências Atuariais, é bolsista do projeto e responsável pelo contato com as escolas nas quais os trabalhos serão apresentados. Seu grupo falará sobre planejamento financeiro para os jovens, relacionando-o ao envelhecimento, à universidade e ao intercâmbio. Para Alves, os projetos de extensão são essenciais para a interação com a comunidade. “Assim, podemos sair das quatro paredes da sala de aula e ter a oportunidade de não só aplicar os conhecimentos que adquirimos, mas também impactar a sociedade local e o entorno do campus. É por meio dessas pontes de contato que conhecemos a realidade das pessoas”, conclui.

 
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Sexta, 31 Janeiro 2020 15:14

Remodelando territórios

Diante da realidade do município de Osasco, marcada pelos contrastes sociais, a Unifesp tem apostado em parcerias que possibilitem ampliar suas fronteiras de atuação

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Fotografia: Alex Reipert

Celso Yokomiso
Coordenador da Câmara de Extensão e Cultura do Campus Osasco

João Tristan Vargas
Docente do Departamento Multidisciplinar e representante do Eixo Multidisciplinar

A Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (Eppen/Unifesp) - Campus Osasco tem ampliado a cada ano suas atividades de extensão e cultura. Os professores dos Departamentos de Ciências Contábeis, Economia, Relações Internacionais, Ciências Atuariais, Administração e Multidisciplinar, juntamente com o qualificado corpo de técnicos administrativos e, sobretudo, com nossos queridos alunos, empenham-se em esforços integrados para fazer valer o papel da universidade ante a difusão de saberes e a inclusão social. 

A variedade de cursos no campus reflete-se em projetos e programas que se voltam a áreas como educação financeira, gestão de projetos, relações internacionais, sustentabilidade, economia solidária, direitos humanos, defesa econômica e processos educacionais. Esse enorme potencial de saberes vê-se desafiado pela realidade do município de Osasco e regiões adjacentes, em que bolsões de riqueza coexistem com extensos territórios urbanos castigados pela violência e falta de acesso a direitos básicos.

Diante do quadro referido, parcerias têm sido fomentadas, ampliando as fronteiras de atuação da universidade. Dentre elas, a parceria com o Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo (Cioeste), por meio da qual se buscará desenvolver desde projetos de capacitação profissional até ações de cultura e saúde; a aproximação com as escolas técnicas (Etecs) de Osasco e da região oeste do município de São Paulo; e a gestão de projetos em entidades socioassistenciais. O enfrentamento desses desafios também é marcado pela busca da inovação social, com especial atenção à participação popular e aos processos de emancipação. É o caso do Cursinho Popular Helena Pignatari, gerenciado pelos próprios universitários, que, para além das atividades pré-vestibulares, promovem discussões sobre cidadania com os integrantes do projeto.

Por meio desses movimentos e encontros, a Escola Paulista de Política, Economia e Negócios tece seu lugar no município de Osasco e em seu entorno. Fomenta um espaço que se pretende coletivo. E que convide a população a um “fazer” de mãos dadas, tendo como horizonte uma universidade cada vez mais democrática e sempre pública.

Campus Osasco • extensão em números:
13 programas e projetos de extensão
4 cursos de aperfeiçoamento e especialização
62 cursos de extensão e eventos
Dados de 2018
 
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Sexta, 31 Janeiro 2020 14:43

Códigos e corações abertos

O CodeLab-Unifesp reúne alunos e docentes dispostos a criar soluções em software, voltadas a organizações sociais sem fins lucrativos

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Fotografia: Alex Reipert

Texto: Valquíria Carnaúba

O CodeLab-Unifesp começou em 2018, mas já encontra caminhos estimulantes a serem percorridos. Coordenado por Denise Stringhini, professora adjunta do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT/Unifesp) - Campus São José dos Campos, esse programa de extensão, cuja denominação é uma forma reduzida de Code Laboratory ou Laboratório de Código, reúne alunos e professores dispostos a criar unidades de software para a resolução de problemas oriundos de organizações de cunho social sem fins lucrativos. Com uma experiência de mais de 15 anos no ensino de Ciência da Computação, Stringhini afirma que a necessidade de proporcionar aos alunos um aprendizado baseado em fatos motivou a criação do CodeLab. “Por meio da metodologia challenge based learning (CBL), os alunos adquirem conhecimento e habilidades ao enfrentarem desafios reais de programação.” 

De acordo com a docente, o CodeLab surgiu a partir de uma demanda natural dos cursos de graduação do campus, em que a maioria das disciplinas ensina o desenvolvimento de software a partir de exercícios didáticos sem relação, muitas vezes, com o mundo real. “A ideia amadureceu com a participação dos alunos. Havia, no início, o Clube de Python, grupo formado para discutir a linguagem Python de programação, que já ensaiava intervir na resolução de problemas concretos”, complementa. 

Com a consolidação desse modelo de trabalho, os alunos encontraram a ponte necessária para dialogar com entidades externas à universidade. Se estas apresentam, por exemplo, falhas de gerenciamento de dados, são agendadas, desde o primeiro contato, reuniões para o mapeamento das fraquezas no campo da organização de dados. Os alunos dispostos a participar dos projetos são, então, orientados a se dividirem em equipes, cada uma envolvida com determinada feature, ou seja, com determinada funcionalidade a ser criada ou melhorada – etapa em que já é possível sanar diversos conflitos. O impacto social se dá desde a disponibilização do software, de natureza aberta e gratuita, até a transferência do conhecimento produzido a partir das tarefas desenvolvidas. 

Um dos desafios citados pela docente é conciliar a dinâmica dos trabalhos assumidos com a rotina universitária. “Com a rotatividade dos alunos, que se formam e dão lugar aos ingressantes, apesar de as metodologias de desenvolvimento serem inspiradas nas startups, a entrega dos projetos tende a atrasar”, pondera. Por isso, a equipe assumiu, até o momento, o atendimento de apenas duas organizações não governamentais: o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Jair Jesuíno Trindade (Cedeca) e o Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário Queiroz Filho (Ibeac), os quais deram origem, respectivamente, aos projetos CodeLab - Cedeca e CodeLab - Ibeac.

