|

|
Brinquedoteca
Terapêutica no Ambulatório de Transplante de Fígado
Pediátrico: Relato de uma Experiência.
Por Samantha Mucci
As crianças com doença hepática crônica
apresentam limitações físicas importantes como
icterícia, fadiga, ascite, hemorragia digestiva alta, coceira
e câimbras, que acarretam em uma perda de qualidade de vida
e interrupção na vida cotidiana. Muitas crianças
recusam-se a ir à escola, choram muito ao passar em consulta
médica, vivem momentos de intensa angústia diante
da necessidade constante de realização de exames e
tendem ao isolamento, evitando proximidade com outras crianças.
Dentro deste contexto, há 4 anos a brinquedoteca terapêutica
foi implantada no ambulatório de transplante de fígado
pediátrico da UNIFESP/EPM.
A brinquedoteca tem como objetivo estimular, através do
brincar, o desenvolvimento normal, proporcionar interação
e trocas de experiências entre as crianças do grupo,
favorecer o equilíbrio emocional, estimular a livre expressão
de sentimentos, preparar psicologicamente as crianças para
realização de procedimentos, estimular a adaptação
da criança às limitações de sua doença;
oportunizar um ambiente terapêutico, onde a criança
possa se desenvolver enquanto ser lúdico, espontâneo
e criativo. A brinquedoteca terapêutica do serviço
de transplante de fígado é realizada semanalmente
e no espaço são disponibilizados jogos, bonecas, carrinhos,
bichos de pelúcias, livros infantis, materiais para desenho
e pintura, mesas e cadeiras, tapete de borracha colorido. Inicialmente,
as crianças tiveram que ser estimuladas a participar; atualmente,
entram no ambulatório e já se direcionam para a brinquedoteca
onde aguardam para serem chamadas para consulta. Uma psicóloga
acompanha o brincar com e entre as crianças. Algumas vezes,
os pais também aproveitam o espaço para estarem mais
próximos de seus filhos, aprendendo a brincar com eles.
Nesses 4 anos, foi possível observar que a brinquedoteca
promoveu a aproximação médico-paciente, tornou
o ambiente mais acolhedor e menos amedrontador e mais próximo
do cotidiano e do brincar das crianças; estimulou a adaptação
da criança às limitações de sua doença,
contribuiu para a reinclusão ao convívio com outras
crianças e favoreceu a muitos pais que olhassem seus filhos
como crianças que preservam a capacidade de brincar apesar
das limitações das doenças.

|