Banco de Teses : Salvador Pugliese (Mestrado)
Departamento de Psiquiatria da Unifesp
Estudo de uma intervenção grupal para familiares de indivíduos com diagnóstico de Esquizofrenia
Orientador: Prof Dr. Jair J. Mari
| Com o surgimento da teoria do
"duplo-vínculo", a família do indivíduo com diagn´sotico de esquizofrenia
passou a ser vista como um fator causal desta. Nos anos setenta, com o trabalho de Brown
sobre as emoções expressas, a família passou a ser vista como um fator de grande
influência na evolução clínica do quadro, não como causadora. a partir deste ponto,
surgiram estudos controles comparando, entre outros índices, as taxas de recaídas de
grupos que passavam por uma intervenção familiar. Essas intervenções têm a finalidade
deproporcionar a este indivíduo um ambiente familiar com níveis menores de emoções
expressas, menor tensão, redução no tempo de contato com familiares considerados com
altas emoções expressas, ensinando aos familiares como resolver os conflitos do
ambiente, a mudança do sistema de crenças sobre a Esquizofrenia e a inclusão dos
familiares como aliados no tratamento. Neste trabalho, estudamos o alcance de uma intervenção semanal grupal para familiares de indivíduos com diagnóstico de Esquizofrenia, segundo critérios do DSM-IV, acompanhados no programa de atendimento à esquizofrenia (PROESQ) da UNIFESP/EPM. Foram selecionadas e analisadas quanto à dinâmica grupal, oito sessões do grupo, cobrindo um período de um ano de seguimento. As análises foram realizadas sob a ótica psicanalítica, em especial a teoria de Bion e Melanie Klein, para a análise de fenômenos grupais e individuais, respectivamente. O grupo apresentou em sua evolução um maior contato com a realidade e as limitações de seu parente em tratamento, com diminuição na frequência e intensidade de idealizações em torno dos poderes de cura dos terapeutas, adequando suas expectativas em relaçã ao parente às suas reais possibilidades. Dentre os temas abordados pelo grupo com maior frequência, encontram-se crises, agressividade, cronicidade, cuidados e limites para o parente em tratamento, culpa, etiologia da esquizofrenia, estigma do indivíduo com transtorno esquizofrênico, solidão, desamparo. Dentre os motivos de adesão dos familiares que participaram deste grupo observamos o fato de encontrarem um espaço continente às suas angústias, em que identificavam-se com outros membros do grupo, com a possibilidade de resolução de conflitos através de suas projeções nos terapeutas e outros membros do grupo e a troca de experi~encias entre os familiares. A partir desta experiência, desenvolvemos um modelo de intervenção, adaptando alguns pressupostos psicanalíticos a este contexto, com sessões livre quanto aos temas, interpretações e apontamentos da dinâmica grupal e individual, com a finalidade de promover um funcionamento autônomo do grupo, com o terapeuta coordenando as discussões, valorizando o conheicmento e a experiência dos membros e incrementando sua capacidade resolutiva. |
http://www.unifesp.br/dpsiq/posgrad/teses/salvado.htm
![]()
Webmaster: Denise Razzouk
Data da última modificação: 11/03/99