Banco de Teses :
Almir Ribeiro
Tavares Jr.
Doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da
Unifesp
Aspectos Neuropsiquiátricos da Neurocisticercose humana
Orientador: Prof. Dr. Jair de Jesus Mari
No século XIX, a neurocisticercose (NCC) atraiu o interesse dos psiquiatras, então praticantes de Neuropatologia. Após o inicio do século XX, deixaram de estudá-la. Para verificar a atual relevancia epidemiológica e clínica da NCC em Psiquiatria, foram feitos estudos em autópsias e em pacientes de hospital psiquiátrico. Foram revistas todas as 20741 autópsias realizadas na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, entre 1938 e 1988. No grupo I (19574 autópsias realizadas por patologista geral, 1938 a 1976), a prevalencia de NCC foi de 0.45% (89 casos). No grupo II (1167 autópsias, com técnica neuropatológica padronizada, 1977 a 1988), a prevalencia foi de 6.17% (72 casos). A localização da NCC nos ganglios da base ocorreu em 21% dos casos. Num grupo controle, (90 não pacientes, autopsiados após acidente de transito) não houve NCC. O risco de admissão psiquiátrica dos autopsiados positivos para NCC do grupo II foi de 4.1 vezes superior àquele dos negativos. Encefalopatia de Wernicke-Korsakoff alcoólica esteve significativamente associada aos casos com admissão. Dada a dificuldade para verificar a prevalencia da NCC na população em geral, estudos em autópsias permanecem importantes. Por meio de um ELISA-SPA para cisticercose obteve-se a soroprevalencia de 12.2% (23 casos) em 188 internos de um hospital psiquiátrico público em Belo Horizonte. NCC foi confirmada em 5.3% (10 casos), por líquor e tomografia cerebral. Estudo-se detidamente a psicopatologia dos casos comprovados, pela entrevista "Present State Examinatio-9" sua "Syndrome Checklist"e avaliação neuropsiquiátrica. Constaou-se demencia em todos os casos, de características subcorticais, sem desorientação espacial e com elevado escore isquemico de Hachinski. sintomas esquizofreniformes estiveram presentes em todos os pacientes, com quadros catatoniformes em 6 casos. Evidenciou-se agressividade e impulsividades marcantes, sugestivas de transtorno serotoninérgico. Semelhantemente à neuro-sífilis, houve períodos de "demencia eufórica". Noutras ocasiões, em todos constatou-se sintomatologia depressiva. Para a manutenção do seu ciclo biológico, é possível que o parasita busque localizações encefálicas que alterem o hábito de higiene de seu portador e desgovernem a hirarquia social. Dada a elevada prevalencia da NCC em hospital de psiquiatria e seu polimorfism psiquiátrico, recomenda-se incluí-la no diagnóstico diferencial rotineiro dos transtornos mentais em áreas endemicas e em viajantes e migrantes. Recomenda-se seu rastreamento rotineiro em pacientes psiquiátricos por sorodiagnóstico ou por tomografia cerebral. |