Segunda, 02 Junho 2014 15:22

Radiação na medida certa

Mais compacto e baratos. Essas são algumas das vantagens do equipamento e  dos dosímetros desenvolvidos por pesquisadores da Unifesp.

Ana Cristina Cocolo

Fotogria do equipamento em operação

Um grupo de pesquisadores do Departamento de Ciências do Mar do Instituto de Saúde e Sociedade da Unifesp – Campus Baixada Santista – desenvolveu um novo equipamento, simples e portátil, que possibilita a leitura das porções de radiação acumuladas em dosímetros ou em sedimentos (quartzo feldspato) usando a técnica de Luminescência Opticamente Estimulada (LOE). A tecnologia utilizada é totalmente nacional.

A LOE é utilizada tanto na medicina – para monitorar a dose de radiação a qual pacientes, profissionais da saúde e da educação podem receber em sessões de radioterapias, centros de radiodiagnósticos e de pesquisas – quanto na arqueogeocronologia. Essa é a ciência que utiliza um conjunto de métodos de datação usados para determinar a idade de cerâmicas arqueológicas, rochas, fósseis, sedimentos e os diferentes eventos da história da Terra. O princípio físico do método baseia-se no fato de que a intensidade da luz emitida pelos dosímetros é proporcional à porção de exposição à radiação.

O novo equipamento de leitura de dosímetro – projetado pelos físicos Sonia Hatsue Tatumi e Juan Carlos Ramirez Mittani e pelo tecnólogo em mecânica de processos de produção, Márcio Yee – utiliza a Luminescência Opticamente Estimulada (LOE) emitida após impulso com comprimento de onda apropriado (470 ou 532nm) a partir de LEDs. É mais compacto e utiliza um aparato eletrônico mais simples que os atualmente disponíveis no mercado, que necessitam de um controle eletrônico de aquecimento (técnica de termoluminescência). “Nosso equipamento ilumina ao invés de aquecer. É um processo mais moderno, eficiente e barato”, afirma Sonia. “O sistema de aquecimento exige um aparelho bem maior, depende de partes eletrônicas caras e de mais tempo para a leitura e análise”.

O preço final do equipamento também chama atenção. Os equipamentos modernos de termoluninescência, de acordo com Mittani, custam, em média, R$ 500 mil no mercado internacional. O desenvolvido na Unifesp chegará ao mercado por um valor 25 vezes menor: R$ 20 mil.

Já os dosímetros confeccionados pelo grupo – que antes necessitavam ser importados –, têm alta sensibilidade, resposta linear independente da energia de radiação, podem ser reutilizáveis e custam 50% menos. Também podem ser produzidos conforme os diferentes usos e tipos de radiações. Esses dispositivos são fabricados em materiais cerâmicos constituídos de policristais de Óxido de Alumínio (Al2O3),  Tetraborato de Magnésio (MgB4O7) e  Óxido de Magnésio (MgO), dopados com terras-raras e semimetais.

O grupo tem estudado estes materiais e descobriu que são formados por nanocristais, constituídos por dopantes, que se localizam na superfície dos grãos das matrizes. Grande parte da LOE emitida por esses materiais advém dos nanocristais.

O projeto, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), culminou em depósito de patente no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). O processo de registro na Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) está em fase de elaboração e o patrocínio para produção em escala industrial e comercialização no país deve ocorrer ainda este ano, de acordo com os pesquisadores.

Dosímetro - equipamento LOE

(luminescência opticamente estimulada)

Desenho esquemático do dosímetro
Fotografia de um dosimetro

Esquema do pequeno equipamento LOE. No processo de medida, a amostra previamente irradiada é colocada dentro da câmara que se encontra vedada a luz externa. O sistema de estimulação óptica (LEDs) e o sistema de detecção (fotomultiplicadora PMT) são acionados simultaneamente através do computador. A luminescência da amostra (produto da estimulação óptica) que atinge o PMT é registrada pelo contador de fótons e reproduzida em um gráfico da intensidade luminescente (número de fótons) em função do tempo, realizado no software do computador.

 

Fim do descarte de radiografias

Fotografias dos pesquisadores - Sonia, Márcio e Juan Carlos

Os autores da pesquisa, Sonia Hatsue Tatumi e, ao lado do equipamento projetado, Márcio Yee e Juan Carlos Ramirez. Todos são professores do Campus Baixada Santista.

Algumas caixas coloridas com os dosímentros

Os novos dosímetros desenvolvidos pelos pesquisadores podem ser reutilizáveis e custam 50% menos.

Uma fotografia de uma área externa, onde pesquisadores colhem amostras de solo

A dosimetria na arqueologia indica a idade de fósseis e a flutuação do nível de rios e mares por meio da análise da radiação em sedimentos de colúvios, dunas e terraços marinhos.

Mittani explica que outras aplicações para os dosímetros estão em fase de testes. Uma delas é a utilização deles em chapas de
raios-x. “Hoje, os filmes revelados comumente usados nas radiografias são descartados e nada sustentáveis ao meio ambiente, pois não podem ser jogados com o lixo comum, já que há materiais tóxicos que contaminam o solo e a água”, diz. “Pretendemos criar filmes dosimétricos, os quais, após serem expostos ao raio-x nos pacientes, serão estimulados com luz para a obtenção da informação (imagem)”.

As vantagens do uso deste tipo de filme é que a informação fica armazenada no computador e os filmes podem ser reutilizados muitas vezes sem perder resolução de imagem.

Dosimetria in vivo

Também é estudada a aplicação na radioterapia, especificamente para monitorar e saber a dose de radiação instantânea que se está aplicando em um paciente em tratamento contra câncer. “Estamos desenvolvendo dosímetro de tamanho miniaturizado (µm), o qual será acoplado em uma fibra óptica muito fina e introduzido no corpo do paciente até a região onde se encontra o câncer, antes do início da sessão de radioterapia”, afirma. “Esse dosímetro medirá a quantidade de radiação exata necessária ao paciente e será de grande importância, já que permitirá controlar o tratamento de maneira a minimizar os danos a tecidos próximos e sadios”.

Técnica pioneira no Brasil

De acordo com a física Sonia Tatumi, o uso da LOE na dosimetria teve início nos anos 1980, com a determinação da dose de radiação acumulada em minerais de quartzo e feldspato na datação de sedimentos na geologia e de fósseis na arqueologia, utilizando a luz de um laser de argônio.

No Brasil, a técnica foi introduzida de forma pioneira, em 2003, por um grupo de pesquisadores da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP), liderado por Sonia, com a participação de Márcio Yee. Foi feita a indicação da idade de sedimentos de colúvios – solos compostos por minerais, principalmente de quartzo –, dunas e terraços marinhos em quase todo o litoral brasileiro.

Em 2013, quando ambos já eram professores da Unifesp, esse trabalho foi realizado em terraços fluviais dos rios Negro, Amazonas e Madeira, que banham os estados do Amazonas e Rondônia. “Quanto maior a intensidade da luz emitida pelo sedimento dos terraços, maior o tempo de deposição do mesmo”, explica a pesquisadora. “Dessa forma, os geólogos têm como comparar a idade com a altura das amostras de sedimentos recolhidas para estudar a flutuação do nível dos rios.”

Atualmente, o grupo colabora com pesquisas realizadas por geólogos e arqueólogos em diversas universidades do país. Essas cooperações resultarão em projetos de iniciação científica de alunos do Curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciências e Tecnologia do Mar (BICT-Mar) do Campus Baixada Santista.