Projeto CodeLab - Cedeca: formação de banco de dados

O Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Jair Jesuíno Trindade (Cedeca) é uma ONG sediada em São José dos Campos, que atua em parceria com a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, cuidando de processos encaminhados por esse órgão, quando a demanda supera a oferta de advogados na área. Inicialmente a parceria com o Cedeca visava a um trabalho voltado à estatística (número de processos atendidos, população-alvo e mineração de dados no Ministério da Justiça e Segurança Pública, mediante a utilização da linguagem Python). Apesar de possuírem computadores, tanto o encaminhamento quanto o atendimento eram registrados manualmente, o que, além de deixar os processos mais lentos, ainda acarretava conflitos: frequentemente, dois ou mais advogados assumiam o mesmo caso. Sem o apoio de um banco de dados digital – que está sendo desenvolvido pelo grupo do CodeLab – era comum haver duplicidade de processos.

Projeto CodeLab - Ibeac: implantação de rede social fechada

Criado em São Paulo, em 1981, o Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário Queiroz Filho (Ibeac) será a próxima entidade a ser atendida pelo Campus São José dos Campos. Trata-se de uma ONG que promove o fortalecimento de comunidades vulneráveis por meio da educação e defesa dos direitos humanos. Formada principalmente por mulheres que atuam em seis regiões de Parelheiros, desenvolve iniciativas como a biblioteca comunitária e o Centro de Excelência em Primeira Infância (Cepi). Em relação a este último, o grupo do CodeLab planeja a implantação de plataforma semelhante a uma rede social fechada, de fácil utilização e que permitirá o armazenamento de dados, somado à segurança digital dos usuários.

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Denise Stringhini, professora adjunta do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT/Unifesp) - Campus São José dos Campos

www.facebook.com/CodelabUnifesp

 
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O programa Robótica sem Fronteiras ensina robótica e programação a jovens da rede pública e abre caminhos para o autoconhecimento vocacional

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Etapa regional da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), realizada em São José dos Campos, em 18/08/19


Texto: Valquíria Carnaúba

Até dezembro deste ano, mais de 8 mil estudantes da rede pública de ensino de São José dos Campos (SP), com idade entre 7 e 15 anos, terão sido beneficiados pelo ensino de robótica, totalmente gratuito, oferecido pela Unifesp. Esses são alguns números apresentados pelo Robótica sem Fronteiras, programa de extensão do Campus São José dos Campos que tem feito enorme diferença na vida dos mencionados jovens. A iniciativa é fruto de uma parceria com a Prefeitura Municipal e o Instituto Alpha Lumen, entidade sem fins lucrativos, dirigida por sua fundadora, Nuricel Aguilera, que busca soluções de impacto social por meio de ações educativas. 

Todas as atividades desenvolvidas no âmbito do programa estão sob a responsabilidade do Forgers, grupo de robótica formado por alunos e docentes, cujo líder é Fabio Augusto Faria, professor adjunto do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT/Unifesp) - Campus São José dos Campos. Fundado em 2014 por Lucas Vecchete e Pedro Gaiarsa, alunos do curso de graduação em Engenharia de Computação, o Forgers nasceu com o intuito de difundir o ensino dessa técnica entre os frequentadores do campus universitário e membros da comunidade local. A iniciativa deu tão certo que, em curto espaço de tempo, o grupo cresceu, assumiu novas tarefas e constituiu o Robótica sem Fronteiras, coordenado, desde 2015, pelo mesmo docente. 

O programa em questão promove a difusão da robótica e, por consequência, da computação, eletrônica, mecânica e física, atuando em três frentes de trabalho. Uma delas é o treinamento de alunos da rede pública do município por meio do projeto de extensão denominado Treinamento para Olimpíada de Robótica (TOR). As outras duas consistem na preparação de estudantes universitários para campeonatos de robótica e no planejamento e execução de eventos e oficinas abertos à comunidade. “O Arduino Day e a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) são alguns dos eventos de interesse de nosso programa”, explica Faria.

Por meio da parceria com a Prefeitura Municipal, 50 vagas são anunciadas nas escolas públicas da região todos os anos. Durante o curso, realizado de fevereiro a dezembro, os alunos e seus responsáveis devem cumprir determinadas exigências, como a participação em reuniões e avaliações. O esforço compensa: os jovens recebem certificados ao final de cada ano e, dependendo do desempenho, têm as portas abertas para novas experiências. “Há alunos que, após o aprendizado, seguiram para o curso técnico de Mecatrônica, e esse despertar de vocações também se configura como nossa missão”, relata. 

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Estudantes de robótica participam de oficina de planejamento e montagem de robôs em 2019 / Fotografia: Valquíria Carnaúba

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Competição regional da OBR 2018, realizada em São José dos Campos, da qual participaram 60 equipes da região do Vale do Paraíba

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Jovens das EMEFs Possidônio José de Freitas e Prof.ª Mercedes Carnevalli Klein, que cumpriram o programa de extensão em 2018, quando se classificaram para a competição da OBR na etapa estadual

Entreteses102 primeiro grupo classificado estadual

Equipe Pegasus, orientada pelos docentes (da esq. para a dir.) Carlos Oliveira (Inst. Alpha Lumen) e Fabio Faria, além dos universitários Rafael Fernandes (terceiro à esq.) e Everton Coelho (primeiro à dir.), com os estudantes da EMEF Prof.ª Homera da Silva Braga, em preparação para a fase regional da OBR 2017

Tudo começa com uma semente

Após a instalação do campus da Unifesp em São José dos Campos, em 2007, foi firmado um termo de cooperação técnica entre a universidade e a Prefeitura, visando à realização de ações conjuntas para a promoção do desenvolvimento tecnológico e a capacitação e educação de jovens. Com o caminho aberto, Faria apresentou à administração municipal o projeto de ensino de robótica. “Em 2016, solicitei uma sala e computadores; os materiais utilizados foram fornecidos pelas coordenações dos cursos de Ciência da Computação e Engenharia de Computação. O número de candidatos que atendeu ao anúncio das vagas superou nossas expectativas e, em menos de uma semana, as 50 vagas oferecidas foram preenchidas por alunos de 18 escolas diferentes da cidade”, comemora o docente. 

