BANCO DE TESES :LEONARDO
P CHAVES
Nicotina e esquizofrenia: um estudo de avaliação da dependência à nicotina através do questionário de tolerância de Fagerstom em pacientes internados e em ambulatório e dos fatores associados ao uso da nicotina em pacientes com esquizofrenia
Orientador: Prof. Dr Itiro Shirakawa
RESUMO Sabe-se que há uma maior taxa de uso de cigarros em indivíduos com o diagnóstico de esquizofrenia, variando de 50 a 90%. Os pacientes portadores de esquizofrenia são fumantes pesados e reconhecem que esse hábito os prejudica e mostram-se interessados em parar de fumar (ADDINGTON et al., 1997; ZIEDONIS et al., 1997). Algumas perguntas vêm surgindo nos últimos anos em relação à vulnerabilidade desses pacientes quanto ao uso da nicotina. É provável que os pacientes fumem por abusar mais e/ou terem uma menor tendência a abandonar o cigarro, uma vez que a nicotina ajudaria na modulação dos sintomas positivos, negativos, cognitivos, depressivos e ansiosos (SANDYK & KAY, 1991; ADLER et al., 1993; GLASSMAN, 1990, 1993), além de agirem diminuindo os efeitos colaterais das medicações neurolépticas (GLYNN & SUSSMAN, 1990; DECINA et al., 1990) O Questionário de Tolerância de Fagerström (QTF) é um questionário rápido e prático de ser aplicado e pode avaliar o grau de dependência do indivíduo para o fumo. Avaliarmos esse grau de dependência em pacientes com esquizofrenia é de extrema importância para que possamos criar estratégias individualizadas para ajudarmos esses pacientes a ficar abstinentes da nicotina, uma vez que por fumarem pesadamente estão sob mais riscos relacionados ao fumo.
OBJETIVOS: O objetivo principal desse estudo foi o de determinar a taxa de uso de nicotina entre pacientes em tratamento ambulatorial e em internação integral com diagnóstico de esquizofrenia e seus transtornos correlatos. METODOLOGIA: Foi feita uma amostra de conveniência com 83 pacientes que se encontravam em tratamento ambulatorial ou em regime de internação hospitalar. A coleta de dados foi realizada com todos os pacientes atendidos no período de abril a maio de 2002. Segui-se então a aplicação de um questionário sociodemográfico e do QTF. RESULTADOS: Encontramos uma taxa de uso de nicotina de 57,8% na amostra de 83 pacientes. Não houve diferença estatisticamente significante em relação ao local de coleta para o grau de dependência à nicotina, sendo que 20 (60,6%) dos pacientes internados e 7 (46,7%) dos pacientes em ambulatório fumavam pesadamente (QTF>= 7). Os fumantes eram predominantemente do sexo masculino, 36 (70,6%) pacientes tinham começado a fumar antes de adoecer e 15 (29,4%) começaram a fumar depois que adoeceram. As doses de neurolépticos não apresentaram diferença significante entre fumantes e não fumantes. Havia 46 (90,2%) pacientes internados que tomavam antipsicóticos típicos. CONCLUSÕES: A taxa de uso de nicotina em pacientes com esquizofrenia e seus transtornos correlatos é alta. O grau de depenência a nicotina pôde ser medido através do QTF. O local de coleta não está relacionado ao grau de dependência da nicotina. O fumo parece ser um marcador biológico para um adoecimento mais grave. Os fatores neurobiológicos desempenham um papel importante tornando os indivíduos portadores de esquizofrenia menos aptos a abandonarem o cigarro. Programas de abstinência ao fumo devem ser especificamente desenhados para atender as necessidades desses pacientes.
Abstract_________________________________________
Introduction: Previous studies of smoking habits of schizophrenic patients have found rates varying from 50 to 90%. Schizophrenic patients are heavy smokers and recognize that this habit is harmful for them and they show interest in quiting smoking (ADDINGTON et al., 1997; ZIEDONIS et al., 1997). Some questions have been raised in the last few years regarding the vulnerability of these patients to nicotine use. It is probable that they smoke because they abuse more and/or they are less likely to quit smoke, once nicotine would help them modulate positive, negative, depressive and cognitive symptoms (SANDYK & KAY, 1991; ADLER et al., 1993; GLASSMAN, 1990,1993), and it would diminish the side effects of antipsychotic medication (GLYNN & SUSSMAN, 1990; DECINA et al., 1990). The Fagerström Tolerance Questionaire (FTQ) is a quick and practical instrument to evaluate individual’s degree of nicotine dependence. Evaluation of the degree of dependence in schizophrenic patients is important to enable us to develop individual strategies to help these patients to quit smoking, since being heavy smokers expose them to greater risk of smoking related problems.
Objective: The main goal of this study was to determine the frequency of nicotine use among people with schizophrenia spectrum disorders and schizophrenic patients as either in or outpatients.
Method: An 83 patients convenience sample that were in or outpatients was selected from April to May, 2002. We applied a social demographic questionaire and the FTQ.
Results: We found a nicotine use rate of 57,8% in our sample. There was no statistically significant difference related to the patient’s treatment settings and the degree of nicotine dependence. Heavy smokers were among in and outpatients (FTQ = 7). Patients who smoked were male, started smoking before the onset of schizophrenia and had had more hospitalizations. Neuroleptic doses did not differ between groups. Fourty-six (90,2%) were taking typical antipsychotic medication.
Conclusions: The nicotine use rate in schizophrenia spectrum disorders and |