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O que desafia, transforma

Nesta edição da Entreteses, abordamos todas as atuações possíveis da Unifesp e do Hospital São Paulo (HSP/HU Unifesp) em torno da pandemia de covid-19, desde o alerta oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 11 de março de 2020. Tanto a universidade quanto seu hospital universitário rapidamente se organizaram e, em 14 de março daquele ano, já se haviam posicionado pela preservação da vida da comunidade. Simultaneamente, seus (suas) gestores (as) começaram a trabalhar na busca de soluções para o prosseguimento das atividades de ensino, pesquisa, extensão, gestão e, principalmente, assistência aos (às) pacientes atendidos (as) por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) nas dependências do hospital e dos ambulatórios.

O ineditismo da situação global, nacional e local, trazido pelo novo coronavírus, escancarou a responsabilidade e o papel crucial da instituição perante a sociedade. Além disso, as discrepâncias observadas de forma ainda mais evidente durante a pandemia ampliaram nossa percepção sobre a necessidade de manutenção das ações de extensão, que se mostram tão importantes não somente para a continuidade da formação, mas também para a oferta de suporte à sociedade e aos (às) profissionais em questões diversas.

Por isso, não paramos! Pelo contrário, reestruturamos o que foi possível para enfrentar uma situação sem precedentes nas últimas décadas. Apostamos em determinadas providências, como:

1) criação de comitês para tomada de decisões; busca de recursos para melhorar o atendimento aos (às) pacientes e dar suporte aos (às) profissionais de saúde, servidores (as) e estudantes da instituição;

2) reorganização das atividades de ensino na graduação, pós-graduação e extensão para a modalidade remota; ampliação das ações extensionistas;

3) foco em pesquisa e inovação, de modo a contribuir para a solução da pandemia;

4) comunicação e divulgação ampla de todas essas iniciativas em um portal específico, localizado neste endereço: coronavirus.unifesp.br.

Ou seja, diante do paradoxo instalado em nosso país, onde há atualmente um grave corte orçamentário no ensino superior público, via de regra destinado à ciência, tecnologia e inovação, a Unifesp mostrou sua resistência, capacidade e imprescindível papel para a sociedade brasileira.

Neste número da revista, conseguimos elaborar um recorte bastante preciso do cenário delineado. No material ora disponibilizado, reunimos ações, estudos e relatos em torno dos temas que julgamos que sejam os mais relevantes para a sociedade nos meses de pandemia e nos próximos – saúde pública, vacina, educação, tecnologia, ciência e novos medicamentos, estruturas sociais, economia e meio ambiente. Contudo, é bom lembrar: hoje existem mais de 1.509 projetos registrados no Comitê de Ética e Pesquisa (CEP), dos quais 307 (20%) estão diretamente relacionados à covid-19. Somente em 2021, do total de 253 projetos registrados no CEP, 36 (14%) tratam do Sars-CoV-2. Por isso, as páginas seguintes constituem necessariamente um recorte.

Nelas, há vários exemplos de projetos de pesquisa e inovação, como dos que falam sobre o desenvolvimento da vacina Oxford/AstraZeneca, que está levando esperança a milhares de pessoas, e da vacina por spray nasal, cuja tecnologia poderá auxiliar no combate a outras doenças. Além dessas iniciativas, mencionamos o aplicativo criado para planejar o retorno às atividades presenciais em escolas e escritórios, o qual será utilizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no próximo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O artigo Em Busca do Engajamento no Ensino Remoto traz à tona a brusca (e brutal) mudança pela qual os (as) professores (as), da educação infantil à universidade, tiveram de passar, mesmo sem o preparo adequado. Foi necessário descobrir tecnologias, metodologias e formas de ensino em um ambiente, em princípio, não destinado a isso: suas próprias casas. O pesquisador Camilo de Lellis Santos expressou sua preocupação em relação à falta de domínio da tecnologia ou acesso à internet de qualidade pelos (as) estudantes, uma dificuldade reiterada por outros (as) docentes no artigo Antes do Futuro Tecnológico, o Presente da Educação. Indagados pela Entreteses, tais docentes acreditam que a transferência das atividades educacionais para o ambiente digital foi necessária, mas está longe de ter sido bem-sucedida.

A Entreteses n° 14 expõe, por fim, a história de alguns (algumas) de nossos (as) pesquisadores (as), que bravamente se destacaram na instituição durante a crise sanitária, como Nancy Bellei, Álvaro Atallah, Ana Cristina Gales e Daniel Araki Ribeiro. A comunidade unifespiana agradece àqueles (as) que, diante de um dos maiores desafios que recaíram sobre as populações do planeta, a pandemia de covid-19, mantiveram-se erguidos (as) e atuaram em todas as frentes para que nossa universidade não parasse.

 

Taiza Stumpp Teixeira

Taiza Stumpp Teixeira, 
Pró-Reitora de Extensão e Cultura 

(Fotografia: Alex Reipert)

Ligia Ajaime Azzalis

Ligia Ajaime Azzalis
Pró-Reitora de Graduação

(Fotografia: Alex Reipert)

Lia Rita Azeredo Bittencourt

Lia Rita Azeredo Bittencourt,
Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa

(Fotografia: Alex Reipert)

Já que a pandemia transformou tantas situações, decidimos transformar este editorial em uma reflexão construída a três mãos. Ensino, pesquisa e extensão atuaram em conjunto pela busca de soluções durante todo esse período, e – neste espaço – suas representantes refletiram sobre o que foi necessário mudar para que a universidade continuasse fazendo o que deve fazer: servir à sociedade (Nota da Redação)