Faria conta que, após a formação da primeira turma, o Forgers idealizou um passo mais ousado: inscrever os aprendizes na etapa regional da Olimpíada Brasileira de Robótica de 2017. A aposta mostrava-se acertada, mas os percalços surgiam pelo caminho. “No início de 2017, precisamos transferir o local de treinamento para a Unidade Talim, sem infraestrutura adequada para essas atividades. Ainda assim, os estudantes, muito animados, continuaram a participar do curso, todos os sábados pela manhã. Alguns moravam em bairros mais afastados e chegavam a acordar às 6h para comparecer às aulas. O apoio da Prefeitura, nesse sentido, foi muito importante ao oferecer o café da manhã aos jovens. Apesar de todos os desafios enfrentados, conseguimos classificar uma equipe para a etapa estadual da OBR. Para nós, foi uma grande conquista, pois até então nenhuma escola municipal conseguira tal feito”, relembra.

Após firmar parceria com o Instituto Alpha Lumen (IAL), sediado em São José dos Campos, o Forgers ajudou a levar às ruas do município o Robotruck, um laboratório itinerante de robótica cuja finalidade é realizar oficinas de montagem de robôs. Por meio dessa ação, o programa de extensão avançou, compondo a Liga de Robótica do Vale do Paraíba junto a outras entidades e instituições, como o SJC Hacker Clube, Equipe Uai!rrior de Robótica (Universidade Federal de Itajubá - Unifei) e Universidade do Vale do Paraíba (Univap). “Nessa carreta, passamos a levar conhecimentos de robótica básica às escolas da cidade. No trajeto, ministrávamos oficinas, com duração de duas horas, no intuito de despertar o desejo de aprender em quem já mostrava vocação para a área.”

O Robótica sem Fronteiras pode, hoje, ser considerado uma iniciativa que vai muito além do aprendizado extraescolar. Oferece uma oportunidade única para os alunos desenvolverem aptidões como raciocínio lógico, criatividade e trabalho em equipe. O coordenador do programa presencia, além disso, outros reflexos positivos, como a elevação da autoestima e até mesmo o despertar da noção vocacional. “Ao longo do curso, avaliamos diferentes qualidades como liderança, proatividade e execução de tarefas em tempo preestabelecido. Dividimos os aprendizes em grupos e observamos quais são os que gostam de montar os agentes robóticos e quais são os que preferem codificar os programas que irão controlar os robôs. Fazemos também diversas brincadeiras, como premiar com chocolates as equipes que conseguem executar determinada tarefa. Tudo se transforma em uma grande diversão, quando os jovens aprendem a lidar com as pressões de forma descontraída. Mostramos a eles que a Unifesp está mais perto do que imaginam, e isso é muito positivo”, finaliza.

Chance de Ouro

Sobre as atividades lúdicas de aprendizagem, desenvolvidas com alunos das escolas públicas municipais, mediante parceria com o Instituto Alpha Lumen, Faria conta que um dos componentes da primeira turma (2016) destacou-se por seu desempenho. Gabriel Santos Gonçalves, que é estudante do 9° ano do Instituto Alpha Lumen, conquistou uma bolsa na instituição de ensino após concluir o treinamento no Robótica sem Fronteiras, em 2017. Hoje, com 14 anos, coleciona mais uma vitória: a medalha de ouro da fase regional da Olimpíada Brasileira de Robótica de 2018. “Eu já havia concorrido na OBR 2017, porém não obtive sucesso. Então, decidi me dar outra chance. Confesso que, no início, fiquei deslocado, porque todos faziam muito bem suas tarefas, e eu não sabia se era capaz de alcançar os demais da minha equipe. Foram alguns meses de trabalho e estudo, e a adrenalina de entrar novamente na competição corria nas veias. Minha participação na OBR iniciou-se quando ainda fazia parte do programa Robótica sem Fronteiras, nos anos de 2016 e 2017. Em 2018, já no Instituto Alpha Lumen, obtivemos o primeiro lugar no pódio da fase regional da OBR e nos classificamos para a etapa estadual daquele mesmo ano. Toda essa correria me trouxe um grande aprendizado: cada desavença era uma nova lição. Consegui mudar meu ponto de vista sobre como agir em determinadas situações. Hoje consigo compreender melhor as pessoas e sei como agir nesses momentos.”

Entreteses103 GabrielSantosGoncalves

www.facebook.com/treinamentoparaolimpiadaderobotica

Artigo relacionado:
AGUILERA, Nuricel V.; FERREIRA, Luiz G. L. C.; DIAS, Luiz H. M.; FARIA, Fabio Augusto. Projeto Robótica e Cidadania: Robotruck. São José dos Campos, SP: Instituto Alpha Lumen, [ca. 2015]. Disponível em: https://www.academia.edu/24500962/Projeto_Rob%C3%B3tica_e_Cidadania_ROBOTRUCK . Acesso em: 16 ago. 2019.

 
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Sexta, 31 Janeiro 2020 13:44

Um museu que inspira o futuro

Parque de Ciência e Tecnologia, instalado no Campus São José dos Campos, recebeu cerca de mil visitas desde sua inauguração

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Texto: Valquíria Carnaúba

Há coisa melhor do que aprender experimentando? Essa é uma das propostas do Parque de Ciência e Tecnologia, instalado há pouco mais de cinco anos no Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT/Unifesp) - Campus São José dos Campos. Criado em 2014 para promover a divulgação de experimentos científicos e tecnológicos, de caráter interativo e interdisciplinar, o espaço já recebeu mais de mil pessoas, entre alunos, professores, funcionários e público externo, desde o início de seu funcionamento. Com financiamento concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre os anos de 2014 e 2017, o que era para ser um projeto transformou-se em programa de extensão. Por ter atingido objetivos mais amplos, como a divulgação do trabalho realizado no ICT/Unifesp e a popularização da ciência e da tecnologia, permanece até hoje com as portas abertas ao público, embora conte com o suporte exclusivo da comunidade acadêmica. 

