RESUMO
Introdução: O transplante hepático
é um recurso da medicina altamente sofisticado que permite
a substituição do fígado doente por um saudável.
O paciente bem sucedido no procedimento cirúrgico tem melhora
física significativa, apesar de ter que ser acompanhado pelo
médico durante toda a vida. Além disso, também
terá que tomar medicações imunossupressoras
para evitar a rejeição. Considerando todos os aspectos
do tratamento a maior preocupação das equipes transplantadoras
é com a qualidade de vida destes pacientes. Objetivos: Avaliar a qualidade de
vida de pacientes portadores de doença hepática crônica
transplantados e não transplantados de fígado.Comparar
a qualidade de vida de pacientes portadores de doença hepática
crônica transplantados de fígado com pacientes que
aguardam o transplante em Lista de Espera. Avaliar e comparar a
prevalência de sintomas depressivos e o grau de dependência
física dos dois grupos de pacientes. Método: Um grupo
de 15 pacientes transplantados de fígado e um grupo de pacientes
não transplantados em lista de espera para o transplante
hepático. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Ficha
sócio demográfica, Short-form Health
Survey (SF-36), Inventário
de Beck e índice de Karnofsky. Para a análise estatística
utilizamos o banco de dados do SPSS for Windows, Versão 6.0. Para responder
às perguntas do estudo, foram realizados teste Mann-Whitney.
Foram ainda calculados os coeficientes de correlação
de Pearson e, para todos os testes estatísticos deste estudo,
arbitrou-se o nível de significância em p£0,05. Resultados: A qualidade de vida
dos pacientes transplantados de fígado apresentou melhores
resultados quanto aos domínios do componente físico
- capacidade funcional (p=0,031) e estado geral de
saúde (p=0,015). No entanto houve
piora nos domínios aspectos emocionais (p=0,019) e aspectos sociais (p=0,010) do componente mental. No
grupo de pacientes transplantados os resultados obtidos não
revelaram estarem correlacionados com variáveis como sexo,
ocupação, escolaridade, estado civil e tempo de transplante.
Constatamos apenas a correlação entre diagnóstico
e aspecto social (p=0,049), que mostrou que pacientes
com diagnóstico de cirrose por vírus B e C e hepatite
auto-imune estão piores no aspecto social. No grupo de não
transplantados constatamos correlação entre a variável
ocupação e os domínios dor (p=0,039) e estado geral de saúde
(p=0,016), mostrando que estes
fatores contribuíram para as limitações nas
atividades laborais dos pacientes antes do transplante. Os resultados
do Inventário de Beck mostraram que os pacientes transplantados
apresentaram escores para depressão maiores que os não
transplantados, mas não foi estatisticamente significante
(p=0,786). O índice de Karnofsky mostrou que os pacientes transplantados
apresentaram melhores resultados, embora a diferença entre
os grupos não tenha sido estatisticamente significante (p = 0,168). Conclusões:
Os pacientes transplantados de fígado apresentaram melhora
da qualidade de vida no que diz respeito à função
física, mas pioraram a condição psicossocial.
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