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Informações aos Alunos, Residentes
e Profissionais de Saúde
NAPREME
Núcleo de Assistência e Pesquisa
em
Residência Médica e Pós-Graduação
Introdução A
literatura sobre as doenças
ocupacionais em Medicina tem
abordado o problema dos riscos
à saúde inerentes à prática
médica. Um ponto importante
em relação ao trabalho na área
da saúde é o caráter altamente
ansiogênico do exercício profissional.
Diversos (1-3) estudos apontam
peculiaridades do exercício
da Medicina que merecem ser
destacados na rotina diária
do médico residente:
- o
contato freqüente com a dor
e o sofrimento
- lidar
com a intimidade corporal e
emocional
- o
atendimento de pacientes terminais
- lidar
com pacientes difíceis - queixosos,
rebeldes e não aderentes ao
tratamento, hostis, reivindicadores,
auto-destrutivos, cronicamente
deprimidos
- lidar
com as incertezas e limitações
do conhecimento médico e do
sistema assistencial que se
contrapõem às demandas e expectativas
dos pacientes e familiares que
desejam certezas e garantias.
Na
Residência Médica, o estresse
atinge o seu ápice (4-13). O
período de transição aluno-médico,
a responsabilidade profissional,
o isolamento social, a fadiga,
a privação do sono, a sobrecarga
de trabalho, o pavor de cometer
erros e outros fatores inerentes
ao treinamento estão associados
a diversas expressões psicológicas,
psicopatológicas e comportamentais
que incluem: estados depressivos
com ideação suicida, consumo
excessivo de álcool, adição
a drogas, raiva crônica e o
desenvolvimento de um amargo
ceticismo e um irônico humor
negro. A Associação Médica Americana
considera os médicos residentes
como um grupo de risco para
distúrbios emocionais (7).
A
depressão e a privação do sono
aparecem na literatura como
os mais significativos problemas
que afetam os residentes e tem
sido considerados, respectivamente,
como a principal reação ao treinamento
e o mais importante fator estressante(8).
Um quadro sindrômico - "the
house officer stress syndrome"
- foi descrito em médicos residentes(9).
Esta síndrome do estresse do
residente apresenta as seguintes
características: distúrbios
cognitivos episódicos, raiva
crônica, ceticismo, discórdia
familiar, depressão, ideação
suicida e suicídio, uso abusivo
de drogas.
Segundo
Small(9), os fatores etiológicos
deste quadro sindrômico são:
privação do sono, excessiva
carga de trabalho, responsabilidade
profissional, mudanças freqüentes
nas condições de trabalho, competição
entre os residentes.
Os
estudos sobre a depressão em
residentes tem revelado que
cerca de 30% dos R1 apresentam
um quadro depressivo que costuma
ter início no segundo mês e
se acentua em torno do oitavo
mês do treinamento(10). Esta
taxa de depressão (30%) decresce
nos anos subsequentes para 22%
nos R2 e 10% nos R3(11). As
mais altas taxas de quadros
depressivos são encontradas
durante os estágios de Enfermaria,
Pronto-Socorro e Unidades de
Terapia Intensiva(11,12).
A
Residência Médica é um processo
de desenvolvimento no qual o
residente deve fazer um balanço
entre o desejo de cuidar e o
desejo de curar, lidar com sentimentos
de desamparo em relação ao complexo
sistema assistencial e estabelecer
os limites de sua identidade
pessoal e profissional(14).
O
estresse na Residência Médica
tem sido classificado em três
categorias(15):
- estresse
profissional - é o estresse
associado aos processos de profissionalização
e desenvolvimento do papel de
médico na sociedade. O estresse
profissional está vinculado
a: administrar o peso da responsabilidade
profissional, lidar com pacientes
difíceis, supervisionar estudantes
e residentes mais jovens, gerenciar
o crescente volume de conhecimentos
médicos e planejar a carreira
profissional.
