Segunda, 11 Novembro 2013 16:03

Campus Diadema

Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas

Flavia Kassinoff

Fotografia do prédio da Unifesp de Diadema

Unidade José Alencar

Inaugurado em 2007, o Campus Diadema, sede do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Unifesp, já começa a se destacar em pesquisa e produção científica na Universidade. No período de 2010 a 2013, o campus depositou quatro pedidos de patentes no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

A pós-graduação no campus, que hoje conta com três programas, iniciou-se em 2010 com Biologia Química. No ano seguinte, outros dois programas de mestrado foram criados: Ciência e Tecnologia da Sustentabilidade e Ecologia e Evolução. O doutorado já foi solicitado pelos programas e tem a previsão de início em 2014. Recentemente foi aprovado o mestrado em Análise Ambiental Integrada.

Segundo a coordenadora da Câmara de Pesquisa e Pós-Graduação do Campus Diadema, Suzete Maria Cerutti, o que determinou a criação desses programas foi, inicialmente, o projeto pedagógico do campus e o perfil da área na Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que aprova os projetos de acordo com suas inovações. 

A Capes avalia, a cada triênio, a qualidade dos programas de pós-graduação em todo o Brasil, atribuindo um conceito de 0 a 7, e nesses primeiros três anos de existência, os programas do Campus Diadema obtiveram nas avaliações nota 4 para Biologia Química e, nota 3, para Ciência e Tecnologia da Sustentabilidade e para Ecologia e Evolução.

De acordo com Suzete, esses conceitos ainda não são maiores porque a pós é muito recente. “São programas de pós-graduação relativamente novos, já que é o primeiro triênio de cada um”, explica. “No começo, nós tínhamos como tocar a pesquisa, porém a maior parte dos docentes ainda não tinha experiência em orientar doutorado, então foi um fator limitante. Mas, agora, novos docentes foram incorporados aos programas, já possuímos a experiência na orientação e alguns alunos já defenderam suas teses. A ideia é que nós consigamos abrir o doutorado.”

O Campus Diadema, além de possuir esses programas que têm suas atividades realizadas exclusivamente em suas unidades, também participa de programas multicampi. Um deles é o de Engenharia e Ciência de Materiais, que tem sua sede no Instituto de Ciência e Tecnologia (Campus São José dos Campos). O outro, inaugurado este ano, é o de Biotecnologia, que também será sediado em São José.

Os programas são procurados por alunos das mais diversas áreas, de acordo com Suzete. O de Ciência e Tecnologia da Sustentabilidade e o de Biologia Química (PPG-BQ), por exemplo, podem receber alunos de Química, de Engenharia Química, de Farmácia, de Biologia e da área da Saúde. “Essa participação é bem ampla, porque o perfil do aluno que se pretende formar também é amplo”, complementa.

Interação entre as áreas 

Biologia Química é um dos primeiros programas que busca uma interação entre um perfil biológico e uma explicação química dos processos envolvidos. Segundo sua coordenadora, Carla Máximo Prado, o programa acompanha as inovações na área e agrega linhas de pesquisa diferenciadas, que estão de acordo com tendências bem vistas pela comunidade científica nacional e internacional.

Prédio da Unifesp Diadema - Jose Filippi

Unidade José de Filippi

Prédio Unifesp Diadema Manoel da nobrega

Unidade Manoel da Nobrega

Primeiro a ser inaugurado no Campus Diadema, o programa, que é relativamente novo – completou três anos de existência em setembro –, conta com docentes capacitados, com projetos em vigência financiados por várias agências de fomento. Cinquenta por cento do núcleo permanente são pesquisadores bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A coordenação afirma que muitas ações vêm sendo feitas visando a melhoria do programa.“Estamos trabalhando, inicialmente, para ampliar a divulgação e visibilidade do mesmo em nível nacional e internacional, na captação de novos alunos, na conscientização da produção de artigos em revistas de alto impacto, no incentivo para busca de financiamento de projetos coordenados pelos docentes e na organização da secretaria.”

Foco na sustentabilidade

O Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia da Sustentabilidade (PPG-CTS) é um dos primeiros no Brasil a abordar o tema do desenvolvimento sustentável, relacionado ao âmbito da Ciência e Tecnologia. 

De acordo com a coordenadora do PPG-CTS, professora Tereza da Silva Martins, o programa envolve pesquisas multi e interdisciplinares e se preocupa em englobar as três áreas que compõem a sustentabilidade: sociedade, economia e meio ambiente. “Acreditamos que a produção intelectual gerada contribuirá de maneira significativa ao cenário atual da pesquisa brasileira, uma vez que é centrada no avanço científico-tecnológico de alto nível dentro dos preceitos da sustentabilidade, com foco privilegiado em materiais, energia, processos industriais, ambiente e saúde”.

Justamente por ser um programa que abrange muitas áreas do conhecimento, os estudos não são realizados em temas isolados, busca-se uma abordagem interdisciplinar. Sendo assim, os docentes orientadores são pesquisadores com formações diversas, que envolvem uma ampla gama de disciplinas. O resultado dessa proposta é muito positivo, segundo Tereza Martins, e desperta nos discentes bastante interesse. Em menos de três anos, o programa já possui mais de 70 alunos. 

Para melhorar cada vez mais a qualidade do PPG-CTS, ações estão sendo tomadas para propiciar mais infraestrutura e criação de projetos de integração da pesquisa com a comunidade, por meio de atividades de extensão.

Ecologia e evolução

Iniciado no segundo sementre de 2011, o Programa de Pós-Graduação de Ecologia e Evolução (PPG-EE) é dos mais recentes do Campus Diadema. Diante da grande importância e riqueza da biodiversidade no Brasil, as pesquisas e estudos ecológicos-evolutivos têm implicações diretas na criação de estratégias de conservação de espécies, e manutenção de ecossistemas no país. É o que diz o coordenador do PPG-EE, Marcelo Nogueira Rossi. “O Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução é importante, já que se propõe a gerar conhecimentos ecológicos e evolutivos que são determinantes para a geração, manutenção, uso e conservação da diversidade biológica.”

A procura pelo programa cresce cada vez mais. “No primeiro exame de seleção, ocorrido em agosto de 2011, tivemos apenas sete alunos ingressantes. Já no segundo processo seletivo, nove alunos ingressaram, e no início deste ano tivemos 17 alunos ingressantes dentre os 31 inscritos. A maioria dos interessados ainda é proveniente de outras universidades, evidenciando a crescente visibilidade do programa.”, informa Rossi.

Foco em ciências naturais

Criado em 2006, durante o processo de expansão da Unifesp, o Campus Diadema abriga o Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas. Respeitando a demanda da região, que possui diversas indústrias químicas, farmacêuticas e de cosméticos, o campus oferece sete cursos de graduação (Ciências Ambientais, Ciências Biológicas, Engenharia Química, Farmácia Bioquímica, Licenciatura Plena em Ciências, Química e Química Industrial). Atualmente, 2.258 alunos estão matriculados nesses cursos.

O Campus Diadema é composto por cinco unidades no município. A unidade José de Fillipi, onde se encontra a administração e os laboratórios de pesquisa; a unidade Manuel da Nobrega, onde são ministradas aulas teóricas e está presente a biblioteca do campus; a unidade José Alencar, que é dividida entre o complexo didático e o prédio de pesquisa; e a unidade Antonio Doll, onde também ocorrem aulas teóricas.