 

Artigos relacionados:

KAWASHIMA, Y.S.; GUGLIOTTI, C.F.; YEE, M.; TATUMI, S.H.; MITTANI, J.C.R. Thermoluminescence features of MgB4O7:Tb phosphor. Radiation Physics and Chemistry, [s.l.]: Elsevier, v. 95, p. 91-93, fev. 2014.

FIORE, M.; SOARES, E.A.A.; MITTANI, J.C.R.; YEE, M.; TATUMI, S.H. OSL dating of sediments from Negro and Solimões rivers - Amazon, Brazil. Radiation Physics and Chemistry, [s.l.]: Elsevier, v. 95, p. 113-115, fev. 2014.

TATUMI, Sonia Hatsue; VENTIERI, Alexandre; BITENCOURT, José Francisco Sousa; GONÇALVES, Katia Alessandra; ROCCA, René Rojas ; MITTANI, Juan Carlos Ramirez ; CAMARGO, Shivad Valle.  Thermoluminescence and optically stimulated luminescence of nanostructured aluminate doped with rare-earth and semi-metal chemical element. Effects of heat treatments on the heat-treatment-conventional-and-novel-applications. Intech Open Science, v. 14, p. 351-370, 2012.

TUDELA, Diego Renan Giglioti; TATUMI, Sonia Hatsue; YEE, Márcio; BRITO, Silvio Luiz Miranda; PIEDADE, Silvia Cristina; MORAES, José Luiz; MUNITA, Casimiro S.; HAZENFRATZ, Roberto; MOARES, Daisy de. TL, OSL and C-14 dating results of the sediments and bricks from mummified nuns grave. Anais da Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, v. 84, p. 237-244, jun. 2012.

TATUMI, Sonia Hatsue; SOARES, Emílio A. A.; RICCOMINI, Claudio. OSL age determinations of pleistocene fluvial deposits in central Amazonia. Anais da Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, v. 82, p. 691-699, set. 2010.

TATUMI, Sonia Hatsue; BARRETO, A. M. F.; SUGUIO, Kenitiro; KASSAB, L.R.P.; GOZZI, G.; BEZERRA, Francisco Hilário Rego; KOWATA, Emília A. Optical dating results of beachrock, eolic dunes and sediments applied to sea-level changes study. Journal of Luminescence, [s.l.]: Elsevier, v. 102-103, p. 562-565, maio 2003.

TATUMI, Sonia Hatsue; GOZZI, Giuliano; KOWATA, Emília A.; KASSAB, Luciana R. P. ; BRITO, Silvio Luiz M.; YEE, Márcio; PEIXOTO, Maria N. O.; MOURA, Josilda R.S.; MELLO, Claudio L.; CARMO, Isabela O. Optical dating using feldspar from quaternary alluvial and colluvial sediments from SE Brazilian plateau, Brazil. Journal of Luminescence, [s.l.]: Elsevier, v. 102-103, p. 566-570, maio 2003.

Publicado em Edição 02
Segunda, 02 Junho 2014 15:14

Editorial

Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unifesp

Aprofundamos, nesta edição, o debate sobre os conceitos e políticas que embasam os programas de pós-graduação (PPG) e as pesquisas desenvolvidas na Unifesp. Esses assuntos são abordados sob diversas perspectivas, começando pela filosófica. 

A prática da interdisciplinaridade – tema central dos mais recentes fóruns nacionais e internacionais sobre o desenvolvimento científico – é discutida pela professora de Filosofia Olgária Mattos. A disciplinaridade e interdisciplinaridade não se opõem, afirma Olgária. Ao contrário, uma é a base da outra: a interdisciplinaridade ocorre quando o especialista, ao compreender a complexidade de seu conhecimento, estabelece relações com os demais campos do saber. 

Outro tema que desperta calorosos debates é a internacionalização. Foco de programas como o Ciência sem Fronteiras, constitui simultaneamente uma oportunidade de acelerar a inserção da ciência brasileira no cenário mundial e um desafio. Impõe-se, por isso, definir claramente seus objetivos e a metodologia mais adequada para atingi-los. Mas isto não basta – é necessário buscar apoio financeiro, estabelecer parcerias e coordenar as diversas iniciativas que nos são apresentadas.

Esta edição registra, ainda, diversos exemplos de pesquisas realizadas em nossos campi. Os responsáveis pelas Câmaras de Pós-Graduação e Pesquisa convidaram os docentes das respectivas unidades universitárias a compartilharem com nossa comunidade seus principais projetos, os quais foram submetidos a cuidadosa seleção – para fins de publicação – pelo Comitê Científico de Entreteses, formado pelos coordenadores dos comitês de áreas, pelos membros do comitê de pesquisa e por representantes das Pró-Reitorias de Graduação e Extensão. 

(Como nem sempre as agendas foram compatíveis, e respeitando os princípios de autoria, constam como integrantes do Comitê Científico neste número somente aqueles que contribuíram significativamente para sua concepção e que participaram da maioria das reuniões.)

Procuramos manter uma certa proporcionalidade e representatividade das pesquisas realizadas na Unifesp, destacando nosso potencial para a inter e transdisciplinaridade. Os desafios da educação são apresentados em matérias sobre o ensino da Matemática e sobre o fracasso escolar. Os estudos em áreas básicas da Medicina, que abrangem fungos, células-tronco, fármacos, genética e dosímetros, levam-nos a refletir sobre a aplicação prática da ciência e os caminhos do empreendedorismo. Para isso, precisamos ampliar as ações do Nupi - Nit (Núcleo de Propriedade Intelectual – Núcleo de Inovação Tecnológica), que a partir deste semestre se reaproxima física e conceitualmente da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa.

Outros trabalhos aqui apresentados não se limitam à pós-graduação, desenvolvendo-se de modo integrado a projetos de extensão e de graduação. Eles nos permitem estabelecer a necessária integração entre os saberes científico e popular, assim como o essencial diálogo entre a universidade e os demais setores da sociedade – assunto que será tema do próximo número.

Dedicamos, por fim, a seção Perfil à geógrafa Bertha Becker (1930 – 2013), professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro, cujos estudos sobre a Amazônia constituem uma referência necessária e mundialmente reconhecida. É também nessa região do país que efetuamos pesquisas sobre a saúde indígena, foco de outra matéria deste número.

Participe da construção de Entreteses. Envie sugestões sobre os assuntos que gostaria de ver incluídos nas próximas edições. Boa leitura!

Publicado em Edição 02
Segunda, 11 Novembro 2013 16:21

EPE

Escola Paulista de Enfermagem

Ana Cristina Cocolo

O programa de pós-graduação da Escola Paulista de Enfermagem (EPE), unidade universitária do Campus São Paulo da Unifesp, ganhou força na década de 70, época em que houve maior investimento no aperfeiçoamento e especialização (lato sensu) na área de Enfermagem no Brasil, principalmente para qualificar docentes da graduação e preparar os futuros candidatos aos cursos de mestrado. “Diferentemente da medicina, a enfermagem, como categoria, demorou muito para se titular no país”, explica Isabel Cristina Kowal Olm Cunha, professora associada livre docente e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. “Hoje, somos o segundo maior programa de pós-graduação da Unifesp em números de alunos”.

