BANCO DE TESES JACQUELINE SANTANTONIO
Estudo de características da personalidade de adolescentes com Lúpus Eritematoso Sistêmico por meio do método de Rorschach
Orientadora: Profa. Dra. Latife Yazigi
RESUMO Objetivo: Realizar um estudo comparativo entre um grupo de adolescentes com diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistêmico e outro sem a doença, por meio do método de Rorschach, observando: o estilo preferencial de organização do afeto, da emoção e da ideação na resolução de problemas; a proporção de constrição afetiva; a capacidade estrutural de tolerância ao estresse e à influência dos elementos situacionais; os aspectos associados à auto-estima, à autopercepção, e ao relacionamento interpessoal e os recursos para enfrentar as demandas do ambiente. Correlacionar os aspectos da personalidade e da inteligência encontrados com o grau de atividade da doença. Métodos: Foi desenvolvido um estudo de caso-controle, contando com 30 adolescentes de 12 a 17 anos de idade, sexo feminino, com a doença há pelo menos um ano, sem Síndrome Mental Orgânica, alterações neurológicas ou Deficiência Mental Grave avaliada pela Escala Wechsler de Inteligência. A Escala de Atividade da Doença (SLEDAI) foi aplicada no período da avaliação das pacientes pelo método de Rorschach (Sistema Compreensivo) e pela Escala Wechsler de Inteligência. O grupo controle contou com 32 adolescentes não-pacientes, pareadas segundo idade, sexo e nível sócio-econômico (ABIPEME). Resultados: Foi verificada uma diferença importante quanto ao nível de escolaridade, causada pela ausência às aulas em virtude da doença. Há uma tendência a utilizar os processos do pensamento na resolução de problemas, nos dois grupos. As pacientes apresentaram elevada interiorização dos afetos, maiores dificuldades no manejo habitual e situacional do estresse, baixa auto-estima e autopercepção, embora não tenha sido encontrada diferença estatística significante entre os grupos. O déficit relacional está presente nos dois grupos, porém as pacientes revelaram menor habilidade para resolver questões da vida cotidiana. Correlacionando as variáveis do Rorschach com a SLEDAI, foi observado que quanto maior a constrição afetiva, maior o grau de atividade da doença. O resultado na Escala Wechsler de Inteligência das pacientes foi inferior ao esperado, com significante diferença estatística entre os grupos, principalmente relacionada a limitações no raciocínio lógico, o que prejudica o planejamento e a antecipação, interferindo nos resultados do Rorschach. Foi encontrada uma correlação, na qual o grau de atividade da doença é inversamente proporcional ao do desempenho. Conclusões: O aparecimento de uma doença como o Lúpus Eritematoso Sistêmico, na adolescência, interfere no desenvolvimento cognitivo e emocional do jovem. Quanto maior a atividade da doença, menor a utilização das capacidades cognitivas e maior a constrição afetiva. As pacientes evidenciaram uma excessiva internalização dos afetos, o que favorece a somatização. Revelaram também poucos recursos estruturais e atuais para lidar com as situações de crise. A baixa auto-estima e a limitada autopercepção diminuem o ajustamento psicológico, provocando sofrimento, porém favorecem a receptividade ao oferecimento de ajuda. Um acompanhamento psicológico em grupo, além de estimular o contato interpessoal, poderia facilitar a expressão dos sentimentos e a reflexão dos problemas, auxiliando nas dificuldades encontradas no manejo das demandas do ambiente e proporcionando uma melhor qualidade de vida. |