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Núcleo de Terapia
Ocupacional
A experiência com pacientes clínicos no hospital
geral mostra a necessidade crescente de ampliarmos o cuidado com o bem-estar
físico, mental e social visando auxiliar o paciente e seus familiares a atravessar
a crise desencadeada pelo adoecer.
Quando
os cuidados com o adoecer ficam limitados pura e simplesmente ao
cuidado com a terapia da doença, tem lugar uma série de eventos
que comprometem o tratamento e repercutem na evolução
global da situação, acarretando prejuízos significativos para
a saúde e o equilíbrio do grupo envolvido e os custos sociais que
isto representa.
O Serviço de Atenção Psicossocial Integrada
em Saúde do Hospital São Paulo (SAPIS-HSP) tem desenvolvido uma série de ações
visando uma atenção ampla às necessidades de todos os envolvidos no processo
dos cuidados com a saúde. Algumas preocupações fundamentais são:
a) garantir a continuidade dos
cuidados;
b) iniciar a reabilitação o mais
cedo possível;
c) trabalhar as conseqüências
do adoecer para o paciente visando prevenir seqüelas físicas e psicológicas
evitáveis;
d) trabalhar as conseqüências
do adoecer para o grupo social do paciente, visando evitar a desestruturação
do grupo e prevenir doenças decorrentes do estresse que a situação acarreta;
e)
instrumentalizar os profissionais psara lidar com as situações
e com o estresse envolvido na tarefa.
f) promover mudanças na mentalidade
institucional tendo em vista os objetivos descritos
Na efetivação destes propósitos, uma intervenção
que consideramos de grande relevância foi introduzida em junho de 2002, através
do trabalho de Terapia Ocupacional (TO).
Habitualmente, a condição de doente despoja
o paciente da condição de agente, relegando-o a uma posição passiva, seja em
relação ao tratamento seja em relação à sua vida, suas atividades, a organização
de seu tempo, etc.
Os procedimentos da terapia ocupacional reposicionam
o paciente frente à realidade e constituem processo de excelência para a manutenção
e estimulação de seus aspectos saudáveis e na sua reabilitação, no plano físico,
mental, social e territorial.
Os procedimentos, por outro lado, produzem também
uma mudança ambiental considerável que repercute na enfermaria como um todo,
melhorando a qualidade emocional dos vínculos de todos os envolvidos no processo
(pacientes e profissionais).
Atualmente o núcleo de atendimento em TO conta
com dois profissionais e tem atendido tanto a pedidos como tem realizado intervenções
em algumas enfermarias.
Dentre os pedidos atendidos, temos o seguinte
quadro:

Observamos, por outro lado, que as solicitações
para os procedimentos da terapia ocupacional estão ligadas principalmente aos
seguintes aspectos:
(1) períodos longos de internação: as internações
prolongadas promovem um sentimento de vazio no paciente – a queixa mais freqüente
é de que o tempo não passa, além de ter de suportar a angustia de esperar pelo
resultado de exames, ou que determinado medicamento termine de ser administrado,
ou de ter de ficar em repouso absoluto. As internações prolongadas associam-se
com freqüência com doenças crônicas graves e incapacitantes, embora ocorram também
em situações agudas; sintomas depressivos compatíveis com um quadro reativo muitas
vezes surgem em função do tempo de internação; nestas situações a reorganização
do cotidiano, em função do desenvolvimento de atividades, ajuda o paciente a
ocupar o tempo. Tal ocupação não é lúdica mas protetora, no sentido de preservar
a capacidade do paciente para manter as atividades de vida diária e atividades
de vida prática.
(2) facilitação no manejo clínico com o paciente:
diversos pacientes apresentam, por característica de personalidade, dificuldade
na interação com equipe, despertando sentimentos hostis por parte desta. A relação
entre o cuidador e o paciente torna-se tumultuado pelas hostilidades; a terapia
ocupacional contribui para o alivio e, muitas vezes, eliminação destas dificuldades
no manejo terapêutico através do trabalho associativo que é promovido com o paciente,
permitindo que ele elabore a dificuldade de lidar com a internação e o adoecimento.
(3) ampliação do campo relacional (paciente-familiar,
paciente-equipe, paciente-paciente): a internação muitas vezes é vivenciada pelo
paciente como um processo de desvalorização pessoal, uma vez que o paciente deixa
de ser um individuo produtivo e auto-suficiente, passando a ser dependente dos
cuidados físicos e da atenção emocional. A fragilidade vivida estreita as relações
interpessoais; o paciente que é também, por exemplo, marido, pai, chefe de família,
trabalhador, amigo, passa a ser em todas as dimensões apenas um paciente. A terapia
ocupacional promove que o paciente encontre uma nova possibilidade de ser produtivo,
de recuperar a auto-estima através da execução de atividades, ampliando assim
seu papel no campo relacional, muitas vezes reconstruído ou construído no fazer.
(4) criar condições de melhora e adaptação do
paciente aos procedimentos necessários ao tratamento e internação: é comum recebermos
encaminhamentos de pacientes com restrições motoras devido a procedimentos e/ou
equipamentos utilizados; ou com seqüelas físicas muitas vezes irreversíveis,
o que compromete muito a independência nas atividades de vida diária e atividades
de vida prática. A terapia ocupacional contribui com intervenções tanto para
a adaptações de equipamentos, materiais e atividades como na organização de uma
rotina possível (que se inicia no período da internação, e orientação para o
período pós-alta) considerando as limitações impostas pela doença.
Quanto aos serviços que tem solicitado, temos:

A repercussão alcançada pelo trabalho nas enfermarias
é extremamente favorável: há uma melhora considerável do ambiente e das relações
que tem beneficiado de forma clara e intensa todos os envolvidos no processo
(paciente, equipe, familiares).
Esses resultados nos encaminham para uma proposta
de ampliação e possível universalização desses cuidados e a recomendação da adoção
desse modelo para outros serviços.
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