epmpq.gif (1789 bytes) BANCO DE TESES MIGUEL ROBERTO JORGE

 Avaliação Crítica do diagnóstico multiaxial nas classificações psiquiátricas: uma proposta de sistematização do registro de curso da doença

 

Uma das áreas que mais progrediu na psiquiatria, marcadamente desde princípios da década de 70, é a que envolve questões diagnósticas e de classificação dos transtornos mentais. Conceitos básicos como as funções do diagnóstico médico e psiquiátrico, doenças e transtornos, categorias e dimensões, confiabilidade e validade, adequação sócio-cultural, são reexaminados à luz das necessidades surgidas com o avanço do conhecimento e advento dos psicofármacos. Critérios operacionais para o diagnóstico dos transtornos mentais, instrumentos diagnósticos padronizados e novas formas de classificação em psiquiatria também são analisados em relação ao contexto em que foram desenvolvidos. Discutem-se os requisitos científicos fundamentais para a elaboração de classificações taxonmômicas, bem como uma série de termos relacionados à esta área. Analisam-se as origens e evolução históricas dos sistmeas contemporâneos de classificação dos transtornos mentais, desenvolvidos pela Associação Psiquiátrica Americana (o DSM) e pela Organização Mundial de Saúde ( a CID), bem como são apresentados maiores detalhes das versões atualmente em uso. Da mesma forma, analisam-se as classificações brasileiras oficiais que vigoram desde o princípio ddeste século. O nascimento das propostas diagnósticas multiaxiais, que contou com a participação do eminente psiquiatra brasileiro Leme Lopes, seus objetivos, problemas e diferentes aplicações são examinadas de forma a compreender-se o impacto causado pela sua inclusão no DSMIII (e versões que se seguiram) e posterior adoção da CID-10. Analisa-se cada um dos eixos constantes do sistema DSM e a experiência pessoal do autor nos testes de campo do esquema diagnóstico multiaxial da CID-10. Finalmente, apresenta-se uma proposta de sistematização de um eixo diagnóstico contemplando o curso dos transtornos mentais. Para tanto, procedeu-se à análise da literatura publicada entre 1981 e 1995, bem como da CID-10 e do DSM-IV. Como resultado desta análise, cinco variáveis evolutivas foram identificadas como as mais utilizadas pelos diversos autores: idade e modo de início, duração, periodicidade e progressão. Tomando estas variáveis como referência, propõem-se diferentes alternativas para a inclusão do curso dos transtornos mentais como um novo eixo diagnóstico nos sistemas de classificação psiquiátrica.