Banco de Teses : Prof. Dr. Jair de Jesus Mari
Professor
Titular do Departamento de Psiquiatria da Unifesp/ Voltar
Banco de Teses
Intervenções familiares e recaídas na
Esquizofrenia: meta - análise dos resultados de pesquisas![]()
| Há uma evidência cada vez mais consistente de que o curso da esquizofrenia varia nas diferentes regiões do mundo, havendo um certo favorecimento de prognóstico nos assim chamadoa países em desenvolvimento. Um fator importante para explicar estas diferenças está relaionado com o ambiente familiar e o tipo de relações entre os familiares mais próximos, como por exemplo o tipo de estrutura familiar, tamamnho, os valores a obrigações, laços, e os modelos de doença incorporados pela família. Pacientes esquizofrênicos são particularmente sensíveis ao ambiente social mais imediato (BEEL et al, 1984), sendo a atmosfera famliar fator de influência no prognóstico da doença. KLEINMAN (1980) observara que o setor familiar na assistência ã saúde deveria ser mais considerado no manuseio das doenças, nas diferentes partes do mundo. A maioria das pesquisas sobre familiares de pacientes esquizofrênicos foram realizadas para testar a teoria das Emoções Expressas (EE), desenvolvida por investigadores britânicos há duas décadas (Brown et al, 1972). Os familiares foram divididos em alta EE e baixa EE segundo os escores obtidos em uma entrevista semi-estruturada, a Entrevista Familiar de Camberwell (VAUGHN & LEFF,1976b), sendo esta dicotomia relacionada com recaídas: a frequência de recaídas era maior nas famílias com altos níveis de EE. Vários estudos seguiram-se ao achados britânicos e a maioria confirmou a realação entre a alta EE familiar e recaída na esquizofrenia. Na última década, uma grande variedade de intervenções familiares com enfoque psicosssocial podem ser sintetizados do seguinte modo: a) promover uma aliança com os familiares que cuidam do paciente esquizofrênico; b) reduzir a adversidade do ambiente familiar ( ou seja, diminuir o clima de sobrecarga emocional através da redução do estresse e do sentimento de opressão dos familiares; c) aumentar a capapcidade resolutiva de problemas dos familiares; d) diminuir a expressão de raiva e culpa; e) manter expectativas de um desempenho exequível por parte do paciente (ou seja, pela manutenção de um balanço adequado entre a promoção de uma melhora no funcionamento do paciente e a super-estimação que aumenta o risco de recaídas ; f) estabelecer limites aprorpriados entre o paciente e ses familiares;g) determinar mudanças no sistema de crenças e comportamentos dos familiares. Todos estes pontos podem ser observados como princípios gerais que são, provavelmente, aplicados em diversas intervenções. A proposta deste estudo é a de avaliar a eficácia e a efetividade da intervenção familiar, na diminuição da ocorência de episódios de recaída em pacientes com esquizofrenia. Os estudos foram identificados através de pesquisa computadorizada na base de dados MEDLINE, pela procura de artigos de revisão e daqueles referidos nos ensaios primariamente identificados. Mais de 400 citações foram revisadas e, entre os artigos potencialmente relevantes, oito ensaios clínicos aleatórios e controlados foram considerados para o estudo de meta-análise. Os critérios para selecionar estudos potenciais, assim como para meta-análise, foram testados através da medida de confiabilidade entre observadores, a qual mostrou uma oa concordância entre dois examinadores independentes (respectivamente, k= 0,83 e k= 0,82). A qualidade dos estudos selecionados foi avaliada independentemente e a extração dos dados consistiu de informações descritivs da população estudada, os tipos de intervenções e a medida dos resultados relevantes. O número total de pacientes incluídos nos oitos estudos foi 486 (241 no grupo controle e 245 no experimental). Com relação à diminuição das recaídas no grupo esperimental, os odds ratios agrupados e ses respectivos intervalos de confiança foram: 0,37 (0,15;0,74) para seis meses; 0,22 (0,09; 0,37) para nove meses; 0,37 (0,14; 0,74) para doze meses; 0,28 ( 0,12; 0,53) para dezoito meses; e 0,17 (0,10;0,35) para o seguimento de dois anos. Dois a cinco pacientes necessitaram ser tratados, para impedir um episódio de recaída durante o seguimento de nove meses. A mudança nas Emoções Expressas entre os grupos experimental e de controle, durante os seguimentos de nove meses e um ano combinados, se mostrou marginalmente significante ( p < 0,06) a favor do grupo experimental. Super-envolvimento emocional foi também marginalmente significante ( p < 0,07), e não houve diferença estatística na distribuição dos comentários críticos e hostilidade.Além disso, o grupo experimental mostrou, através do tempo, um aumento significante na aderência medicamentosa e na redução da hospitalização. Estes achados foram discutidos em vista dos ingredientes potenciais da eficácia de intervenções familiares, enfocando-se a limitação do uso do espisódios como medida primária da eficácia com pacientes esquizofrênicos. |
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