O Composite
International Diagnostic Interview 2.1 (CIDI 2.1) é um questionário padronizado que gera
diagnósticos psiquiátricos de acordo com as definições e critérios da Classificação
Internacional de Doenças, CID 10, décima revisão (Organização Mundial da Saúde,
1992, 1993) e do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, DSM IV,
quarta revisão (Associação Psiquiátrica Americana, 1994), composto por questões que
investigam sintomas psiquiátricos.
Objetivo
Este estudo tem como
objetivo estudar a confiabilidade do CIDI 2.1 na clínica psiquiátrica.
Método
A tradução do CIDI
2.1 foi realizada utilizando o método de retro-tradução. Posteriormente, o
questionário foi testado em um estudo piloto a fim de adequar termos e aprimorar a
tradução; por último as seções foram entregues a especialistas para aferição das
questões. A confiabilidade foi estudada utilizando o método entrevistador-observador. A
amostra foi composta por 186 indivíduos, selecionados a partir do diagnóstico clínico
fornecido pelo médico assistente, procedentes de hospital psiquiátrico, ambulatório de
especialidades psiquiátricas, comunidade e posto de saúde. As entrevistas foram
realizadas por duas equipes distintas; a primeira formada por 13 entrevistadores leigos
(alunos de medicina), submetidos ao treinamento do CIDI, seguido de prática em projeto
piloto; a segunda equipe foi composta por 2 psicólogas e uma assistente social, todos já
com prática no uso do CIDI. Os resultados foram analisados utilizando a CID 10,
avaliando: características demográficas, duração das entrevistas, erros de questões
individuais, confiabilidade geral e de diagnósticos isolados e questões de primeira e
última vez.
Resultados
A amostra estudada
era composta por 54% de mulheres; 62% de solteiros, divorciados, separados ou viúvos; com
idade média de 37 anos e com escolaridade média de 7 anos. A duração média das
entrevistas foi de 2 horas, reduzida para 50 minutos para indivíduos sem diagnóstico
psiquiátrico (SRQ -), aumentada três horas e quarenta minutos para indivíduos com
diagnóstico de Transtorno Alimentar. As seções que apresentaram o maior número de
erros foram as seções E (Depressão), C (Somatização) e G (Esquizofrenia). As
questões com maior freqüência de erro foram: E12, E29, G2 e K22. Não houve diferença
estatisticamente significante entre as duas equipes de entrevistadores (leigo e não
leigo). A confiabilidade geral do instrumento mostrou-se excelente, com Kappa variando de
0,66 (TOC no último ano) a 1 (Transtornos Decorrentes do uso de álcool, tabaco e drogas
e Transtorno Alimentar). No espectro da Esquizofrenia e Outras Psicoses, apresentou uma
confiabilidade de 0,87 e 0,94 para diagnósticos de vida e de último ano,
respectivamente. Para os Transtornos do Humor o Kappa variou de 0,95 (Depressão) a 0,77
(Transtorno Afetivo Bipolar) para diagnósticos os de vida. A menor taxa de concordância
encontrada no estudo foi para o diagnóstico de Episódio Depressivo Leve (k=0,50) no
último ano. Os diagnósticos de Transtornos Dissociativos, Somatoforme e de Ansiedade
Generalizada apresentaram confiabilidade excelente, com valores de Kappa superiores a
0,82.
Conclusão
O treinamento
demonstrou ser uma etapa fundamental para a manutenção de uma boa confiabilidade,
suprindo a falta de conhecimento médico. Algumas questões necessitam ser modificadas a
fim de facilitar sua compreensão e correta aplicação. Aplicado na clínica
psiquiátrica, o CIDI 2.1 apresentou confiabilidade entre-entrevistadores de boa a
excelente, demonstrando ser um instrumento confiável na sua versão em português.
