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Códigos e corações abertos

O CodeLab-Unifesp reúne alunos e docentes dispostos a criar soluções em software, voltadas a organizações sociais sem fins lucrativos

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Fotografia: Alex Reipert

Texto: Valquíria Carnaúba

O CodeLab-Unifesp começou em 2018, mas já encontra caminhos estimulantes a serem percorridos. Coordenado por Denise Stringhini, professora adjunta do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT/Unifesp) - Campus São José dos Campos, esse programa de extensão, cuja denominação é uma forma reduzida de Code Laboratory ou Laboratório de Código, reúne alunos e professores dispostos a criar unidades de software para a resolução de problemas oriundos de organizações de cunho social sem fins lucrativos. Com uma experiência de mais de 15 anos no ensino de Ciência da Computação, Stringhini afirma que a necessidade de proporcionar aos alunos um aprendizado baseado em fatos motivou a criação do CodeLab. “Por meio da metodologia challenge based learning (CBL), os alunos adquirem conhecimento e habilidades ao enfrentarem desafios reais de programação.” 

De acordo com a docente, o CodeLab surgiu a partir de uma demanda natural dos cursos de graduação do campus, em que a maioria das disciplinas ensina o desenvolvimento de software a partir de exercícios didáticos sem relação, muitas vezes, com o mundo real. “A ideia amadureceu com a participação dos alunos. Havia, no início, o Clube de Python, grupo formado para discutir a linguagem Python de programação, que já ensaiava intervir na resolução de problemas concretos”, complementa. 

Com a consolidação desse modelo de trabalho, os alunos encontraram a ponte necessária para dialogar com entidades externas à universidade. Se estas apresentam, por exemplo, falhas de gerenciamento de dados, são agendadas, desde o primeiro contato, reuniões para o mapeamento das fraquezas no campo da organização de dados. Os alunos dispostos a participar dos projetos são, então, orientados a se dividirem em equipes, cada uma envolvida com determinada feature, ou seja, com determinada funcionalidade a ser criada ou melhorada – etapa em que já é possível sanar diversos conflitos. O impacto social se dá desde a disponibilização do software, de natureza aberta e gratuita, até a transferência do conhecimento produzido a partir das tarefas desenvolvidas. 

Um dos desafios citados pela docente é conciliar a dinâmica dos trabalhos assumidos com a rotina universitária. “Com a rotatividade dos alunos, que se formam e dão lugar aos ingressantes, apesar de as metodologias de desenvolvimento serem inspiradas nas startups, a entrega dos projetos tende a atrasar”, pondera. Por isso, a equipe assumiu, até o momento, o atendimento de apenas duas organizações não governamentais: o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Jair Jesuíno Trindade (Cedeca) e o Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário Queiroz Filho (Ibeac), os quais deram origem, respectivamente, aos projetos CodeLab - Cedeca e CodeLab - Ibeac.

Projeto CodeLab - Cedeca: formação de banco de dados

O Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Jair Jesuíno Trindade (Cedeca) é uma ONG sediada em São José dos Campos, que atua em parceria com a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, cuidando de processos encaminhados por esse órgão, quando a demanda supera a oferta de advogados na área. Inicialmente a parceria com o Cedeca visava a um trabalho voltado à estatística (número de processos atendidos, população-alvo e mineração de dados no Ministério da Justiça e Segurança Pública, mediante a utilização da linguagem Python). Apesar de possuírem computadores, tanto o encaminhamento quanto o atendimento eram registrados manualmente, o que, além de deixar os processos mais lentos, ainda acarretava conflitos: frequentemente, dois ou mais advogados assumiam o mesmo caso. Sem o apoio de um banco de dados digital – que está sendo desenvolvido pelo grupo do CodeLab – era comum haver duplicidade de processos.

Projeto CodeLab - Ibeac: implantação de rede social fechada

Criado em São Paulo, em 1981, o Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário Queiroz Filho (Ibeac) será a próxima entidade a ser atendida pelo Campus São José dos Campos. Trata-se de uma ONG que promove o fortalecimento de comunidades vulneráveis por meio da educação e defesa dos direitos humanos. Formada principalmente por mulheres que atuam em seis regiões de Parelheiros, desenvolve iniciativas como a biblioteca comunitária e o Centro de Excelência em Primeira Infância (Cepi). Em relação a este último, o grupo do CodeLab planeja a implantação de plataforma semelhante a uma rede social fechada, de fácil utilização e que permitirá o armazenamento de dados, somado à segurança digital dos usuários.

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Denise Stringhini, professora adjunta do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT/Unifesp) - Campus São José dos Campos

www.facebook.com/CodelabUnifesp