- estresse
situacional - é o estresse associado
a certas peculiaridades do treinamento
tais como: privação do sono,
fadiga, excessiva carga assistencial,
muitos pacientes difíceis, excesso
de trabalho administrativo,
corpo auxiliar insuficiente
e problemas relativos à qualidade
do ensino e ao ambiente educacional.
- estresse
pessoal - vinculado a características
individuais e situações pessoais,
como por exemplo: características
de personalidade, vulnerabilidades
psicológicas, situação socio-econômica,
problemas familiares, eventos
de vida, etc..
Essas
três categorias de estresse,
com freqüência, se superpõem.
Assim, por exemplo, o estresse
associado à escolha de especialidade
envolve elementos pessoais e
profissionais. Por outro lado,
a carga de trabalho e a pressão
do tempo podem ser consideradas
como estresses situacional,
pessoal e profissional.
Em
um estudo prospectivo realizado
na Escola Paulista de Medicina(16)
com residentes de 12 programas
de Residência Médica, os resultados
mostraram que as principais
dificuldades encontradas pelos
residentes na tarefa assistencial
foram:
- a
quantidade de pacientes
- a
comunicação com pacientes de
baixo nível socio-econômico-cultural
- pacientes
hostis e/ou reivindicadores
- pacientes
que vêm a falecer
- pacientes
com alteração de comportamento
- as
comunicações dolorosas (comunicar
ao paciente e/ou à família situações
graves ou de morte)
- os
dilemas éticos
- o
medo de contrair infecções durante
a realização de atos médicos.
Nesse
estudo, as principais fontes
de estresse identificadas pelos
residentes foram:
- medo
de cometer erros
- fadiga,
cansaço
- falta
de orientação
- estar
constantemente sob pressão
- plantão
noturno
- excessivo
controle por parte dos supervisores
- lidar
com as exigências internas ("ser
um médico/a que não falha")
- falta
de tempo para lazer, família,
amigos, necessidades pessoais.
A
experiência com Residência Médica
tem mostrado que os residentes
são submetidos a diversos tipos
de estresse durante o treinamento
e que estes fatores estressantes
podem produzir efeitos danosos
nos residentes, afetando a qualidade
da assistência prestada aos
pacientes. Diversos trabalhos
tem demonstrado que a implementação
de programas de assistência
aos residentes produz uma melhoria
tanto na qualidade da capacitação
profissional em termos de lidar
com o estresse do treinamento
como também na qualidade de
vida pessoal com um melhor relacionamento
com os pacientes(17-31).
É
nesse contexto que se insere
a criação do NAPREME (Núcleo
de Assistência e Pesquisa em
Residência Médica) na Universidade
Federal de São Paulo/Escola
Paulista de Medicina. O NAPREME
tem como público-alvo básico
os 436 médicos residentes do
complexo UNIFESP-EPM/HSP; está
disponível também para a população
de aprimorandos, especializandos
e pós-graduandos (cerca de 2500
pessoas). A cada ano, ingressam
na UNIFESP 148 novos médicos
residentes, em diversos programas
que duram entre dois e cinco
anos.
Pós-Graduação Na
área da formação de pesquisadores,
que é uma outra importante área
de atuação da nossa universidade,
o sofrimento psíquico e o estresse
ocupacional também são relevantes.
Estudantes de pós-graduação,
em seu cotidiano, têm que lidar
com diversos elementos ansiogênicos;
uma parte dos PGs, além do estresse
assistencial, têm que administrar
as questões inerentes
ao desenvolvimento do papel
de pesquisador. Alguns destes
fatores estressante são:
- carência
de recursos para desenvolvimento
das pesquisas;
- conviver
em ambientes altamente competitivos;
- lidar
com a pressão dos prazos;
- conciliar
atividades acadêmicas (assistência,
docência e produção científica);
- inserção
no mercado de trabalho
- incertezas
quanto ao futuro profissional
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