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Segunda, 11 Novembro 2013 16:02

Campus Guarulhos

Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

Bianca Benfatti

Imagem do campus da Unifesp Guarulhos, na área externa em um dia ensolarado

A Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) iniciou suas atividades acadêmicas em 2007 e abriga seis cursos de graduação. A pós-graduação foi implantada a partir de 2009, inicialmente com o programa de Educação e Saúde na Infância e Adolescência. Atualmente oferece outros cinco programas, mestrado em Educação e mestrado e doutorado em Educação e Saúde e em Filosofia. Está em processo de criação também o doutorado em História. 

De acordo com a Câmara de Pós-Graduação da EFLCH, coordenada pelo professor Marcelo Silva de Carvalho, recentemente foi aprovado o mestrado na área de História da Arte pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

O coordenador explica que a criação dos programas de pós-graduação atendeu a demanda. “Os programas não estão vinculados a uma especificidade da região, mas são o desdobramento natural da construção de um corpo docente grande, sólido e consistente, na área de humanas, que é muito extensa. Existem poucas instituições na região que desenvolvem pesquisa em humanas e, por isso, a demanda por vagas é muito grande.” 

O primeiro programa de pós-graduação criado na EFLCH, Educação e Saúde na Infância e Adolescência, é interunidades (ministrado em vários campi). Em conjunto com o Campus São Paulo, é coordenado por Marcos Cezar de Freitas e foi considerado inovador por promover o diálogo interdisciplinar entre Educação e Saúde. Consolidou-se, seguindo a tradição da Unifesp na área de saúde, e hoje oferece mestrado e doutorado. “Os nossos processos seletivos têm recebido centenas de candidatos, o que demostra interesse crescente pela área como um todo e por nosso programa em particular”, avalia o coordenador. O programa forma profissionais capacitados a identificar e estudar problemas crônicos de crianças e adolescentes no âmbito educacional e da saúde. De acordo com Freitas, o retorno obtido é satisfatório, visto que “a produção acadêmica dos orientadores e a produção discente têm sido reconhecidas e citadas no Brasil e no exterior.” 

O programa de pós-graduação em Educação, aprovado pela Capes em 2012, registrou 400 canditatos para 20 vagas na primeira seleção, informa a coordenadora Cláudia Abreu. “A boa qualidade de nosso curso está diretamente relacionada ao bom nível de nossas pesquisas e à formação de nossos professores”, afirma Cláudia.

Já os programas de Filosofia e de Educação e Saúde estão em fase mais avançada de consolidação, oferecendo o doutorado. Juvenal Savian, responsável pelo de Filosofia concorda: “Nosso programa é o segundo de pós-graduação em Filosofia oferecido por uma instituição pública na grande São Paulo, pois até 2009 só havia o da USP.” Além disso, afirma que ele é o único do país e um dos únicos da América Latina a contar com especialistas em filosofia árabe e filosofia judaica, sem falar nos pesquisadores sobre o Renascimento.

Crescimento contínuo 

Os mestrados em História (PPGH) e Ciências Sociais (PPGCS) foram criados há pouco mais de três anos e o doutorado, para ambos programas, está em processo de preparação. “Formar o doutorado imediatamente após início do mestrado nessas áreas é algo muito novo para a pós-graduação no Brasil. Isso mostra o quanto esses programas têm recebido reconhecimento e respaldo”, afirma Marcelo Carvalho.

O programa de História, coordenado por Wilma Costa, é o terceiro de pós-graduação em uma universidade pública na Grande São Paulo, os outros dois estão na USP (História Social e História Econômica). Disponibiliza 17 vagas em cada seleção de estudantes e atualmente está na terceira. Há uma grande procura por parte dos alunos: para a primeira seleção, inscreveram-se 115 candidatos e, para a segunda, 135. “Somos o primeiro programa no Brasil a ter historiografia como foco principal”, afirma. “Nosso objetivo é refletir sobre o ofício do historiador em todas as suas dimensões e a formação de profissionais capazes de ensinar história em espaços não escolares, como museus, arquivos e centros culturais.”

Imagem da biblioteca do campus Guarulhos

Wilma ainda explica que, além das duas linhas de pesquisa já existentes (Poder, Cultura e Saberes; e Instituições, Vida Material e Conflitos), mais uma está em processo de criação, ligada à Memória e Patrimônio Histórico.
Em 2010 foi implantado o mestrado em Ciências Sociais, sob a coordenação de Cynthia Sarti, com perspectivas de apresentar o projeto de doutorado à Capes em 2014. Um dos destaques da produção da primeira turma de alunos da pós é a produção da revista eletrônica Pensata, com três edições já publicadas. O principal objetivo da revista é o de promover o debate entre as três áreas formadoras do PPG-CS (Antropologia, Sociologia e Ciência Política).
O programa adota a perspectiva da interdisciplinariedade na abordagem dos problemas sociais que são o seu objeto. “Dado o seu caráter interdisciplinar, o programa pretende atrair também alunos de outros cursos de graduação de áreas afins, como Comunicação, Direito, Economia, História, Relações Internacionais, Administração Pública, entre outros, além dos graduados em Ciências Sociais”, explica Cynthia.

Produção científica

A produção científica é volumosa, apesar do fato de que os programas foram criados em datas muito recentes. No que desrespeita ao mestrado, as primeiras defesas de dissertações só ocorreram em 2011 e, por enquanto, não há nenhuma tese de doutorado. Isso se reflete no conceito Capes designado a cada um dos programas de pós-graduação. 

Projeções feitas por Carvalho indicam que o número total de alunos, em três anos, deverá atingir algo em torno de 1600 matriculados, somando as áreas atuais mais as que serão criadas nesse período. Ainda de acordo com essa estimativa, em cinco anos o número deverá subir para 2 mil alunos, representando quase 50% do tamanho da graduação. 

Carvalho mostra-se também otimista quanto à possibilidade de captação de recursos para a atividade de pesquisa junto a agências de fomento e órgãos governamentais, como o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a Capes e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). No presente os resultados obtidos são favoráveis.“Captamos um volume razoável de recursos, temos trazido um bom número de bolsas para os programas já consolidados, portanto obtivemos com sucesso esse tipo de financiamento, que é o perfil da área”, finaliza.

Líder em alunado

O primeiro campus dedicado exclusivamente à área de humanas e o segundo no projeto de expansão da Unifesp, o Campus Guarulhos, onde funciona a Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH), foi construído em 2007, em um espaço de 12.907 m², cedido pela prefeitura do município. Atualmente é o maior campus da Unifesp em quantidade de alunos, já que abriga 32% do alunado de graduação da Universidade. Os cursos ministrados no local são os primeiros fora da área da Saúde, sendo inteiramente de Humanidades, com formação em bacharelado ou licenciatura.