EntreTeses 01 p37 EPE Unifesp

Atualmente, o programa de pós-graduação em Enfermagem possui conceito 5 (muito bom) da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Em 1972 os cursos de especialização oferecidos na EPE eram focados nas áreas de enfermagem pediátrica e puericultura; clínica e cirúrgica; saúde Pública; saúde mental e psiquiátrica; e do trabalho. Entretanto, foi em 1978 que o reconhecimento científico da Escola aflorou com a criação do mestrado em Enfermagem Pediátrica e, dois anos depois, em Enfermagem Obstétrica. Em 1989, o programa abrangeu também a Saúde do Adulto. “Entre os mestrados, instituiu-se, em 1986, o doutorado em Enfermagem Materna e Infantil, sendo reformulado oito anos depois de sua criação para formar doutores em Enfermagem, prontos a atender as mais diversas ramificações desta área”, afirma Mavilde da Luz Gonçalves Pedreira, coordenadora da Câmara de Pesquisa e Pós-graduação da EPE. “Os programas fragmentados em ambos os níveis, transformaram-se em apenas um de mestrado e outro de doutorado”.

De acordo com a coordenadora, esta tendência de juntar as áreas levou a EPE a formar um dos primeiros programas multidisciplinares. “A enfermagem não tem como foco a cura da doença, mas sim o cuidado ao ser humano, o alívio do sofrimento e a promoção da saúde”, afirma. “Isso transcende qualquer etapa do ciclo vital já que o cuidado se destina ao ser humano, que é único e integral”.

A EPE tem como missão em seu programa de pós-graduação ser um centro de excelência na formação não apenas de pesquisadores, mas de profissionais altamente capacitados para promover o avanço da ciência da enfermagem e da saúde, com abordagem multidimensional. O objetivo, segundo Mavilde, é integrar os conhecimentos no ensino, na prática e na pesquisa em enfermagem e saúde, utilizando diferentes perspectivas filosófico-teóricas e metodologias que culminem em melhorias no cuidado e na saúde da população. “Para entender o cuidado de uma forma global, não basta o olhar da biologia. É preciso abranger as ciências humanas e sociais”.

EPE
Programas 1
Cursos de Mestrado Acadêmico 1
Curos de Doutorado 1
Total de Alunos 173
Alunos de Mestrado Acadêmico 87
Alunos de Doutorado 86
Total de Docentes - orientadores credenciados 41
Dados de julho 2013
Produção Científica (2012)
Apresentação de trabalhos em Congressos e Simpósios 34
Artigos publicados em Jornais ou Revistas Científicas 5
Artigos publicados em Periódicos Indexados (ISI) 92
Cursos de curta duração – Extensão 18
Organização de Eventos (congressos, simpósios, outros) 27
Trabalho em Anais – Resumo 57
Trabalho em Anais – Trabalho Completo 23

Perfil dos alunos

Em 2002, uma pesquisa realizada na Escola, sobre a inserção profissional de egressos do programa da EPE, mostrou que entre os que se formaram mestres, 48% atuavam em instituições de ensino superior e, 46%, em instituições de saúde. Entre os doutores, 90,5% atuavam em instituições de ensino superior e 9,5%, em hospitais. “Hoje continuamos a ter mais enfermeiros da prática procurando realizar pós-graduação no nível mestrado, do que propriamente docentes”, afirma Isabel Cunha , coordenadora do programa. “Além dos enfermeiros, é extremamente comum profissionais de outras áreas em nosso programa, como farmacêuticos, fisioterapêutas, médicos, sociólogos e até mesmo administradores que, de alguma forma, fazem interface com o cuidado ou com a promoção da saúde.”

Produção científica

No ano de 2012, o programa de pós-graduação da EPE apresentou 34 trabalhos em congressos e simpósios nacionais e internacionais, publicou cinco artigos em jornais e revistas científicas de renome, 92 artigos em periódicos indexados (ISI). Em anais foram 57 resumos e 23 trabalhos completos divulgados. Na parte de extensão, ministrou 18 cursos. 

“A enfermagem brasileira é a sétima no mundo em publicação de artigos científicos e a pós-graduação é, sem sombra de dúvida, a mola propulsora dessa produção”, afirma Mavilde. “Temos uma produção científica forte, com nota 5 da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal der Nível Superior), o que a classifica como muito boa”.

Para a coordenadora, estudos de inovação e intervenção estão buscando cada vez mais a interlocução com outras áreas do conhecimento para as respostas do dia-a-dia e o desenvolvimento de políticas, programas, produtos e patentes que atendam, cada vez mais, às necessidades da população. 

Visando a divulgação e interação dos avanços na área, a EPE publica bimestralmente, desde 1988, a revista Acta Paulista de Enfermagem. Nela, são encontrados resultados de pesquisas inéditas nacionais e internacionais que contribuem para o avanço da ciência e da prática de enfermagem, além de contribuir para o ensino, pesquisa e extensão em saúde.

Pioneirismo

Fundada em 1939, a Escola de Enfermeiras do Hospital São Paulo foi uma das primeiras instituições de ensino de enfermagem instaladas na cidade de São Paulo. Entretanto, os cursos ministrados de Enfermagem e Enfermagem Obstétrica só foram reconhecidos como de nível superior em 1962. Seis anos depois, a Escola de Enfermeiros passou a se chamar Escola Paulista de Enfermagem (EPE).

EntreTeses 01 p38 EPE pioneirismo

Em 1977, a EPE foi federalizada e incorporada à Escola Paulista de Medicina (EPM) como Departamento de Enfermagem e, em 1994, acompanhou a transformação da EPM em Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Com a expansão da Unifesp para outras áreas do conhecimento, iniciado em 2005, o departamento voltou a ser Escola Paulista de Enfermagem em 2011, transformando-se em uma unidade universitária do Campus São Paulo da Unifesp – que também abriga a EPM – na Vila Clementino, zona sul da cidade. A atuação tanto dos alunos de graduação quanto de pós-graduação sempre ocorreu no Hospital São Paulo, hospital universitário da Unifesp.

Atualmente a EPE possui 335 alunos de graduação em seu curso de bacharelado em Enfermagem, em regime integral e quatro anos de duração. São 88 vagas anuais no vestibular e a entrada ocorre por meio do sistema misto – que utiliza o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) e prova complementar – e por cotas.

Publicado em Edição 01
Segunda, 11 Novembro 2013 16:17

Desbravando a gênese digital

Pesquisa pioneira realiza construção automática de algoritmos, softwares ou programas que gerarão outros descendentes na busca da solução de problemas

Bianca Benfatti

Imagem com vários números 01

Imagem meramente ilustrativa

Qual seria a melhor e mais simples forma de resolver problemas de classificação, como análise de créditos em bancos, controles de entrada e saída de pessoas, diagnóstico médico, etc?

Existem diversas maneiras de resolver esse tipo de problema, como funções matemáticas, redes neurais artificiais, máquinas de vetores de suporte, e árvores de decisão. Dado um problema de classificação, as árvores de decisão podem ser construídas por diversos algoritmos, cada qual com suas particularidades mas com algo em comum: todos desenvolvidos por seres humanos. A estrutura de uma árvore de decisão consiste em nós internos, que representam perguntas sobre determinadas características (por exemplo, sexo de uma pessoa), seguidos de arestas, que representam respostas para as perguntas (masculino ou feminino), e por fim os nós folha, que representam o rótulo, ou seja, a classe (categoria) à qual pertence essa pessoa.

