BANCO DE TESES: MARCELO
RIBEIRO
Estudo de seguimento em usuários de crack: mortalidade durante cinco ano
Orientador: Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira
RESUMO Objetivos: Avaliar a mortalidade relacionada ao consumo de crack bem como os fatores de risco envolvidos, identificados a partir de uma análise descritiva da amostra estudada. Desenho: Foi escolhida uma coorte de 131 usuários de crack, internados consecutivamente entre 1992 e 1994, no Hospital Geral de Taipas (HGT), localizado na zona noroeste da cidade de São Paulo. Os pacientes ou seus familiares foram entrevistados em duas ocasiões: entre 1995 e 1996 e entre 1998 e 1999 (presente estudo). Análise estatística: A mortalidade foi longitudinalmente observada por meio da construção de curvas de sobrevida, obtendo-se probabilidades de sobrevida estimadas pelo método de Kaplan-Meier. A fim de determinar fatores capazes de aumentar o risco de morte, as curvas de sobrevida foram estratificadas e as diferenças, comparadas pelo método de log-rank. O risco de morte entre os fatores identificados foi quantificado utilizando-se o modelo de risco proporcional de Cox. Com a finalidade de determinar o impacto da mortalidade bruta observada sobre a população geral, foi feito um ajuste de sexo e idade por meio do método direto para as taxas de mortalidade dos indivíduos estudados, considerando-se como padrão a população do município de São Paulo, em 1996. A partir desse índice, as taxas de excesso de mortalidade e razão de mortalidade foram calculadas. Resultados: Cinco anos após a alta, houve uma melhora da abstinência e dos níveis de emprego entre os usuários do estudo. Metade da amostra voltou a buscar apoio terapêutico entre a alta e o seguimento. Aqueles em tratamento no momento da entrevista tinham como principal motivação para a procura o retorno ao consumo de crack. A chance de sobrevida entre os usuários de crack foi de 80%, com uma taxa de mortalidade bruta anual de 35,11 óbitos/1000 habitantes. A chance de sobrevida foi menor entre os aqueles que haviam utilizado drogas injetáveis ou estavam desempregados na época da internação (p<0,05). A mortalidade ajustada por sexo e idade para o município de São Paulo foi de 24,92 óbitos/1000 habitantes, sendo a mortalidade esperada de 3,28 óbitos/1000 habitantes. Isso significou um excesso de mortalidade de 21,64 óbitos/1000 habitantes e uma razão de mortalidade de 7,6. Mais da metade dos pacientes morreram por homicídios e um quarto, em decorrência da AIDS. Conclusões: Há melhora da abstinência por motivos aparentemente não relacionados à procura por tratamento entre os usuários de crack, sem no entanto possuir estabilidade. A mortalidade entre esses usuários é maior que a esperada na população geral. O consumo na vida de drogas endovenosas e a presença de desemprego na internação estão diretamente relacionados ao aumento da mortalidade entre esses indivíduos. Os usuários de crack do HGT têm tendência a morrerem vítimas de homicídio ou acometidos pela AIDS.
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