Inicialmente, a EFLCH ofereceu Ciências Sociais, Filosofia, História e Pedagogia. Em 2009, novos cursos foram implantados: História da Arte e Letras, com habilitação em Português, Francês ou Inglês. Atualmente possui quase 3 mil alunos e 189 professores. Além dos seis cursos de graduação, outros seis de pós-graduação são oferecidos: Ciências Sociais (mestrado), Educação (mestrado), Educação e Saúde na Infância e Adolescência (mestrado e doutorado), Filosofia (mestrado e doutorado), História (mestrado) e História da Arte (mestrado).

O campus está em processo de ampliação para atender um maior número de alunos, quantidade que não para de crescer. A previsão é que a capacidade da EFLCH aumente para 5 a 6 mil alunos após a conclusão das obras do novo prédio de 20 mil m², que está prevista para acontecer até o final de 2015.

As novas instalações serão destinadas à pesquisa, extensão e ao ensino.

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Segunda, 11 Novembro 2013 15:59

Campus Baixada Santista

Instituto de Saúde e Sociedade

Rosa Donnangelo

Várias imagens de prédios da Unifesp Baixada Santista

Em sentido horário: Unidade Vila Belmiro, Unidade Vila Mathias, Unidade Central e Unidade Ponta da Praia

O programa de pós-graduação do Instituto de Saúde e Sociedade (Campus Baixada Santista) foi implementado em 2010, com o mestrado acadêmico Interdisciplinar em Ciências da Saúde. Dois anos depois, além de ampliar o programa para o nível doutorado – o primeiro na área da saúde da região –, o campus também criou outro mestrado, dessa vez profissional, entitulado Ensino em Ciências da Saúde, o primeiro multicampi, com sede no Centro de Desenvolvimento do Ensino Superior em Saúde (CEDESS) no Campus São Paulo e no Campus Baixada Santista. 

Os dois programas de pós-graduação do campus foram avaliados com o conceito 4 definido pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), mas este não é o principal atrativo para a quantidade de alunos matriculados. Segundo a professora Ana Rojas Acosta, ex-coordenadora da Câmara de Pesquisa de Pós-Graduação da Baixada Santista, um dos critérios para a abertura do programa foi a demanda por pós-graduação, especialmente de profissionais vinculados aos serviços de saúde da região. 

“São profissionais da secretaria de saúde, de postos de atenção básica, especializada e hospitalar, das cidades de Santos, São Vicente, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, e de outras secretarias como a de assistência social, educação e da iniciativa privada”, explica Ana Rojas. “A Unifesp se destaca na região da Baixada Santista em meio a sete faculdades particulares.”

A infraestrutura do campus está se adequando à crescente demanda. O espaço físico destinado à pesquisa está distribuído entre as Unidades I e Central. Na primeira unidade, encontram-se os laboratórios de pesquisa não experimentais e a central abriga os laboratórios experimentais. 

A expansão da Unifesp trouxe melhorias e promoveu o incentivo à pesquisa. O número de programas de pós-graduação aumentou devido à construção dos novos campi e o alunado, de cidades que possuiam na sua maioria universidades particulares, passou a enxergar a Unifesp como meio de se qualificar profissionalmente, com custo zero no que diz respeito à mensalidade, mas com qualidade técnica e produtiva. A pós-graduação, tanto lato sensu como stricto sensu são avaliadas positivamente no mercado de trabalho e a diferença no currículo é verificada por empresas e universidades.  

Interdisciplinaridade

A interdisciplinaridade é um dos diferenciais do Campus Baixada Santista. Antes da inauguração formal do campus, o projeto pedagógico foi estudado e discutido como uma oportunidade de investir na interdisciplinaridade e oferecer alternativas à tradicional grade curricular. Questionada sobre a manutenção desse projeto na pós-graduação, Ana Rojas diz que há um esforço muito grande em manter as equipes interdisciplinares de docentes. “Todas as nossas disciplinas são acompanhadas por no mínimo três docentes de diferentes áreas do conhecimento para garantir a diversidade de pensamento e fortalecer a perspectiva interdisciplinar”, afirma.

Segundo Daniel Araki Ribeiro, responsável pela implantação, em 2010, do programa de pós-graduação Interdisciplinar em Ciências da Saúde, trata-se de formar um profissional apto para a pesquisa científica nesta área. “O impacto do programa de pós-graduação é grande tanto na produção de conhecimento de uma forma mais abrangente quanto na formação de recursos humanos especializados”, afirma. “O alunado conclui  o curso com muitos diferenciais, como ter aprendido a trabalhar em equipe, desenvolver a interdisciplinaridade e superar os limites de um modelo fragmentado e disciplinar na produção de conhecimento científico”. 

Atualmente são mais de 100 alunos matriculados. Segundo Araki, a expansão do curso, tanto no sentido quantitativo quanto qualitativo, demanda melhorias tanto em infraestrutura – principalmente, a instalação de mais laboratórios aptos a atividades de pesquisa científica - como a contratação de servidores técnico-administrativos para apoio logístico.

Programa interunidades

O recém-criado programa de nível mestrado profissional interunidades Ensino em Ciências da Saúde – o único nessa modalidade oferecido pelo campus - é coordenado por Sylvia Helena Batista. O programa, segundo a professora, desenvolve um trabalho histórico no campo das ciências da saúde, pois foi um dos primeiros no país a assumir esta área de concentração. A produção científica é crescente e está sendo publicizada em periódicos nacionais e internacionais. Como resultado, a procura pelo curso está em constante crescimento, tendo de três a quatro candidatos por vaga quando são abertos os editais.

Sylvia Helena explica que o curso oferece aos estudantes a possibilidade de desenvolverem seu trabalho em uma das três linhas de pesquisa: avaliação, currículo, docência e formação em saúde; educação permanente em saúde e educação em saúde na comunidade. “O mestre deve planejar e agir em seu espaço profissional, produzir conhecimentos, refletir e levantar problemas que fazem parte do seu cotidiano”, avalia.

Primeira universidade pública da região

Inaugurado em 2006, o Instituto de Saúde e Sociedade (Campus Baixada Santista) é resultado do processo de expansão da Unifesp, iniciado em 2005. Oferece sete cursos de graduação (Educação Física, Fisioterapia, Bacharelado Interdisciplinar em Ciências do Mar, Nutrição, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional), dois programas de Pós-Graduação stricto sensu (mestrado acadêmico e doutorado Interdisciplinar em Ciências da Saúde e mestrado profissional em Ensino em Ciências da Saúde), um programa de residência multiprofissional e cinco cursos de especialização.

Atualmente o Campus possui quatro unidades – duas na Vila Mathias, sendo uma delas o Edifício Central do campus; uma na Ponta da Praia e outra na Vila Belmiro – que atendem 1.611 alunos de graduação, 253 de pós-graduação e 161 docentes. 

A Unifesp é a primeira universidade pública instalada em Santos, suprindo a demanda de uma cidade que conta com sete universidades particulares. A procura pelos cursos oferecidos no campus vem aumentando a cada ano, principalmente após a adesão ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do Ministério da Educação.

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Segunda, 11 Novembro 2013 15:33

Campus São Paulo

Escola Paulista de Medicina (EPM) e Escola Paulista de Enfermagem (EPE)

Ana Cristina Cocolo

Sendo o mais antigo, originário da Escola Paulista de Medicina (EPM) e da Escola Paulista de Enfermagem (EPE), o Campus São Paulo ainda concentra a maior produção científica da Unifesp.