A vantagem de se utilizar esse método de representação do conhecimento em relação a outros está na facilidade de interpretação: qualquer pessoa consegue entender e interpretar os dados contidos nas árvores de decisão, conforme observa Márcio Porto Basgalupp, do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT-Unifesp) e coordenador do projeto “Programação Genética para Evolução de Algoritmos de Indução de Árvores de Decisão”, parte do programa Jovem Pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Segundo Basgalupp, as árvores de decisão podem ser construídas com diversos algoritmos, até agora desenvolvidos por seres humanos. O objetivo principal da pesquisa é fazer com que o algoritmo genético fabrique sozinho, automaticamente, um novo algoritmo para, no fim, obter uma nova árvore de decisão. “É um trabalho pioneiro nessa área: realizar a construção automática de algoritmos, softwares ou programas, que gerarão outros”.

O projeto surgiu como resultado do pós-doutorado de Basgalupp. “Passei no concurso e transformei o meu projeto em proposta de Jovem Pesquisador, submetida à Fapesp em 2011”, afirma. “Requisitei três anos para o seu pleno desenvolvimento, que está previsto para acontecer até agosto de 2014.” A pesquisa está sendo feita em parceria com a Universidade de São Paulo (Campus São Carlos), por André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho, e com a University of Kent (Inglaterra) por Alex Freitas. Também participa deste trabalho Rodrigo Coelho Barros, doutorando do Laboratório de Computação Bioinspirada (BioCom) da USP e bolsista da Fapesp.

O projeto tem como inspiração o evolucionismo de Charles Darwin, explica Basgalupp. “De alguma forma, nós representamos o problema computacionalmente, geralmente no formato de gênese. Cada solução é uma gênese que vamos combinando-as para que as melhores apareçam”, diz. “Desse modo, aquelas que se mostrarem mais aptas terão chance de trocar de gênese, de sobreviver, de cruzar com outras e gerar filhas descendentes”.

Selecionando os melhores

Mas, o que diz se um algoritmo é bom ou não? A resposta depende da taxa de acerto da árvore de indução por ele construída. Quanto maior a taxa, melhor o algoritmo.

Os pesquisadores trabalham com o algoritmo customizado, criam diferentes softwares para determinados domínios de aplicação. “Tentamos encontrar qual é o algoritmo superior para aquele determinado problema. É mais simples conseguir achar uma solução específica do que uma geral”, explica Basgalupp.

Restando apenas um ano para o seu término, a pesquisa já obteve bons resultados, inclusive originou o artigo A Hyper-Heuristic Evolutionary Algorithm for Automatically Designing Decision-Tree Algorithms, premiado em uma conferência de computação evolutiva, realizada na Filadélfia (Estados Unidos), a Genetic and Evolutionary Computacion Conference (Gecco). O prêmio resultou em convite para os pesquisadores submeterem uma versão estendida do trabalho no periódico Evolutionary Computacion Journal.

Basgalupp afirma que o maior desafio encontrado foi justamente o caráter pioneiro do projeto. Se há vantagens óbvias no fato de ser novidade, por outro lado, os pesquisadores são obrigados a enfrentar a ausência de trabalhos relacionados para usar como base. “Há a dificuldade de entendimento, mesmo com pessoas que são da área. A tarefa de explicar, convencê-los da novidade do projeto foi a grande dificuldade durante todo o processo”, explica.

O programa deverá produzir um impacto significativo na área de tecnologia por permitir o desenvolvimento automático de algoritmos melhores, produzidos e testados por máquinas, antes de serem submetidos ao uso humano.

Projeto:
Programação Genética para Evolução de Algoritmos de Indução de Árvores de Decisão.
Coordenador: Márcio Porto Basgalupp. Fapesp 2010/20255-5

Publicado em Edição 01

Estudo premiado esclarece algumas das contradições verificadas na literatura científica sobre os efeitos do extrato na aquisição de memória

Flávia Kassinoff

Fotografia da árvore de Ginkgo biloba

Ginkgo biloba: o extrato retirado do vegetal já é utilizado pela medicina oriental há 4 mil anos

De origem chinesa, a espécie da Ginkgo biloba foi considerada por Charles Darwin um “fóssil vivo”, devido a sua morfologia muito similar a de algumas plantas já extintas. Sua idade é de aproximadamente 200 milhões de anos. É a última representante da família Ginkgoaceae e supõe-se que seja a espécie de árvore com vida mais antiga do planeta. É também uma planta que sobreviveu à bomba atômica despejada sobre Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, brotando do solo da cidade japonesa devastada e resistindo à radiação.

A palavra “Ginkgo” tem origem chinesa e significa damasco prateado, e “biloba” é referente ao formato das folhas com dois lóbulos. O extrato retirado de seu tecido vegetal já é utilizado pela medicina oriental há 4 mil anos e suas propriedades terapêuticas são alvo, atualmente, de muita especulação e pesquisa. Acredita-se que o extrato padronizado de Ginkgo biloba (EGb) seja um nootrópico, ou seja, substância capaz de aumentar a capacidade cognitiva no ser humano. Assim, é utilizado como intensificador de memória. Porém, recentemente, alguns estudos questionaram esta eficácia.

As dúvidas e contradições verificadas na literatura científica sobre o EGb motivaram a professora Suzete Maria Cerutti a elaborar uma pesquisa para investigar o seu potencial terapêutico. Esta pesquisa foi realizada pela aluna de mestrado Cláudia Raquel Zamberlam e intitulada: Participação da neurotransmissão glutamatérgica, gabaérgica e serotoninérgica na aquisição do medo condicionado: possíveis alvos terapêuticos do extrato padronizado de Ginkgo biloba L.

A pesquisa foi premiada como melhor trabalho de mestrado no IV Fórum Integrador de Pesquisadores da Unifesp. Segundo Suzete, o projeto é original por englobar diversas áreas de pesquisa e também por abrir novas possibilidades de discussões a respeito dos efeitos do EGb na cognição. “O projeto poderá trazer contribuições científicas importantes pelo seu caráter inovador, pois busca a interação de diferentes áreas de pesquisa que englobam a morfologia, biologia celular, biologia molecular e biologia de sistemas com o intuito de explicar os efeitos do EGb na ansiedade e na memória. A possibilidade de comprovar que o EGb apresenta eficácia e menos efeitos colaterais abre novas perspectivas de tratamento para a população de uma forma geral, com isso, benefícios para a saúde pública”, diz a professora.

Foto de folhas do Ginkgo biloba

A pesquisa pode gerar uma nova abordagem farmacológica para o tratamento de déficit cognitivo ou transtornos relacionados à incapacidade de supressão da resposta condicionada, como ocorre na ansiedade. Está sendo avaliada a viabilidade da realização de testes clínicos para analisar a eficácia do possível tratamento em seres humanos.

O estudo analisou a ação do extrato em diferentes fases da formação da memória (aquisição, armazenamento e evocação). Para tanto, foi adotado um protocolo de experimentação animal, com ratos Wistar, onde os animais eram privados de água por 16 horas antes de serem submetidos a aquisição e evocação. As intervenções farmacológicas (dose de EGb) foram feitas em momentos estratégicos do processo. 

Os resultados mostraram que na dose maior o extrato de Ginkgo biloba favoreceu a retenção da aprendizagem. “Os resultados foram plenamente satisfatórios, com baixa variabilidade e significância estatística. Ainda, os dados nos dão evidências experimentais importantes do efeito do EGb na memória e, com isso, contribuem com a ciência. É importante ressaltar que estes dados, juntamente com dados anteriores do grupo, nos ajudam a compreender a aparente contradição existente na literatura a respeito dos efeitos do EGb. Essas contradições podem estar associadas a variabilidade de protocolos experimentais adotados, via de administração, dose e tempo de tratamento, bem como animal experimental utilizado”, completa a orientadora Suzete.