ABSTRACT
The Composite
International Diagnostic Interview 2.1(CIDI 2.1) is a comprehensive, fully standardized
interview that provides psychiatric diagnoses according to the definitions and criteria of
the tenth revision of the International Classification of Diseases (ICD-10) (World Health
Organization 1992, 1993) and the fourth edition of the American Psychiatric
Associations Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV)
(American Psychiatric Association 1994), composed by investigative questions of
psychiatric symptoms.
Objective
The objective of this
work is to study the reliability of the CIDI 2.1 in the psychiatric clinic.
Method
The Portuguese
translation of the CIDI 2.1 was obtained using thea retrotranslation method. Afterwards
the instrument was tested in a field trial to establish adequate terms and improve the
translation. Finally, the sections were submittedgiven to experts. The reliability was
studied using the inter-rater reliability method. The sample was composed of 186
inpatients and outpatients proceeding from psychiatric clinics, the community and a health
post. These patients were selected using their clinical diagnosis as a yardstick. Two
separate teams conducted the interviews. The first team was composed of 13 graduate
medicine students who were submitted to a CIDI training and field trial. The second team
was composed of 2 psychologists and 1 social worker, all 3 possessing good familiarity
with the CIDI. The results were analyzed using the CID 10 criteria, studying demographic
characteristics, length of interview, errors in individual questions, general and specific
diagnostic reliability and first and last time questions.
Results
The sample was
comprised of 54% Fifty four per cent of the sample was comprised of females; , 62% were
single, divorced or widows;, the mean age was 37 years and the mean years of study was 7
years. The mean duration of the interviews was 2 hours, shortening to 50 minutes for
individuals with no psychiatric diagnosis (SRQ-), extending upand leng to three hours and
forty m3:40 minutes for individuals with a diagnosis of Eating Disorder. Sections E
(depression), C (somatization), and G (schizophrenia) displayed the highest error rates.
The individual questions with the highest number of errors where: E12, E29, G2, and K22.
There was no statistical difference between the two teams of interviewers (professional
and paraprofessional.) The general reliability of the instrument proved to be excellent,
with Kappa varying from 0.66 (OCD for diagnosis from the last year) to 1 (Substance Use -
alcohol, tobacco and drugs and Eating Disorder). In relation to schizophrenia the
reliability was 0.87 for lifetime and 0.94 for last year diagnoses. For affective
disorders Kappa ranged from 0.95 (depression) to 0.77 (bipolar disorder) for lifetime
diagnose;. The poorest reliability rate was found in diagnosing Mild Depressive Episode
(k=0.50) in the last year. For the diagnoses of Dissociative Disorder, Somatoform, and
General Anxiety Disorder the reliability was excellent with Kappa above 0.82.
Conclusion
Interviewer training
was shown to be one of the most important factors to maintain a good reliability by
supplying the necessary psychiatric knowledge. Some questions required improvement in
order to facilitate comprehension and aplication. The CIDI 2.1 showed good to excellent
inter-rater reliability in the psychiatric practice, and proved to be a reliable
instrument in this Portuguese version.
I. INTRODUÇÃO
Esta dissertação tem como objetivo
estudar o desempenho do CIDI 2.1 em serviços de saúde mental no Brasil. Para isto, foi
executado um processo complexo e longo, iniciado pela tradução do instrumento,
adaptação transcultural, treinamento de entrevistadores, estudo piloto para acertos no
instrumento e estudo da confiabilidade em amostras de pacientes psiquiátricos e
clínicos. adequando o CIDI a cultura brasileira. Testada sua confiabilidade em uma
pequena amostra, visando corrigir erros de tradução e treinamento de equipe. Por último
o questionário foi aplicado em um grande grupo a fim de verificar sua confiabilidade e
validade para os diagnósticos os quais foi desenhado.
Compositive
International Diagnostic Interview
O CIDI é um
questionário totalmente estruturado que, por meio de algoritmos computadorizados, fornece
diagnósticos psiquiátricos baseados nos critérios da Classificação Internacional de
Doenças (CID10) (1993) e do Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação
Americana de Psiquiatria, versão IV (DSM IV) (Wittchen et al., 1998;American Psychiatric
Association, 1994;American Psychiatric Association, 1994).