EntreTeses 01 p31 Unifesp SaoPaulo

Em 2012, foram apresentados mais de 700 trabalhos em congressos e simpósios e 53 artigos publicados em jornais e revistas científicas. Em periódicos indexados (ISI) somam-se mais de 3 mil publicações. No período de 1996 a 2013, o campus depositou no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) 53 pedidos de patentes, 19 marcas e 8 softwares.

Criado em 1994 – quando a EPM deixou de ser uma escola federal (tendo a EPE como Departamento de Enfermagem) e passou a ser universidade –, o Campus São Paulo possui atualmente 35 programas de pós-graduação, em nível mestrado e doutorado, com 2.588 alunos e 750 docentes credenciados como orientadores. Doze destes programas possuem conceitos 6 e 7 atribuídos pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão do Ministério da Educação (MEC) que visa a melhoria da pós-graduação brasileira, por meio de avaliações trienais e promoção da cooperação científica internacional. A maioria dos demais programas do campus se enquadram nos conceitos 4 e 5. A Capes classifica os conceitos superiores a 5 como de elevado padrão de excelência, sendo 7 a nota máxima.

Visando a melhoria da infraestrutura para alavancar ainda mais as pesquisas, o Conselho do Campus São Paulo criou a Comissão de Infraestrura, com duas subdivisões, uma das quais responsável por estudos de revitalização de laboratórios e a racionalidade no uso dos espaços. “Também pretendemos agregar os pesquisadores das duas escolas, por meio de suas câmaras de pesquisa e pós-graduação, com o intuito de planejarmos o futuro e trazermos subsídios para o desenvolvimento do nosso Plano Diretor”, explica Rosana Fiorini Puccini, diretora do campus.

Excelência em Saúde 

Integrando duas unidades universitárias, a Escola Paulista de Medicina e a Escola Paulista de Enfermagem, o Campus São Paulo da Unifesp oferece cinco cursos nas áreas da Medicina, Fonoaudiologia, Enfermagem, Tecnologia em Saúde (Tecnologia Oftálmica, Tecnologia em Radiologia, Tecnologia em Informática em Saúde) e Ciências Biológicas/modalidade médica, além de programas de mestrado, doutorado, pós-doutorado, pesquisa e extensão. Tem como espaço para o ensino, assistência e pesquisa, um dos melhores centros formadores de médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde do país: o Hospital São Paulo (HSP/HU), que foi reconhecido oficialmente como hospital universitário da Unifesp, em 2004, e é responsável pela cobertura de uma área com mais de 5 milhões de habitantes na Grande São Paulo, além de atender pacientes oriundos de outros estados.
O Campus São Paulo possui cerca de 12 mil alunos de graduação, 647 de extensão e se destaca pela vasta produção científica, abrigando os melhores programas de pós-graduação do país. Atualmente possui 95 programas de residência médica – com 1.069 vagas credenciadas, 14 de residência multiprofissional e dois de residência uniprofissional.

Campus São Paulo - EPM e EPE
Programas 35
Cursos de Mestrado Acadêmico 32
Cursos de Mestrado Profissional 3
Cursos de Doutorado 32
Total de Alunos 2588
Alunos de Mestrado Acadêmico 1096
Alunos de Mestrado Profissional 210
Alunos de Doutorado 1282
Total de Docentes - orientadores credenciados 750
Dados de julho 2013
Produção Científica (2012)
Apresentação de Trabalhos em Congressos e Simpósios 765
Artigos publicados em Jornais ou Revistas Científicas 53
Artigos publicados em Periódicos Indexados (ISI) 3041
Cursos de curta duração – Especialização 6
Cursos de curta duração – Extensão 194
Organização de Eventos (congressos, simpósios, outros) 198
Trabalho em Anais – Resumo 1085
Trabalho em Anais - Trabalho Completo 97

 

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Soraya Smaili
Reitora da Unifesp

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ao longo de sua história e desde os tempos da Escola Paulista de Medicina (EPM), dedicou-se às atividades de pesquisa – nas quais sempre se destacou – e ao desenvolvimento dos cursos de pós-graduação. Na segunda metade da última década, a Unifesp partiu para um crescimento de grandes dimensões, no contexto do programa de expansão do MEC. O número de estudantes na graduação foi multiplicado por oito em apenas seis anos – de 1.200 para quase 10 mil. Cerca de 1.400 docentes atuam em diferentes áreas, nos seis campi situados na Grande São Paulo, na Baixada Santista e em São José dos Campos. Por outro lado, houve pouco ou quase nenhum aumento no número de técnicos administrativos. Como resultado, a estrutura ficou deficiente.

Apesar de não receber recursos específicos de custeio para o desenvolvimento da pós-graduação e extensão, a Unifesp enfrentou positivamente o desafio, em especial na pós-graduação. Criamos 16 novos programas credenciados pela Capes, vários deles em áreas nas quais a Unifesp não tinha tradição de pesquisa ou mesmo pesquisadores formados. O número de pós-graduandos stricto sensu (mestrado e doutorado) passou de 2.700 para 3.111 em julho de 2013. Entre os 51 programas oferecidos, além de alguns novos em fase de credenciamento, há 12 classificados em níveis 6 e 7, com forte inserção internacional e potencial de nucleação em outras universidades e institutos em todo o país.

Fotografia da reitora da Unifesp

Soraya Smaili - Reitora da Unifesp

As razões para essa forte expansão, apesar das carências estruturais, devem-se a fatores que incluem a atuação de um corpo docente com praticamente 100% de doutores e cerca de 25% de livre-docentes, o apoio das agências financiadoras e a tradição de pesquisa. O resultado pode ser visto não apenas na ampliação dos programas de pós-graduação ou na elevação do número e da qualidade dos trabalhos publicados, mas também na qualidade dos cursos de graduação que alcançaram posição de destaque em recentes “rankeamentos”. Esse conjunto de fatores certamente explica por que um curso de graduação atinge avaliação de alto nível, apesar de não ter infraestrutura – de laboratórios ou quadras de esporte – adequada ao desenvolvimento das atividades.

Durante o programa de expansão da graduação, verificamos que o MEC concedeu apoio para bolsas de pós-graduação e algumas linhas de fomento para aquisição de equipamentos. No entanto, a acelerada ampliação do sistema não contou com recursos específicos para custeio, programas de desenvolvimento de infraestrutura e concursos de servidores técnico-administrativos. Com efeito, são insuficientes os espaços adequados à pesquisa e ao convívio e discussão, elementos tão necessários para a criação do ambiente acadêmico.

Por outro lado, há muito o que celebrar pelas conquistas, boa parte das quais deve ser creditada ao corpo docente, técnico e discente altamente qualificado, que pressionou o sistema a dar continuidade à atividade universitária. Ao mesmo tempo, nos perguntamos quanto tempo essa ação, baseada no limite das condições de trabalho, poderá resistir sem que haja consequências para a criatividade, a produção e a troca de conhecimento e de saberes.

É momento, pois, de clamar por mais investimentos, não só para a consolidação da expansão, mas principalmente para a modelagem de uma instituição que permita o debate acadêmico, ofereça condições adequadas de trabalho e assegure um ambiente que possibilite a livre interação e a formação permanente. Para isso, serão necessários laboratórios, espaços físicos, equipamentos, custeio para pesquisa e, principalmente, recursos humanos altamente qualificados para o trabalho técnico-administrativo.

