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Residência Médica: um estudo prospectivo sobre dificuldades na tarefa assistencial e fontes de estressebar102.jpg (2735 bytes)

Orientador: Prof. Dr. Miguel Roberto Jorge

 

O objetivo deste estudo prospectivo foi avaliar as dificuldades na tarefa assistencial e as fontes de estresse durante o treinamento na Residência Médica. Foi desenvolvido com residentes de doze programas da Residência médica da Escola Paulista de Medicina. Um questionário de avaliação de atitudes contendo 62 questões foi aplicado em três tempos: início da residência, final do R1 e final do R2. Algumas questões abertas foram incluídas no questionário. Os 52 residentes foram divididos em quatro grupos: Clínica-masculino, Clínica-feminino, Cirurgia-masculino e Cirurgia-feminino. Do ângulo descritivo, foi possível conhecer as principais dificuldades e fontes de estresse antecipadas e percebidas. Paralelamente, foi possível, através das respostas às questões abertas, saber o que os residentes pensavam a respeito de vários aspectos do treinamento. Os dados oriundos da análise descritiva mostraram que:

a quantidade de pacientes e os pacientes hostis e/ou reivindicadores foram as principais dificuldades encontradas pelos residentes na prática assistencial.

as comunicações dolorosas, o atendimento de pacientes terminais e o medo de contrair infecções foram destacados nas questões abertas como situações particularmente difíceis vivenciadas na tarefa assistencial.

o medo de cometer erros, a pressão do tempo, a fadiga, os plantões noturnos, a falta de orienbtação e o excessivo controle pelos supervisores foram as principais fontes de estresse percebidas.

Dois tipos de discursos emanaram dos comentários sobre fontes de estresse: catárticos e reflexivos. Nos primeiros, que foram os mais frequentes, predominaram sentimentos de raiva e revolta associados a vivências de desamparo, desconsideração e exploração.

Nove escalas de avaliação de atitudes foram definidas: seis escalas agrupando questões sobre dificuldades na tarefa assistencial e três escalas com questões sobre fontes de estresse. Para a maioria das escalas, a resposta média dos quatro grupos decresceu significantemente com o tempo, mostrando que as dificuldades na tarefa assistencial e os níveis de estresse durante a resiudência diminuem à medida que o treinamento se desenvolve. O grupo Clínica-masculino foi exceção. Manteve constante através do tempo a resposta média em relação a três escalas ( "pacientes querelantes e não aderentes", "estresse pessoal" e "estresse situacional"). Além disso apresentou, durante o R1, maior dificuldade que os outros grupos em relação a situações de sobrecarga social na assistência. Embora o estudo tenha revelado um saldo positivo do treinamento, os residentes manifestaram opiniões críticas e reivindicaram modificações programáticas, com ênfase na diminuição da sobrecarga de trabalho. Os dados apresentados podem servir de subsídios para o planejamento e avaliação de programas de Residência Médica.

Webmaster: Denise Razzouk