epmpq.gif (1789 bytes) BANCO DE TESES  CLÁUDIO JERÔNIMO DA SILVA

Impacto de um curso em diagnóstico e tratamento do uso nocivo e dependência do álcool sobre a atitude e conhecimento de profissionais da rede de atenção primária à saúde. 

Orientador: Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira

 

RESUMO

 

Introdução: o uso do álcool é um problema de saúde pública. Diversos problemas estão associados a ele. A rede Primária é o primeiro local de acesso ao serviço público, portanto os profissionais devem estar preparados para fazer diagnóstico precoce e aplicar Intervenção Breve aos usuários do álcool, mas existem barreiras: a falta de treinamento, a falta de políticas públicas eficazes, e as Atitudes negativas sobre os dependentes do álcool. Objetivos: construir um curso para ser aplicado aos profissionais da Rede Primária de Saúde com foco na mudança dos Conhecimentos e das Atitudes negativas. Espera-se que o curso ajude os profissionais a identificarem precocemente os usuários de álcool de alto risco, usuários nocivos e dependentes e a aplicarem Intervenção Breve (IB). A IB pode ser aplicada em 10 ou 15 min de consulta e tem se mostrado eficaz. Método: foi construído um curso de curta duração e ministrado a uma amostra de conveniência de 178 profissionais (médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem e técnicos em agentes de saúde). Três escalas foram utilizadas: escala de Atitudes; escala de Conhecimentos e Informações Gerais. As escalas foram aplicadas em três momentos diferentes: antes de ser ministrado o curso; imediatamente após; e uma medida de follow-up depois de dois anos. Resultados: Da amostra inicial, seis profissionais foram eliminados do estudo. A amostra final foi de 172. Para o follow-up, devolveram os questionários 141 profissionais. Sobre a formação, a amostra constituiu-se de 19 enfermeiros (11%); 23 (13,4%) técnicos de enfermagem ou agentes de saúde; 10 psicólogos (5,8%) e 100 médicos (58,1%). Sobre treinamento em dependência química, 107 profissionais (62,2%) não tinham recebido nenhum treinamento na graduação; Depois de formado, 165 (95,9%) não tinham recebido nenhum treinamento. Procedeu-se a uma Análise Fatorial da escala de Atitudes e 5 fatores foram formados. Na Analise de Cluster os profissionais foram agrupados segundo os fatores: preparação; pessimismo sobre o prognóstico; etiológico moral; preconceito pessoal; controle do uso. Na análise de comparações múltiplas verificou-se principalmente que o grupo 1 é o mais preconceituoso de todos.
É formado na sua maioria por técnicos. O grupo 2 considera-se o mais despreparado e menos moralista. O grupo 4 é o que reúne os profissionais que mais discordam de que o usuário de álcool possa ter controle sobre seu próprio uso. É o menos moralista de todos os grupos. Formado principalmente por médicos, destaca-se por ser o que menos atende. A mudança de Conhecimento teve aumento significativo em todos os grupos - entre o início e após o curso e entre este e o follow-up (p-value<0,001). Não houve efeito de grupo (F= 1,10,
p-value = 0,359) – houve melhora uniforme em todos os grupos
. Com relação às Atitudes, houve efeito de grupo (F= 3,62, p-value=0,008). O grupo 3 apresentou melhora mais acentuada que os outros. O teste F para comparação das médias mostrou efeito do curso entre os períodos inicial e pós-curso (F221,34 p<0,001) e o período de follow-up de dois anos (F86,14 p<0,001). Conclusão: O curso mostrou ser eficaz na mudança das Atitudes e de Conhecimento. A melhora de conhecimento foi homogênea entre os grupos formados pela análise de Cluster e a melhora de Atitude apresentou diferenças entre os grupos. Houve melhora tanto entre o período inicial e pós-curso como entre o período de follow–up de dois anos.