Queremos convocar especialmente a sociedade a formar uma frente de atuação pela universidade pública, reunindo, no caso, todas as demais universidades federais e suas entidades representativas, como a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições do Ensino Superior (Andifes). Também queremos envolver as agências financiadoras, sociedades científicas e os Poderes Executivo e Legislativo, por meio de seus representantes, todos engajados na melhoria da educação em nosso país. Queremos, de fato, incluir a sociedade brasileira e sensibilizar nossos governantes. Sabemos que a caminhada é longa e deve ser impulsionada por todos os que desejam o desenvolvimento das instituições universitárias e reconheçam seu valor estratégico para a nação e seu povo. A Unifesp, por sua trajetória de serviços prestados à coletividade, saberá cumprir o seu papel neste cenário.

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Segunda, 11 Novembro 2013 15:15

Editorial

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo

Com o crescimento da Unifesp – que aceitou o desafio de não mais se limitar à área de Ciências da Saúde para se tornar universidade plena – , surgiu a necessidade de um espaço no qual pessoas de diferentes áreas pudessem se conhecer, partilhando informações e experiências. Nesse contexto foi pensada a revista Entreteses.

Muito mais do que apenas um veículo para divulgação de informação, Entreteses pode ser vista como um ponto de encontro – como antigos cafés nos quais os cientistas e filósofos de séculos passados se encontravam para discutir ciência, filosofia, ética e política. Assim, esta revista pode abrir muitas possibilidades de interação e integração entre os estudantes, docentes e funcionários.

Para realizar plenamente seu potencial, Entreteses não poderá limitar-se à condição de veículo impresso. Por essa razão, lançaremos também sua versão virtual, com inserção nas redes sociais. Isso constituirá um grande desafio para todos nós, que direta ou indiretamente assumimos a tarefa de construí-la. Este é um desafio necessário, por vários motivos.

Além de permitir que a própria comunidade Unifesp se conheça, a revista será uma de nossas portas para o mundo externo. Ela facilitará o cumprimento de uma missão essencial da universidade pública: entregar à sociedade o produto dos recursos nela investidos.

De que adiantariam pesquisas de circulação restrita, cujas conclusões só seriam conhecidas por aqueles que estão nela envolvidos ou pelos especialistas da área? É essencial que o conhecimento científico, traduzido em linguagem acessível, seja transmitido à sociedade. Entretanto, partilhar o conhecimento não basta. Sua integração com outros saberes é fundamental para o progresso de qualquer área. Não é à toa que “interdisciplinaridade” tem surgido como tema central em discussões nas mais diversas áreas.

Ao aumentar a visibilidade da Unifesp, no âmbito doméstico e internacional, a revista também funcionará como meio facilitador para a criação de redes multicêntricas de pesquisa, de parcerias, visando à inovação e aplicação prática do conhecimento e do nosso processo de internacionalização.

Um dos grandes desafios apresentados à comunidade universitária na segunda década deste século é determinar a relevância das informações dentre os bilhões de dados disponíveis, em tempo real e na ponta dos dedos. Para isso, é preciso estabelecer parâmetros que permitam avaliar a qualidade, veracidade e importância de tais dados.

Entreteses se propõe também a isto: contribuir para o desenvolvimento do senso crítico e fazer pensar, que é sem dúvida a principal função da universidade. Acrescente-se que, em todos os aspectos de sua atuação – ensino, pesquisa e extensão –, a avaliação deve estar presente. Avaliação não é meramente um método, mas uma atitude de constante reflexão e questionamento sobre o que está sendo realizado. Isto permite gerar mais informação, possibilitando o surgimento de novos horizontes e a correção de rumos.

A revista pretende estimular os pesquisadores de diversas áreas a apresentarem os seus principais resultados, de forma crítica e contextualizada, abrindo as portas dos laboratórios e bibliotecas para a própria Unifesp e para a sociedade. Discutindo as entrelinhas da pesquisa, Entreteses se tornará também uma ferramenta de comunicação essencial para que debatamos não só os aspectos metodológicos, mas principalmente as facetas éticas e políticas da pesquisa no Brasil e no mundo.

A Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, em parceria com o Departamento de Comunicação Institucional e com a Reitoria da Unifesp, celebra o lançamento do primeiro número desta revista, dedicado de forma especial à pós-graduação.

Publicado em Edição 01
Segunda, 11 Novembro 2013 15:10

Transformando a prática profissional

A procura pelo mestrado profissional cresce no país e lapida a formação do especialista para o mercado de trabalho

Rosa Donnangelo

A comunidade científica universitária começou a se formar no Brasil entre os anos de 1920-1940. Dando impulso a esse processo, em 11 de abril de 1931, o governo federal promulgou o Decreto 19.581, que estabelecia o Estatuto das Universidades Brasileiras, conferindo à pós-graduação uma feição inspirada no modelo europeu. A consolidação do perfil dos cursos de pós-graduação seria realizada apenas três décadas depois, nos anos 1960. O mestrado profissional seria implantado pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) apenas em 1998 e, quinze anos depois, exibe sinais de transformação e desenvolvimento, cooperando para o avanço da pesquisa no país.

No Plano Nacional de Pós-Graduação para o período 2011-2020, a Capes previa aumento de 35% no número de programas de mestrado profissional entre 2011 e 2013. Atualmente há 3.653 programas e cursos de pós-graduação em vigor no país, sendo 544 o número de mestrados profissionais. Segundo o órgão, os investimentos diretos na pós-graduação, em 2010, somando bolsas e ações de fomento proporcionadas pela Capes/MEC, CNPq/MCTI e fundações de apoio (FAPs) foram de R$ 4.506.313.478,00.

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O mestrado profissional contribui para aprimorar a prática profissional

Nildo Alves Batista, docente do Centro de Desenvolvimento do Ensino Superior em Saúde (CEDESS/Unifesp), acredita que em algumas áreas do conhecimento o número de programas de mestrado profissional (MP) já é maior que o de programas de mestrado acadêmico, dado o fato de que hoje não existem mais questionamentos sobre o diferencial dessa modalidade de pós-graduação. “O mestrado profissional tem mostrado cada vez mais a que veio e é muito mais voltado para o mercado de trabalho que o mestrado acadêmico. O Brasil tem caminhado muito no que diz respeito à pesquisa, de forma geral, e é claro que o mestrado profissional tem sua participação nisso.”

O mestrado profissional é uma modalidade da pós-graduação stricto sensu voltada às pessoas que já estão inseridas no mercado de trabalho e procuram problematizar sua prática utilizando-se do método científico. O mestrado acadêmico, por outro lado, é indicado para os alunos que querem seguir a carreira como pesquisadores ou docentes. O objeto de pesquisa é diferenciado, mas o título de mestre é garantido nos dois casos. “No mestrado acadêmico o estudante geralmente pesquisa o que o programa de pós-graduação oferece. No profissional o objeto de pesquisa emerge da prática”, comenta Batista.

