epmpq.gif (1789 bytes) BANCO DE TESES  MARIA ANGÉLICA NUNES

Avaliação do impacto de comportamentos alimentares anormais em uma coorte de mulheres jovens do sul do Brasil 

Orientador: Prof Dr Jair J Mari

 

RESUMO

Objetivo: Estudar a prevalência de comportamentos alimentares anormais e a associação com a percepção do peso corporal em uma população de mulheres jovens residentes em Porto Alegre, RS (1a fase). Após 4 anos, foi investigado se a presença de comportamento alimentar anormal seria fator preditivo de transtorno alimentar e foram estimados os coeficientes de validade da versão brasileira do Teste de Atitudes Alimentares-26 (EAT–26) na coorte de mulheres (2afase). Método: Através de um estudo de delineamento transversal e, utilizando o Teste de Atitudes Alimentares (EAT-26) e o Teste de Investigação Bulímica de Edimburgo (BITE), 513 mulheres foram entrevistadas e 56 mulheres identificadas como apresentando comportamento alimentar anormal. Após um seguimento de 4 anos cada mulher positiva foi pareada por duas mulheres controles por idade e área geográfica de residência (n=112), e reaplicado os dois questionários de screening. O desfecho clínico primário foi investigar a presença de comportamento alimentar anormal. Além disso, avaliou-se a presença de transtorno alimentar e outros transtornos psiquiátricos, uso de serviços de saúde e de psicotrópicos. Os resultados obtidos através do EAT-26 foram comparados com diagnósticos originados pela CIDI (CID-10) e foram calculados os coeficientes de validade do teste. Para avaliar a estabilidade temporal do instrumento nos dois tempos foi aplicado o teste–reteste que estimou o coeficiente kappa para cada um dos itens do instrumento. Resultados: Na 1a. fase 10,8% das mulheres apresentaram comportamento alimentar anormal, 30,4% padrão alimentar não usual e, 58,8% das mulheres não apresentaram comportamento alimentar anormal. A percepção do peso corporal - sentir-se gorda, aumentou em 4 vezes a chance das mulheres apresentarem comportamento alimentar anormal, sobrepondo-se ao efeito do índice de massa corporal (IMC). Mulheres que apresentaram comportamento alimentar anormal na 1a. fase tiveram um risco aumentado de apresentar comportamento alimentar anormal após 4 anos (RR= 13; IC, 4,1- 41,2; p< 0,001). O risco relativo de apresentar transtorno alimentar foi de 2,4 (IC, 0,6- 8,6) embora sem significância estatística. Mulheres com comportamento alimentar anormal na 1a. fase tiveram um risco maior para Transtorno Obsessivo Compulsivo (RR= 7,0; IC, 1,4-36,0; p= 0,014); Estresse Pós Traumático (RR= 9,2, IC, 1,0- 84,5; p= 0,036) e Fobia Específica (RR= 2,8; IC, 1,1- 7,5; p= 0,038). O EAT mostrou uma sensibilidade de 40%, especificidade de 84%, valor preditivo positivo de 14%, valor preditivo negativo 95% e taxa de classificação errônea de 18,4%. O coeficiente de Cronbach do teste foi 0,75. Para cada item do EAT, o índice Kappa não mostrou valor superior a 0,344 e o coeficiente de correlação foi mais baixo que 0,488. Conclusões: Os comportamentos alimentares anormais são comuns entre mulheres jovens no Brasil. O EAT –26 mostrou uma sensibilidade e valor preditivo positivo baixo e também apresentou baixa estabilidade temporal. Esses resultados não foram influenciados pela baixa prevalência de transtornos alimentares na comunidade, questionando assim a real habilidade do teste em identificar casos de comportamento alimentar anormal na população. A presença de comportamento alimentar anormal está relacionada à manutenção de um comportamento alimentar alterado e aumenta a probabilidade de apresentar tanto o diagnóstico de transtorno alimentar como outros diagnósticos psiquiátricos. É plausível supor que existe na comunidade um continuum entre comportamento alimentar anormal e transtorno alimentar.