epmpq.gif (1789 bytes) Banco de Teses :Antônio Augusto Neves da Nóbregabar102.jpg (2735 bytes) Doutor em Medicina peloDepartamento de Psiquiatria da Unifesp /  Voltar Banco de Teses hands.gif (114 bytes)

 

Prevalência de transtornos psiquiátricos em pacientes dependentes do álcool em dois serviços ambulatoriais universitários do Estado de São Paulo

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Orientador: Prof. Dr. Miguel Roberto Jorge

 

A tendência atual de compreender o alcoolismo como um fenômeno heterogêneno impõe a delimitação de subtipos de alcoolistas numa tentaiva de homogenizar as subpopulações e promover estratégias de tratamento e profilaxia mais específicas, favorecendo melhores resultados. O presente trabalho teve como onjetivo determinar a prevalência de outros transtornos psiquiátricos associados ao alcoolismo, diferenciando o grupo de pacientes dependentes do álcool em categorias clínicas mais específicas. A amostra foi composta por 218 pacientes alcoolistas (180 homens e 38 mulheres), atendidos em ambulatório de dois centros universitários do Estado de São Paulo, e de um grupo controle de 218 indivíduos não alcoolistas ( 180 homens e 38 mulheres), acompanhantes de pacientes que procuraram o ambulatório geral destes dois centros universitários. Como parte do protocolo de pesquisa utilizamos uma entrevista estruturada para investigação de danos saocio-demográficos, padrão de uso de álcool, problemas associados e história familiar; o questionário Short Alcohol Dependence Data- SADD, para determinação da prevalência nesta popualção de outros transtornos psiquiátricos associados usamos o Schedule for Affective Disorders and Schizophrenia- life time version (SADS-L), instrumento baseado nos critérios diagnósticos do Research Diagnostic Criteria (RDC). A prevalência em toda a vida, "lifetime prevalence", de transtornos psiquiátricos foi significantmente maior na população de alcoolistas (70,2%) do que na população de não alcoolistas (26%). Verificamos tendência a maior frequência de outros transtornos psiquiátricos nas mulheres alcoolistas em relação aos homens alcoolistas. A depressão maior foi o transtorno mais frequentemente associado nos homens (30,5%), seguido de personalidade anti-social (29,4%) e abuso/dependência de outras drogas (23,3%). Entre as mulheres, os transtornos mais encontrados foram depressão maior (50,0%), fobia (21,1%), depressão intermitente e abuso/dependência de drogas, ambas com 15,8%. Os homens alcoolistas sem outros transtornos psiquiátricos associados eram os mais velhos, na sua maioria casados, com problemas físicos mais frequentes e menor índice de tentativas de suicídio. Aqueles com depressão maior eram, em sua maioria, separados, apresentavam maior grau de instrução, maior frequência de tentativas de suicídio e tendência para uso de tranquilizantes associado ao álcool. Os homens alcoolistas com personalidade anti-social eram os mais jovens, com mais baixo grau de escolaridade, idade de início do uso e problemas com o álcool mais precoce e maior número de problemas familiares, trabalho/financeiros, acidentes, detenções e crimes, além de apresentarem maior número de casos de alcoolismo na família. Estes achados indicam a importância de classificar o alcoolismo em relação à associação ou não com outros transtornos psiquiátricos, pois a presença de comorbidades parece modificar o seu curso, e tem implicações terapêuticas.

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