O respaldo que os mestrandos adquirem durante a formação no MP garante a aquisição de competências para propor transformações na execução de seu trabalho. “Deve-se levar em consideração o impacto social imediato que o MP oferece, uma vez que transforma o ambiente de trabalho do mestrando”, afirma Batista. “Áreas como a de Administração, que exigem uma intensa atuação prática, são mais congruentes com o MP”.

O mercado de trabalho atual exige qualificação e a pós-graduação, tanto em nível de mestrado quanto de doutorado, é bastante positiva. “O Brasil tem mostrado uma evolução crescente na pesquisa, e nesse ponto a Unifesp é referência. O mestrado profissional contribui para esse processo, através da pesquisa, impactando a prática. Eu pesquiso, conheço melhor e, conhecendo melhor, consigo transformar”, finaliza Batista.

Publicado em Edição 01
Segunda, 11 Novembro 2013 15:01

Helena Nader

“Não há limites para o que podemos fazer”, ensina a professora titular da Unifesp que tem dedicado a vida à ciência, à pesquisa e ao Brasil

Flavia Kassinoff

Reeleita, em 2013, à presidência da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC); professora Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pesquisadora nível 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e condecorada com a Ordem Nacional do Mérito Científico. A professora Helena Bonciani Nader acumula prêmios e reconhecimento por toda uma vida dedicada à pesquisa e à ciência.

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Sua intensa carreira acadêmica ganhou impulso em 1967 quando, ao voltar dos Estados Unidos – onde cursou o último ano do antigo colegial (atual ensino médio) –, ingressou no curso de Ciências Biológica/modalidade médica na Unifesp. “Voltei ao Brasil e entrei nessa instituição, onde fui contaminada irreversivelmente pelo vírus da pesquisa e da ciência. Não há vacina, nem medicação”, conta Helena.

Quatro anos depois, já graduada, começou a se envolver com a pesquisa para a pós-graduação. Conheceu, então, seu professor e orientador, Carl Von Peter Dietrich, que posteriormente se tornaria seu marido, um companheiro de vida e de profissão. Os dois tiveram uma filha, Júlia, que atualmente trabalha com pesquisa na área de educação.

Professora titular da Unifesp desde 1989, Helena mantém com a universidade uma relação que combina, de forma intensa, compromisso profissional e afeto. O vínculo é tão forte que provoca o ciúme da filha Júlia, para quem a Escola Paulista de Medicina ocupa o lugar de irmã mais velha.

Na avaliação da própria professora, a vida dedicada à pesquisa cobrou seu preço, em termos de realizações pessoais: “Deixei de tirar algumas férias. Deixei de fazer algumas viagens. Mas se pudesse fazer tudo de novo, faria sem pestanejar. Eu não me arrependo.”

Um traço característico de sua carreira foi, desde os anos de juventude, a rejeição à ideia de que há um muro, uma barreira entre ciência e sociedade. A militância política, sempre em defesa do desenvolvimento da ciência e da tecnologia na perspectiva dos interesses nacionais, levou-a a filiar-se à SBPC, em 1969. Na condição de associada à entidade, participou da resistência à ditadura militar, implantada no país em 1964. Atualmente, como presidente da sociedade, continua firme em suas propostas e defende com afinco a ciência e a educação de qualidade.

Durante a vida, Helena teve várias oportunidades de estudar e realizar pesquisas fora do país. Sempre optou por permanecer no Brasil, e hoje se orgulha disso. “Talvez lá fora eu fosse mais uma. Aqui eu pude ajudar a construir algo significativo.”

Com a agenda cheia de compromissos – com a academia e com a presidência da SBPC –, a professora afirma ser hoje difícil encontrar tempo para desenvolver atividades criativas na vida pessoal, das quais tanto gosta. Isso inclui a culinária, atividade que pratica sem seguir “receitinhas”, pois gosta de inovar. “A cozinha é um grande laboratório. Adoro experimentar novos temperos, ver no que dá.” Antes cozinhava com mais frequência, “quando Pedro (como chamava Dietrich) era vivo.”

Com uma carreira invejável e as posições importantíssimas que ocupa, não perde a simplicidade e a honestidade nas falas e no modo de ser. Diz que chegou aonde chegou por ser privilegiada pela família e pelos professores que teve, e sempre divide o mérito de suas conquistas com eles. “Meus pais me ensinaram que devemos buscar tudo que almejamos com ética e que não há limites para o que nós podemos fazer. E isso é verdade, nós é que colocamos nosso próprio limite”, conclui Helena.

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Entreteses - Qual a sua avaliação sobre a pesquisa no Brasil hoje e quais foram os principais avanços nesse setor?
Helena Nader - A pesquisa no Brasil avançou muito. Na década de 70, nós éramos realmente periféricos. Havia pouca ciência, embora de boa qualidade, porém em um número baixo. Hoje, nós estamos, segundo informação que tive, na 14ª posição no ranking mundial de produção científica. Estávamos em 13ª, porém foram computados alguns resumos de congresso, e a Holanda nos ultrapassou.  Mas, em termos de ranking mundial, estamos muito bem. É importante situar que a pesquisa institucionalizada no Brasil é recente. Ela começa na universidade, com a carreira docente deixando de ser algo esporádico e quando se cria a dedicação exclusiva. Isso faz diferença no impacto da ciência. A nossa ciência tem início no final do século XIX, em institutos, quando não havia universidades. A primeira é da década de 20 e, portanto, essa instituição não tem nem cem anos. Se compararmos com a Europa, onde as instituições de ensino mais novas têm quinhentos anos, onde há universidades de quase mil anos de existência, é fantástico ver aonde chegamos. Eu vejo a pesquisa no Brasil crescendo para patamares cada vez melhores. A qualidade da produção científica pode ser aferida pelo número de citações e pelo impacto das revistas onde os trabalhos são publicados. Então, de 70 para cá houve uma evolução, não só no número, mas também nos periódicos em que o Brasil passa a publicar. Isso prova que a ciência feita aqui tem mérito, tem qualidade. Agora, o Brasil “corre atrás” porque o resto do mundo não está parado. A China está crescendo bastante em produção científica e optou por construir universidades internacionais, algumas fortemente centradas em produção de ciência. Esse país tem uma vantagem com relação a nós porque investiu pesado em educação básica.  Outra coisa é que os chineses hoje falam inglês. Nós ainda possuímos uma dificuldade nessa língua. Mas se o Brasil quiser, e isso é uma opção de nação, insisto nisso, ocupar o ranking mundial de ciência, fazer parte de um clube restrito, tem que passar a investir nisso. E também tem que mudar a legislação, porque hoje o maior gargalo para o pesquisador brasileiro é a lei vigente.