Dissertação de mestrado:
“Participação da neurotransmissão glutamatérgica, gabaérgica e serotoninérgica na aquisição do medo condicionado: possíveis alvos terapêuticos do extrato padronizado de Ginkgo biloba L”. Autora: Cláudia Raquel Zamberlam. Orientadora: Suzete Maria Cerutti.

Publicado em Edição 01
Segunda, 11 Novembro 2013 16:14

O Brasil no contexto do mundo

Pesquisa investiga a adequação do conceito de “longo século XIX” à história do país, cercado pelo escravismo apenas abolido em 1888

Bianca Benfatti

Fotografia de homens negros escravizados - um grupo de dezenas de pessoas, eles estão muito magros

Diáspora africana: entre 1808 (chegada da família real ao Brasil) e 1850 entraram mais escravos do que nos 200 anos de colonização

O “longo século XIX” descreve um período inaugurado com os processos característicos do final dos setecentos, sobretudo a Revolução Francesa (1789), e que terão o seu momento de condensação máxima na Primeira Guerra Mundial, terminando em 1918. Se pudéssemos agrupar um conjunto de palavras-chave para descrever os grandes eventos associados ao período, bem como os debates e conceitos a eles associados, seriam algo como: “monarquia constitucional”, “república”, “escravidão”, “liberdade”, “cidadania”, “progresso”, “revolução”, “democracia”, “liberalismo”, “independência”. 

Como o Brasil se insere nesse contexto? Configurou-se, em nosso país, a unidade política, social, econômica e ideológica iluminada pelo conceito de “longo século XIX”? Essa é a questão enfrentada pela coordenadora do programa de pós-graduação em História da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) da Unifesp, em Guarulhos, Wilma Costa, responsável pela pesquisa temática “Um tempo entre crises: o Brasil no longo século XIX”. A pesquisa é desenvolvida em conjunto com pesquisadores das faculdades de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP) e de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O projeto está em fase de desenvolvimento e deverá ser apresentado à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) até o final do semestre. 

Uma das grandes novidades da pesquisa, segundo Wilma, é a tentativa de analisar o Brasil, não voltado para si mesmo, mas inserido no grande contexto mundial do século XIX. Com esse objetivo no horizonte, o projeto tentará integrar vários campos da história (história política, social, econômica, da medicina, do direito e da educação). Isso determina o seu caráter múltiplo e interdisciplinar. A proposta faz um recorte temporal delimitado por duas crises do sistema: a primeira ocorreu entre 1763 e 1826, causada pelas independências ibero-americanas, portanto a crise do Antigo Regime e do colonialismo, e, a segunda (1870 a 1918), acometida pela revolução industrial, seguido das inovações tecnológicas, do imperialismo e da Primeira Guerra. Ambas provocaram mudanças profundas na economia-mundo, possibilitando a construção de uma ordem capitalista internacional. 

Wilma relatou que o projeto em questão é novo, porém a ideia possui uma história anterior. “Algumas pessoas que participam de nosso grupo já faziam parte do projeto temático realizado na USP, entre 2004 e 2009, intitulado Brasil a Formação do Estado e da Nação ”, disse. A revista eletrônica Almanack foi criada a partir desse grupo de professores, dando continuidade ao projeto original, mas, ao mesmo tempo, ampliando-o. 

O que se destaca na periodização escolhida é uma questão que perpassa o século XIX nas suas duas pontas: a construção do Estado-nação. “O essencial é pensar como o Brasil se encaixa nesse processo, na formação das nações latino-americanas como territórios, construções de sistemas de poder, de unificação”, completou a professora. O objetivo é demonstrar que as Américas, assim como a Europa, também se constituíram nos conflitos, incluindo a guerra civil nos Estados Unidos, a guerra no Pacífico e a do Paraguai. O projeto foi dividido em três eixos principais: espacialidade e mobilidade; controle e conflito; cultura escrita, expansão e diversificação dos campos. 

Fotogragia antiga, dois meninos pobres vendedores de jornais

Vendedores de jornais no Rio de Janeiro, em 1899

O primeiro deles abrange a formação das fronteiras no século XIX, tanto as “visíveis e conflitáveis (nas bacias do Prata e a Amazônica), quanto as “invisíveis”, estendidas até a África, movimentadas pelas navegações e pelos fluxos de mercado. “Ao mesmo tempo que estão formando os espaços, a mobilidade das populações é crescente, portanto há uma espécie de contraste entre fronteiras que se estabelecem e se solidificam com expulsão e atração de grandes contingentes populacionais”, observa Wilma. Compreende desde a chamada diáspora africana – o aumento do tráfico de escravos para o Brasil, após 1808, com a chegada da Família Real, até 1850; das classes dominantes – uma corte inteira que se muda; e, por fim, a imigração de alemães, italianos, mais tarde de asiáticos, causados pelas unificações (organizações dos territórios, que significou a desorganização dos povos dessa região). 

O segundo tema irá refletir sobre as consequências da formação das nações e com isso a criação de imigrantes e migrados, exigindo a construção de leis, de normas e fronteiras, significando a obtenção de passaportes, documentos de identidade, formas de regular a vida e a mobilidade das pessoas. Simultaneamente esse processo é gerador de conflitos, pois na tentativa de realizar um código civil, houve sempre uma tensão entre as necessidades reguladoras do Estado, censo, matrícula e os povos. O maior temor por parte dos posseiros era de perder suas terras para os próprios senhores, que não queriam regulamentar suas posses ou dos pequenos proprietários que tinham medo que uma lei resultesse na sua expulsão. “Portanto, havia um grande medo quando se falava em ter censo ou matrícula nos sertões”, afirma Wilma. 

Já o terceiro tópico trata de pensar como esse contexto influenciou a organização dos saberes e das ciências, que naquele momento estavam se configurando no plano internacional. Sociologia, Economia e a Antropologia estavam sendo concebidas pelo mundo. Porém esse processo ocorreu de maneiras diferentes em cada lugar. No Brasil, conforme relatou Wilma, a Economia e a Sociologia originaram-se do Direito; a Engenharia, das Forças Armadas; e, a Antropologia, da Medicina. “Analisar como essa historicidade do Brasil determina de alguma forma que, embora conectada com a ciência que está sendo produzida no mundo, se arranja aqui de uma forma específica”, conclui. 

O grupo quer transformar a pesquisa em portal, onde será colocada a sua produção integral, incluindo mapas históricos, cronologias e publicações de época. Além disso, pretendem elaborar um site com notícias da imprensa do período, com jornais do século XIX, e criar uma interface para a utilização nas escolas pelos professores. “A ideia é publicar a maior parte do trabalho na forma de e-books, também de livre aquisição”, explica a coordenadora. “A EFLCH é um campus novo e que pela primeira vez está sediando um projeto dessa envergadura”, completou Wilma.

Pesquisa:
Um tempo entre crises: o Brasil no longo século XIX
Coordenação: Wilma Costa

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Estudo envolveu estudantes, docentes e trabalhadores da rede de serviços em experiências de atendimento integrado em saúde à população.

Rosa Donnangelo

Fotografia da pesquisadora Angela capozzolo, ela segura o livro Clínica Comum

Ângela Capozzolo: o resultado da pesquisa gerou o livro

Em 2008, um grupo de 15 docentes do campus Baixada Santista apresentou ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) o projeto de pesquisa: Formação para o trabalho em saúde: a experiência em implantação nos cursos de graduação, cujo objetivo era o de investigar a proposta de formação em comum dos alunos dos cursos de graduação da área de saúde do campus. A pesquisa, conduzida ao longo de três anos, envolveu os cursos de Educação Física, Fisioterapia, Nutrição, Psicologia, Terapia Ocupacional e foi coordenada por Ângela Capozzolo. Mais especificamente, o foco da pesquisa foi a formação dos alunos participantes do eixo Trabalho em Saúde, um dos eixos comuns aos diversos cursos de saúde do campus Baixada Santista.