A ação extensionista desenrolou-se há cinco anos, a partir da união de sete subprojetos, gerenciados por diferentes equipes de professores responsáveis, cada qual dentro de sua área de atuação: Integrando as Neurociências Cognitivas; História do Computador; Ovo de Colombo de Tesla; Moléculas e suas Propriedades; Ilustrando Conceitos Físicos e Matemáticos; Conjunto de Experimentos em Realidade Aumentada (Cera); e Núcleo Educacional de Tecnologia Social e Economia Solidária (Netes) Itinerante: Caminhos para CT&I e Sustentabilidade. Atualmente, o Parque de Ciência e Tecnologia encontra-se instalado no andar térreo do ICT/Unifesp e divide-se em duas partes: a interna, com 92 m², delimitada por divisórias de octanorm, onde estão dispostas mais de 20 atrações, e a externa, um hall de exposição de 20 m² com itens variados – de máquinas de escrever antigas a cartões perfurados, precursores da memória usada em computadores.

O espaço foi inspirado em outros museus de ciências, como o Catavento Cultural (São Paulo), Sabina - Escola Parque do Conhecimento (Santo André) e Museu da Ciência Prof. Mário Tolentino (São Carlos). Seu conteúdo é especialmente aproveitado por estudantes do ensino fundamental e médio, pois envolve conceitos de física, química, biologia e computação, instigando os visitantes a compreender o funcionamento dos aparatos de forma mais aprofundada. No início de suas atividades, o museu era coordenado por Ana Carolina Lorena, ex-professora associada e orientadora permanente de programas de pós-graduação do campus (hoje no Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA), e contava com o suporte de bolsistas atuantes na monitoria. Hoje, está sob a responsabilidade da Câmara de Extensão e Cultura (Caec), com Claudio Shida, coordenador do bacharelado interdisciplinar em Ciência e Tecnologia (BCT), à frente do desafio de manter ativo o espaço. 

Após a criação do Parque de Ciência e Tecnologia, outras iniciativas semelhantes começaram a surgir na cidade, a exemplo do Museu Interativo de Ciências Casa do Saber Marechal Aviador Casimiro Montenegro Filho. “Durante todo o processo, fui-me aproximando de pessoas que estavam envolvidas com esse tipo de divulgação científica em São José dos Campos. Roberto Stempniak, professor aposentado do ITA e coordenador do projeto Ciência no Parque, foi uma delas. A cada 15 dias, Stempniak vai ao Parque Vicentina Aranha, de forma voluntária, explicar experimentos científicos. No fim, todo o mundo se encontra, formando uma rede de auxílio mútuo”, relata Lorena.

Outro exemplo de parceria possibilitada pela rede de apoio é a exposição itinerante Plataforma Zebrafish, idealizada por Mônica Lopes Ferreira, do Instituto Butantan (órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde), e sob responsabilidade de Katia Conceição, coordenadora do Bacharelado em Biotecnologia do ICT/Unifesp. Conforme observa Luciane Capelo, professora adjunta do campus e atual coordenadora da Caec, o painel montado no quarto andar do instituto traz detalhes sobre o zebrafish, um peixe de aquário da espécie Danio rerio, de pequenas dimensões, também conhecido como Paulistinha. O painel veio para o museu do ICT após um concurso entre diversas instituições do Brasil e fez parte, por muito tempo, de uma exposição no Instituto Butantan. “Fechamos parcerias com quem já tem o material. Dessa forma, expandimos a visita ao parque para o campus todo, mobilizando mais pessoas, difundindo o conhecimento e encantando todos os que adentram a universidade aqui em São José dos Campos”, complementa. 

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O bolsista Kevin Matsuoka de Almeida, estudante do ICT/Unifesp, monitora as visitas ao Parque de C&T. O espaço conta com diversas atrações, como o augmented reality sandbox, aparato composto por um software que projeta linhas topológicas em elevações de uma caixa de areia / Fotografia: Valquíria Carnaúba

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As atrações globo de plasma / Fotografia: Valquíria Carnaúba

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Associação de polias / Fotografia: Valquíria Carnaúba

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As docentes Luciane Capelo e Ana Carolina Lorena, junto ao diretor do Campus São José dos Campos, Horacio Hideki Yanasse / Fotografia: Valquíria Carnaúba

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Capelo mostra a tabela periódica interativa, exposta no Parque de C&T / Fotografia: Valquíria Carnaúba

“O Parque de Ciência e Tecnologia é isso: um espaço em que o jovem entra e brinca. Queremos fomentar nele o instinto de investigação, e aqui é o local seguro para essa exploração.”

Luciane Capelo

Espaço para experimentar e brincar

Durante a visita da reportagem, um dos estudantes que interagiam com os dispositivos em exibição tentou carregar o celular encostando-o no globo de plasma – esfera de vidro no interior da qual são emitidas descargas elétricas que provocam a excitação e a ionização de átomos do gás contido nesse espaço. Parece absurdo? “O inventor sérvio-americano Nikola Tesla, conhecido por suas contribuições revolucionárias no campo do eletromagnetismo, queria resolver a eletricidade sem fio”, provoca Lorena. Capelo complementa. “Isso é legal. O estudante observou a energia e testou no mesmo instante. É o que o cientista faz: observa o que parece impossível em certo momento, estabelece um controle e experimenta. Pode ser que esse observador, futuramente, procure saber mais sobre como funciona o celular dele, sobre a geração de energia ou sobre o próprio Tesla. E aí começa a identificação: quando o jovem tenta entender aonde o cientista chegou e aonde ele próprio pode chegar. A exposição atinge os visitantes por meios que não conseguimos dimensionar.” 

