Introdução: A
comunicação e informação médica aos pacientes com câncer têm sido um importante
tema em oncologia nas últimas décadas, refletindo as mudanças ocorridas na atitude dos
médicos frente aos direitos éticos dos pacientes em receber informação. Padrões
culturais de comportamento e características individuais podem determinar a preferência
ou não pela informação. Objetivos: Conhecer as necessidades de
informação geral e específica que pacientes com câncer têm sobre sua condição
médica e se existe correlação com sintomas psiquiátricos menores. Determinar as
características sócio-demográficas relacionadas com querer informação ou não. Métodos:
298 pacientes foram entrevistados em centro oncológico em São Paulo, através de
questionários específicos. Um estudo piloto foi realizado previamente para detectar
possíveis dificuldades no manuseio do material. Resultados: 95% dos
pacientes entrevistados gostariam de receber informação sobre sua doença ,
principalmente se o que têm é câncer (95%), quais são as chances de cura (89%) e
conhecer os efeitos colaterais do tratamento (94%). Querer ou não informação não
esteve relacionado com os dados sócio-demográficos, com ser caso ou não caso pelo
SRQ-20, porém homens jovens querem mais informação que homens mais velhos. Os sintomas
mais freqüentes no SRQ-20 foram os relacionados a sintomas depressivos e mais expressivos
em homens jovens. Conclusões: Diante destes resultados é importante
reconhecer que a comunicação aos pacientes com câncer envolve desejo dos pacientes em
receber informações médicas, porém, é preciso levar em consideração as diferenças
individuais, identificando os mais vulneráveis e deprimidos, para propor intervenções
adequadas.
Introduction:
Communicating and providing medical information to patients with cancer has been a major
issue in oncology, reflecting the trend of physicians to respect the ethical rights of
patients in requiring and receiving information about their diseases Objectives:
To assess the patients' need for generic and specific information on their diseases and
medical conditions, and determine whether such need has a correlation with minor
psychiatric symptoms. To correlate the need for information and socio-demographic
characteristics. Methods: 298 patients were interviewed with specific
questionnaires at an oncology treatment center in São Paulo. A pilot study was
previously conducted to identify potential problems in the handling of the materials. Results:
95% of the sample would like to receive information about their condition, specially if
the diagnosis is cancer, about the chances of cure (89%), and about the side effects of
the treatment (94%). No correlation was found between demographic characteristics
and the need for information, regardless of being considered a case by SRQ-20.
However, younger men tended to demand more information than older men. The most
frequent symptoms observed in the SRQ-20 were those related to depressive symptoms, and
they were stronger in younger men.
Conclusions: In face of these results, it is important to acknowledge
that providing information to patients with cancer is a need to receive such
information. To offer adequate intervention, one should take into consideration
individual characteristics and identifying patients more vulnerable and depressed.