epmpq.gif (1789 bytes) BANCO DE TESES FERNANDA GONÇALVES MOREIRA

 Situações Relacionadas ao Uso Indevido de Drogas nas Escolas Públicas da Cidade de São Paulo:Uma aproximação do universo escolar.

Orientador: Prof Dr Sérgio B Andreoli

 

RESUMO

Objetivo: Levantar informações sobre situações direta ou indiretamente relacionadas ao uso indevido de substâncias psicoativas nas escolas municipais de ensino fundamental da cidade de São Paulo, bem como os correspondentes comportamentos, atitudes e conhecimentos sobre o tema dos coordenadores pedagógicos. Método: Estudo etnográfico com informações colhidas com informantes-chave, selecionados pela técnica do “snow-ball”, entre os educadores da rede municipal de ensino locados no setor administrativo da Secretaria Municipal de Educação. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, focando a formação média, as condições de trabalho e as situações comumente vividas pelos Coordenadores Pedagógicos das escolas municipais de São Paulo. Este estudo foi realizado com base no referencial etnográfico e as entrevistas, depois de transcritas, passaram pela análise por meio da técnica de lógica categorial de conteúdo, procurando fixar-se ao fenômeno descrito, sem entrar na interpretação da forma do discurso. Resultados: Entre as dificuldades cotidianas relacionadas ao corpo discente citadas, boa parte guarda relação direta ou indireta com a questão das drogas. A maioria dos entrevistados mostra tranqüilidade na identificação de alunos com problemas de atenção, comportamento ou com problemas familiares, fatores de risco para futuro uso abusivo de substâncias. Em geral, as intervenções relatadas primaram pela compreensão e inclusão do aluno, o que resulta indiretamente numa ação preventiva do uso indevido de drogas. Apesar do discurso teórico predominantemente pautado pelos princípios da “guerra às drogas”, muitas ações inclusivas, coerentes com o movimento de “redução de danos”, foram relatadas, especialmente quando a situação não tinha relação direta ou aparente com o uso de drogas. Quando a questão da droga era explícita, a atitude tendia à maior intolerância e ao preconceito. Em geral, as intervenções visando a inclusão de alunos em situação vulnerável não foram reconhecidas como ações de prevenção. O discurso geral dos entrevistados enfatiza o despreparo e a insegurança da equipe docente para lidar com o problema. A idéia da transmissão de conhecimentos como base da prevenção permeia a maioria dos discursos. A forma de intervenção preventiva mais citada foi palestra. Discussão: Entre os fatores que podem estar associados à relutância dos educadores em apropriar-se do papel de mediador de intervenções preventivas estão: os problemas relativos à formação e informação e o lugar social ocupado pela droga na sociedade atual, além da sobrecarrega do corpo docente. O fato intervenções características da “redução de danos” serem realizadas mesmo por entrevistados que não demonstraram um conhecimento mais sistematizado sobre esta corrente teórica não chega a surpreender, pois a “redução de danos” é um movimento internacional que surgiu da práxis para depois se transformar em conhecimento acadêmico. A profusão de relatos da convocação ou presença da Guarda Civil Metropolitana nas escolas provavelmente se deve à aproximação entre o uso de drogas e a marginalidade no ideário do educador, como na sociedade. Conclusão: O Coordenador Pedagógico pode ser visto como o profissional de eleição para protagonizar a reflexão sobre o uso indevido de drogas nas escolas e sua prevenção. Faz-se necessário não somente a capacitação, mas a valorização profissional do educador. A atitude mais próxima da política da redução de danos parece bastante compatível com a prática do educador aberto à realidade social da escola e sensível às necessidades dos alunos. Os obstáculos a esta prática incluem a conotação moral das drogas, colocadas no lugar de bode expiatório da sociedade atual, associada a baixas condições de trabalho de nossos docentes. Neste sentido, a capacitação teórica dos educadores teria a função de ratificar uma prática desenvolvida a partir da vivência na escola, tornando-os mais seguros nas suas intervenções.