O Parque de Ciência e Tecnologia mantém estreita relação com o ensino de graduação e pós-graduação, dando visibilidade à produção acadêmica de docentes e discentes. Há experimentos que abordam conceitos avançados nas ciências, possibilitando que os próprios professores se coloquem à disposição do público para explicá-los: é o caso da bobina e do ovo de Colombo de Tesla. Para Lorena e Capelo, o atual desafio é encontrar formas de efetivar a manutenção dos equipamentos instalados no espaço, pois as peças sofrem desgaste, um problema de que todo parque tecnológico, todo museu compartilha. Ambas afirmam que, se uma das atrações sofrer danos, a recuperação desse item virá (com sorte) do projeto específico de alguma disciplina.

Como o financiamento do CNPq durou quatro anos e, após 2017, não foram mais publicados editais específicos para a construção de museus e centros de ciência, o Parque de Ciência e Tecnologia mantém sua qualidade graças ao apoio dos docentes e dos próprios alunos. “Estes, durante o trabalho de monitoria, cultivam a proatividade, autoconfiança, senso de pertencimento e capacidade de comunicação e gerenciamento de pessoas – habilidades muitas vezes não desenvolvidas em sala de aula. A boa formação propiciada pela Unifesp se dá nessa conexão do conhecimento teórico de excelência com a prática. Aqui, estabelecemos relações próximas, afetuosas, que têm como base a formação científica”, ressalta Capelo. 

O agendamento de excursões – para os interessados – passa longe da burocracia. “As escolas entram no site, preenchem o formulário de contato e enviam as informações necessárias, tais como nome da escola e data da visita”, finaliza Lorena.

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O Parque de Ciência e Tecnologia destaca-se também pela arte. Internamente, suas divisórias exibem grafites de ícones científicos (vide acima), concebidos e executados pelo artista plástico Vespa (Claudinei Oliveira), renomado grafiteiro de São José dos Campos

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Na parte externa, foram adesivadas pequenas biografias de grandes cientistas (inclusive brasileiros), ligados às áreas abordadas pelos subprojetos

parquectict.sites.unifesp.br

www.facebook.com/pctict

 
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Sexta, 31 Janeiro 2020 11:17

Agora elas podem brincar!

O programa de extensão Mao3D, com foco na reabilitação infantil, já atendeu 13 crianças no país, número que pode crescer nos próximos anos a partir de parcerias

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Fotografia: Alex Reipert
 

Texto: Denis Dana
 

João Vítor, oito anos, morador do interior de Rondônia. Raquel, sete anos, moradora de Manaus (AM). Ele, em razão de uma infecção, perdeu parte dos membros superiores e inferiores. Ela nasceu com malformação no braço em consequência de uma síndrome genética rara. O encontro das histórias de superação e transformação de João e Raquel se dá na Unifesp, precisamente no Laboratório de Órteses e Próteses 3D do Grupo de Pesquisa Biomecânica e Forense do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT/Unifesp) - Campus São José dos Campos. Nesse laboratório funciona o Mao3D de Protetização e Reabilitação de Amputados, programa de extensão que, com ciência e tecnologia, promove uma ação de relevante impacto social, tornando realidade o sonho de uma vida mais inclusiva.

Idealizado em 2015 por Maria Elizete Kunkel, professora de Engenharia Biomédica, que desde então coordena o programa, o Mao3D nasceu com foco na reabilitação de crianças. Seu modelo foi inspirado no trabalho desenvolvido pela ONG norte-americana E-Nable, que fabrica e disponibiliza próteses de mão feitas por impressão 3D, recuperando pacientes por todo o mundo. “Decidimos focar o público infantil justamente para amenizar o vácuo deixado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nesse tipo de atendimento”, ressalta Kunkel. No Brasil, o sistema de saúde pública geralmente não fornece próteses de membro superior para essa faixa etária, sob a alegação de que, além de caras, são utilizadas por pouco tempo, uma vez que as crianças crescem rapidamente.

As peças são fabricadas de acordo com o tipo de amputação e fixadas ao braço com velcro, sem componentes eletrônicos, o que torna a produção barata e simples. A prótese é feita em uma impressora 3D de baixo custo, utilizando-se aproximadamente 300 gramas de um filamento plástico. De acordo com Kunkel, a movimentação da prótese obedece ao movimento do punho ou do cotovelo, em um processo semelhante à ação dos tendões da mão. Assim, ao dobrar o punho ou o cotovelo, a criança consegue flexionar os dedos pelos fios.

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Marco para o Mao3D

Das 15 próteses desenvolvidas pela equipe nos quatro anos de atividade, 13 destinaram-se a atender a um anseio infantil, como o de João Vítor, que sonhava em brincar com bola, e o de Raquel, que desejava participar das aulas de educação física com seus colegas de escola. Essas histórias representam um marco para o programa Mao3D: após a produção das peças, a equipe aperfeiçoou procedimentos e iniciou uma nova fase, com a utilização da telemedicina para a aquisição dos parâmetros da criança, o que permite – portanto – efetuar o atendimento remoto.

“Para isso, desenvolvemos um protocolo que nos possibilita realizar a entrevista inicial, as medições necessárias por meio de fotografias e projeções de imagem com o uso de um programa de computador e a consulta psicológica, até culminar na entrega da prótese e na reabilitação”, explica a coordenadora. A evolução do atendimento fez com que o programa se expandisse para outras regiões do país. Atualmente, o grupo desenvolve duas peças destinadas a crianças de Minas Gerais.

Equipe apaixonada e comprometida

Atualmente, o Mao3D atende um paciente por mês. O ciclo completo, que engloba a escolha do paciente, medições iniciais, produção e entrega da prótese, eventuais ajustes na peça, acompanhamento psicológico e reabilitação, demora cerca de quatro semanas. Para realizar todo esse complexo processo de readaptação individual, Kunkel conta com parceiros, como a psicóloga Sandra Rodrigues e uma equipe formada por 25 alunos, apaixonados e comprometidos com o projeto.