Como resultado da pesquisa além dos resultados favoráveis a este modelo de formação, principalmente pela experiência adquirida no atendimento a usuários do sistema de saúde, foi publicado o livro Clínica Comum – Itinerários de uma formação em saúde (Hucitec) e criado o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Formação e Trabalho em Saúde (LEPETS). O livro apresenta a pesquisa, discutindo sua metodologia e resultados pelos próprios pesquisadores e por interlocutores convidados de outras universidades.

A pesquisa procurou contar a história do eixo TS (Trabalho em Saúde), que mescla estudantes de vários cursos de graduação. “O principal objetivo era verificar o que nós estávamos produzindo com essa proposta de formação” explica Ângela. O eixo TS, atualmente coordenado por Virgínia Junqueira, tem como principal objetivo formar o profissional que saiba acolher o usuário do sistema de saúde, identificar suas necessidades e fazer intervenções que visem melhorar sua condição de saúde. 

Docentes e grupos de alunos se deslocam para algumas áreas da Baixada Santista, como as de cortiços, palafitas e morros, onde o acesso da população a serviços de saúde é mais difícil. “O que se espera no eixo TS é, por meio das experiências práticas dos alunos e do contato com a população, formar profissionais que não passem simplesmente uma receita, mas que façam um trabalho que dialogue com as diferentes situações em que se encontram os atendidos, com cada pessoa em particular”, afirma Ângela. “Às vezes, o cuidado que determinada pessoa exige do profissional não é algo nem da nutrição, nem da fisioterapia. Nesse aspecto está a importância do eixo comum, do atendimento integrado”, explica. 

No primeiro e segundo semestres, os estudantes vão conhecer territórios da cidade, entrevistar moradores e conhecer quais são os principais problemas de saúde na área. Refletem também sobre as políticas de saúde e fazem visitas à rede de serviços, como ambulatórios e centros de saúde. “Os estudantes são preparados para discutir os conceitos de saúde e doença”, explica a coordenadora. 

Durante o segundo ano da graduação, os alunos aprendem a fazer a narrativa de vida das pessoas, ouvem suas histórias. Ângela comenta que esse modo de aprendizado ajuda a “quebrar os pré-conceitos” porque os graduandos passam a enxergar de outra maneira como são as condições dessa população perante a saúde, além de aprender a ouvir e compreender as dificuldades de cada um e se aproximar um pouco da realidade em que vivem essas pessoas. De acordo com ela, o aluno entende que ele não cuida só de um pedaço do corpo humano, mas de uma pessoa com certa história de vida, cultura, situação social.

“Esse jeito de cuidar das pessoas não é o mais frequente no serviço de saúde. Muitas vezes, cada profissional faz sua parte específica e a pessoa vai de um serviço pra outro sem ter seu problema resolvido”, lamenta Ângela. A pesquisa revelou que era preciso qualificar, além dos estudantes da Unifesp de forma geral, os profissionais da rede de serviços de saúde de Santos. “É uma proposta que integra docentes, equipes de serviços de saúde de várias áreas e estudantes”, afirma.

O LEPETS, fruto da pesquisa realizada e já concluída, agora abriga outra pesquisa, uma extensão da anterior. “Os alunos e os docentes acharam a proposta de formação importante. Mas será que quem recebe o atendimento acha interessante também?”, questiona Ângela. “Estamos olhando agora as pessoas que recebem o atendimento”, explica Ângela. A nova pesquisa já conta com 10 docentes e cinco estudantes de mestrado. 

“Humanizado” não é a palavra exata para definir o atendimento visado pelo eixo comum. O atendimento é integrado, amplo. A pesquisa sobre o eixo propiciou questionamentos necessários para que o projeto eixo comum continuasse, de forma a acrescentar aos profissionais da área, na sua prática, os cuidados e saberes para atender ao paciente, enfatizando a sua história de vida, condição social, valores e cultura.

Pesquisa:
“Formação para o trabalho em saúde: a experiência em implantação nos cursos de graduação – educação física, fisioterapia, nutrição, psicologia, serviço social e terapia ocupacional – da Universidade Federal de São Paulo”. Coordenação: Ângela Capozzolo.

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Segunda, 11 Novembro 2013 16:10

Na prática, a teoria ajuda

Orientações sobre procedimentos de Enfermagem, como o banho no leito, ajudam a aliviar a ansiedade dos pacientes que se vêem, pela primeira vez, sem possibilidade de se autocuidar

Ana Cristina Cocolo

A pesquisadora Juliana de Lima Lopes. Ela está de jaleco, luvas e segura bacia e água

A maioria das ações de responsabilidade da Enfermagem, como o banho no leito, pode parecer natural e corriqueira para o profissional. Entretanto, para os pacientes internados, o constrangimento e o medo de algumas práticas da Enfermagem geram ansiedade, podendo até mesmo impactar em seu restabelecimento, principalmente, entre aqueles com problemas cardíacos, como demonstra uma pesquisa de doutorado realizada na Escola Paulista de Enfermagem (Unifesp). 

Os pesquisadores distribuíram um manual informativo sobre o banho no leito a 120 pacientes com síndrome coronária aguda (infarto), internados em uma unidade de terapia intensiva e submetidos ao procedimento. A escolha por pacientes que sofreram infarto não ocorreu por mero acaso. Juliana de Lima Lopes, enfermeira e autora da pesquisa, explica que a associação da ansiedade e infarto agudo do miocárdio tem mostrado impacto negativo no prognóstico desses pacientes como mostram vários estudos. A ansiedade pode causar ativação do sistema nervoso simpático, aumentando a contratilidade e a frequência cardíaca, a pressão arterial e o consumo de oxigênio. “Essas reações podem agravar o quadro coronário”. 

Juliana verificou que, após relatar sobre a necessidade do banho no leito, a ansiedade apresentada pelos pacientes do grupo de controle – que não receberam informações prévias do procedimento – e do grupo de intervenção – os quais foram orientados – eram semelhantes, sem diferença estatística. Após a orientação ao grupo de intervenção, a ansiedade dos pacientes foi significantemente menor quando comparada à do grupo de controle. Já a frequência cardíaca, a pressão arterial e a respiração não sofreram alterações em nenhum momento em ambos os grupos. Os pacientes eram semelhantes quanto às características sociodemográficas e clínicas, exceto pelo fato de que se observou um número maior de tabagistas no grupo intervenção.

Setenta por cento do total de pacientes apresentavam um traço de ansiedade moderado, elevado ou muito elevado e, cerca de 18%, tiveram diagnóstico prévio de depressão, o que mostrou que essa condição pode aumentar em 17,2 vezes a chance do paciente apresentar ansiedade ao ser submetido ao banho no leito. “Também verificamos que, para cada unidade que se aumenta no escore do constrangimento, a chance do paciente submetido ao banho no leito apresentar ansiedade aumenta em 2,8 vezes”, afirma Juliana.