E. - Como presidente da SBPC, a senhora defende a proposta de destinação de parte dos royalties do petróleo para ciência e tecnologia.  O projeto de lei aprovado pela presidente Dilma destina a maior parte dos royalties para educação. Como nós sabemos, educação e ciência são duas áreas complementares, mas no momento atual do país qual área carece de maior investimento?
H. N. - As duas. Educação básica não é só investimento financeiro, mas também o acompanhamento de um projeto real por parte do governo. A área da educação básica é um gargalo total. No Brasil aconteceu o seguinte: na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, começou-se a matricular obrigatoriamente toda criança na escola. Esse projeto iniciou-se naquela época com um ministro que propôs a descentralização de verbas para educação básica. Porém, com isso ele deixou a universidade à míngua. Foi péssimo. Então, não adianta apenas investir em um setor para depois investir em outro. É uma cadeia de investimentos. A proposta da SBPC, com relação aos royalties do petróleo, é dedicar 70% ao ensino básico, 20% para ao ensino universitário e 10% à ciência e tecnologia.  O governo mudou e colocou 75% para a educação e 25% para a saúde. Então, o que estamos sugerindo é que destes 75% se faça essa repartição. Porque sem ciência e tecnologia não há inovação. O governo do presidente Lula e o da presidente Dilma primam pela inclusão. A expansão do Bolsa Família foi dramática, no sentido de trazer uma população que não tinha capacidade de compra para a sociedade de consumo.  Isso significa que é preciso ter produto para essas pessoas. E esse produto, essa tecnologia, só será gerado com a ciência, ou continuaremos importando pacotes. O Brasil precisa decidir o que quer. Se quer de fato pautar a economia mundial, precisa fazer ciência. Porque sem ciência, não há tecnologia nem inovação.

E. - O que falta para o país avançar nesse sentido?
H. N. - São muitas coisas. Faltam leis, não no sentido de banalizar a legislação e a fiscalização da ciência. A fiscalização é muito importante, porém, não pode travar todo o resto do processo. Veja o caso da Unifesp: tivemos que devolver dinheiro à Finep e à Capes, pois a legislação inviabilizou o gasto. Então, uma instituição que faz ciência de qualidade e precisa devolver recursos,  porque a legislação representou uma barreira, está no caminho errado.  Temos uma legislação muito arcaica. A lei nº 8.666 (lei das licitações) não é adequada para quem faz pesquisa. O pregão pode até servir para comprar caneta, papel, mas não serve para comprar reagente para pesquisa, por exemplo. São esses impasses que estamos tentando mostrar ao Ministério Público e à Procuradoria Geral da União. Estamos conseguindo dialogar. Outro debate do qual venho participando bastante refere-se à instituição do RDC (regime diferenciado de contratações) para ciência e tecnologia, como foi feito para a Copa do Mundo e Olimpíadas. Se foi feito para construir estádios, por que não pode ser feito para educação e ciência? Agora, na minha visão (tenho insistido nesse aspecto e talvez seja por isso que cheguei a esse cargo na SBPC) educação e C&T são programas de Estado e não programas de governo.  Independente de qual partido esteja no poder, esses programas devem continuar.

E. - E como o governo atual está tratando a questão da ciência?
H. N. - No primeiro ano de gestão, a presidente Dilma fez alguns cortes em ciência e tecnologia e nós questionamos. Agora, ela decretou que ciência e tecnologia são prioridades em seu governo. Tanto é que criou um projeto gigantesco, denominado Ciência sem Fronteiras para enviar estudantes de todos os níveis, do ensino médio, graduação, pós-graduação e pós-doutorado, para estudar no exterior. É um programa fantástico, mas infelizmente a mídia só ressalta o lado negativo. Todo projeto está sujeito a acertos e erros, mas, nesse caso o balanço para o lado positivo é muitas vezes maior do que o lado negativo. O projeto foi muito criticado por não englobar as ciências humanas e sociais, mas bolsas de estudos para essas áreas já existem. É um projeto com começo, meio e fim, feito para quatro anos. Neste ano atingirá 50 mil bolsas. Na SBPC fiz uma reunião trazendo estudantes de diferentes regiões do Brasil, que voltaram da graduação e da pós, em diferentes áreas. Foi fantástico, estava lotado, havia gente sentada no chão. É incrível ver os depoimentos desses jovens, principalmente os de graduação, que têm uma experiência bem diferente no exterior. A graduação brasileira é muito arcaica. O sistema de graduação não se atualizou, continuou o mesmo desde o século XIX. Não tem flexibilidade. Então, temos que nos posicionar dentro de um mundo que hoje é globalizado, e isso está acontecendo. Esses jovens vão chegar trazendo ideias para o país.

E. - Como a senhora avalia a produção científica da Unifesp atualmente e qual é seu impacto dentro e fora do país?
H. N. - A produção científica é muito boa. Recentemente foi lançado um livro intitulado A pós-graduação e a evolução da produção científica brasileira, que provém de uma tese de Elenara Almeida, sob a orientação de Jorge Almeida Guimarães (presidente da Capes). No levantamento efetuado, dois pesquisadores da instituição ocupam o primeiro e o segundo lugar no ranking de publicações científicas entre 2000 e 2009 no país. Então, nós estamos “muito bem na foto”, vamos dizer assim. Mas isso é porque temos uma tradição, e essa tradição não se pode perder. A Unifesp, que hoje tem praticamente todas as áreas do conhecimento, começou como uma escola de Medicina privada, mas desde sempre acreditou na ciência. Os professores José Leal Prado e José Ribeiro do Valle, faziam pesquisa no porão do Hospital São Paulo, no segundo subsolo. E aquilo foi contaminando o ambiente acadêmico. Então, o diferencial do estudante da Escola Paulista de Medicina era o envolvimento com a pesquisa. Depois, foi criada a universidade e outros programas de pós foram inaugurados. É óbvio que os programas mais recentes demoram um tempo para se firmar. Não se pode esperar programas com nota 7 nos campi que ainda não têm dez anos de existência. É paulatino. Mas foram contratados professores altamente qualificados para coordenar esses cursos. Essa foi outra matéria pela qual nós brigamos na SPBC, quando o governo propôs uma lei que tirava a obrigatoriedade do doutorado para ser docente de universidade federal. Nós aqui estamos contratando só pós-doutores. A ideia da lei ia na contramão, mas a SBPC reverteu isso. Nossa pós-graduação é muito boa. Alguns programas têm avaliação média, com notas 3 e 4, outros têm nota 5 e há os de excelência, com notas 6 e 7, atribuídas pela Capes. A ciência que é produzida na instituição é reconhecida internacionalmente.

E. - E a senhora acompanhou pessoalmente a história da pós-graduação na universidade...
H. N. - Sim, eu pertenci às primeiras turmas. O programa de pós começou em 1970, defendi o doutorado em dezembro de 1974. Quem criou esse programa foi meu esposo, já falecido, professor Dietrich. Ele criou a pós-graduação com todas as regras e, depois do programa de Biologia Molecular, nasceram os outros. Surgiram os de áreas clínicas, o de Microbiologia e Imunologia, entre outros. Mas o primeiro foi o de Biologia Molecular. E o primeiro doutor em Bioquímica foi Jorge Almeida Guimarães, que hoje é o presidente da Capes.