Israel Toledo Gonçalves, 45 anos, é um dos estudantes do programa de mestrado profissional interdisciplinar em Inovação Tecnológica do ICT/Unifesp e integrante do Mao3D há quatro anos. “Cheguei aqui movido pela curiosidade em saber como era abordada a questão da tecnologia assistiva que utiliza a impressão 3D e como esta era empregada na reabilitação de pessoas. Sigo totalmente envolvido no projeto e em sua valiosa missão de integrar conhecimento, ciência e tecnologia para fazer o bem. É incrível experimentar essa capacidade de transformação que o programa viabiliza. Com tecnologia e expertise, atendemos pessoas sem condições financeiras e, por meio da reabilitação, conseguimos inseri-la na sociedade. Isso não tem preço”, destaca Gonçalves.

Outra estudante do mesmo programa de mestrado que integra a equipe e faz coro a Gonçalves é Tainara dos Santos Bina, 24 anos. “Trata-se de um projeto extremamente significativo, com forte impacto na sociedade. Afinal, para a maioria de nós, lavar o rosto, escovar os dentes e pentear o cabelo são tarefas rotineiras que fazemos automaticamente. Porém, para quem não tem uma das mãos, são tarefas inviáveis. Com a nossa contribuição, tais ações tornam-se parcialmente possíveis, o que faz toda a diferença na vida dessas pessoas.”

A empolgação e o brilho nos olhos dos mais velhos também motivam os recém-chegados à universidade. Rodrigo Costa Ribeiro, 20 anos, cursa o segundo ano do bacharelado em Ciência e Tecnologia e pretende seguir a área de Engenharia Biomédica. “Minha grande motivação ao fazer parte desse grupo está relacionada não apenas ao desejo de ser cientista, que me acompanha desde a infância, mas também à intenção de dar uma contribuição social. Acredito ser fundamental que a universidade confira a seus projetos de extensão um caráter social. É uma forma de devolver à sociedade todo o conhecimento gerado aqui dentro. É exatamente o que acontece no caso do Mao3D.”

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Integrantes da equipe do Mao3D / Fotografia: Alex Reipert

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Raquel, orgulhosa com as novas possibilidades, depois de receber a prótese / Fotografia: Mao3D

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João Vitor, acompanhado por parte da equipe do Mao3D: (da esquerda para a direita) Israel Toledo Gonçalves, André Mendes e a professora Maria Elizete Kunkel, idealizadora do Mao3D / Fotografia: Mao3D

Programa em crescimento

Enquanto trabalha para ampliar a produção e o acesso às próteses, agregando voluntários e parceiros à equipe, o programa Mao3D serve de modelo a outros tipos de tecnologia assistiva. Já estão em fase de produção próteses de orelha e de nariz feitas de silicone, além de peças removíveis para o quadril, que podem substituir o gesso no tratamento de displasia.

“Essa expansão é o resultado natural da dedicação com que a equipe atende cada criança, desenvolvendo a prótese de acordo com as respectivas necessidades e desejos”, celebra Kunkel.

Hoje, o Mao3D é referência na atividade – cada vez mais sofisticada – que executa. Constantemente é procurado por entidades internacionais, como as da Índia, Indonésia, Angola e África, interessadas em compreender a complexidade envolvida em todo o processo descrito, desde o atendimento inicial, feito a distância, até a adaptação da criança a uma vida repleta de novas possibilidades.

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Prótese, simples e eficiente, produzida pelo Mao3D / Fotografia: Alex Reipert

 

www.facebook.com/Mao3D

www.instagram.com/mao3d_unifesp

 
Publicado em Edição 12

Os 24 projetos e programas vigentes no Instituto de Ciência e Tecnologia convergem para temas como educação inclusiva, tecnologia, meio ambiente, igualdade de gênero e saúde e bem-estar

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Fotografia: Alex Reipert

 

Luciane Portas Capelo
Coordenadora da Câmara de Extensão e Cultura do Campus São José dos Campos

Denise Stringhini
Representante suplente da Câmara de Extensão e Cultura do Campus São José dos Campos

O Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT/Unifesp) - Campus São José dos Campos, foi implantado em 2007 em razão da inegável vocação científica e tecnológica do Vale do Paraíba. Assim como em outras cidades grandes, a comunidade de São José dos Campos enfrenta desafios tecnológicos, econômicos, sociais e ambientais advindos de seu crescimento. O ICT/Unifesp se insere nesse contexto com o objetivo de contribuir para mitigar ou sanar problemas da comunidade, por meio da pesquisa, do ensino e da extensão.

A Câmara de Extensão e Cultura (Caec) do ICT/Unifesp teve sua primeira ata lavrada em novembro de 2011. A partir daí se iniciou um árduo trabalho no campus para que fosse criada uma cultura extensionista que dialogasse verdadeiramente com a comunidade. Vale destacar aqui o programa denominado Núcleo Educacional de Tecnologia Social e Economia Solidária (Netes), em atuação desde 2014, que assim como outros projetos e programas voltados à educação e tecnologia social, auxiliaram na estruturação da extensão universitária local e na criação da cultura extensionista junto a docentes, discentes e técnicos administrativos em educação (TAEs). Desde então, a quantidade de projetos, programas, eventos e demais ações extensionistas só cresce. O projeto de criação de uma identidade institucional do Caec, realizado em 2017, favoreceu grandemente a compreensão e difusão dos conceitos extensionistas no campus, constituindo um marco no desenvolvimento do ICT/Unifesp e na formação dos nossos estudantes. Esses, nos últimos anos, consolidaram sua participação como atores principais das ações interdisciplinares, educativas, culturais, científicas e político-tecnológicas e passaram a promover uma interação transformadora entre a universidade e seu entorno.

Mais de 24 projetos e programas estão hoje vigentes no ICT/Unifesp. São temáticas comuns a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, a tecnologia e meio ambiente, a igualdade de gênero e desenvolvimento feminino, e a saúde e bem-estar. Temos ainda muito fôlego e coragem para seguir na extensão universitária, que agora será curricularizada. A integração com a pesquisa e com os programas de pós-graduação começa a se intensificar. Que venham os próximos anos, os próximos desafios. Não sabemos como será a universidade do futuro, mas podemos assegurar que o ICT/Unifesp se coloca à frente desse movimento, promovendo educação abrangente, democrática e de alta qualidade para o desenvolvimento sustentável da comunidade onde se insere.