A pesquisadora Juliana Alba ao lado de sua orientadora

Juliana de Lima Lopes e Alba Lucia Bottura Leite de Barros

A pesquisadora explica que o infarto é uma doença que causa, na maioria das vezes, uma internação inesperada. De uma hora para outra, essas pessoas se vêem em uma situação na qual estão impedidos de se autocuidar. “Minimizar o sentimento de angústia, ansiedade e constrangimento nos pacientes, frente aos diversos procedimentos de Enfermagem, é essencial para uma assistência de qualidade”. 

A doença cardiovascular é uma das maiores causas de morbidade e mortalidade no mundo. Só nos Estados Unidos, 82,6 milhões de americanos sofrem do mal, segundo dados da American Heart Association (AHA). No Brasil, números do DATASUS apontam que, somente em 2011, as doenças isquêmicas do coração causaram mais de 231 mil internações, correspondendo a 20% das hospitalizações por doenças do aparelho circulatório e 2% de todas as internações no sistema público de saúde.

Deficiência no dia a dia

Juliana explica que em estudo prévio realizado pelos pesquisadores, observou-se que a ansiedade gerada pelo banho no leito era maior quando comparada ao banho de chuveiro, principalmente antes do procedimento. Além disso, ao longo de sua vivência profissional, em uma unidade de terapia intensiva, observou que a grande maioria dos profissionais de Enfermagem não oferecia orientação de forma a esclarecer as dúvidas do paciente sobre o procedimento e o motivo de o mesmo ser oferecido no leito. Esse fato motivou o estudo. 

“A carência de orientação ao paciente ocorre não porque a graduação não forme o indivíduo adequadamente como aquele profissional que acolhe, que é o princípio básico da humanização”, explica Alba Lucia Bottura Leite de Barros, docente da Escola Paulista de Enfermagem (EPE) e orientadora da pesquisa. “O problema é que, quando o profissional entra no mercado de trabalho, a demanda dentro de um hospital, seja ela de pacientes ou de atividades administrativas, como preenchimento de formulários, é tão grande que essas orientações acabam se perdendo”. 

Para Alba, o impacto do estudo é justamente mostrar que um procedimento como o banho no leito, no qual você “invade” a intimidade do paciente, se for bem conduzido e baseado nas melhores práticas, traz conforto aos pacientes e garante a sua segurança.

Metodologia e resultados

O estudo foi dividido em duas fases. A primeira foi a de elaboração e validação de um manual informativo, do tipo pergunta e resposta, contendo informações sobre o banho no leito, entre elas, a importância deste tipo de banho e as técnicas utilizadas para sua realização. A segunda fase foi a de avaliação da efetividade de um protocolo de orientação de Enfermagem para redução da ansiedade de pacientes que receberam o banho no leito. Este protocolo foi constituído por orientações de Enfermagem, tanto escritas, por meio de manual informativo, como orais sobre o banho no leito.

A média de idade dos pacientes foi de 60 anos, sendo 68% do sexo masculino. Metade dos pacientes relataram já terem tido internações prévias e quase metade dos participantes relataram já terem vivenciado o banho no leito em outras internações.

Observou-se que o grupo intervenção apresentou uma redução significante da ansiedade após receber as orientações de Enfermagem, resultado este que não foi encontrado no grupo controle.

Tese de doutorado:
Efetividade de um protocolo de orientação de enfermagem para redução da ansiedade de pacientes com síndrome coronária aguda submetidos ao banho no leito: ensaio clínico randomizado. Autora: Juliana de Lima Lopes. Orientadora: Alba Lucia Bottura Leite de Barros.

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Segunda, 11 Novembro 2013 16:09

Novo passo na luta incessante contra o câncer

A descoberta de duas novas proteínas antimelanoma e o reconhecimento de diferentes moléculas por elas produzidas foram eficazes no combate às células tumorais

Ana Cristina Cocolo

Ilustração de Peptideo derivado de CDR

Peptideo derivado de CDR de anticorpo monoclonal (canto de baixo a esquerda) reage com beta-actina (vermelho) em células de melanoma e provoca a sua morte desintegrando a membrana nuclear (núcleos em azul)

Encontrar drogas mais eficazes contra o câncer e menos agressivas que a quimioterapia é um objetivo constante de pesquisadores do mundo todo. Um estudo desenvolvido na Unidade de Oncologia Experimental, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), abre novas perspectivas de tratamento contra um dos diversos tipos existentes dessa doença: o melanoma maligno. 

Fabricadas em laboratório, duas novas proteínas antimelanoma – chamadas de anticorpos monoclonais – foram capazes de inibir e combater células de melanoma maligno em camundongos (melanoma murino B16F10) tanto in vitro quanto in vivo. 

Luiz R. Travassos, coordenador do laboratório e orientador da tese de doutorado do biólogo Andrey Dobroff, diz que o uso de compostos antitumorais eficazes tem a vantagem de evitar os inúmeros efeitos colaterais decorrentes da aplicação da quimioterapia convencional. “Nem sempre a quimioterapia tem a eficácia esperada devido à multirresistência a drogas por parte das células tumorais”, afirma. Encontrar alternativas de drogas biológicas, menos tóxicas, e mais potentes que impeçam a reprodução das células tumorais e causem a sua morte ainda é uma guerra que está longe de acabar. “Entretanto, julgamos estar no caminho certo”.

Desde 1990, Travassos lidera a linha de pesquisa na Unifesp sobre atividade antitumoral de biomoléculas e seus mecanismos de ação em modelos animais e em células tumorais cultivadas em laboratório.

Primeiro os anticorpos, depois os peptídeos 

A pesquisa foi realizada em duas etapas distintas. Na primeira, Dobroff encontrou dois novos anticorpos monoclonais: o A4 e o A4M. Os anticorpos monoclonais são proteínas específicas produzidas em animais de laboratório que atuam sobre uma determinada região encontrada em um tipo específico de tumor, impedindo seu crescimento e causando sua morte.

Com a identificação dos mesmos, o pesquisador buscou, em conjunto com a Universidade de Parma, Itália, sequencias internas desses anticorpos, chamadas de regiões determinantes de complementariedade (CDRs), que definem a reatividade do anticorpo com moléculas expressas na superfície da célula tumoral (antígenos). No entanto, “os CDRs têm outras atividades biológicas independentes da especificidade do anticorpo e que podem ser traduzidas em atividades antibacterianas, antifúngicas, antivirais e antitumorais”, explica Travassos. “Enquanto pesquisadores italianos trabalharam as atividades antimicrobianas, anti-HIV e antifúngicas, nós testamos as ações antitumorais usando melanoma em modelos de camundongos singenêicos – geneticamente relacionados”. 

Cada anticorpo possui seis CDRs que foram sintetizados quimicamente como peptídeos – biomoléculas formadas com a união de dois ou mais aminoácidos.

Na pesquisa, foram testados tanto a aplicação dos anticorpos monoclonais quanto dos peptídeos sintetizados, em células tumorais in vitro e in vivo, especificamente em dois grupos de modelos animais: um com melanoma injetado sob a pele e, outro, com melanoma metastático no pulmão. 

Os resultados apontaram que o anticorpo monoclonal A4 foi capaz de destruir células do melanoma murino e linhagens tumorais humanas in vitro e o uso do mesmo na imunização passiva dos animais reduziu em cerca de 75% o número de metástases pulmonares dos camundongos. Cinco dos peptídeos derivados dos anticorpos A4 e A4M também induziram a morte celular e reduziram o número de nódulos pulmonares. “Os dados são animadores não apenas pelos resultados nas células tumorais mas também porque, em princípio, ambos anticorpos e peptídeos não apresentaram toxicidade alguma contra os animais”, afirma Travassos. “Hoje existem 12 anticorpos monoclonais aprovados pelo FDA que são utilizados como medicamentos para tratar câncer. Já os peptídeos são mais novos e ainda precisam vencer outras etapas da pesquisa básica para chegar à aplicação em humanos”. 

