Departamento de Psiquiatria da UNIFESP/ Banco de teses

 

A prova de Rorschach, a especialização hemisférica e a Epilepsia

 

 

Autora : Profa. Dra. Latife Yázigi

 

Uma investigação com pacientes acometidos de epilepsia intratável, e submetidos à intervenção neurocirúrgica para tratamento de convulsões, foi conduzida tendo em vista a avaliação psicológica por meio do exame psicodiagnóstico de Rorschach. Foram avaliados 25 pacientes, sete submetidos à lobectomia temporal esquerda, nove à lobectomia temporal direita e nove submetidos à comissurotomia. Os exames ocorreram antes da cirurgia e em acompanhamentos de seis meses, um,dois, três até sete anos. Realizou-se um estudo intragrupal com objetivo de avaliar as mudanças causadas pelo tratamento cirúrgico. Observou-se que os pacientes se beneficiaram da intervenção mostrando melhora no controle dos processos de pensamento, maior uso dos recursos pessoais e melhor adaptação à realidade externa. Foi desenvolvido um estudo intergrupal em que os componentes da prova de Rorschach foram correlacionados com as características de cada um dos hemisférios cerebrais, tendo em vista a lateralidade das funções. Os dados comprovam as noções de que o hemisfério direito é o mais holístico, objetivo, com maior capacidade de elaboração, fazendo maior uso da criatividade, da emoção e da construção espacial; e o esquerdo, mais analítico, crítico, formal e subjetivo. O hemisfério esquerdo responderia pelo tipo esquizorracional e o direito pelo sensoriomotor, segundo a abordagem fenomenológica estrutural do Rorschach. Esses achados nos levam a concluir que nossos pacientes se assemelham àqueles estudados pelos autores que seguem a abordagem da lateralidade em psicopatologia, ou seja, em que o hemisferio que apresenta a disfunção é o que detém o controle da tarefa, diferentemente dos pacientes com dano cerebral, em que o lado intacto assume a dominância do comportamento.

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