E. - Como está a participação das mulheres no setor da pesquisa? É uma participação expressiva? Aumentou nos últimos anos?
H. N. - As feministas não vão gostar muito. Por um lado, a participação das mulheres na universidade representa maioria absoluta, já ultrapassou a dos homens. Mesmo nas engenharias, elas também os estão alcançando. Porém, o que ainda não há é um número elevado de mulheres em posições de comando. Na universidade, inclusive, são as que menos desistem dos cursos. A evasão masculina é muito maior que a evasão feminina. Isso é um dado. Na pós-graduação, há muitas mulheres, mas nos cargos de comando e de chefia elas são minoria. Isso é uma situação que precisa ser revertida, mas leva tempo. Os índices brasileiros são melhores que os norte-americanos. Na Academia Brasileira de Ciências, a participação de mulheres está por volta dos 15%. Na instituição americana é de 9%. Mas ainda estamos aquém do ideal. Acho que as mulheres têm de ir à luta, porque ninguém irá trazer essa conquista numa bandeja. Acredito sinceramente que a adoção de cotas não seria bom. Sou a favor de ações afirmativas. Quando pró-reitora de graduação, criei o programa da Unifesp de ações afirmativas, para negros e índios, oriundos de escola pública. Era um programa incrível. Não sou contra as cotas, mas creio que para nós, mulheres, chegarmos aos cargos de chefia, não terá que ser por esse caminho. Temos que lutar e mudar esse paradigma.

E. - A senhora é a terceira mulher que ocupa a presidência da SBPC. Durante sua trajetória profissional, chegou a deparar-se com alguma situação na qual teve que lidar com o machismo?
Nader - Não senti essa discriminação. Agora, sou privilegiada pela família que tive, pela EPM, pelos meus professores, que sempre me colocaram que podia fazer o que quisesse, era só me dedicar a determinado objetivo. Talvez por isso não tenha sentido.

E. - Como foi citada a questão das cotas, gostaria de saber qual modelo a senhora avalia como ideal?
H. N. - Eu vejo da seguinte forma: o que foi implantado no Brasil, foi de cima para baixo, sem uma análise de todos os projetos que já estavam em andamento no país. Como se as universidades federais estivessem isoladas em um “castelinho”, não vendo o problema da inclusão pela renda e pela cor. Que há necessidade de garantir cotas pela questão da cor, não há dúvidas. O Brasil foi o último a libertar seus escravos e nunca admitiu isso. Mas destinar 50% das vagas a alunos específicos não é a resposta. Porque varia, depende muito do ambiente onde a universidade está inserida. Esperava que o governo tivesse acompanhado os projetos que estavam sendo avaliados. Houve resultados incríveis. Nós, aqui na Unifesp, não tivemos nenhum problema na implantação das ações afirmativas. E fomos a primeira em nível federal.

E. - Já que estamos falando de ações do governo, temos atualmente a questão do programa Mais Médicos que está causando uma polêmica na comunidade médica...
H. N. - Eu até já escrevi sobre isso – o texto foi publicado no Correio Braziliense. A SBPC já se posicionou contrária, porque passou por cima de todo um contingente de pessoas dedicadas ao estudo de como deve ser a graduação de Medicina. O tema não foi discutido. É um absurdo total. Porque existe a Associação Brasileira de Educação Médica, extremamente ativa, e o sindicato, que não foram consultados. Mas o mais sério é o fato de o Conselho Nacional de Educação, que é o responsável por pensar a graduação, também não ter sido consultado. Então temos um problema grande.

E. - Ainda com relação a questões polêmicas, há tempos existe o debate sobre certas tendências religiosas que visam impedir o ensino do evolucionismo e promover o ensino do criacionismo nas escolas. Qual é a sua posição?
H. N. - Não é polêmica, não. A SPBC tem uma posição bem clara a respeito. Religião é religião, e ciência é ciência. A ciência não vai interferir na religião, mas a religião não pode interferir na ciência. Cada indivíduo tem em seu foro íntimo, a religião ou a não religião que vai seguir. Agora, o que não pode ocorrer é a religião intervir no dado científico. Criacionismo, nós somos frontalmente contra. Com relação a isso, o Brasil é um país laico. Sendo um país laico, o ensino da religião teria que ser optativo, e deveriam ser oferecidas aulas para todas as religiões. Por que não entrariam, por exemplo, as religiões africanas? Não se pode privilegiar um grupo em detrimento do outro. Mas a religião tentar escrever a história da ciência, isso não é permitido. A religião existe de per si e depende de uma crença. A ciência não é fé, não é crença, são dados. Não dá para negar a evolução. Criacionismo não é aceito. Essa é uma posição muito clara.

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Segunda, 11 Novembro 2013 14:48

Expediente - Edição 01

Expediente
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Segunda, 11 Novembro 2013 13:18

Apresentação

José Arbex Jr.
Editor

“Divulgar” significa tornar algo conhecido do público. A palavra é formada pela partícula latina dis (indicativa de movimento em sentidos diversos, de dispersão) e pelo verbo vulgare (que significa “espalhar”, “publicar”), segundo informa o professor e tradutor Gabriel Perissé. “Divulgação científica” significa, portanto, uma atividade que tem por objetivo tornar conhecido do público aquilo que se produz em termos de pesquisa e ciência.

Dito dessa forma, elaborar uma revista de divulgação científica aparenta ser uma tarefa simples: bastaria compilar e dar publicidade a tudo o que é produzido por determinada instituição (uma universidade, por exemplo, ou um laboratório). Mas o problema começa quando se considera que a mera atividade de “espalhar” a informação científica não coincide, necessariamente, com torná-la acessível a um público leigo, ao vulgo.

Se a ciência existe e é necessária apenas por não haver transparência entre fenômeno e essência (é preciso desvendar e explicar a relação entre ambos), por outro lado o próprio texto científico apresenta-se, não raro, como enunciado hermético aos “não iniciados”. Para divulgar ciência não basta, por isso, simplesmente publicar um texto científico. É necessário assegurar que ele porte condições mínimas de legibilidade. É aí que se encontra o desafio: como divulgar um texto científico sem abandonar a informação exata e o rigor metodológico?

Sem pretender, no espaço de um editorial, discorrer sobre um tema tão complexo, partimos do pressuposto geral de que a legibilidade de um texto – qualquer que seja o seu conteúdo – só pode ocorrer como uma construção, como um compromisso estabelecido entre autor e leitor, no sentido de buscar a objetividade que deve dar base à pesquisa. Apenas por meio de um processo contínuo de reflexão crítica, ancorado na avaliação dos inevitáveis erros e apreciação correta dos acertos, uma revista de divulgação científica pode atingir o tom adequado, a qualidade do registro necessária e suficiente para, de fato, comunicar algo ao seu público.

Caso se pretenda estabelecer um processo genuinamente democrático, é, portanto, necessário que a revista se abra às observações críticas dos leitores. A divulgação científica, nessa perspectiva, não é e não pode ser entendida como o simples “espalhamento” de um enunciado definitivo, elaborado por um autor que detém o suposto saber e endereçado a um público percebido como mero “receptor”. O melhor sinônimo para “divulgação”, no caso, é “interlocução”.

Em outros termos, a nossa revista será bem-sucedida se conseguir provar-se motor e veículo de um debate sobre a produção científica, tanto a realizada no âmbito da própria Unifesp quanto a que se desenvolve no panorama nacional e mundial. Temos pela frente um longo caminho para sedimentar esse processo. Caso logremos êxito, teremos contribuído para construir uma identidade universitária própria à Unifesp; o fracasso redundará apenas em mais uma publicação que divulga dados em profusão, sem um claro sentido social. Vamos enfrentar o desafio.

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