 

Campus São José dos Campos • extensão em números:
24 programas e projetos de extensão
26 cursos de extensão e eventos
Dados de 2018
 
Publicado em Edição 12
Quinta, 30 Janeiro 2020 16:21

Troca de saberes

Publicado em Edição 12
Quinta, 30 Janeiro 2020 15:59

O que você alimenta quando se alimenta?

Atividades integradas de extensão, ensino e pesquisa promovem a conscientização sobre os hábitos de consumo e de alimentação e a difusão da metodologia social emergente dos grupos de consumo responsável

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Texto: Paula Garcia

O programa Agroecologia e Consciência Alimentar, coordenado por Leda Lorenzo Montero, docente do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas (ICAQF/Unifesp) - Campus Diadema, surgiu quando o tema agricultura passou a ser discutido em aulas ministradas na graduação em Ciências Ambientais. Questões como o uso dos recursos naturais, manejo do solo, relações com a terra e os alimentos e fatores socioeconômicos implicados, ainda que considerados essenciais à formação universitária, ainda não constavam na grade curricular do curso.

Montero e sua colega de departamento, Rosangela Calado da Costa, propuseram, então, uma disciplina eletiva com carga horária de 72h que focasse na agroecologia, meta alcançada em 2018. Uma vez constatada a aceitação dos estudantes (21 concluintes na primeira turma), a disciplina foi ofertada novamente no ano seguinte, já vinculada ao programa de extensão como se tem hoje (33 concluintes na segunda turma, em 2019). A disciplina atende à curricularização da extensão e 40% da carga horária consiste em atividades práticas - o mínimo de 20h de atividades de extensão inclui trabalho de campo. 

Uma das ações do programa consiste na realização de visitas técnicas a plantações de produtos orgânicos, trabalhando com estudantes da Unifesp e agricultores conceitos da disciplina na prática, como produção no campo, adubação verde, policultivos, tipos de consórcio, geração de renda e formas de escoamento. Esse trabalho de conscientização sobre hábitos de consumo e produção levou as docentes a proporem aos estudantes a criação do Grupo de Consumo Responsável (GCR), visando fortalecer o uso consciente a partir da formação de uma rede de parcerias com produtores orgânicos. O processo evoluiu de forma rápida na instituição em razão do contato de Montero com alguns produtores, já que participa de GCRs desde 2010. 

“O GCR se consolidou por meio de coletivos que elevam o alimento a um patamar político. Ele é responsável por trazer reflexões como: ‘O que você alimenta quando se alimenta?’, ‘Você está promovendo a sua saúde e de sua família?’, ‘Que tipo de agricultura e de manejo de recursos você está promovendo?’, ‘Que tipo de relações de trabalho têm por trás do seu consumo de alimentos?’ e ‘Por que comemos três vezes por dia mecanicamente?’. Com intermédio da disciplina e do grupo, estas questões passam a ser discutidas dentro da universidade”, explica a coordenadora. 

Por ter uma gestão voluntária, aberta e sem fins lucrativos, a consolidação e a manutenção do grupo dependem do ingresso de novas pessoas, inclusive as parcerias com agricultores estão atreladas ao número de estudantes que atuam ativamente gerindo essa relação. Em 2019, o GCR da Unifesp começou a se articular com outros grupos de consumo responsável na região metropolitana de São Paulo, a fim de aumentar a escala de escoamento do que é produzido pelos pequenos produtores.

Agroecologia e economia solidária

Uma ação conjunta de dois programas de extensão, o Agroecologia e Consciência Alimentar e o Fusões (coordenado por Classius Ferreira da Silva), levou à concretização da Feirinha de Agroecologia e Economia Solidária da Unifesp. O evento, mensal, oferece à comunidade acadêmica e externa à universidade um espaço de convivência e promoção do debate acerca de consumo responsável, cidadania, arte e cultura dentro da universidade. Participam desse evento, além de coletivos de empreendedores de Economia Solidária, pequenos produtores de Diadema e região, que encontram na feira a possibilidade de escoamento dos seus alimentos.

Além da economia solidária, tem-se a ideia da promoção de ações culturais como oficinas, apresentações e performances, em um momento para a convivência fora da sala de aula. “Trabalhamos com seis comunidades tradicionais e quilombolas em uma relação bastante direta com essas mulheres. Elas têm muita necessidade de escoamento, porque são produtoras com pouca inserção no mercado, a maioria não tem eletricidade em casa”, comenta Montero.

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Participantes do Grupo de Consumo Responsável da Unifesp

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Feirinha de Agroecologia e Economia Solidária / Fotografia: Daiana Rodrigues

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Discentes da Unifesp em pesquisa experimental no Instituto de Botânica

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Trabalho de consciência alimentar e alimentação saudável com estudantes da Escola Estadual Simon Bolívar

Extensão e pesquisa

  • O programa Agroecologia e Consciência Alimentar, em parceria com o Instituto de Botânica, também executa atividades de extensão rural em assentamentos da região metropolitana de São Paulo, tendo dentro do próprio instituto uma área experimental para pesquisa destinada aos estudantes da Unifesp, com a colaboração direta do agrônomo, professor e pesquisador Clóvis José Fernandes de Oliveira Jr.
  • No VII Encontro Nacional dos Estudantes de Ciências Ambientais (Enecamb), que tem sua edição de 2019 sediada no Campus Diadema, a Unidade José de Filippi receberá o suporte para a instalação de uma pequena agrofloresta, demanda dos estudantes que desejam usar o espaço para observar conceitos de sala de aula sem sair do ambiente acadêmico. Para a extensão, a área servirá também de base para outros projetos do próprio ICAQF/Unifesp, como a horta-escola.
  • Outra ação de extensão que se iniciou em 2019 envolve atividades em escolas públicas municipais de Diadema, coordenadas por Rosangela Calado da Costa, com aproximadamente 150 estudantes participantes no primeiro ano, na faixa etária de 13 a 14 anos. Nas atividades propostas, são trabalhados os conceitos de consciência alimentar e alimentação saudável.
 
