epmpq.gif (1789 bytes) BANCO DE TESES VERA BEATRIZ MARTINS MONTEIRO

 Procura de ajuda e tratamento realizada por familiares de pacientes no primeiro episódio psicótico

Orientador: Prof Dr José Francisco Quirino dos Santos

 

RESUMO

Estudos recentes demonstram que o tempo de psicose não tratada, após um primeiro episódio psicótico, em alguns casos, é muito longo. Alguns pacientes permanecem um período grande sem procurar tratamento apesar de estarem apresentando sintomas graves. Neste sentido torna-se bastante importante o entendimento da demora para o início do tratamento. Objetivo: Estudar o percurso de procura de ajuda e tratamento realizado por familiares de pacientes que após um primeiro episódio psicótico demoraram mais de 6 meses para iniciar um tratamento psiquiátrico adequado. Método: Quinze familiares de nove pacientes em tratamento no Programa de Primeiro Episódio Psicótico – PEP do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP-EPM foram entrevistados no período de junho de 2002 a julho de 2003. Para a realização da entrevista foi utilizado um roteiro abordando assuntos relativos à percepção dos primeiros sintomas psicóticos e sua elaboração e conseqüente processo de procura de ajuda e tratamento. As entrevistas foram gravadas e transcritas e os trechos comuns foram agrupados e classificados em termos de categorias, conceitos e noções. A análise (qualitativa) consistiu em descobrir o nexo de sentido entre cada grupo de idéias obtido anteriormente. Resultados: O período de demora para o início de tratamento foi um período difícil e conturbado para pacientes e familiares. Os familiares apresentavam noções preconceituosas e desabonadoras sobre a “loucura”, que não aplicavam a seus parentes fazendo uma distinção entre os "outros loucos", depositários de aspectos negativos como violência e marginalidade e o parente doente, "os nossos loucos”, que são vistos de uma maneira mais humanizada e afetiva. Como não tinham conhecimento sobre a doença mental, para lidar e entender o problema de seu familiar, classificaram o problema como: espiritual, problema de drogas e nervoso, classificações que foram articuladas com problemas psicossociais. Após o tratamento no PEP incorporaram a noção de doença mental que foi acrescentada às explicações anteriores numa busca de entendimento mais amplo que tenta integrar dimensões biológicas, psíquicas, sociais e sobrenaturais. Concepções negativas que possuíam sobre tratamento psiquiátrico e experiências ruins com os serviços procurados também contribuíram para a demora para o início do tratamento. Conclusões: A procura de ajuda e tratamento foi influenciada: a) pelas concepções estereotipadas que os familiares possuíam sobre a doença mental, b) pelos modelos que construíram para entender o problema de seu parente, c) pelas concepções preconceituosas a respeito do tratamento psiquiátrico e d) pela experiência com serviços psiquiátricos contatados. Os fatores culturais estão presentes em todo o processo de elaboração de um primeiro episódio psicótico e podem ajudar a diminuir o sofrimento e a culpa dos familiares.