O FDA (Food and Drug Administration) é o órgão governamental dos EUA que controla alimentos, suplementos alimentares, medicamentos, cosméticos, materiais biológicos, produtos derivados do sangue humano e equipamentos médicos.

Melanoma maligno 

O melanoma maligno é o tipo de câncer de pele com pior prognóstico devido à sua capacidade de invasão e produção de metástases com rapidez disseminando-se para outros órgãos. Essa doença tem origem nos melanócitos, que são as células produtoras de melanina – substância que determina a cor da pele – e atinge, predominantemente, indivíduos de pele clara. Se detectado em estágios iniciais, pode ser removido cirurgicamente e o prognóstico é considerado bom. 

Travassos explica que, embora mais de 90% das lesões do melanoma primário surjam na pele, uma pequena porcentagem pode ser encontrada no olho, nas meninges e na mucosa dos aparelhos digestivo e respiratório. 

No Brasil, o câncer de pele é o mais frequente e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país. Além da pele clara, a exposição excessiva ao sol, histórias prévias de câncer de pele ou familiar de melanoma são alguns dos fatores de risco mais conhecidos para a doença. 

Em 2010, segundo o INCA (Instituto Nacional do Cancer), foram registradas 1.507 mortes decorrentes do melanoma, sendo 842 homens e 665 mulheres.

Tese de doutorado:
Anticorpos monoclonais (mAbs) protetores contra o melanoma murino B16F10. Atividade antitumoral de CDRs isolados, derivados desses anticorpos. Autor: Andrey Dobroff. Orientador: Luiz Rodolpho R. G. Travassos.

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Segunda, 11 Novembro 2013 16:06

Campus Osasco

Escola Paulista de Política, Economia e Negócios

Rosa Donnangelo

Unifesp Campus Osasco, o prédio é uma construção pintada de verde e branco e foi retratado em um dia ensolarado

O processo de expansão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) iniciou-se em 2004 e deu origem a cinco outros campi além do original, situado em São Paulo, incluindo o da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios, a (EPPEN). O local, no município de Osasco, região metropolitana da capital paulista, oferece aos 863 alunos matriculados em 2013 cursos de graduação e o recém-criado programa de pós-graduação, que qualifica o estudante e estimula a pesquisa. O programa, com nível mestrado profissional (MP) em Gestão de Políticas e Organizações Públicas, criado em 2013, deu início às atividades em agosto, com 25 vagas preenchidas.  

Coordenado por Álvaro Machado Dias, o programa traz à tona a problematização das práticas que envolvem a gestão de políticas e organizações públicas, bem como a discussão e implementação dessas práticas. O coordenador acredita que o mestrado profissional em questão está voltado para pessoas que já estão trabalhando e que ao longo da sua prática perceberam a necessidade de um aprofundamento científico para o tratamento de questões relacionadas a esse ambiente no qual elas estão inseridas.

O MP tem um aspecto prático maior que o verificado no mestrado acadêmico. Inicialmente, o programa obteve nota 3 na classificação inicial pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), mas, segundo Dias, os docentes e a coordenação estão focados na produção de indicadores favoráveis para alavancar a nota do programa.
O coordenador explica também que, para a criação do programa, concorreram a demanda da comunidade, a expertise dos professores e o interesse da instituição. “A procura foi muito grande, superando as expectativas”, ressalta.

Prédio da Unifesp Osasco

Osasco, além de ser o quinto maior município do estado em termos de população, tem o décimo maior PIB. Atrai investimentos de grandes empresas e se desenvolve economicamente graças à quantidade de indústrias e empresas privadas de renome da região. O crescimento da cidade, principalmente no âmbito da economia, demanda profissionais da área para cargos que tenham como função a manutenção de índices de desenvolvimento econômico, funcionalidade política e administração equilibrada, capaz de trabalhar, entender e atuar em Osasco. O alunado capaz e qualificado para fazer com que o município permaneça em constante crescimento encontra-se na EPPEN.

A área de administração pública é pouco abordada nas universidades. O Campus Osasco é, portanto, privilegiado. O mestrado que a EPPEN oferece é importante no sentindo de divulgar a gestão pública, promover a produção de conhecimento para resultados eficazes nos problemas relacionados à área no país. O curso de Gestão de Políticas e Organizações Públicas possibilita ao estudante ganhar conhecimentos que abrangem desde a formação em metodologia científica e tratamento de dados, passando por administração, políticas públicas e economia, além de produzir conhecimento científico que será publicado. Como coordenador do programa, Dias observa que o principal ganho dos alunos é a experiência na produção de uma resposta científica a problemas extraídos do seu cotidiano, que é enfim a própria produção do projeto.

Ciências atuariais 

A EPPEN cresce e o avanço da pós-graduação é consequência positiva desse crescimento. Está em curso, por exemplo, o primeiro projeto de pós em Ciências Atuariais do Brasil – mestrado profissional – que tem como objetivo, segundo Arthur Bragança, coordenador do programa, abordar o conteúdo do contexto técnico atuarial de uma forma acadêmica e profissional, levando em consideração não somente a questão clássica de seguros e administração de riscos do campo atuarial, mas também com grande ênfase nos aspectos previdenciários e de mercado financeiro que envolvem a área atuarial.

Bragança destacou a importância do programa para a Unifesp, uma vez que, em universidades da Europa e Estados Unidos, existem poucos cursos na área de Ciências Atuariais e, no Brasil, são apenas 17, de acordo com o Instituto Brasileiro de Atuária. “Um mestrado nessa área produz reflexos positivos para o campus e para a universidade como um todo, tornando o curso de Osasco uma referência global na área atuarial”, afirma. “O mercado de trabalho do setor atuarial demanda, cada vez mais, profissionais qualificados, principalmente no que diz respeito ao sistema previdenciário, um dos principais setores de análise do graduado em Ciências Atuariais”.

A Unifesp deu um importante passo no que diz respeito ao conhecimento científico e à pesquisa. A expansão foi eficaz para a criação da EPPEN. A Escola Paulista de Política, Economia e Negócios conta com docentes capacitados e um alunado com interesse pelo conhecimento científico. A pós-graduação se desenvolve qualitativamente e o conhecimento científico, as publicações e artigos que serão feitos podem servir de respaldo para melhorias para o país.

O mais novo dos campi 

O Campus Osasco é o mais recente legado do processo de expansão da Unifesp. Iniciou suas atividades em 2011. No local, são oferecidos cinco cursos de graduação (Administração, Ciências Atuariais, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas e Relações Internacionais) e um mestrado profissional em Gestão de Políticas e Organizações Públicas. Hoje, possui 863 alunos matriculados e 66 docentes. A especialização conta com dois projetos de extensão e um curso intercampi, que envolve todos os campi da Unifesp, alguns com participação já consolidada e outros em processo de consolidação. 

A Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (EPPEN), como é conhecido o campus, é estratégica,uma vez que a cidade de Osasco está em constante crescimento econômico e necessita de profissionais capacitados para atender a essa demanda. Para início das atividades, o Ministério da Educação (MEC) emitiu autorização para abertura dos cursos, poŕem, eles ainda não foram avaliados. Isso só acontecerá quando estiver formada a primeira turma de graduação, no final de 2014.

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