Publicado em Edição 12
Quinta, 30 Janeiro 2020 15:21

Cientistas por um dia

Desde 2017, o Centro Aprendiz de Pesquisador da Unifesp permite que estudantes de licenciatura se encontrem com os do ensino básico por meio de um espaço não formal de ensino

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Texto: Valquíria Carnaúba

Na época em que atuava no Centro de Pesquisa em Meio Ambiente da Universidade de São Paulo (Cepema/USP), Ana Maria Santos Gouw colaborou com uma ação bem parecida com a oferecida no programa de extensão que introduziu no Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas (ICAQF/Unifesp) - Campus Diadema, em 2017, o Centro Aprendiz de Pesquisador (CAP – Diadema). Com a finalidade de difundir o conhecimento gerado em universidades, centros de pesquisa e setor industrial à comunidade de modo geral, o Cepema/USP passou a organizar visitas monitoradas de estudantes às suas dependências, em Cubatão (litoral de São Paulo). Com base nessa vivência, a ação extensionista da Unifesp já submeteu mais de 1.500 estudantes da rede pública a atividades experimentais no Campus Diadema, aproximando estudantes da educação básica do município de Diadema e região do ICAQF/Unifesp por meio da promoção de um espaço não formal de educação.

Conforme explica Gouw, é necessário que as escolas interessadas agendem a visita e aguardem a confirmação de disponibilidade dos laboratórios destinados à recepção dos estudantes para que possam acompanhar as pesquisas e vivenciar na prática a rotina científica. Já durante a excursão, os próprios estudantes dos cursos de graduação (bacharelado e licenciatura) do ICAQF/Unifesp monitoram os participantes, propõem atividades investigativas e convidam à reflexão teórica sobre os temas abordados, tornando essas imersões espaços onde a observação, a experimentação e o levantamento de hipóteses sejam vivenciados de forma alegre e significativa, e acompanhem, se possível, o currículo pedagógico das escolas envolvidas.

As experiências são previamente acertadas com as escolas. Figuram no topo das solicitações: a microscopia ótica, fermentação, pH e saúde, estudo do DNA, física e corpo humano, abarcando as três principais áreas das ciências naturais (Física, Química e Biologia). “Apresentamos a universidade e exibimos o vídeo institucional, abordamos os cursos oferecidos no ICAQF/Unifesp e explicamos como funciona o sistema de ingresso. Depois disso, organizamos os visitantes em pequenos grupos, já que o laboratório tem uma disposição arquitetônica que suporta de 10 a 12 pessoas por bancada”, explica a docente da Unifesp. 

A docente comenta que, no momento, a Diretoria do campus atua para firmar um termo de cooperação com a prefeitura municipal de Diadema e o Governo do Estado, por meio das suas respectivas diretorias de ensino, o que facilitará bastante a comunicação com as escolas e o convite dos estudantes para outras visitas ao laboratório.

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Centro Educacional de Diadema

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Colégio Camp

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Escola Estadual Diadema

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Escola Estadual José Marcato

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Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Rosalvito Cobra

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Escola Municipal de Educação Básica Olga Benário Prestes (EJA)

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O trabalho desenvolvido por Ana Maria Gouw e Paloma Marques atendeu, até o momento, mais de 1.500 estudantes da rede pública no município de Diadema

Com a mão na massa

Paloma Marques, que concluiu seu mestrado em Ensino de Ciências e Matemática em agosto deste ano, acompanhou a introdução do CAP - Diadema e foi a principal voluntária da ação. “O piloto do projeto ocorreu em 2017, com estudantes da modalidade Ensino de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal de Ensino Básico (Emeb) Cora Coralina, bem próxima do campus. “Na ocasião, desenvolvemos atividades que envolviam temas da área da saúde e atividades de observação celular. Como eram pessoas mais velhas, foi desafiador em razão da linguagem que precisamos adotar na comunicação com esses estudantes, acostumados às formalidades da sala de aula”, conta. 

O aprender na prática, quando se fala desse programa de extensão, é outro aspecto positivo, possibilitando uma intensa troca entre a licenciatura e o ensino básico público. Marques cita a satisfação dos graduandos ao receberem os estudantes de educação básica; a experiência apresenta a oportunidade de dar aulas de verdade sem ter concluído a graduação, especialmente para quem ainda não conquistou uma vaga de estágio. Já a percepção da ex-mestranda sobre o outro baseia-se em sua vivência de 2017, com estudantes de EJA, quando notou a facilidade com que essas pessoas interagiram durante a atividade sobre fermentação. 

“Por serem adultos, costumam cozinhar e fazer massas de pão em suas casas. Aproveitamos a experiência pessoal deles para abordar a fermentação alcóolica, oferecendo os materiais que são necessários para propiciar uma investigação sobre o tema (água morna e em temperatura ambiente, açúcar, sal, farinha de trigo, amido e fermento biológico). Cada grupo recebeu um Erlenmeyer (frasco em forma cônica usado para manuseio de substâncias) e uma bexiga e foi solicitado às pessoas que, a partir de suas experiências, escolhessem três ingredientes para realizar o processo de fermentação. A discussão das escolhas permitiu que os estudantes compreendessem as vivências pessoais em relação à produção de pães e outros produtos. Com isso, explicamos a importância da farinha e do açúcar para o fornecimento de energia ao fermento (um tipo de fungo), de como a água morna auxilia na ativação e aceleração do processo e das reações químicas que participam da fermentação alcóolica”, finaliza.

De acordo com Gouw, o vínculo do programa CAP - Diadema ao curso de Ciências - Licenciatura, mediante a política de curricularização da extensão da Unifesp, tem trazido experiências positivas na formação de professores. “Ficamos, por algum tempo, dependentes de estudantes voluntários que se interessassem em monitorar as visitas ao laboratório. Hoje contamos com a atuação permanente dos cursos de graduação do ICAQF/Unifesp, e essa integração tem fortalecido suas experiências como futuros docentes e a técnica da prática pedagógica a partir da interação com o público escolar”, finaliza Gouw.

 
Publicado em Edição 12