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TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS  EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

CRIADOS EM INSTITUIÇÕES

Orientadora: Profa. Dra. Isabel A. S. Bordin

RESUMO

Introdução: O Brasil tem grande número de crianças e adolescentes sendo criados em instituições. A literatura indica que crianças e adolescentes institucionalizados apresentam atrasos em seu desenvolvimento e estão mais propensos a problemas de saúde, físicos e mentais. O presente trabalho pretende identificar os transtornos psiquiátricos que estas crianças e adolescentes apresentam e os fatores de risco associados a estes transtornos, gerando conhecimentos que possam contribuir para a adequada assistência e prevenção de problemas de saúde mental nesta população.

Objetivos: Verificar a prevalência de transtornos psiquiátricos apresentados por crianças e adolescentes institucionalizados em três cidades do Estado de São Paulo; verificar se a prevalência de transtornos psiquiátricos nestes indivíduos difere da prevalência observada em crianças e jovens vivendo com suas famílias; verificar se a institucionalização é fator de risco para transtornos psiquiátricos independentemente da influência de outros fatores potencialmente de risco; identificar o melhor modelo associativo para transtornos psiquiátricos nesta população; descrever as características de instituições que abrigam crianças e adolescentes em três cidades do Estado de São Paulo; descrever a história de vida das crianças e adolescentes criados nestas instituições.

Método:

Desenho: Estudo caso-controle.

Local: Todas (cinco) as instituições para o abrigo de crianças e adolescentes de três cidades do Estado de São Paulo.

Participantes: 63 casos (todas as crianças e adolescentes institucionalizados com idades entre 11 e 17 anos) e 63 controles (colegas de escola vivendo com suas famílias selecionados aleatoriamente dentre pares elegíveis; casos e controles pareados segundo sexo, idade e série).

Medidas: Desfecho clínico: presença de pelo menos um transtorno psiquiátrico, segundo os critérios da CID – 10. Variáveis independentes: dados sócio-demográficos, características familiares, história da institucionalização, qualidade de vida nas instituições e informações complementares sobre as crianças e adolescentes.

Análise: Fatores de risco potenciais identificados em análise univariada (p<0,20) foram introduzidos em modelos de regressão logística. Utilizando-se o método de redução passo a passo, dois melhores modelos associativos foram obtidos. O primeiro incluiu casos e controles e o segundo apenas os casos.

Resultados: 49,2% dos casos e 14,3% dos controles apresentaram transtorno psiquiátrico (OR=5,8; IC95%: 2,5-13,7; p<0,001); sendo a depressão o transtorno mais freqüente (28,6% dos casos e 7,9% dos controles). A institucionalização mostrou-se associada a transtornos psiquiátricos, independentemente da presença de outros fatores de risco. O primeiro melhor modelo associativo para transtornos psiquiátricos incluiu viver em instituição, ter mãe desaparecida ou falecida, ter desempenho escolar prejudicado e apresentar-se em más condições de higiene. O segundo modelo incluiu as instituições participantes do estudo, sendo que a probabilidade das crianças e adolescentes apresentarem transtornos psiquiátricos variou de uma instituição para outra.

Conclusões: Crianças e adolescentes institucionalizados têm maior chance de apresentar transtornos psiquiátricos do que aqueles vivendo com suas famílias. Suas vidas são marcadas por muitos eventos adversos, o quê poderia explicar a associação verificada entre institucionalização e transtornos psiquiátricos. As instituições diferem entre si em muitos aspectos, inclusive quanto à taxa de transtornos psiquiátricos apresentados pelas crianças e adolescentes que abrigam. As crianças e adolescentes institucionalizados merecem especial atenção dos profissionais de saúde mental e da sociedade como um todo, a fim de minimizar seu sofrimento e favorecer-lhes um desenvolvimento mais saudável, contribuindo para que tenham um futuro melhor.

Abstract

Rationale: Brazil has a large number of children and adolescents being raised in institutions. Literature suggests that institutionalized children and adolescents have developmental delays and are more likely to present physical and mental health problems along life. This study intends to identify the psychiatric disorders they present and associated risk factors, generating baseline information that could contribute to an adequate assistance and prevention of mental health problems in this population.

Objetives: To verify the prevalence of psychiatric disorders in children and adolescents raised in institutions in three São Paulo State cities; to verify if the prevalence of psychiatric disorders in these individuals differ from the prevalence observed in children and adolescents living with their families; to verify if institutionalization is a risk factor for psychiatric disorders in the presence of other potencial risk factors; to identify the best associative model for psychiatric disorders in this population; to describe the characteristics of the institutions that raise children and adolescents in three São Paulo State cities; to describe the life history of the children and adolescents raised in these institutions.

Method:

Design: Case-control study.

Setting: All (five) institutions for children and adolescents from three São Paulo State cities.

Participants: 63 cases (all institutionalized children and adolescents aged 11-17 years) and 63 controls (schoolmates living with their families randomly selected among eligible pairs; cases and controls matched by gender, age and school grade).

Measurement: Outcome: having at least one psychiatric disorder according to ICD – 10 criteria. Independent variables: socio-demographic data, family characteristics, history of the institutionalization, quality of life in the institutions and other child and adolescent complementary information.

Analysis: Potential risk factors for psychiatric disorders identified by univariate analysis (p< .20) were introduced in logistic regression models. Using the stepwise backward method, two best associative models were identified. The first included cases and controls, while the second included only cases.

Results: 49.2% of cases and 14.3% of controls presented psychiatric disorders (OR=5.8; CI 95%: 2.5-13.7; p< .001); depression was the most common disorder (28.6% of cases and 7.9% of controls). Institutionalization was an independent risk factor for psychiatric disorders in the presence of other risk factors. The first best associative model included: institutionalization, mother missing or dead, poor school performance and inadequate personal hygiene. The second model included the institutions themselves; the probability of presenting psychiatric disorders varied among them.

Conclusions: Institutionalized children and adolescents are more likely to present psychiatric disorders compared to those living with their families. They experience many adversities in life that could explain the association between institutionalization and psychiatric morbidity. Institutions differ in many aspects, including the rate of psychiatric disorders in their children and adolescents. Institutionalized children and adolescents deserve special attention of mental health professionals and society in general in order to minimize personal suffering and favour a healthier development, increasing their chances to succeed in the future.

mail103.gif (4196 bytes) Webmaster: Denise Razzouk  Data da última modificação: 13/12/00