epmpq.gif (1789 bytes) Banco de Teses : Mário Dinis Lameirão Mateus (Mestrado)bar102.jpg (2735 bytes)Departamento de Psiquiatria da Unifesp

 

Estudo etnográfico de pacientes com Esquizofrenia e seus familiares em São Vicente, Cabo Verde

Orientador: Prof Dr Itiro Shirakawa

Introdução: A República de Cabo Verde é composta por um arquipélago de 10 ilhas localizado na costa ocidental africana. Desabitado em sua origem, foi descoberto por volta de 1460 e colonizado por Portugal, tornando-se um ponto estratégico na rota do tráfico escravista entre África e América. Sua população atual é cerca de 450 mil habitantes (1996), sendo estimados mais de 800 mil cabo-verdianos emigrados. Cerca de 94% da população é mestiça das raças negra e branca e o idioma falado é o crioulo, além do português.

Objetivos: estudar a existência de fatores culturais relevantes na esquizofrenia, tais como concepção da doença; grau de tolerância a comportamentos desviantes (e definição dos mesmos); modelos causais e de tratamento para a doença, mecanismos locais de inserção e exclusão social do paciente com esquizofrenia.

Métodos: foram realizadas entrevistas em profundidade com familiares de pacientes com esquizofrenia sorteados entre os tratamentos no A,mbulatório de Saúde Mental do Hospital Baptista de Sousa, na Ilha de São Vicente nos anos de 1994 e 1995. A entrevista foi semi-aberta, abordando a descrição e história do problema do familiar, estratégias empregadas para lidar com este e referências à sua inserção social e familiar.

Resultados: foram analisadas 20 entrevistas com familiares próximos de 10 pacientes. As principais categorias locais de compreensão do problema são a "cabeça cansada", ö nervoso", e a "doença feita", além da leitura popular das concepções médicas. As explicações causais para oproblema são frequentemente combinadas entre si, podendo ser divididas em causas sobrenaturais, orgânicas e reativas a estressores emocionais e sociais. As atribuições dadas aos tratamentos médico e alternativos também são discutidas.

Conclusões: Aspectos culturais que possivelmente desempenham papel importante na evolução da esquizofrenia foram levantados, tais como a presença de fatores estressores e protetores, o grau de estigmização do paciente, oportunidades de trabalho ou casamento, influências sobre a adesão ao tratamento, entre outros.

Com base nos achados algumas recomendações são propostas aos serviços de saúde mental voltados para populações de cabo-verdianos.

http://www.unifesp.br/dpsiq/posgrad/teses/mario.htm

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